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[[FicheiroImagem:Ottoman Sultan selim III 1789.jpg|thumb|Pintura de 1789 mostrando o [[sultão otomano]] [[Selim III]] em audiência em frente ao ''Portão da Felicidade'', no [[Palácio de Topkapı|Palácio Topkapı]], a residência imperial e centro de poder do [[Império Otomano]]]]
 
[[FicheiroImagem:Ankara Muzeum B20-08.jpg|thumb|Esculturas de cabeças de touro descobertas em [[Çatalhüyük]], provavelmente uma das cidades mais antigas do mundo.]]
 
A '''História da Turquia''' inicia-se nos tempo [[Pré-história|pré-históricos]] mais antigos. A [[Turquia]] como país com a configuração atual só surgiu na década de 1920, quando o [[Império Otomano]] foi abolido e substituído pela República da Turquia, mas esta pode considerar-se uma legítima sucessora de uma série de impérios que tiveram o seu centro de poder no que é a Turquia contemporânea.
{{Artigo principal|Anatólia|História da Anatólia|Império Bizantino}}
 
A [[Anatólia|Península da Anatólia]], que constitui a maior parte do que é hoje a Turquia, é uma das regiões continuamente habitadas desde há mais tempo em todo o mundo. Os assentamentos [[Neolítico|neolíticosneolítico]]s mais antigos, como [[Pınarbaşı (sítio arqueológico)|Pınarbaşı]], [[Aşıklı Höyük]], [[Kaletepe Deresi]], [[Çatalhüyük]], [[Çayönü]], [[Nevalı Çori]], [[Hacilar]] e [[Göbekli Tepe]] e [[Yumuktepe]] (esta última dentro da atual cidade de [[Mersin]]), encontram-se entre os mais antigos do mundo.{{Ntref|name=enref||Grande parte do texto foi baseado na tradução do artigo|en|Turkey|398154752}}<ref name=Thissen />
 
[[FicheiroImagem:Troy1.jpg|left|thumb|Parte dos lendários muros de [[Troia|Troia (VII)]], identificado como cenário da [[Guerra de Troia]] (c. {{AC|1200|nl}})]]
 
O assentamento de [[Troia]] foi fundado no Neolítico e foi habitado até à [[Idade do Ferro]]. Ao longo da história, os anatólios falaram línguas [[línguas indo-europeias|indo-europeias]], [[Línguas semíticas|semíticas]] e [[Línguas caucasianas meridionais|caucasianas meridionais]], além de outras de filiação incerta.<ref name=Thissen /> A antiguidade da [[língua hitita]] indo-europeia e das [[Língua luvita|línguas luvitas]] levou alguns estudiosos a pôr a hipótese da Anatólia ter sido o centro a partir do qual as línguas indo-europeias se difundiram.<ref name=mbalter />
O assentamento [[calcolítico]] de Kaneš (ou Kanesh ou Neša em hitita), situada junto à atual aldeia de [[Kültepe]], perto de [[Kayseri]], habitado desde o {{AC|4º milénio|nl}}, tornou-se o primeiro entreposto comercial da história. No {{AC|século XX|nl}} existiam no local duas localidades — a cidade hitita de Kaneš e a de Karum, uma colónia assíria, onde florescia o comércio entre hititas e assírios.<ref name=rg674 /> Os [[Assíria|assírios]] colonizaram partes do que é hoje o sudeste o centro-leste da Turquia entre {{AC|1950|nl}} e {{AC|612|nl}}, ano em que os [[Caldeus]] conquistaram o Império Assírio da [[Babilónia]].<ref name=uakron /><ref name=aina />
 
[[FicheiroImagem:Hittite fruit cup detail.JPG|thumb|upright|Vaso cerâmico de fruta [[hititas|hitita]] do primeiro quarto do {{AC|2º milénio|nl}} encontrado em Kültepe. Do acervo do {{ilc|Museu das Civilizações da Anatólia||Anadolu Medeniyetleri Müzesi}} (''Anadolu Medeniyetleri Müzesi''), em [[Ancara]].]]
 
Após o colapso do império hitita, os [[frígios]], outro povo indo-europeu tornou-se o mais poderoso da região, até que o seu reino foi destruído pelos [[cimérios]] no {{AC|século VII|nl}}<ref name=metmus1 /> Os estados mais poderosos dentre os sucessores dos frígios foram a [[Lídia]], a [[Cária]] e a [[Lícia]].<ref name=rg957 />
{{Artigo principal|Danismendidas|Sultanato de Rum|Império Otomano}}
 
[[FicheiroImagem:Kizil-kule-40-3-5v-cilind.jpg|upright=1.2|thumb|esquerda|O topo da [[Kızıl Kule]] (Torre Vermelha) e [[Castelo de Alanya]], construções seljúcidas do {{séc|XIII}} em [[Alanya]].]]
 
Os [[turcos seljúcidas|seljúcidas]] eram um ramo dos [[Oguzes|turcos oguzes]] (''Kınık Oğuz'' ou ''Oğuzlar'') que no {{séc|X}} viviam na periferia dos [[História do Islão|domínios muçulmanos]] dos [[Abássidas]], a norte dos mares [[Mar Cáspio|Cáspio]] e de [[Mar de Aral|Aral]], num dos ''yabghu khagans'' da confederação oguz.<ref name=wink /> No {{séc|XI}} os seljúcidas começaram a abandonar as suas terras ancestrais e a migrar para as regiões orientais da Anatólia, que se tornariam a pátria dos oguzes após a [[Batalha de Manziquerta]], em 1071, na qual os turcos derrotaram os bizantinos. Esta vitória foi determinante para a formação do Sultanato seljúcida da Anatólia (ou [[Sultanato de Rum]]), que começou como um ramo separado do [[Império Seljúcida]] que dominava partes da [[Ásia Central]], [[Irão]], Anatólia e [[Sudoeste Asiático]].{{ntref2|enref}}<ref name=mango_byz />
 
Em 1243 os exércitos seljúcidas foram derrotados pelos [[Império Mongol|mongóis]], o que causou a progressiva desintegração do poder seljúcida, que na prática passou para as mãos de uma série de [[principado]]s ([[beilhique]]s ou ''beyliks'') que, tendo começado por ser tributários do Sultanato de Rum, ganharam independência a partir do {{séc|XIII}}. Um destes beilhiques, o dos [[turcos otomanos|otomanos]] (''osmanlı''), acabou por se impor aos restantes, principalmente a partir do reinado de [[Osman I|Osman&nbsp;I]], que declarou a independência em 1299 e é oficialmente considerado o fundador da dinastia otomana. O beilhique otomano expandiu-se ao longo dos dois séculos seguintes, absorvendo os restantes estados turcos da Anatólia, e conquistando territórios na [[Trácia]], [[Balcãs]] e no [[Levante (Mediterrâneo)|Levante]], tornando-se o [[Império Otomano]]. Em 29 de maio de 1453 os otomanos liderados pelo [[sultão]] [[Mehmed II]], apelidado de ''Fatih'' ("conquistador", "vitorioso"), acabaram com o Império Bizantino ao [[Queda de Constantinopla|conquistarem a sua capital]], Constantinopla, um acontecimento que muitos consideram marcar o fim da [[Idade Média]]. <ref name=kinross />
 
[[FicheiroImagem:OttomanEmpireIn1683.png|thumb|O [[Império Otomano]] em 1683.]]
 
O Império Otomano atingiu o seu apogeu nos séculos&nbsp;XVI e XVII, quando foi uma das maiores potências mundiais, particularmente durante o reinado de [[Solimão, o Magnífico]], que durou de 1520 a 1566. No final do {{séc|XVI}} os territórios sob administração otomana estendiam-se sobre uma área de 5,6 milhões de km², que ia desde os Balcãs e partes da [[Hungria]] a oeste, até ao que são hoje os [[Mundo árabe|países árabes]], além de quase toda a costa mediterrânica do [[Norte de África]] e de todas as áreas costeiras do [[Mar Negro]].<ref name=shaw />
No mar, os otomanos combateram pelo controle do [[Mar Mediterrâneo|Mediterrâneo]] com a [[Liga Santa (Mediterrâneo)|Liga Santa]], constituída por diversos estados cristãos, nomedamente a [[República de Veneza]], a [[Espanha]] e [[Áustria]] dos [[Casa de Habsburgo|Habsburgos]], os Cavaleiros de São João ([[Ordem Soberana e Militar de Malta|Ordem de Malta]]) e a generalidade dos estados italianos. A expansão marítima otomana no Mediterrâneo só foi detida pela derrota na [[Batalha de Lepanto]] (7 de outubro de 1571). No [[Oceano Índico]] os otomanos combateram contra as armadas portuguesas para defenderem o [[monopólio]] ancestral do comércio marítimo entre a [[Índia]] e [[Ásia Oriental]] com a Europa, seriamente ameaçado pela [[descoberta do caminho marítimo para a índia]] por [[Vasco da Gama]] em 1498. Além dos confrontos militares com cristãos, os otomanos defrontaram-se ocasionalmente com os [[Irão|persas]] (por vezes aliados dos portugueses) nos séculos&nbsp;XVI, XVII e XVIII, quer por disputas territoriais, quer por diferendos religiosos.<ref name=kirk />
 
[[FicheiroImagem:Battle of Lepanto 1571.jpg|upright=1.2|thumb|esquerda|A [[Batalha de Lepanto]], travada em 1571 entre as armadas cristãs da [[Liga Santa (Mediterrâneo)]] comandadas por [[João de Áustria]] e a armada otomana, comandada por {{ilc|Müezzinzade Ali Paşa||Müezzinzade Ali Pasha|[[Müezzinzade Ali Paxá}}]] na costa grega, perto do {{Ilink condicional|Golfo de Pátras||Golfo de [[Pátras]]}}. A vitória dos cristãos foi determinante para parar a expansão otomana no Mediterrâneo.]]
 
Os séculos XVIII e XIX foram de declínio para o Império Otomano e durante este período o império foi gradualmente diminuindo em tamanho, poderio militar e riqueza. No final do {{séc|XIX}} e início do {{séc|XX}} a [[Alemanha]] de [[Guilherme II da Alemanha|Guilherme II]] tornou-se um dos principais aliados do império, o que levou os otomanos a entrar na [[Primeira Grande Guerra]] ao lado dos [[Impérios Centrais]]. Apesar das vitórias obtidas por [[Kemal Atatürk|Mustafa Kemal]] (que viria a ficar conhecido por Atatürk), nomeadamente a da [[Campanha de Galípoli|Galípoli]], uma derrota inesperada para as forças britânicas e francesas, onde morreram quase meio milhão de homens de ambos os lados e que fez de Mustafa Kemal um herói nacional, a guerra representou uma pesada derrota para o Império Otomano.<ref name=rg957 />
 
Durante a guerra, ocorreram deportações em massa e massacres contra as minorias cristãs, contrariando a tradição secular de tolerância e convivência pacífica que caracterizava o regime otomano. Os otomanos temiam que as comunidades cristãs pudessem apoiar subversivamente os [[Aliados da Primeira Guerra Mundial|Aliados]], nomeadamente a [[Grécia]], que não disfarçava os seus planos de ocupar uma parte considerável dos territórios otomanos, incluindo Constantinopla (a ''[[Megáli Idea]]''), e o [[Império Russo]], que apoiava a criação de um estado independente [[Arménia|arménio]]. As populações [[arménios|arménias]] foram particularmente afetadas, calculando-se que o chamado [[genocídio armênio|genocídio arménio]] se tenha cifrado em cerca de 1,5&nbsp;milhões de mortos. Além dos arménios, foram mortos muitos civis de etnia grega e {{ilc[[Assírios|assíria|Assírios (etnia)|Assírios (povo)}}]]. Tais massacres continuam a ser oficialmente negados pelas autoridades turcas.<ref name=umd1 /><ref name=totten /><ref name=bloxham />
 
[[FicheiroImagem:W Beach Helles Gallipoli.jpg|thumb|Fotografia tirada em [[Gallipoli]] em 7 de janeiro de 1916, pouca antes da evacuação final das forças britânicas.]]
 
Poucos dias após o [[Armistício de Mudros]], de 30 de outubro de 1918, que marcou o fim das hostilidades da Primeira Grande Guerra no Médio Oriente, as potências europeias vitoriosas ocuparam Constantinopla, tendo as primeiras tropas chegado à cidade a 12 de novembro. [[Ocupação de Esmirna|Esmirna foi ocupada]] por tropas gregas a 21 de maio de 1919.<ref name=kinross />
{{Artigo principal|Guerra de independência turca}}
 
[[FicheiroImagem:TreatyOfSevres (corrected).PNG|thumb|left|Mapa da partição do [[Império Otomano]] prevista no [[Tratado de Sèvres]] assinado em 1920.]]
 
A ocupação de Istambul pelos Aliados e de Esrmina pelos gregos, com o apoio tácito dos restantes Aliados, despoletou a criação do [[Movimento Nacional Turco]], criado em 19 de maio de 1919 sob a liderança de Mustafa Kemal. O movimento opunha-se à divisão e ocupação do país e a sua [[fundação do Movimento Nacional Turco|fundação]] é geralmente apontada como o primeiro evento da [[Guerra de independência turca]].<ref name=mango_atat /><ref name=enjoytr1 />
Aos confrontos políticos somaram-se os militares, um pouco por toda a parte e envolvendo todos os lados, embora em diferentes graus. A nordeste travou-se a [[Guerra Turco-Armênia]], que terminou em dezembro de 1920 com os tratados de [[Tratado de Alexandropol|Alexandropol]] e de [[Tratado de Kars|Kars]].<ref name=groong /> A [[Guerra Franco-Turca]] teve como palco o sudeste e sul — aí as hostilidades terminaram em março de 1921, com a assinatura do [[Tratado de Paz da Cilícia]] e, posteriormente, do [[Tratado de Ancara (1921)|Tratado de Ancara]], em outubro.
 
[[FicheiroImagem:Kuvva-i Milliye millitias, 1919.png|thumb|upright=1.1|Milícias nacionalistas turcas fotografadas em 1919.]]
[[FicheiroImagem:Smyrna-massacre-refugees-1922.jpg|thumb|upright=1.1|Gregos da Anatólia desembarcando em [[Esmirna]] aquando da conquista da cidade pelas forças nacionalistas, em setembro de 1922.]]
 
Os combates mais sangrentos deram-se entre os nacionalistas turcos e as forças gregas ([[Guerra Greco-Turca (1919-1922)|Guerra Greco-Turca]]), as quais chegaram a ter o controlo de grande parte da Anatólia a oeste e sudoeste de [[Ancara]], quartel-general dos nacionalistas, a qual chegou a estar na eminência de ser conquistada. A guerra com os gregos atingiu o impasse em setembro de 1921 com a vitória dos nacionalistas na sangrenta batalha de [[Batalha de Sakarya]], que decorreu a cerca de 80&nbsp;km a sudoeste de Ancara.<ref name=enjoytr1 /><ref name=britannica1 /> No verão de 1922 os nacionalistas turcos empreenderam uma ofensiva contra as forças gregas que culminou na tomada de Esmirna, que marcou a derrota definitiva dos gregos e ficou tristemente célebre pelas pilhagens, massacres e pelo grande incêndio que devastou a cidade.<ref name=shaw /><ref name=nyt1 />
A paz foi alcançada com o [[Armistício de Mudanya]], assinado por todas as partes a 11 de outubro de 1922. A 24 de julho de 1923 foi assinado o [[Tratado de Lausana]], onde se reconhecia formalmente o governo dos nacionalistas sediado em Ancara como sucessor do poder otomano e se definiam as fronteiras da Turquia.<ref name=britannica1 />
 
O fim da guerra ficou ainda marcado pela primeira [[transferência populacional ]] compulsiva em larga escala do {{séc|XX}}, que envolveu a [[Troca de populações entre a Grécia e a Turquia|troca entre os cidadãos]] cristãos da Turquia (na sua maioria [[Igreja Ortodoxa Grega|gregos ortodoxos]]) e os muçulmanos da Grécia, acordada em conversações paralelas às que desembocaram no Tratado de Lausana. As deportações em massa e fugas de populações gregas da Anatólia e de turcas da Grécia já tinham começado antes da Primeira Guerra Mundial e intensificaram-e durante a Guerra Greco-Turca.<ref name=Gilbar /><ref name=Kantowicz /><ref name=Hirschon /> Calcula-se que cerca de 2 milhões de pessoas foram deslocadas das suas terras ancestrais — um milhão e meio de gregos e turcos cristãos da Anatólia e meio milhão de turcos e gregos muçulmanos da Grécia.<ref name=Gibney /> Os cristãos de Istambul foram poupados à expulsão, embora muitos deles tenham optado por emigrar. No entanto, as leis discriminatórias das décadas de 1930<ref name=Vryonis /> e 1942 e os incidentes violentos de 1955 contra a comunidade grega de Istambul provocou a diminuição drástica do número de gregos nessa cidade, que passou de {{fmtn|200000}} em 1924 para pouco mais de {{fmtn|2500}} em 2006.<ref name=dimostenis />
 
==República==
{{Artigo principal|História da República da Turquia|Reformas de Atatürk}}
 
[[FicheiroImagem:Mustafa_Kemal_Ataturk_looking_through_a_train_window_over_Turkish_flagMustafa Kemal Ataturk looking through a train window over Turkish flag.jpg|left|thumb|upright|[[Kemal Atatürk|Mustafa Kemal Atatürk]], herói da independência (implantação da república) e primeiro presidente da Turquia, discursando na [[Grande Assembleia Nacional da Turquia]] (parlamento).]]
 
===Primeiros anos e reformas de Atatürk===
A República da Turquia foi oficialmente proclamada a {{dtlink|29|10|1923}}.<ref name=shaw />
 
O evento que provaria fatal para o califado foi o facto de dois irmãos indianos, [[Maulana Muhammad Ali]] e [[Maulana Shaukat Ali]], líderes do movimento baseado na [[Índia britânica]] {{ilc|Khilafat|Movimento Khilafat|Campanha Khilafat}} terem distribuído panfletos apelando ao povo turco para que mantivesse o califado para bem do [[Islão]]. Isso enfureceu Kemal, que viu no ocorrido uma chance de acabar com o califado, descrevendo o incidente como uma intervenção estrangeira, um insulto à soberania turca e, pior ainda, como uma ameaça à segurança do estado. Por iniciativa de Kemal,<ref name=Deringil /><ref name=Haddad /><ref name=Kedourie /><ref name=BLewis />{{ntref2|encalif}} a 3 de março de 1924 a Assembleia Nacional decretou a abolição do califado e a expulsão da família real otomana, o que constituiu um claro sinal da irreversibilidade e laicidade do regime.<ref name=enjoytr1 />
 
Mustafa Kemal tornou-se o primeiro presidente da [[república]] e empreendeu um vasto programa de reformas que tinha como objetivo de tornar a Turquia um estado secular moderno, baseado na ideologia que é conhecida como [[kemalismo]].<ref name=shaw /> As mulheres passaram a ter os mesmos direitos legais que os homens, inclusivamente de voto, numa altura em que as mulheres de muitos países europeus não tinham direito de voto. Foi publicado um [[código civil]] baseado no [[Suíço]] e um [[código penal]] baseado no [[Itália|italiano]].<ref name=timur />
 
Em 1924 foi lançada uma reforma drástica da [[educação]], passando esta a estar a cargo do estado, tendo sido encerradas todas as escolas privadas ou religiosas, acabando com o domínio islâmico da educação. Os [[madraçal|madraçais]] (escolas islâmicas) foram extintos, sendo criados em sua substituição escolas religiosas dependentes do estado (''[[Escola ımam hatip|''ımam hatip'']]'').<ref name=meb1 /> As ordens religiosas foram igualmente encerradas.<ref name=ordemrel /> Mustafa Kemal convidou o filósofo e [[Pedagogia|pedagogo]] americano [[John Dewey]] a visitar a Turquia para o aconselhar nessas reformas.<ref name=wgazo /> Em 1928 foi adotado o [[alfabeto turco]], de [[Alfabeto latino|grafia latina]],<ref name=time1 /> em substituição dos alfabetos [[Alfabeto árabe|árabe]] e {{ilc|persa|[[Alfabeto persa|Alfabeto persa-árabe|Alfabeto árabe-persa}}]], com a justificação que nenhum deles era adequado à [[fonética]] do turco e que, por ser mais fácil de ensinar, seria um fator decisivo para atingir um dos objetivos das reformas: a [[alfabetização]] de toda a população.<ref name=meb1 /><ref name=yalin />
 
O uso de roupa ocidental foi encorajado, sendo inclusivamente decretadas leis banindo o uso de certas roupas, como por exemplo, em 1925, a proibição do [[Tarbush|fez]], o chapéu emblemático dos funcionários públicos otomanos,<ref name=fez1925 /> e da lei de vestuário de 1934, que proibiu o uso de véus e turbantes em instituições públicas.<ref name=veu1934 /><ref name=economist17363686 /> Em 1934 foi publicada uma lei que obrigou todos os cidadão turcos a adotar um [[Sobrenome|sobrenome de família]]. Até aí era muito raro o uso de sobrenomes de estilo ocidental entre os muçulmanos da Turquia, embora as populações cristãs os usassem. Essa lei atribuiu também o sobrenome honorífico ''Atatürk'' (pai dos turcos) a Mustafa Kemal,<ref name=mango_atat /> decretando que esse nome só poderia ser usado por ''Gazi Mustafa Kemal Atatürk''. <ref name=mrdowling1 /><ref name=lei34 />
 
[[FicheiroImagem:Mustafa Kemal establishment of model farms.ogg|thumb|260px|Visita de Atatürk a uma quinta-modelo.]]
[[FicheiroImagem:First female MPs of the Turkish Parliament (1935).jpg|thumb|260px|Em 1935 foraforam eleitas 18 deputadas para o parlamento turco, numa altura em que as mulheres de muitos países europeus não tinham [[Sufrágio feminino|direito de voto]].]]
 
===Segunda Guerra Mundial e Guerra Fria===
O golpe militar de 1997 é chamado por muitos de ''golpe [[Pós-modernidade|pós-moderno]]'' porque os militares não tomaram o poder de facto, limitando-se a impor as suas condições que passavam principalmente pela defesa da manutenção estrita do secularismo kemalista, por oposição às tendências islâmicas de alguns dos partidos mais votados.<ref name=sabah97 /><ref name=wt1 /><ref name=latimes1 /> A Turquia tem vivido em democracia desde as eleições de 1999 que se seguiram a esse golpe, mas é notória uma fractura entre os partidos islâmicos moderados no poder e os setores mais tradicionalistas, mas ao mesmo tempo mais adeptos de reformas do regime, por um lado, e os setores mais fiéis ao secularismo herdado do kemalismo e os militares, que continuam com muito poder político e que desde os tempos da Guerra da Independência se assumem como guardiões da ideologia de Atatürk.
 
[[FicheiroImagem:Recep Tayyip Erdogan-WEF Davos 2009.jpg|left|thumb|O primeiro-ministro turco [[Recep Tayyip Erdoğan]] no [[Fórum Econômico Mundial|Fórum Económico Mundial]] de 2009, em [[Davos]], [[Suíça]].]]
 
O referendo de 12 de setembro de 2010 abriu caminho a alterações constitucionais que vão no sentido de aproximar a democracia turca aos modelos ocidentais e retiram poder político e imunidade judicial aos militares, nomeadamente aos que participaram no golpe de 1980. O sim no referendo teve o apoio de setores islâmicos menos moderados porque se espera que a liberalização acabe de vez com as proibições radicalmente laicas impostas Atatürk, das quais a mais emblemática é a proibição do uso do véu em instituições públicas, nomeadamente escolas, o que, segundo alguns leva a que as jovens de famílias mais conservadoras tenham dificuldades no acesso à educação devido às crenças religiosas que as obrigam a usar véu em público.<ref name=economist17363686 /><ref name=isn1 /><ref name=hurriyet1 /><ref name=middleeastp1 />
{{Notas|grupo=nt}}
 
{{Referências|col=2|refs=
{{Divref-ini|altura=475}}
<references>
 
<ref name=Thissen>{{Citar web|url=http://www.canew.org/files/Thissen%20lecture.pdf|titulo=Time trajectories for the Neolithic of Central Anatolia|primeiro=Laurens|ultimo=Thissen|acessodata=20 de novembro de 2010|data={{dtext|23|11|2001}}|obra=www.canew.org|publicado=CANeW – Central Anatolian Neolithic e-Workshop|lingua2lingua3=en|arquivourl=http://web.archive.org/web/20070605005726/http://www.canew.org/files/Thissen%20lecture.pdf|arquivodata={{dtext|5|6|2007}}|formato=pdf}}</ref>
 
<ref name=mbalter>{{Citar periódico|url=http://www.sciencemag.org/content/303/5662/1323|titulo=Search for the Indo-Europeans|jornal=[[Science]]|editora=[[Associação Americana para o Avanço da Ciência|AAAS]]|doi=10.1126/science.303.5662.1323|lingua3=en|primeiro=Michael|ultimo=Balter|volume=303|numero=5662|paginas=1323|data={{dtext|27|2|2004}}|pmid=14988549}}</ref>
<ref name=ec11829711>{{Citar web|url=http://www.economist.com/node/11829711|titulo=The abolition of the Caliphate|acessodata=26 de junho de 2011|obra=www.economist.com|publicado=[[The Economist]]|lingua3=en|arquivourl=http://www.webcitation.org/5zjrCfWaL|arquivodata=26 de junho de 2011}}</ref>
 
<ref name=timur>{{Citar periódico|titulo=O Papel da Lei Islâmica na Reforma Legal Turca|jornal=Anais da Faculdade de Direito de Istambul|editora=[[Universidade de Istambul]]|lingua2lingua3=tr|primeiro=Hıfzı|ultimo=Timur|ano=1956|local=[[Istambul]]}}</ref>
 
<ref name=meb1>{{Citar web|url=http://www.meb.gov.tr/Stats/apk2001ing/Section_3/1TransformationMotivated.htm|titulo=Education since the republic|acessodata=23 de novembro de 2010|ano=2002|obra=www.meb.gov.tr|publicado=Ministério da Educação da Turquia|lingua3=en|arquivourl=http://web.archive.org/web/20080628080949/http://www.meb.gov.tr/Stats/apk2001ing/Section_3/1TransformationMotivated.htm|arquivodata={{dtext|28|6|2008}}}}</ref>
<ref name=ordemrel>{{Citar wikisource|tr|Tekke ve Zaviyelerle Türbelerin Seddine ve Türbedarlıklar İle Bir Takım Unvanların Men ve İlgasına Dair Kanun||Lei de 1925 que extinguiu as ordens religiosas}}</ref>
 
<ref name=wgazo>{{Citar periódico|url=http://web.archive.org/web/20080520103023/http://www.bilkent.edu.tr/~jast/Number3/Gazo.html|titulo=John Dewey in Turkey: An Educational Mission|jornal=Journal of American Studies of Turkey|editora=American Studies Association of Turkey|lingua3=en|primeiro=Ernest|ultimo=Wolf-Gazo|numero=3|paginas=15–42|ano=1996|issn=1300-6606|local=[[Ancara]]|acessadoem=21 de novembro de 2010}}</ref>
 
<ref name=time1>{{Citar web|url=http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,786894,00.html|titulo=Turkey: Nationalist Notes|acessodata=23 de novembro de 2010|data=23 de julho de 1928|obra=www.time.com|publicado=[[Time (revista)|Revista Time]]|lingua3=en|arquivourl=http://web.archive.org/web/20071213001710/http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,786894,00.html|arquivodata=13 de dezembro de 2007}}</ref>
<ref name=hale>{{Citar livro|autor=Hale, William Mathew|título=Turkish Politics and the Military|editora=Routledge|lingua3=en|ano=1994|id={{ISBN|0-4150-2455-2}}}}</ref>
 
<ref name=nubati1>{{Citar livro|título=Amnesty International: Turkey Briefing, London, November 1988, AI Index Eur/44/65/88|editora=[[Amnistia Internacional]]|lingua3=en|data=1998|id={{ISBN|0 86210 156 5}}|local=[[Londres]]}}</ref> Diponível ''online'' em: {{Citar web|url=http://ob.nubati.net/wiki/Illustrated_Reports_of_Amnesty_International#Turkey_Briefing|titulo=Illustrated Reports of Amnesty International|acessodata=23 de novembro de 2010|data=15 de outubro de 2009|obra=ob.nubati.net|publicado=Library of HO from HF in HH|lingua3=en|arquivourl=http://www.webcitation.org/5uRglVfDT|arquivodata=23 de novembro de 2010}}</ref>
 
<ref name=bbcpkk>{{Citar web|url=http://news.bbc.co.uk/2/hi/8352934.stm|titulo=Turkey's PKK peace plan delayed|acessodata=23 de novembro de 2010|data=10 de novembro de 2009|obra=news.bbc.co.uk|publicado=BBC|lingua3=en|arquivourl=http://www.webcitation.org/5uRgI5iNW|arquivodata=23 de novembro de 2010}}</ref>
<ref name=trembeu>{{Citar web|url=http://www.turkishembassy.org/index.php?option=com_content&task=view&id=57&Itemid=235&title=Turkey%20and%20EU|titulo=Turkey and EU|acessodata=23 de novembro de 2010|obra=www.turkishembassy.org|publicado=Embaixada da Turquia em Washington|lingua3=en|arquivourl=http://wikiwix.com/cache/?url=http://www.turkishembassy.org/index.php?option=com_content%26task=view%26id=57%26Itemid=235&title=Turkey%20and%20EU|arquivodata=10 de setembro de 2010}}</ref>
 
}}<!--fim refs-->
</references></div></div>
 
==Ligações externas==
=={{Links}}==
{{Commonscat|History of Turkey}}