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[[Arquivo:Mapa Llenguadoc hictòric.PNG||300px|thumb|Mapa de Languedoc histórico (dentro da Occitânia – linha vermelha – e o sul da França).]]
 
'''Languedoc''' ou '''LenguadocLanguedoque''' (em [[occitano]], ''Lengadòc'') é uma região do sudeste da [[Occitânia]] no sul da [[França]], anteriormente chamada [[SeptimaniaSeptimânia]] ou [[Gália Narbonense]]. A maior parte do território faz parte da região administrativa de [[Languedoc-RosellónRoussillon]], embora alguns setores de Languedoc têm sido anexados pelo governo central francês a outras regiões ([[Midi-Pirineus]], [[Ródano-Alpes]], e a região administrativa de [[Auvérnia]]) . Em tempos remotos foi dividida uma parte alta com a capital em [[Toulouse]] e a outra baixa com a capital em [[Montpellier]]. É delimitada à norte com a [[Auvérnia]] histórica, à leste com o rio [[Ródano]] que o separa de [[Provença]], à oeste com [[Garona]] e os [[Pirineus]] e à sul com [[Rossilhão]] e o [[Mar Mediterrâneo]] com o qual possui 200 quilômetros de costa. Seu território está dividido entre oito departamentos, que são: [[Aude]], [[Tarn (departamento)|Tarn]], [[Alto Garona]], [[Hérault]], [[Gard]], [[Lozère|Lozere]], [[Ardèche|Ardeche]], e [[Alto LoiraLoire]].
 
A área de Languedoc propriamente dita ou "Languedoc Histórico" é de 42.700 [[km²]] e o censo de [[1991]] possuía uma população de 3.650.000 habitantes dos quais 52% viviam na região administrativa de Languedoque-Rossilhão, 35% na de Midi-Pirineus, 8 % na de Ródano-Alpes e 5% na região administrativa de Auvérnia.
 
'''LenguadocLanguedoc''' refere-se à língua vernácula desta região, a chamada [[língua occitana|língua de oc]].
 
== Resenha histórica ==
Antes da conquista [[Império Romano|romana]] o território que mais tarde corresponderia a Languedoc fazia parte da [[Gália]] [[celtas|céltica]], ocupada pelos [[volcas]], [[Volcas tectósages|tectósages]] e [[Volcas arecómicos|arecómicosarecômicos]].
 
Foi conquistada por Roma no ano [[121 a. C.|121 a. C.]], pelo procônsul [[DomicioDomício]], e toma o nome de ''Província'' ( = "''por vitória''" ), nome que tem ficado na vizinha região da [[Provença]]. Os habitantes mantiveram suas leis e os romanos estabeleceram um posto militar em [[Narbona]].
 
Em [[412]] foi saqueada pelos [[visigodos]] e [[Ataúlfo]] concluiu que naquela cidade uma [[Coalizão política|aliança]] com o imperador [[Flavio HonorioHonório|Honório]] casando-se com sua irmã [[Gala PlacidiaPlacídia]], porém ele fugiu a Barcelona e seu sucessor [[Walia]] assinou um ''foedus'' («pacto») para rejeitar os [[vândalos]] em troca de territórios na [[Aquitânia]]. [[Toulouse]] foi a capital do reino dos visigodos.
Posteriormente, eles foram atacados pelos [[Franco (aldeia) |francos]], a pedido da Igreja Católica (os visigodos eram [[ArrianismoArianismo|arrianosarianos]]), sendo derrotados na [[Batalha de Vouillé]]. [[Toulouse]] caiu e só manteve-se a [[SeptimaniaSeptimânia]] e Languedoc.
 
No ano de [[589]], Septimaniaa Septimânia habitava cinco diferentes povos: romanos, godos, sírios, gregos e judeus, embora os três últimos como comerciantes.
 
As tensões internas dos visigodos o enfraqueceram e em [[672]] o conde de [[Nîmes]] [[Hiderico]] estava em conformidade com o Bispo de [[Maguelona]] e os habitantes de [[Nimes]] para se rebelar. [[Wamba (rei)|Wamba]], que estava em Toledo, marchou contra os rebeldes e recuperou Narbona, Beziers, Agda, Nimes e pacificou a SeptimaniaSeptimânia. Esta paz foi interrompida pela invasão muçulmana sob o comando de [[Abd ar-Rahman ibn Abd Allah al-Gafiqi|Abd-el-Rahman]], cujas tropas saquearam Narbona e [[CarcasonaCarcassone]].
 
Na época desta incursão era a [[Aquitânia]], com o título de condado hereditário, um verdadeiro reino governado pelos príncipes [[merovíngios]] descendentes de [[Cariberto]]. [[Eudes]] foi confrontado com outro exército sarraceno liderado por [[El-Samh]] e o venceu em uma sangrenta batalha, contudo o outro general sarraceno ([[Ambessa]]) reconquistou o [[Viscondado de CarcasonaCarcassone|CarcasonaCarcassone]], [[Béziers]], Agde, Nimes, etc. e morreu em uma batalha contra Eudes. Em Narbona foi assinado um tratado de paz, pelo qual residiria ali um ''[[valí|wali]]'' ou governador muçulmano, estando nas demais cidades administradas pelos condes godos ou gauleses.
 
Em [[732]], [[Carlos Martel]] salvou a França de uma invasão muçulmana na [[Batalha de Poitiers (732)|Batalha de Poitiers]], matando a Abd-el-Rahman. Em 793 o duque Guilherme teve que lucharlutar contra [[Abd-el-Melik]], que invadiu o condado à frente de um exército muçulmano e tomou Narbona, cujas riquezas serviram para a construção da ponte e da [[mesquita de Córdoba]].
 
EmNa temposépoca de [[Carlos Magno]] e seus sucessores, Languedoc estava tranquilotranquila em termos de invasões estrangeiras, desde que a incursão dos [[Vikings|normandos]] não teve grandes resultados, mas houve problemas internos, tão logo sublevadas sob a [[Aquitânia]] e a [[SeptimaniaSeptimânia]] emna temposépoca de [[LudovicoLuís Pioo Piedoso|LuisLuís I]], de [[Carlos II da França]] ye de [[Luis II deda França|Luis o gagoGago]].
 
Não demoraram em constituir feudos independentes e a partir do reinado de Carlos III, houve [[condes de TolouseToulouse]] occitanooccitanos e [[marqueses de Narbona]] que governaram livremente aquelas cidades ricas e poderosas.
 
Durante a Idade Média Plena, [[Urbano II]] deu em [[MaguenolaMaguelona]] o sinal da primeira [[cruzada]] e cem mil homens partiram daquela cidade até a [[Terra Santa]] por ordens de [[Raimundo de TolouseToulouse|Raimundo de Saint Gilles]]. A chamada "[[cruzada albigense|cruzada]]" católica contra os [[albigenses]] trouxe a desolação para aquelas terras e [[Simão IV de Montfort]] venceu a [[batalha de Muret]] em 1213 contra os aragoneses (quando morreu [[Pedro II de Aragão|Pedro II]]) e garantiu a Languedoc dando a [[Felipe Augusto]] em 1216 o [[condado de TolouseToulouse]], o ducado de Narbona e os viscondados de [[CarcasonaCarcassona]] e Bezièrs, que desta maneira ficaram [[feudo|enfeudadasenfeudados]] à Coroa Francesa.
 
Durante a [[Guerra dos Cem Anos]], a Languedoc foi invadidoinvadida pelos [[Borgonha|borgonheses]] e ingleses. Aqui foiFoi onde o [[Delfim de França|delfim]] [[Carlos VII deda França|Carlos]] se refugiou depois de entregar Paris aos ingleses. Carlos VII entregou seu território ao duque de [[BerriBerry]], que restaurou a área com base em impostos pesados (abolidos por [[Francisco II deda França|Francisco II]]).
 
Languedoc estava permanentemente em dívida para com a coroa francesa no âmbito da política do [[Cardeal Richelieu]]. Após a [[Revolução francesa]] o poder central parisiense por criar um estado unitário aboliu as divisões territoriais tradicionais fragmentando-as em [[Departamentos da França|departamento]]s, desde os anos [[1970]] o poder central francês com sede em Paris estabeleceu um sistema de [[regionalização]] que de nenhum modo inclui as características históricas, culturais ou étnicas dentro do atual estado francês, mas atende aos critérios burocráticos de maior eficácia na gestão dos recursos econômicos, é desta forma que reapareceu o nome de Languedoc, mas não correspondendo exatamente a seu território autêntico e anexando com o território predominantemente [[Catalunha Norte|catalão]] dedo [[RosellónRoussillon]] (ou [[Pirineus Orientais]]).
 
== Língua de oc ==
''Ver artigo principal: [[Occitano]]''
 
O nome faz referência à [[Occitano|língua occitana]] que é falada nesta região e outras vizinhas. O nome do idioma vem da palabrapalavra ''oc'' que em occitano [[Idade Média|medieval]] significa "sim", em contraste com o francês do norte ou ''[[língua de oïl]]'' (pronunciado ''uí'', ancestral do francês moderno ''oui''). A palabrapalavra ''oc'' provinha do [[Língua latina|latim]] ''hoc'', enquanto ''oïl'' é derivado do latim ''hoc ille''. A palavra occitano emerge o nome da região histórica de [[Occitânia]], que por sua vez vem de [[Aquitânia]], antiga região administrativa [[Roma Antiga|romana]].
 
== Ver também ==
*[[Languedoque-Rossilhão]]
*[[Midi-Pirineus]]
*[[Língua occitana]]
 
==Fontes==