Diferenças entre edições de "A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica"

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Segundo Benjamin, em épocas anteriores a experiência do público com a obra de arte era única e condicionada pelo que ele chama de ''[[aura]]'', isto é, pela distância e reverência que cada obra de arte, na medida em que é única, impõe ao observador. Primeiro — nas sociedades tradicionais ou pré-modernas — pelo modo como vinha associada ao ritual ou à experiência religiosa; depois — com o advento da sociedade moderna burguesa — pelo seu valor de distinção social, contribuindo para colocar num plano à parte aqueles que podem aceder à obra «autêntica».
 
O aparecimento e desenvolvimento de outras formas de arte, (começando pela [[fotografia]]), em que deixa de fazer sentido distinguir entre original e cópia, traduz-se assim no fim dessa «aura». Isto libera a arte para novas possibilidades, tornando o seu acesso mais democrático e permitindo que esta contribua para uma «politização da [[estética]]» que contrarie a «estetização da [[política]]» típica dos movimentos [[fascista]]s e totalitários[[totalitário]]s dominantesvigentes no momento em que Benjamin produz esse ensaio. No final do texto, ele escreve:
 
{{quotation|''"O fascismo busca organizar as massas proletárias, sem no entanto tocar no regime de propriedade que essas massas desejariam abolir. Vê sua salvação não em fazer valer o direito das massas, mas em permitir que elas se manifestem. [...] O fascismo desemboca, portanto, em uma estetização da política. [...] Todos os esforços para estetizar a política culminam em um só lugar: a guerra."''}}
{{quotation|"''Fiat ars, pereat mundus'', esta é a palavra de ordem do [[fascismo]], que, como reconhecia [[Marinetti]], espera da [[guerra]] a satisfação artística de uma percepção sensível modificada pela [[técnica]]. Aí está, evidentemente, a realização perfeita da arte pela arte. Na época de [[Homero]], a humanidade oferecia-se, em espetáculo, aos [[deuses do Olimpo]]: agora, ela fez de si mesma o seu próprio [[espetáculo]]. Tornou-se suficientemente estranha a si mesma, a fim de conseguir viver a sua própria destruição, como um gozo [[estético]] de primeira ordem. Essa é a estetização da [[política]], tal como a pratica o fascismo. A resposta do [[comunismo]] é politizar a arte."<ref> [http://antivalor.vilabol.uol.com.br/textos/frankfurt/benjamin/benjamin_index.html "A Obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica"] (texto completo). </ref>}}
 
No final do texto, ele escreve:
 
{{quotation|"''"Fiat ars, pereat mundus'', esta é a palavra de ordem do [[fascismo]], que, como reconhecia [[Marinetti]], espera da [[guerra]] a satisfação artística de uma percepção sensível modificada pela [[técnica]]. Aí está, evidentemente, a realização perfeita da arte pela arte. Na época de [[Homero]], a humanidade oferecia-se, em espetáculo, aos [[deuses do Olimpo]]: agora, ela fez de si mesma o seu próprio [[espetáculo]]. Tornou-se suficientemente estranha a si mesma, a fim de conseguir viver a sua própria destruição, como um gozo [[estético]] de primeira ordem. Essa é a estetização da [[política]], tal como a pratica o fascismo. A resposta do [[comunismo]] é politizar a arte."''<ref> [http://antivalor.vilabol.uol.com.br/textos/frankfurt/benjamin/benjamin_index.html "A Obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica"] (texto completo). </ref>}}
 
É notória a distância entre o pensamento de Walter Benjamin e outros pensadores da [[Escola de Frankfurt]] como [[Theodor W. Adorno|Theodor Adorno]] e [[Max Horkheimer]] no tocante à visão da reprodução técnica. A visão de Benjamin implica ver na reprodução técnica uma possibilidade de democratização estética, desde que elas conservem as características daquilo que, até então, chamaríamos de original. Isso fica claro quando ele toma por exemplo as fotos que podem ser feitas através de um mesmo negativo. Na verdade, quem poderia distinguir a primeira foto feita a partir de um negativo de uma segunda?