Diferenças entre edições de "Itálico"

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Em [[tipografia]], os tipos '''itálicos''' são fontes [[cursivas]] cujo desenho das letras minúsculas, baseia-se numa estilizada forma caligráfica.
'''Itálico''' é um tipo de [[letra]], que utiliza [[caractere]]s cursivos.
 
Devido à influência da [[caligrafia]], esses tipos, podem inclinar-se ligeiramente para a direita. A forma das letras difere, no entanto, da forma das letras romanas. Itálicos verdadeiros são, no entanto, distintos dos tipos oblíquos, em que a fonte romana é ligeiramente inclinada. Por outro lado, as letras maíusculas de fontes itálicas geralmente se baseiam no desenho das maísculas romanas, porém, inclinadas.
Não há uma regra gramatical quanto ao uso do estilo de fonte itálico. Contudo, no [[Brasil]], as normas [[ABNT]] recomendam o emprego do itálico para destacar palavras ou frases em língua estrangeira. Em [[Portugal]], as regras de legística do governo apontam para a utilização de itálico sempre que for necessário escrever uma palavra em idioma estrangeiro,<ref>[http://dre.pt/pdfgratis/2010/10/19700.pdf Regras de legística na elaboração de actos normativos pelo XVII Governo Constitucional, artigo 18.º (Expressões em idiomas estrangeiros)]</ref> prática refletida no ''[[Diário da República]]''. No ''[[Jornal Oficial da União Europeia]]'' o itálico é utilizado em vocábulos, frases ou períodos em língua estrangeira intercalados no texto português.<ref>[http://publications.europa.eu/code/pt/pt-5010100.htm Código de Redação Interinstitucional. Anexo B1 Uso do itálico]</ref>
 
[[File:Garamond italica.jpg|thumb|600px|center|Caracteres minúsculos e maísculos itálicos da família Garamond]]
[[File:Garamond romana.jpg|thumb|600px|center|Caracteres minúsculos e maísculos romanos da família Garamond]]
 
Esse estilo é chamado "itálico" por questões históricas. Fontes caligráficas passaram a ser desenvolvidas na [[Itália]]. [[Ludovico Arrighi]] e [[Aldus Manutius]] (ambos entre os séculos XIV e XVI) foram os mais importantes tipógrafos e impressores da época envolvidos nesse processo.
 
===História===
Em 1501 Francesco Grifo (1450/1518), criou o ''itálico tipográfico'': tipos em metal inspirados nas letras cursivas das chancelarias Italianas para a imprensa venziana de [[Aldus Manutius]]. Os tipos itálicos de Griffo economizavam espaço, em relação aos tipos romanos e
foram utilizados para compor, em 1501, uma obra de Virgilio na oficina de Manutius. O itálico foi criado, naquela época, para ser utilizado como fonte de texto e não como fonte auxiliar, como é utilizada atualmente. <ref>[Heitlinger, Paulo. Site tipográfos.net. Disponível em: http://www.tipografos.net/historia/griffo.html Acesso em 17.12.2012 </ref>
 
Francesco Griffo trabalhou junto com Aldus Manutius para desenvolver o primeiro tipo itálico baseado nas letras de chancelaria. As letras minúsculas da tipografia em metal itálica foi projetada para uso em livros. A ideia de Manutius era a de usar os tipos itálicos para economizar espaço e manter o custo da produção baixo, devido a economia de papel. <ref>Clair, Kate. Manual de Tipografia; a historia, as técnicas e a arte. Bookman, 2009. ISBN 978-85-7780-371-2</ref>
 
Em Portugal é costuma-se se referir a itálico por ''grifo''. <ref>[Heitlinger, Paulo. Site tipográfos.net. Disponível em: http://www.tipografos.net/historia/griffo.html Acesso em 17.12.2012 </ref>
 
[[File:Niccolo de Niccoli italic handwriting.jpg|thumb|right|Sample of [[Niccolò de' Niccoli|Niccoli's]] cursive script, which developed into Italic type]]
O tipo itálico foi utilizado pela primeira vez por [[Aldus Manutius]] na [[Imprensa Aldina]] em 1501 na edição de [[Virgílio]]. <ref>{{Citation |title= Eats, Shoot & Leaves: The Zero Tolerance Approach to Punctuation|last= Truss|first= Lynn|year= 2004|publisher= Gotham Books|location= New York|isbn= 1-59240-087-6|page=77}}</ref> Based on the Humanist cursive script first developed in the 1420s by [[Niccolò de' Niccoli]],<ref>[[Berthold Ullman|Berthold Louis Ullman]], ''The origin and development of humanistic script,'' Rome, 1960, p. 77</ref> it served as a condensed type for simple, compact volumes.<ref name=Updike>{{citation |first=D.B. |last=Updike |title=Printing Types: Their History, Form and Use |publisher=Harvard University |year=1927}}</ref> As [[punções|punções]] para esses tipos foram cortadas por [[Francesco Griffo|Francesco Griffo]] também conhecido por Francesco da Bologna. Em 1501 Aldus Manutius escreveu a seu amigo Scipio:
 
{{quote|Nós imprimimos e agora estamos publicando as [[Sátiras de Juvenal|Sátiras de Juvenal e Persius]] em um formato bem pequeno, para que seja convenientemente segurado pelas mãos e aprendido pelo coração (sem falar em ser lido) por todos.}}
 
Diferentemente dos tipos itálicos de hoje, as letras maiúsculas eram capitais romanas verticais, mais curtas que os ascendentes das letras itálicas minúsculas e eram produzidas cerca de 65 letras com ([[ligatura tipográfica | ligaturas]]) nos livros Dante e Virgílio Aldinos de 1501.
 
===Diferenças entre fontes itálicas e fontes romanas===
[[File:Italico times arial.jpg|thumb|Diferenças entre Times Itálica e Romana e Arial Romana Inclinada e Romana]]
Uma das diferenças perceptíveis entre as fontes romanas e as fontes itálicas consiste no fato de que as romanas são eretas (90°) e as itálicas são levemente inclinadas para a direita. No entanto a principal diferença é o fluxo e não a inclinação. As fontes itálicas possuem estrutura cursiva e contínua, diferente das romanas. As serifas itálicas são frequentemente transitivas: são traços na entrada e saída da letra, tendendo a inclinar-se em ângulo natural da escrita. <ref>[Bringhurst, Robert. Elementos do Estilo Tipográfico. São Paulo: Ed. Cosac & Naify. 2005 </ref>
 
Algumas itálicas podem ser mais cursivas que outras, assim como as romanas podem, vez ou outra, conter traços caligráficos. No entanto, toda fonte itálica tende ser muito mais cursiva que as romanas.<ref>[Bringhurst, Robert. Elementos do Estilo Tipográfico. São Paulo: Ed. Cosac & Naify. 2005 </ref>
 
As primeiras itálicas produzidas eram pouco inclinadas e eram desenhadas para ser utilizadas com romanas maiúsculas eretas. Há exemplos de itálicas manuscritas do século XV sem inclinação. Existem versões tipográficas antigas e modernas de fontes itálicas cuja inclinação é de apenas 2° ou 3°. Todavia, há versões que podem chegar até 25°.<ref>[Bringhurst, Robert. Elementos do Estilo Tipográfico. São Paulo: Ed. Cosac & Naify. 2005 </ref>
 
As fontes romanas e itálicas foram bastante independentes até o século XVI. Antes disso muitos livros eram compostos ou com tipos itálicos ou com tipos romanos, nunca revesando-os. No renascimento, as duas versões foram utilizadas no mesmo contexto. Normalmente as romanas eram utilizadas no texto principal, e o itálico eram utilizado nos prefácios e nas notas laterais, versos e em citações blocadas. Foi dado o costume de deixar a romana como principal e itálico para enfatizar e especificar determinadas informações, desenvolveu-se no século XVI e estabilizou no século XVII. Os tipógrafos barrocos admiravam a mistura das romanas e itálicas, pois as mesmas foram úteis a editores e autores. A modulação e uso de ambos acabou se tornando “regra”.
 
Desde o século XVII houve tentativas falhas de neutralizar a natureza cursiva do itálico, redesenhando um tipo de segundo molde de romano o que são chamados de “romanos desenhados”, o que não passam de romanos inclinados conhecidos também, como oblíquos. Aos poucos os tipos itálicos minúsculos foram sofrendo alteraçãp e se tornando romanos inclinados, e suas proporções foram alteradas. Por isso muitos itálicos são de 5% à 10% mais estreitos que os romanos. Porém, muitos romanos inclinados (menos os desenhados por Eric Gill) são bem mais largos que os seus companheiros romanos. <ref>[Bringhurst, Robert. Elementos do Estilo Tipográfico. São Paulo: Ed. Cosac & Naify. 2005 </ref>
 
==Exemplos==
Exemplos de tipos ([[Romanos|romano]])'' e ''itálico verdadeiro'' text:
 
[[File:Italico romano.jpg|thumb|600px|center|texto em romano e itálico da família Garamond]]
 
O mesmo exemplo ''[[tipo oblíquo|oblíquo]]'':
 
[[File:Romano inclinado.jpg|thumb|600px|center|texto em romano e romano obliquo - neste caso forçou-se a inclinação do tipo romano Garamond]]
 
== Usos ==
Não há uma regra gramatical quanto ao uso do estilo de fonte itálico. Contudo, no [[Brasil]], as normas [[ABNT]] recomendam o emprego do itálico para destacar palavras ou frases em língua estrangeira. Em [[Portugal]], as regras de legística do governo apontam para a utilização de itálico sempre que for necessário escrever uma palavra em idioma estrangeiro,<ref>[http://dre.pt/pdfgratis/2010/10/19700.pdf Regras de legística na elaboração de actos normativos pelo XVII Governo Constitucional, artigo 18.º (Expressões em idiomas estrangeiros)]</ref> prática refletida no ''[[Diário da República]]''. No ''[[Jornal Oficial da União Europeia]]'' o itálico é utilizado em vocábulos, frases ou períodos em língua estrangeira intercalados no texto português.<ref>[http://publications.europa.eu/code/pt/pt-5010100.htm Código de Redação Interinstitucional. Anexo B1 Uso do itálico]</ref>
 
* Ênfase: "Ela estava ''realmente'' cansada."
* Nomes de navios
 
{{Referências|Notas e referências}}
 
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