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{{ver desambiguação|outros significados do termo|Lombardo}}
[[Ficheiro:Iron Crown.JPG|thumb|250px|rightupright=1.2|A [[Coroa de Ferro da Lombardia|Coroa de Ferro]] com a qual os monarcas lombardos eram coroados.]]
 
Os '''lombardos''' ou '''longobardos''' (em [[latim]]: ''langobardi'', "os de barba longa") eram um [[Germanos|povo germânico]] originário noda [[NorteEuropa da EuropaSetentrional]] que colonizou o vale do [[Rio Danúbio|Danúbio]] e, a partir dali, invadiu a [[Península Itálica|Itália]] [[Império Bizantino|bizantina]], em {{DC|568}}, sob a liderança de [[Alboíno]]. Lá estabeleceram um [[Reino Lombardo]], posteriormente chamado de [[Reino Itálico]] (''Regnum Italicum''), que durou até {{DC|774}}, quando foi conquistado pelos [[francos]]. Sua influência na geografia política italiana fica evidente na denominação regional da [[Lombardia]].
 
Os lombardos falavam um [[Línguas germânicas|idioma germânico]] [[Língua extinta|extinto]] do qual restam poucas evidências, o [[Língua longobarda|lombardo]].
==História antiga==
===Origens lendárias e do nome===
{{Nota:|MaioresMais informações: [[Hundings]]}}
 
[[Ficheiro:PauDia 010.PNG|esquerda|150px|thumb|upright=0.8|[[Paulo, o Diácono]] foi a principal fonte primária para o estudo dos lombardos.]]
O relato mais completo das origens, da história e dos costumes dos lombardos é a ''[[Historia gentis Langobardorum]]'' (''História dos Povos Lombardos''), de [[Paulo, o Diácono]], escrita no [[século VIII]]. A obra de Paulo, por sua vez, baseou-se numa outra obra do [[século VII]], a ''[[Origo Gentis Langobardorum]]'' (''Origem dos Povos Lombardos'').
 
A ''Origo'' narra a história de uma pequena tribo, os ''Winnili'',<ref>Priester, 16. Do [[antigo germânico]] ''Winnan'', "combatendo", "vencendo".</ref> que habitavamhabitava o sul da [[Escandinávia]]<ref name="dick">Harrison, D. & Svensson, K. (2007). ''Vikingaliv'' Fälth & Hässler, Värnamo. 978-91-27-35725-9 p. 74</ref> (''Scadanan'') - o ''[[Codex Gothanus]]'' afirma que os Winnili viviam próximos a um rio chamado ''Vindilicus'', na fronteira extrema da [[Gália]]<ref>CG, II.</ref> Os Winnili dividiram-se em três grupos; e um deles abandonou sua terra natal para procurar terras estrangeiras; o motivo para este êxodo provavelmente foi a [[superpopulação]].<ref>Menghin, 13.</ref> Este povo, liderado pelos irmãos Ybor e Aio, e sua mãe, Gandara,<ref>Priester, 16. Grimm, ''Deutsche Mythologie'', I, 336. Antigo germânico para "[[Strenuus]]", "[[Sibila]]".</ref> finalmente chegou nas terras de ''Scoringa'', talvez a costa do [[mar Báltico]]<ref>Priester, 16</ref> ou o [[Bardengau]], às margens do [[Rio Elba|Elba]].<ref>Hammerstein, 56.</ref> Scoringa era dominada pelos [[vândalos]], e seus chefes, os irmãos Ambri e Assi, concederam aos Winnili uma escolha entre pagar tributo ou guerra. Os líderes dos Winnili, jovens e corajosos, recusaram-se a pagar tributo, alegando que seria "melhor manter a liberdade por meio das armas do que manchá-la com o pagamento de tributo."<ref name="PD, VII">PD, VII.</ref>
[[Ficheiro:Lombard Migration.jpg|right|250pxupright=1.3|thumb|As principais rotas da migração dos lombardos<ref>Capo, cartina 1, pp. <small>LII-LIII</small>.</ref>.]]
 
Os líderes dos Winnili, jovens e corajosos, recusaram-se a pagar tributo, alegando que seria "melhor manter a liberdade por meio das armas do que manchá-la com o pagamento de tributo."<ref name="PD, VII">PD, VII.</ref> Os vândalos então se prepararam para a guerra, consultando Godan (o deus [[Odin]]<ref name="dick"/>), que lhes respondeu que daria a vitória àqueles que ele pudesse ver primeiro ao [[nascer do sol]].<ref name="PD, VIII">PD, VIII.</ref> Os Winnili estavam em menor número,<ref name="PD, VII"/> e Gambara procurou auxílio com Frea (a deusa [[Frigg]]<ref name="dick"/>), que aconselhou que todas as mulheres Winnili amarrassem seus cabelos diante de seus rostos, como barbas, e marchassem ao lado de seus maridos. Assim Godan viu primeiro os Winnili, e perguntou: "Quem são estas barbas-longas?", ao que Frea respondeu: "Meu senhor, tu lhes deu o nome, agora também lhes dê a vitória."<ref>OGL, appendix 11.</ref> A partir daquele momento, os Winnili passaram a ser conhecidos como ''langobardi'' (latinizado e italianizado como ''lombardi'').
[[Ficheiro:Lombard Migration.jpg|right|250px|thumb|As principais rotas da migração dos lombardos<ref>Capo, cartina 1, pp. <small>LII-LIII</small>.</ref>.]]
Os líderes dos Winnili, jovens e corajosos, recusaram-se a pagar tributo, alegando que seria "melhor manter a liberdade por meio das armas do que manchá-la com o pagamento de tributo."<ref name="PD, VII">PD, VII.</ref> Os vândalos então se prepararam para a guerra, consultando Godan (o deus [[Odin]]<ref name="dick"/>), que lhes respondeu que daria a vitória àqueles que ele pudesse ver primeiro ao [[nascer do sol]].<ref name="PD, VIII">PD, VIII.</ref> Os Winnili estavam em menor número,<ref name="PD, VII"/> e Gambara procurou auxílio com Frea (a deusa [[Frigg]]<ref name="dick"/>), que aconselhou que todas as mulheres Winnili amarrassem seus cabelos diante de seus rostos, como barbas, e marchassem ao lado de seus maridos. Assim Godan viu primeiro os Winnili, e perguntou: "Quem são estas barbas-longas?", ao que Frea respondeu: "Meu senhor, tu lhes deu o nome, agora também lhes dê a vitória."<ref>OGL, appendix 11.</ref> A partir daquele momento, os Winnili passaram a ser conhecidos como ''langobardi'' (latinizado e italianizado como ''lombardi'').
 
Quando [[Paulo, o Diácono]] escreveu a sua ''História'', entre {{DC|787|x}} e {{DC|796|x}}, era um [[monge]] [[catolicismo|católico]] e um [[cristianismo|cristão]] devoto. Assim, ele descrevia as histórias [[Paganismo|pagãs]] de seu povo como "tolas" e "risíveis".<ref name="PD, VIII"/><ref>Priester, 17</ref> Paulo explicou que o nome 'langobardi' vinha da extensão de suas barbas, que o termo latino ''longus'' significava ''Lang'', nas línguas germânicas, e ''barba'' significava ''Bart''.<ref>PD, I, 9.</ref> Uma teoria moderna sugere que o nome "Langobard" viria de ''Langbarðr'', [[Lista de nomes de Odin|um nome de Odin]].<ref>Pohl and Erhart. Nedoma, 449&ndash;445.</ref> Alguns estudiosos acreditam que quando os Winnili mudaram seu nome para "lombardos", também mudaram seu antigo [[culto de fertilidade]] agricultural para um culto de Odin, criando assim uma tradição tribal consciente.<ref>Priester, 17.</ref> Outros invertem a ordem dos eventos, declarando que com o culto de Odin os lombardos teriam passado a deixar suas barbas crescerem, para emular a tradição do deus e fazer com que seu nome refletisse essa característica.<ref>Fröhlich, 19.</ref> Já se associou o nome dos lombardos aos muitos nomes de Odin, incluindo "o da barba longa" ou "o da barba cinza", e que o nome próprio lombardo ''Ansegranus'' ("aquele que tem a barba dos deuses") mostraria que os lombardos tinham esta ideia de sua divindade principal.<ref>Bruckner, 30&ndash;33.</ref>
 
===Arqueologia e migrações===
[[Ficheiro:Long555.PNG|thumb|400pxupright=1.3|Distribuição de sítiosSítios funerários longobárdicos nas terras do baixo [[rio Elba|Elba]], de acordo com W. Wegewitz.]]
A partir da combinação dos testemunhos de [[Estrabão]] ({{AC|20}}) e [[Tácito]] ({{DC|117}}) pode-se inferir que os lombardos viviam nas proximidades da foz do [[rio Elba|Elba]] pouco tempo depois do início da [[Era Cristã]], próximo aos [[caúcos]].<ref name="Menghin, 15">Menghin, 15.</ref> Segundo [[Estrabão]], habitavam ambas as margens do rio.<ref>Estrabão, VII, 1, 3. Menghin, 15.</ref> O [[arqueólogo]] [[Alemanha|alemão]] Willi Wegewitz definiu diversos sítios funerários da [[Idade do Ferro]] na região do baixo Elba como sendo ''longobárdicos''.<ref>Wegewitz, ''Das langobardische Brandgräberfeld von Putensen, Kreis Harburg'' (1972), 1&ndash;29. ''Problemi della civilita e dell'economia Longobarda'', Milão (1964), 19ff.</ref> Estes sítios, que apresentam evidências de [[cremação]] dos cadáveres, datavam do {{AC|século VI}} até o {{DC|século III}}.<ref>Menghin, 17.</ref> As terras do baixo Elba se encontram na região da [[Cultura de Jastorf]], e posteriormente se tornou [[Germânicos do Elba|germânica do Elba]], ao contrário das terras situadas entre o [[Rio Reno|Reno]], o [[Rio Weser|Weser]] e o [[mar do Norte]].<ref>Menghin, 18.</ref> Descobertas arqueológicas mostraram que os lombardos eram um povo [[agricultura|agrário]].<ref>Priester, 18.</ref>
 
[[Ficheiro:Long555.PNG|thumb|400px|Distribuição de sítios funerários longobárdicos nas terras do baixo [[rio Elba|Elba]], de acordo com W. Wegewitz.]]
 
A primeira menção aos lombardos ocorreu entre {{AC|9|x}} e {{DC|16|x}}], pelo [[historiador]] da corte do [[Império Romano]], [[Veleio Patérculo]], que acompanhou como prefeito da [[cavalaria]] uma expedição romana liderada pelo futuro [[Imperador romano|imperador]] [[Tibério]].<ref name="Menghin, 15"/> Patérculo descreveu-os como "mais ferozes que do que a tradicional selvageria germânica."<ref>Veleio, Hist. Rom. II, 106. Schmidt, 5.</ref> Depois de serem derrotados pelos romanos os lombardos teriam se refugiado na margem direita do Elba, onde se recolheram junto aos outros povos germânicos da região ainda não submetidos aos romanos.<ref name="Jarnut8">Jarnut, p. 8.</ref> [[Tácito]] classificou os lombardos como uma tribo dos [[suevos]],<ref name="Tácito, Ann. II, 45">Tácito, Ann. II, 45.</ref> e súditos de [[Marobóduo]], rei dos [[marcomanos]].<ref>Tácito, Ger., 38-40; Tácito, Ann., II, 45.</ref> Marobóduo estava em paz com os romanos, e por este motivo os lombardos não fizeram parte da federação germânica liderada por [[Armínio]] que combateu na [[batalha da Floresta de Teutoburgo]], em {{DC|9|x}} Em {{DC|17|x}}, Armínio e Marobóduo entraram em guerra. Segundo [[Tácito]]:
Ao sair de Golanda, os lombardos passaram por Anthaib e Banthaib até chegarem a Vurgundaib. Acredita-se que Vurgundaib seria equivalente às antigas terras dos [[burgúndios]].<ref>K. Priester, 22.</ref><ref>Bluhme, ''Gens Langobardorum''. Bonn, 1868</ref> Em Vurgundaib os lombardos foram atacados pelos "[[Protobúlgaros|búlgaros]]" (provavelmente [[hunos]])<ref>Menghin, 14.</ref> e foram derrotados; o rei Agelmundo foi morto, e [[Lamicão]] assumiu em seu lugar, jovem e ansioso por vingar seu antecessor.<ref>''Hist. gentis Lang.'', cap. XVII</ref> Os próprios lombardos teriam provavelmente se tornado súditos dos hunos depois da derrota, porém se revoltaram contra eles e os derrotaram, em meio a grande carnificina.<ref>''Hist. gentis Lang.'', cap. XVII.</ref> O próprio Lamicão teria sido capaz de reverter a situação, segundo a tradição lombarda, obtendo a vitória frente aos hunos que permitiu aos lombardos manter sua independência. O sucessor de Lamicão foi [[Lethuoc]], fundador da primeira dinastia lombarda, a [[dinastia letinga]].
 
Durante o reinado de Lethuoc (ou Leti, daí o nome da dinastia) os lombardos se fixaram na [[Nórica]] graças aos esforços de Lamicão de evitar a assimilação perante os hunos. Com Leti a monarquia lombarda tomou uma forma mais estável e, sobre tudo, hereditária; o sucessor de Lethuoc foi seu filho [[Hilduoc]]. O sucessor de Hilduoc, [[Guduoc]], guiou os lombardos no trajeto final de sua migração. No final do [[século V]], mais especificadamente em {{DC|489|x}}, conduziu os lombardos através da [[Boêmia]] e [[Morávia]] povoando as terras evacuadas pelos [[rúgios]]. Seu sucessor foi [[Clafão]]. [[Tatão]] (cerca de {{DC|500|x}} - {{DC|510|x}}), seu sucessor, conduziu os lombardos de onde até então estavam assentados ao ''[[Feld]]'' ([[planície da Morávia]], região compreendida entre [[Viena]] e [[Bratislava]]).
 
[[Ficheiro:Lombard state 526.png|thumb|rightupright=1.3|250px A [[Panônia]] lombarda no ano 526.]]
Segundo [[Procópio de Cesareia|Procópio]], os lombardos estavam sujeitos aos [[hérulos]] mediante o pagamento de tributos. Tatão guiou seu povo contra os hérulos e, na sangrenta batalha que teve lugar em {{DC|508|x}}, venceu e matou em combate o líder dos hérulos, [[Rodolfo (hérulo)|Rodolfo]]. A derrota dos hérulos significou o desaparecimento desse povo da história. Os lombardos de Tatão, pelo contrário, emergiram como uma potência local: tomaram o tesouro dos vencidos, reformaram o seu exército incluindo nele guerreiros de outras tribos já submetidas pelos hérulos (ou ao menos os hérulos sobreviventes) e ocuparam uma vasta área em torno do curso médio do [[Danúbio]].
 
[[Ficheiro:Lombard state 526.png|thumb|right|250px]]
No ano de {{DC|510|x}}, um sobrinho de Tatão, [[Vacão]], rebelou-se contra o tio, prendendo-o e usurpando o trono. O filho de Tatão lutou com Vacão pelo poder mas acabou sendo derrotado e obrigado a fugir para junto dos [[gépidas]] onde morreu.<ref>''Origo Gentis Langobardorum''<!-- onde na obra exatamente? --> </ref> Vacão manteve boas relações com os francos e com os bávaros, e morreu em 539 sendo sucedido por [[Audoíno]].
 
{{Artigo principal|Reino Lombardo}}
===Invasão e conquista da península Itálica===
[[Ficheiro:Cuninpert_688_700_king_of_the_Lombard_minted_in_Milan.jpg|thumb|upright|Moeda de [[CunipertoCuniberto]] (688-700), [[rei dos lombardos]], cunhada em [[Milão]], hoje no [[Museu Britânico]].]]
Em {{DC|560|x}}, um novo e enérgico rei surgiu: [[Alboíno]], que derrotou seus vizinhos, os [[gépidas]], tornando-lhes seus vassalos, e casou-se, em {{DC|566|x}}, com a filha de seu rei [[Cunimundo]], [[Rosamunda]]. Na primavera de {{DC|568|x}}, Alboíno liderou os lombardos, juntamente com outras [[tribos germânicas]] ([[bávaros]], gépidas, saxões<ref>Estes últimos estima-se que num total de 100.000, com base no número de 26.000 guerreiros dado por [[Paulo, o Diácono]]. Os saxões abandonaram a Itália após a morte de Alboíno, em [[573]]. Ver Paolo Cammarosano, ''Storia dell'Italia medievale'', pp. 96-97</ref>) e [[Protobúlgaros|búlgaras]], atravessando os [[Alpes Julianos]] com uma população de 400 a {{fmtn|500000}} pessoas, e invadindo o norte da [[península Itálica]], após serem expulsos da [[Panônia]] pelos [[ávaros]]. A primeira cidade importante a ser tomada foi ''Forum Iulii'' ([[Cividale del Friuli]]), no [[nordeste da Itália]], em {{DC|569|x}} Lá, Alboíno fundou o primeiro [[ducado]] lombardo, que ele confiou a seu sobrinho, [[Gisulfo II do Friuli|Gisulfo]]. Logo [[Vicenza]], [[Verona]] e [[Bréscia]] caíram nas mãos germânicas. No verão de {{DC|569|x}}, os lombardos conquistaram o principal centro [[Roma Antiga|romano]] do norte da Itália, [[Mediolano]] (atual [[Milão]]). A região ainda estava se recuperando da terrível [[Guerra Gótica (535–553535–554)|Guerra Gótica]], e o pequeno exército [[Império Bizantino|bizantino]] estacionado ali para sua defesa pouco pôde fazer. O [[exarca]] enviado à Itália pelo [[imperador bizantino]] [[Justino II]], Longino, conseguiu defender apenas as cidades costeiras, que podiam receber auxílio da poderosa marinha bizantina. [[Pavia]] caiu após um cerco de três dias, em {{DC|572|x}}, tornando-se a primeira capital do novo [[Reino Lombardo]]. Nos anos seguintes, os lombardos foram rumo ao sul, conquistaram a [[Toscana]] e fundaram dois outros ducados, [[ducado de Spoleto|Spoleto]] e [[Ducado de Benevento|Benevento]], confiados a [[Zoto]], que logo se tornaram independentes e duraram mais que o reino do norte, sobrevivendo até o [[século XII]]. Os bizantinos conseguiram manter o controle da região de [[Ravena]] a [[Roma]], ligadas por um corredor estreito que passava por [[Perugia]].
 
Quando entraram na Itália, alguns lombardos ainda mantinham sua forma nativa de [[Paganismo germânico|paganismo]], enquanto outros eram [[Cristianismo|cristãos]] [[Arianismo|arianos]]. Isto lhes colocou desde o início em más relações com a [[Igreja Católica]]. Gradualmente adotaram os títulos, nomes e tradições romanas, e converteram-se, parcialmente, ao catolicismo, no {{DC|século VII|x}} - não sem antes passar por uma longa série de conflitos étnicos e religiosos.
 
===Monarquia ariana===
[[Ficheiro:Langobard Shield Boss 7th Century.jpg|rightesquerda|thumb|250pxupright|''[[Umbo (escudo)|Umbo]]'', de um [[escudo]] lombardo do norte da Itália, século VII, no [[Metropolitan Museum of Art]].]]
Em {{DC|572|x}}, [[Alboíno]] foi assassinado em [[Verona]], vítima de uma trama orquestrada por sua esposa, Rosamunda, que posteriormente fugiu para [[Ravena]]. Seu sucessor, [[Clefo]], também foi assassinado após um cruel reinado de dezoito meses. Sua morte deu início a um [[interregno]] de anos, o "[[Domínio dos Duques]]", durante o qual os [[Duque (lombardos)|duques]] não elegeram rei algum, e que é considerado um período de violência e desordem. Em {{DC|584|x}}, ameaçado por uma invasão franca, os duques elegeram rei o filho de Clefo, [[Autário]]. Em {{DC|589|x}}, Autário se casou com [[Teodelinda]], filha do [[duque da Bavária]], [[Garibaldo I da Bavária|Garibaldo]]. Teodolinda, católica, era amiga do [[Papa Gregório I]], e pôs em prática a cristianização do reino. Ao mesmo tempo, Autário iniciou uma política de reconciliação interna e tentou reorganizar a administração real. Os duques cederam metade de suas propriedades para a manutenção do rei e de sua corte em Pavia. No campo das relações exteriores, Autário conseguiu romper a perigosa aliança entre os bizantinos e os francos.
 
Autário morreu em {{DC|591|x}}. Seu sucessor foi [[Agilulfo]], duque de [[Turim]], que em {{DC|591|x}}] casou-se com a mesma Teodolinda. Agilulfo conseguiu vencer os duques rebeldes do norte da Itália, conquistando [[Pádua]] ({{DC|601|x}}), [[Cremona]] e [[Mântua]] ({{DC|603|x}}), e forçando o [[exarca de Ravena]] a lhe pagar pesados tributos. Agilulfo morreu em {{DC|616|x}} e Teodelinda reinou sozinha até {{DC|628|x}}, sendo sucedida por [[Adaloaldo]]. [[Arioaldo]], que havia se casado com a filha de Teodelinda, Gundeberga, e chefe da oposição ariana, acabou por depôr Adaloaldo posteriormente.
 
Seu sucessor foi [[Rotário]], tido por muitas autoridades como o mais energético de todos os reis lombardos. Rotário estendeu seus domínios, conquistando a [[Ligúria]] em {{DC|643|x}} e parte que restava dos territórios bizantinos do [[Vêneto]] interior, incluindo a cidade romana de ''Opitergium'' ([[Oderzo]]). Rotário também fez o célebre [[édito]] que leva o seu nome, o [[Édito de RotariRotário]], que estabelecia em [[latim]] as leis e os costumes de seu povo; o édito não se aplicava aos tributários dos lombardos, que podiam manter suas próprias leis. O filho de Rotário, [[Rodoaldo]], o sucedeu em {{DC|652|x}}, ainda muito jovem, e foi morto pela facção católica.
 
Com a morte do rei [[Ariperto I]], em {{DC|661|x}}, o reino foi dividido entre seus filhos, [[Bertário]], que fez sua capital em Milão, e [[Godeberto]], que reinou a partir de Pavia. Bertário foi derrubado por [[Grimualdo I de Benevento|Grimualdo]], filho de Gisulfo, [[Ducado do Friul|duque do Friul]] e [[Ducado de Benevento|Benevento]] desde {{DC|647|x}}. Bertário fugiu para o território dos [[Ávaros eurásios|ávaros]], e de lá para os francos. Grimualdo conseguiu reconquistar os ducados e derrotar a tentativa tardia do imperador bizantino [[Constante II]] de conquistar o sul da Itália, bem a investida dos francos. Com a morte de Grimualdo em {{DC|671|x}}, Bertário retornou e promoveu a tolerância entre arianos e católicos. Foi incapaz, no entanto, de derrotar a facção ariana, liderada por Arachi, duque de [[Trento]], que se submeteu apenas a seu filho, o filo-católico [[Cuniberto]].
 
==História posterior==
[[Ficheiro:Italy 1000 AD-pt.svg|thumb|350pxupright=1.3|Itália por volta do ano 1000, mostrando os estados lombardos no sul da península antes da chegada dos [[normandos]].]]
 
===Principado unido de Benevento, 774&ndash;849===
===Conquista normanda, 1017&ndash;1078===
{{principal|Conquista normanda da Itália meridional}}
O diminuto principado de Benevento logo perdeu sua independência para o [[papado]] e declinou de importância até ser conquistado pelos [[normandos]] durante sua [[Conquista normanda da Itália meridional|conquista do sul da Itália]];. inicialmenteInicialmente chamados pelos próprios lombardos para combater os bizantinos pelo controle da [[Apúlia]] e da [[Calábria]], os normandos atenderam ao chamado de líderes como [[Melo de Bari]] e [[Arduíno, o Lombardo|Arduíno]], e gradualmente acabaram por se tornar os principais rivais dos próprios lombardos pela hegemonia no sul. O principado salernitano viveu uma era de ouro sob [[Guaimário III de Salerno|Guaimário III]] e [[Guaimário IV de Salerno|Guaimário IV]], porém sob [[Gisulfo II de Salerno|Gisulfo II]] acabou sendo reduzido à insignificância e foi tomado em 1078 por [[Roberto Guiscardo]], que havia se casado com a irmã de Gisulfo, [[Siquelgaita]]. O principado de Cápua foi muito disputado durante o reinado do odiado [[Pandolfo IV de Cápua|Pandolfo IV]], o ''Lobo dos Abruzos'', e sob o domínio de seu filho foi conquistado, quase sem resistência, pelo normando [[Ricardo I de Aversa|Ricardo Drengot]], em 1058. Os capuanos se revoltaram contra o domínio normando em 1091, expulsando o neto de Ricardo, [[Ricardo II de Cápua|Ricardo II]], e colocando em seu lugar [[Lando IV de Cápua|Lando IV]].
 
O [[Principado de Salerno|principado salernitano]] viveu uma era de ouro sob [[Guaimário III de Salerno|Guaimário III]] e [[Guaimário IV de Salerno|Guaimário IV]], porém sob [[Gisulfo II de Salerno|Gisulfo II]] acabou reduzido à insignificância e foi tomado em 1078 por [[Roberto Guiscardo]], que havia se casado com a irmã de Gisulfo, [[Siquelgaita]]. O [[Principado de Cápua]] foi muito disputado durante o reinado do odiado [[Pandolfo IV de Cápua|Pandolfo IV]], o ''Lobo dos Abruzos'', e sob o domínio de seu filho foi conquistado, quase sem resistência, pelo normando [[Ricardo I de Aversa|Ricardo Drengot]], em 1058. Os capuanos se revoltaram contra o domínio normando em 1091, expulsando o neto de Ricardo, [[Ricardo II de Cápua|Ricardo II]], e colocando em seu lugar [[Lando IV de Cápua|Lando IV]].
Cápua ficou novamente sob o domínio normando com o [[Sítio de Cápua]], em 1098, e a cidade rapidamente perdeu importância depois de uma série de governos normandos pouco eficientes. O status de independência destes Estadosestados lombardos geralmente é atestado pela habilidade de seus soberanos de mudar de [[suserania]] a seu bel-prazer. Frequentemente vassalos[[vassalo]]s de papas ou imperadores (fossem eles [[Império Bizantino|bizantinos]] ou [[Sacro Império Romano-Germânico|sacro-romanos]]), eram os reais detentores do poder no sul da península até que seus antigos aliados, os normandos, tornaram-se preeminentes. Certamente os lombardos viam os normandos como bárbaros, e os bizantinos como opressores; vendo sua própria civilização como superior, sem dúvida criaram o ambiente propício para o surgimento de instituições como a ilustre [[Escola Médica Salernitana]] (''Schola Medica Salernitana'').
 
==Estrutura social==
 
===Cristianismo beneventano===
[[Ficheiro:Beneventan.jpeg|thumb|120pxupright|esquerda|A [[Regra de São Benedito]] na [[escrita beneventana]].]]
O ducado (e, mais tarde, principado) de [[Ducado de Benevento|Benevento]], no sul da Itália, desenvolveu um [[rito]] cristão único nos séculos [[século VII|VII]] e [[século VIII|VIII]], o rito beneventano, mais próximo da [[liturgia]] do [[rito ambrosiano]] do que o [[rito romano]]. O rito beneventano não sobreviveu em sua forma completa, embora a maior parte de seus festivais e dias santos de importância local ainda existam. O rito beneventano parecem ter sido menos completos, menos sistemáticos e mais flexíveis, liturgicamente, do que o rito romano.
 
 
===Arquitetura===
[[Ficheiro:Fara Gera d'Adda3.JPG|thumb|right|250pxupright|A ''Basílica Autariana'', em [[Fara Gera d'Adda]].]]
Poucos edifícios lombardos restaram; a maior parte se perdeu, foi reconstruída ou reformada a algum ponto e pouco se preservou das suas estruturas originais. A arquitetura lombarda foi, no entanto, muito bem estudada no [[século XII]], e existem diversas obras de referência a seu respeito, como os quatro volumes de ''Lombard Architecture'' (1919), do historiador americano [[Arthur Kingsley Porter]].
 
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