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=== Reino da Lídia ===
[[Ficheiro:Lydia.png|thumb|300px|direita|thumb|Reino da Lídia]]
A Lídia se desenvolveu como um reino [[neo-hitita]] depois do colapso do [[Império Hitita]] no século XII a.C. Durante o período hitita, o nome da região era [[Arzawa]]. De acordo com uma fonte grega, o nome original '''Reino da Lídia''' era '''Meônia''' ({{politônico|Μαιονία}} - ''Maionia'' ou ''Maeonia''): [[Homero]]<ref>[[Ilíada]] ii. 865; v. 43, xi. 431.</ref> chama os habitantes da Lídia de ''maiones'' ({{politônico|Μαίονες}})<ref>Para as etimologias de ''Lydia'' e ''Maionia'', veja H. Craig Melchert [http://www.linguistics.ucla.edu/people/Melchert/webpage/molybdos.pdf "Greek ''mólybdos'' as a Loanword from Lydian"], [[University of North Carolina at Chapel Hill]], pp. 3, 4, 11 (fn. 5).</ref>. Ele descreve a capital do reino não como sendo Sardias, mas ''Hyde''<ref>Ilíada xx. 385</ref>, que pode ter sido o nome do distrito ou da região na qual se localizava Sardis<ref>Veja [[Estrabão]] xiii.626.</ref>. Posteriormente, [[Heródoto]]<ref>''[[Histórias (Heródoto)|Histórias]]'' i. 7</ref> acrescenta que os ''meiones'' foram rebatizados de "lídios" em homenagem ao rei [[LídioLido (reimitologia)|LídioLido]] ({{politônico|Λυδός}} - ''Lydus''), filho de [[Atis (rei dos meônios)|Atis]] (''Atys''), durante a época mítica que precedeu a [[heráclidas|dinastia heráclida]]. Este [[epônimo]] [[etiologia|etiológico]] serviu para explicar o nome étnico grego ''lydoi'' ({{politônico|Λυδοί}}). O termo [[língua hebraica|hebreu]] para os lídios, ''[[ludim]]'' (לודים), como pode ser visto no [[Livro de Jeremias]]<ref>{{citar bíblia|Jeremias|46|9}}</ref>, também foi considerado, já no tempo de [[Flávio Josefo]], como sendo derivado de [[Lud, filho de Sem]]<ref>{{cite book|first=Augustin|last=Calmet|title=Dictionary of the Holy Bible|publisher=Crocker and Brewster|year=1832|page=648}}</ref>. Contudo, [[Hipólito de Roma]] (234 d.C.) oferece uma opinião alternativa: a de que os lídios seriam descendentes de Ludim, filho de [[Mizraim]]. Durante o período bíblico, os guerreiros lídios eram [[arqueiros]] famosos. Alguns meônios ainda existiam no período histórico nas terras altas da região perto do [[rio Hermus]], onde uma cidade chamada "Meônia" (''Maeonia'') ainda existia segundo [[Plínio, o Velho]]<ref>"História Natural (Plínio, o Velho)|História Natural]], v.30M</ref> e [[Hierócles (Sinecdemus)|Hierócles]] (autor do ''[[Synecdemus]]'').
 
{{Âncora|Mitologia lídia}}
Ainda segundo a mitologia grega, a Lícia era também o lugar onde se originou o [[machado duplo]] chamado ''[[labrys]]''<ref>Fontes citadas por Karl Kerenyi, ''The Heroes of the Greeks'' 1959, p. 192.</ref> [[Ônfale]], a filha do rio Iardanos, era uma monarca da Lídia a quem [[Hércules]] teve que servir por um tempo. Suas aventuras na região são as de um herói grego numa terra periférica e estranha: durante sua estadia, Hércules escravizou os itones, matou Sileu, que forçava os viajantes a capinarem seus vinhedos, assassinou a [[serpente (mitologia)|serpente]] do rio Sangarios (que aparece ainda hoje no céu na forma da constelação de [[Ofiúco]]<ref>Hyginus, ''Astronomica'' ii.14.</ref> e capturou os trapaceiros símios, os [[Cercopes]]. Relatos afirmam que pelo menos um filho de Hércules e Ônfale: [[Diodoro Sículo]]<ref>Biblioteca Histórica 4.31.8</ref> e [[Ovídio]]<ref>''Heroides'' 9.54</ref> mencionam um filho, Lamos, [[Pseudo-Apolodoro]]<ref>''[[Bibliotheke]]'' 2.7.8</ref> afirma que foi Aquelau e [[Pausânias (geógrafo)|Pausânias]]<ref>Descrição da Grécia 2.21.3</ref> traz o nome de Tirseno, que seria filho de Hércules com "a lídia".
 
Os três casos indicam uma dinastia lídia reivindicando Hércules como ancestral. Heródoto (1.7) faz referência a uma [[heráclidas|dinastia heráclida]] de reis que governaram a Lídia, ainda que não fossem descendentes de Ônfale. Ele também menciona (1.94) a lenda recorrente de que a [[civilização etrusca]] teria sido fundada por colonos da Lídia liderados por [[Tirreno (mitologia)|Tirreno]], irmão de Lídio. Porém, [[Dionísio de Halicarnasso]] duvidava da história, indicando que era sabido que a [[língua etrusca|língua]] e os costumes etruscos eram completamente diferente dos lídios. Cronologistas posteriores também ignoraram a afirmação de Heródoto de que [[Agron da Lídia|Agron]] seria o primeiro rei, e incluíram [[Alceu (mitologia)|Alceu]], [[Belo (assírio)|Belo]] e [[Nino (rei da Lídia)|Nino]] em suas listas de reis da Lídia. [[Estrabão]]<ref>''[[Geografia (Estrabão)|Geographia]]'' 5.2.2</ref> faz de Atis, pai de LídioLido e Tirreno, um descendente de Hércules e Ônfale. Todos os demais relatos nomeiam Atis, LídioLido e Tirreno como sendo reis pré-heráclidas da Lídia. Dizia-se que as reservas de ouro no rio [[Pactolo]], a fonte da proverbial riqueza de [[Creso]] (o último rei da Lídia) se originaram quando o lendário [[rei Midas]] da [[Frígia]] acabou com seu "toque de Midas" lavando as mãos em suas águas. Na [[tragédia grega|tragédia]] de [[Eurípides]] "As ''Bacchae''", [[Dionísio (mitologia)|Dionísio]] declara ser originário da Lídia<ref>The Complete Greek Tragedies Vol IV., Ed by Grene and Lattimore, line 463</ref>.
 
O filho de [[Aliates da Lídia|Aliates]] era Creso, que se tornou sinônimo de grande riqueza e Sardis era famosa por sua beleza. Por volta de 550 a.C., no início de seu reinado, Creso financiou a construção do [[Templo de Ártemis]] em [[Éfeso]], que tornar-se-ia uma das [[sete maravilhas da Antiguidade]].