Abrir menu principal

Alterações

33 bytes adicionados ,  13h12min de 11 de novembro de 2012
desambiguações + ajustes
[[FicheiroImagem:Plevna monument.jpg|300px|thumb|Monumento a Plevna próximo ao muro de [[Kitai-gorod]]]]
 
[[Ficheiro:Punch - The Dogs of War.png|Rússia se prepara para soltar os cães de guerra dos Bálcãs, enquanto que a Grã-Bretanha pede cautela. Ilustração da ''[[Punch Magazine|Punch]]'' de 17 de junho de [[1876]]|thumb|300px|right]]
A guerra '''russo-turca de 1877–1878''' foi originada pelo desejo da [[Império Russo|Rússia]] de obter acesso ao [[mar Mediterrâneo]] e de capturar a península dos [[Bálcãs]], controlada pelo [[Império Otomano]]. A guerra trouxe como resultado a declaração formal de independência dos principados de [[Sérvia]], [[Montenegro]] e [[Romênia]], que já haviam possuído soberania ''de facto'' por algum tempo. Apesar da [[Bulgária]] ter permanecido formalmente sob controle otomano até 1908, procurou recuperar sua condição de Estado soberano.
 
Uma revolta contra os otomanos ocorreu na [[Bósnia e Herzegovina]] no verão de [[1875]], devido principalmente às altas taxas cobradas pela decadente administração otomana. Mesmo com a redução das taxas, a revolta se manteve até o final deste ano e finalmente acarretou na [[revolta de abril]] de [[1876]]. As tensões na Bósnia e o suporte russo incentivaram os principados da Sérvia e de [[Montenegro]] a declararem guerra contra seus soberanos otomanos em julho. A guerra despertou as ambições imperialistas das potências da região: [[Império Russo|Rússia]] ([[Alexander Gorchakov|Príncipe Gorchakov]]) e [[Áustria-Hungria]] ([[Julius Andrassy|Conde Andrássy]]) fizeram um acordo secreto, o [[acordo de Reichstadt]], em [[8 de julho]], de repartir a península dos Bálcãs conforme o resultado da guerra.
 
[[FicheiroImagem:Punch - The Dogs of War.png|Rússiathumb|esquerda|O [[Império Russo]] se prepara para soltar os cães de guerra dos [[Bálcãs]], enquanto que a [[Grã-Bretanha]] pede cautela. Ilustração da ''[[Punch Magazine|Punch]]'' de 17 de junho de [[1876]]|thumb|300px|right]]
Em agosto de 1876, forças da Sérvia, auxiliadas por búlgaros e russos, foram derrotadas pelo exército otomano, o que prejudicou os objetivos dos russos e austríacos, pois assim não poderiam exigir possessões otomanas. Como resultado, ocorreu a [[Conferência de Constantinopla]] em dezembro de 1876. Na conferência, sem a participação de representantes otomanos, as grandes potências discutiram as possíveis fronteiras de uma ou mais futuras províncias autônomas búlgaras do [[Império Otomano]].
 
A conferência foi interrompida pelo [[ministro das relações exteriores]] otomano, que informou aos delegados que o Império Otomano aprovara uma nova [[constituição]]. Apesar disso, a Rússia manteve as hostilidades alegando que a constituição era apenas uma solução parcial. Por meio de negociações diplomáticas, os russos asseguraram a inatividade da Áustria-Hungria em operações militares futuras. Na [[Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda|Grã-Bretanha]], o posicionamento político variava. Apesar do forte suporte civil para a ideia de uma libertação da Bulgária, fomentada na Grã-Bretanha por porta-vozes do último[[primeiro-ministro]] Primeiro Ministroanterior, [[William Gladstone]], o líder contemporâneono momento, [[Benjamin Disraeli]], estava muito mais pessimista acerca das intenções russas. Ele posicionou seu país como defensor do Império Otomano, como os britânicos haviam feito na [[Guerra da Crimeia]], vinte anos antes.<ref name="stavrianos">{{cite book|first=L.S.|last=Stavrianos|authorlink=L. S. Stavrianos|title=[[The Balkans since 1453|The Balkans Since 1453]]|location=London|publisher=C. Hurst & Company|year=2000|id=ISBN 1-85065-551-0}}</ref> A falta de uma política uniforme é evidente nas negociações da Conferênciaconferência. O delegado britânico, [[Robert Gascoyne-Cecil|Lorde Salisbury]], negociou com o correspondente russo, o conde [[Nicolau Pavlovitch Ignatiev]], e estava disposto a alcançar um acordo de compromisso. A Bulgária seria dividida em uma província oriental e uma ocidental e a Bósnia-Herzegovina seria unificada em uma única província. As três províncias teriam um grau considerável de [[autonomia]], incluindo uma assembleia provincial e uma polícia local. Além disso, a Sérvia não seria forçada a ceder nenhum território e Montenegro obteve permissão para manter suas áreas ocupadas na Herzegovina e no norte da [[Albânia]].<ref name="stavrianos"/>
 
== A guerra ==
 
A [[Império Russo|Rússia]] declarou guerra contra oso [[otomanosImpério Otomano]] em [[24 de abril]] de [[1877]]. Alega-se que houve inúmerosmuitos erros de estratégia e julgamento em ambos os lados, mas isso era um problema comum nas guerras contemporâneas, da [[Guerra da Crimeia]] à [[Guerra dos Bôeres]].
 
Os otomanos restringiram-se à defesa passiva, deixando espaço para iniciativas estratégicas dos russos, que, após alguns erros, encontraram uma boa estratégia para vencer a guerra. O comando militar otomano em [[Istambul|Constantinopla]] fez cálculos ruins sobre a estratégia de movimento russa. Eles consideraram que os russos não estariam dispostos a marchar ao longo do [[Danúbio]] e atravessá-lo longe do delta, mas que prefeririam o caminho mais curto, pela costa do [[Marmar Negro]]. A região costeira possuía os maiores e mais bem supridos e defendidos fortes turcos. Havia apenas uma força bem equipada no interior do rio Danúbio, [[Vidin]]. Estava guarnecida apenas porque as tropas, lideradas por [[Osman Paşa]], haviam recentemente vencido os sérvios na recente guerra que estes tiveram contra os otomanos.
 
A campanha russa foi mais bem planejada, mas apostou muito na passividade dos turcos, que foram mais agressivos do que o esperado, tornando imprevisível o resultado da guerra. Outro grande erro foi o de mandar poucas tropas inicialmente: o Danúbio foi atravessado em junho por uma força expedicionária de cerca de 185 mil, pouco menos do que o total das forças turcas nos BalcãsBálcãs (cerca de 200 mil). Após alguns contratempos para os russos em julho, em Plevna e [[Stara Zagora]], o comando militar percebeu que não havia reservas para manter a ofensiva, que é trocada então por uma estratégia defensiva. Os russos não possuíam forças suficientes para fazer um bloqueio adequado em Plevna até agosto, o que levou ao atraso de toda a campanha por aproximadamente dois meses.
 
[[Ficheiro:Shipka field.jpg|thumb|275px|''Campo de batalha próximo a Shipka'']]
No início da guerra, a Rússia destruiu todos os navios ao longo do Danúbio e o rio foi [[Mina naval|minado]]. Em junho, uma pequena unidade russa atravessou o Danúbio próximo ao delta, em [[Galaţi]], e marchou até [[Ruse (Bulgária)|Ruse]].
 
Com o avanço russo, as forças de Osman Paşa marcham em direção ao forte de [[Nikopol (Bulgária)|Nikopol]] para reforçá-lo. Quando estava a caminho, descobriram que os russos já haviam tomado o forte e moveram-se então para Plevna, atual [[Pleven]]. A Rússia não possuía mais tropas para lançar contra Plevna e resolveu [[cerco|sitiá-la]]. Requisitaram reforços extras aos romenos, que em pouco tempo, atravessaram o Danúbio e se incorporaram ao cerco.
 
O [[cerco de Pleven]] foi bem-sucedido apenas após os russos e romenos cortarem as fontes de suprimentos do forte, enfraquecendo-o e forçando os turcos à rendição. No final de novembro, as forças otomanas tentaram quebrar o cerco e fugir, mas fracassaram. O comandante Osman Paşa, capturado e ferido, se rendeu.
 
== Conclusão e intervenção das Grandesgrandes Potênciaspotências ==
 
[[Ficheiro:Taking of Izmail.jpg|thumb|305px|''A tomada de [[Izmail]] em 1877'' por Aleksey Kivshenko.]]
 
== Conclusão e intervenção das Grandes Potências ==
 
Sob pressão dos britânicos e tendo sofrido enormes perdas, a Rússia aceitou a trégua oferecida pelo Império Otomano em [[31 de janeiro]] de [[1878]], mas continuou a mover-se até Constantinopla.
 
Os britânicos enviaram frotas navais para intimidar os russos, que param suas forças em [[Yeşilköy|Santo Estêvão]] (''San StefanoYeşilköy'' em italianoturco, ''Agios Stephanos'' em grego ou ''Yeşilköy'' em turco). Finalmente, a Rússia assina o [[Tratado de Santo Estêvão]] em [[3 de março]], pelo qual os otomanos reconheceram a independência da [[Romênia]], [[Sérvia]], [[Montenegro]] e a autonomia da [[Bulgária]]. A medida seria confirmada pelo [[Tratado de Berlim (1878)|Tratado de Berlim]], quatro meses mais tarde.
 
Alarmados com a extensão do poder russo nos BalcãsBálcãs, as [[Grandesgrandes potências]] forçaram posteriormente modificações no tratado durante o [[Tratado de Berlim (1878)|congressoCongresso de Berlim]]. A maior mudança seria a divisão da Bulgária, conforme acordos anteriores entre as Grandesgrandes Potênciaspotências, que procuravam impedir a criação de um novo Estado eslavo de grande extensão: as regiões ao norte e ao leste se tornariam principados ([[Principado da Bulgária]] e [[Rumélia Oriental]]), com governantes distintos, enquanto que a região da [[Macedônia (região)|Macedônia]], originalmente parte da Bulgária, retornaria à administração otomana.<ref name="stavrianos"/>
 
{{referências}}
39 494

edições