Diferenças entre edições de "Cunhambebe"

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'''Cunhambebe''' foi um famoso chefe [[indígena]] [[Tupinambá]] brasileiro que viveu no século XVI. Foi a autoridade máxima entre todos os líderes [[Tamoios]] da região compreendida entre o [[Cabo Frio]] ([[Rio de Janeiro]]) e [[Bertioga]] ([[São Paulo]]). Foi aliado dos [[França|franceses]] que se estabeleceram na [[Baía de Guanabara]] em 1555, no projeto da [[França Antártica]]. É citado na obra do religioso [[França|francês]] [[André Thévet]] [[Les singularitez de la France Antarctique]] e na obra do aventureiro alemão [[Hans Staden]] [[Duas Viagens ao Brasil|História Verdadeira...]].
Noticia-se que o chefe tamoio, em rituais canibais de sua tribo, tenha devorado mais de sessenta portugueses<ref>BUENO, Eduardo. Brasil: uma história: cinco séculos de um país em construção. São Paulo: Leya, 2010. Pág. 23.</ref>.
 
Era Cunhambebe alto e membrudo. O viajante Thevet, que o viu, diz que não era possível suportar muito tempo o brilho dos seus olhos. O grande Morubixaba tinha um aspecto que impunha o respeito e infundia o terror.
 
Quando, dentro da grande praça de ocara, Cunhambebe presidia uma assembleia de chefes, o seu vulto se destacava entre os vultos dos outros: assim na mata a figura colossal de um velho jequitibá domina todas as outras arvores. Tinha o rosto e o peito cobertos de cicatrizes, que eram a história viva dos combates sem conta em que entrara. E ele mesmo dizia que, em toda a sua vida, já tinha provado a carne de dez mil inimigos... Trazia no lábio inferior um grosso pedaço de pau; e nas suas orelhas balançavam-se enormes brincos; cingindo o pescoço um largo colar de búzios. Quando o seu cocar aparecia, todos os outros cocares se curvavam...
 
Porque Cunhambebe era o chefe dos chefes, todos os morubixabas das tribos que povoavam o litoral, desde Cabo Frio até Bertioga, prestavam obediência a esse temido, de quem, nos combates, partia o primeiro ato de bravura, e de quem, na paz, partia o primeiro conselho sensato.
Não tinham números as suas canoas de guerra. Finas e ligeiras, agilmente impelidas pelos remos fortes, essas igaras percorriam a costa, assaltando colônias, e não receando das batalhas ...às grandes caravelas europeias. Muitas vezes, uma dessas grandes naus artilhadas e poderosas se via de repente cercada de um turbilhão de canoas, e essas embarcações pequeninas, atacando a embarcação formidável, que vomitava nuvens de fogo e ferro pela boca de sua artilharia, eram como gaivotas em torno de uma grande baleia. Muitas vezes, também, ao romper da alva, as colônias de São Vicente e Santos viam o mar coalhado de igaras. Cunhambebe desembarcava com os seus guerreiros, saqueava os estabelecimentos, retirava-se, carregado de despojos, e ia recolher a sua ligeira e terrível marinha nos recôncavos em que moravam entre Angra e São Sebastião.
 
Mas não era cruel o grande chefe, que de tão absoluto poder dispunha. Mais orgulhoso que mau, costumava dar liberdade aos prisioneiros só para que eles fossem contar aos estrangeiros o prodígio da sua força e a supremacia do seu nome. Só ele, com a sua gente, demorou por muitos anos a colonização dessa parte do litoral. Nunca talvez tiveram os colonizadores pior inimigo. Foi Cunhambebe quem, para fazer mal aos portugueses, apoiou os franceses na baía do Rio de Janeiro. E para vence-lo, foi mister que contra os seus exércitos se coligassem, unidas aos exércitos de Mem de Sá, as tribos que temiam e invejavam o heroico morubixaba.
 
O litoral do sul do Brasil guarda, em cada uma de suas angras, uma recordação de Cunhambebe. O nome do herói, que atrasou a colonização dessa parte do Brasil, merece, apesar disso, ser lembrado, porque Cunhambebe defendia com bravura os privilégios da sua raça, e a bravura, sempre digna de admiração.
 
 
Faleceu de "peste" (provavelmente [[varíola]]) após a chegada dos colonos franceses de [[Nicolas Durand de Villegagnon]] à Baía de Guanabara.
No início do [[século XVII]], não havia mais nenhum Tupinambá na região do [[Rio de Janeiro]], a não ser os convertidos ao [[catolicismo]] e os utilizados como serviçais pelos portugueses.
{{esboço-históriabr}}
 
'''Confederação dos Tamoios'''
 
Brás Cubas recebeu extensas sesmarias, logo transformadas em fazendas, em São Vicente, Santos e São Tomé, as quais precisavam de braços para produzir. Mas, como na colônia não havia mão de obra disponível, pois os escravos negros eram poucos, Brás Cubas investiu contra os nativos, escravizando-os, mesmo com a oposição dos jesuítas.
 
Para isso, organizava expedições a fim de aprisiona-los, do litoral de Cananéia, São Paulo, até Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Nesse trecho dominavam os nativos tupinambás. Numa das investidas de Brás Cubas nessa região, os nativos foram aprisionados, assassinados e tiveram suas palhoças incendiadas.
 
De outra vez, Brás Cubas entrou na baía de Guanabara e invadiu a Aldeia de Uruçumirim, do Cacique Tupinambá Cairuçu. Matou guerreiros desprevenidos e o velho Tuxaua a golpes de adaga. Aprisionou alguns nativos, incendiou malocas e raptou a mulher do Aimberê, filho do morubixaba. Os nativos foram acorrentados e enviados com o produto do saque em canos da expedição, retornando a São Vicente. Foi um massacre cruel, injustificável.
 
A pilhagem da Aldeia Uruçumirim, com a matança de homens e crianças, provocou a ira dos tupinambás e seus vizinhos. Aimberê fugiu do engenho de Brás Cubas e conclamou a união dos nativos, para expulsarem o vizinho sanguinário, cruel, predador. Aimberê foi apoiado pelos nativos que haviam sofrido a perda de parentes, de suas ocas, e os que se sentiram ameaçados pelos perós (portugueses arrogantes).
Insuflando os nativos, os franceses conseguiram que o chefe Cunhambebe, conhecido pelos tupinambás como tamuya, mais velhos, os reunissem para o ataque a São Vicente e ao Colégio São Paulo de Piratininga.
 
As Nações Nativas, locadas em torno do território tupinambá, esqueceram as rivalidades tribais e uniram-se contra os lusitanos ilhados no litoral brasileiro. Aimberê, Jagoanhará, Pindobussu, Caoquira, tendo por cacique-chefe Cunhambebe (pai), todos os tupinambás e goianazes, organizaram-se, cada qual executando uma tarefa de guerra. Uns cuidavam da alimentação, outros dos arcos e flechas. Jagoanhará comandou as forças terrestres. A Cunhambebe coube o comando das forças marítimas, compreendendo as velozes iguarassus (canoas guerreiras).
Nessa época existiam, na Ilha Grande, inúmeras aldeias de nativos confederados: tupinambás, temiminós, carijós, de onde partiram milhares de guerreiros para lutar contra os lusitanos de Bertioga, Santos, São Vicente e Cananéia. Muitos arcos de guerra foram feitos ali, das melhores madeiras, assim como as famosas iguarassus guerreiras.
 
Os colonos recorreram aos jesuítas, que conheciam bem os nativos, procurando o padre Manoel da Nóbrega, superior da Companhia de Jesus no Brasil.
 
Padre Manoel da Nóbrega e Padre José de Anchieta, que falava o nheengatu, língua tupi, partiram de São Vicente no pequeno veleiro de genovês Guiseppe Adorno, em 18 de abril de 1563, cm destino a Iperoibe. Essa aldeia tuxua caoquira ficava em frente à ilha dos Porcos, próxima ao rio Curupacê, que servia de limite entre as capitanias de Santo Amaro e Rio de Janeiro. Os jesuítas ofereceram-se como reféns, em garantia para que Aimberê conversasse com os portugueses sobre a paz.
 
Segundo Aylton Quintiliano (em seu livro “Guerra dos Tamoios”), o combate entre nativos e portugueses iniciou-se por volta de 1554/55, sendo mais intenso em 1562 e 1563, quando os portugueses quase foram derrotados, o que não ocorreu porque os nativos perderam tempo tentando argumentar com os invasores sobre a possibilidade de paz.
 
A epidemia de tifo, em 1957, e a guerra, que só terminou em 1567, reduziram drasticamente a população nativa do litoral.
Tendo recebido denúncia, através dos jesuítas, de que Brás Cubas escravizava nativos, saqueava e incendiava as aldeias na ilha Grande, Mem de Sá, terceiro Governador-Geral do Brasil, veio pessoalmente , em 1567, investigar os fatos, ficando na região cerca de um ano.
Inexplicavelmente, Mem de Sá, que veio apurar crimes contra os nativos, mandou destruir taperas tupinambás na Ilha de Itacuruçá (RJ), em 16 de agosto de 1567.
 
A sífilis, a tuberculose, a lepra, a varíola e o alcoolismo disseminados pelos europeus também vitimaram os nativos em elevado número. Outro poderoso fator de extinção foi a matança sumária feita pelos caçadores de nativos. A morte dos principais chefes tupinambás contribuiu para a dissolução dos nativos remanescentes, que se embrenharam nas florestas vizinhas.
 
Os nativos tupinambás desapareceram do rio de Janeiro, Santo Amaro e São Vicente e, com eles, sua cultura.
 
 
 
 
'''CANÇÃO DO TAMOYO'''
''Gonçalves Dias''
 
Não chores, meu filho;
 
Não chores, que a vida
 
É luta renhida;
 
Viver é lutar.
 
A vida é combate
 
Que os fracos abate.
 
Que os fortes, os bravos,
 
Só pode exaltar.
 
 
 
Um dia vivemos!
 
O homem que é forte
 
Não teme da morte;
 
Só teme fugir;
 
No arco que enteza
 
Tem certa uma presa
 
Quer seja tapuya,
 
Condor ou tapyr.
 
 
 
O forte, o covarde
 
Seus feitos inveja
 
De ver na peleja
 
Garboso e feroz;
 
E os tímidos velhos
 
Nas graves conselhos,
 
Curvadas as frontes,
 
Escutam-lhe a voz!
 
 
 
Domina se vive;
 
Se morre, descansa,
 
Dos seus na lembrança,
 
Na voz do porvir.
 
Não cures da vida!
 
Se bravo, se forte!
 
Não fujas da morte,
 
Que a morte há de vir!
 
 
 
E pois que és meu filho,
 
Meus brios reveste:
 
Tamoyo nasceste,
 
Valente serás.
 
Se duro guerreiro,
 
Robusto, fragueiro,
 
Brasão dos tamoyos
 
Na guerra e na paz.
 
 
 
Teu grito de guerra
 
Retumba aos ouvidos
 
D’inimigos aos transidos
 
Por vil comoção;
 
E tremam d’ouvi-lo
 
Pior que o sibilo
 
Das setas ligeiras
 
Pior que o trovão.
 
 
 
E a mãe nessas tabas
 
Querendo calados
 
Os filhos criados
 
Na lei do terror;
 
Teu nome lhes diga
 
Que a gente inimiga
 
Talvez não escute
 
Sem pranto, sem dor!
 
 
 
Porém se a fortuna
 
Traindo teus passos,
 
Te arroja nos laços
 
Do inimigo falaz,
 
Na última hora
 
Teus feitos memora
 
Tranquilo nos gestos,
 
Impávido, audaz.
 
 
 
E cai como o tronco
 
Do raio tocado,
 
Partiu, rojado
 
Pro larga extenção:
 
Assim morre o forte!
 
No passo da morte
 
Triunfa, conquista
 
Mais alto brasão.
 
 
As armas ensaia,
 
Penetra na vida;
 
Pesada ou querida,
 
viver é lutar.
 
Se o duro combate
 
Os fracos abate,
 
Aos fortes, aos bravos
 
Só pode exaltar.
 
 
==Referências==
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"A Pátria Brasileia" 28º edição - Coelho Neto e Olavo Bilac
 
[[Categoria:Índios do Brasil Colonial]]
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