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União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
}}
'''Miragaia''' é uma [[freguesia]] [[Portugal|portuguesa]] do concelho do [[Porto]], com 0,49 km² de área e 2 067 habitantes (2011). Densidade: 4 218,4 hab/km².
 
Pela Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro,<ref>''Diário da República'', 1.ª Série, n.º 19, [http://dre.pt/pdf1sdip/2013/01/01901/0000200147.pdf Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias)]. Acedido a 2 de janeiro de 2014.</ref> [[Cedofeita]], [[Santo Ildefonso]], [[Sé (Porto)|Sé]], Miragaia, [[São Nicolau (Porto)|São Nicolau]] e [[Vitória (Porto)|Vitória]] foram agregadas na [[União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória]].
 
Miragaia, [[Vitória (Porto)|Vitória]] e [[São Nicolau (Porto)|São Nicolau]] são as três freguesias que integram o primitivo núcleo da cidade do Porto e que, juntamente com a freguesia da [[Sé (Porto)|Sé]] - a primeira a ser constituída -, correspondem à cidade medieval delimitada, no [[século XIV]], pelas [[Muralhas Fernandinas do Porto|Muralhas Fernandinas]]. A partir desse núcleo é que o Porto se desenvolveu, acompanhando as principais vias de comunicação, tanto ao longo da margem direita do [[rio Douro]] como para o interior.
== História ==
=== Antecedentes ===
À época da [[Invasão romana da península Ibérica]], no [[século II]], o chamado itinerário do imperador [[Antonino Pio] indica, à margem direita do [[rio Douro]], uma pequena povoação denominada como "Gale"<ref>Mário de Sá. ''As Grandes Vias da Lusitânia: o itinerário de António Pio (6 vols.)''. Lisboa: Sociedade Astória, 1960-1964.</ref> e que, de acordo com [[Pinho Leal]], significava "defronte de Gaia".<ref>PINHO LEAL. ''Portugal Antigo e Moderno: DiccionárioDiccionario GeográphicoGeographico, EstatísticoEstatistico, ChorográphicoChorographico, HeráldicoHeraldico, ArcheológicoArcheologico, HistóricoHistorico, BiográphicoBiographico & EtymológicoEtymologico de Todas as Cidades, Villas e Freguesias de Portugal e Grande NúmeroNumero de Aldeias (12v.)''. Lisboa: Livraria Editora de Mattos Moreira, 1873-1890.</ref> Nesta povoação, os viajantes que vinham pela [[estrada romana]] de [[Bracara Augusta]] para o sul, aguardavam as embarcações que os conduziam, para leste do hoje desaparecido [[Castelo de Gaia]], rumo a [[Lancobrica]] (atual [[Feira (Santa Maria da Feira)|Feira]]), [[Talabrica]] (atual [[Aveiro]]) ou [[Aeminium]] (atual [[Coimbra]]).
 
Outros autores pretendem que a povoação seja mais antiga, com base numa inscrição epigráfica na sua [[igreja]], onde se lê, em [[latim]]: "''Prima Cathedralis fecit haec. Basilius oh egris quam pedibus sanus, condidit inde Petro''" (em [[língua portuguesa]], "Esta foi a primeira catedral do Porto. S. Basílio, apenas se viu são dos pés, a edificou, e por aquele motivo a dedicou a S. Pedro"). [[Basílio]], apontado por alguns como primeiro [[Diocese do Porto|bispo do Porto]], teria falecido em [[37]], sendo essa argumentação, hoje, objeto de discussão.
No ano de [[932]], o rei [[Ramiro II de Leão|D. Ramiro]] desceu da [[Galiza]] para raptar Zahara, a bela irmã do xeque [[Alboazar]]. Este por sua vez, como vingança, raptou a não menos bela esposa de Ramiro, a rainha Gaia, tendo ambos vindo a apaixonar-se um pelo outro. Ramiro, ignorando este amor, vem com o filho e as suas gentes de armas até ao [[castelo]] do rei mouro que se erguia na margem esquerda do rio Douro, a caminho da foz. Ramiro escondeu as suas gentes numa encosta, sob a folhagem e, vestido de romeiro, subiu a mesma postando-se junto a uma fonte, no aguardo de novidades. Uma criada veio buscar água fresca à fonte para a sua nova ama – a cristã. Num átimo, Ramiro escondeu o seu próprio [[anel]] na bilha de água da moura e continuou a aguardar.
 
A rainha Gaia, ao encontrar o anel na bilha da água, pressentiu a verdade e mandou chamar o romeiro à sua presença. Apaixonada pelo mouro, decidida a desfazer-se do marido cristão, embriagou-o e prendeu-o num quarto, que foi aberto à chegada de Alboazar. Ramiro tentou reagir mas em pouco tempo foi rendido pelas gentes do mouro que, sorrindo, perguntou-lhe o que ele, um rei cristão, faria se tivesse em suas mãos o seu inimigo. Tendo em mente o combinado com os seus homens, ainda ocultos na encosta, Ramiro respondeu que lhe faria comer um capão, beber um canjirão de [[vinho]], e depois postá-lo-ia no topo de uma [[torre]] a tocar trompa até rebentar. Alboazar achou graça e garantiu-lhe que seria essa então a sua morte. Para maior gáudio, determinou abrir os portões do castelo convidando todos os moradores extramuros a assistíassisti-la.
 
Ramiro comeu, bebeu, foi conduzido ao alto da torre e tocou a trompa até que as suas gentes, ao ouvir o sinal combinado, irromperam pelos portões abertos do castelo, chacinando as tropas do mouro desprevenidas. O próprio Ramiro matou Alboazar e, tomando a sua mulher, embarcou, seguido pelos seus homens. A bordo, encarou o pranto da esposa, que contemplava desolada as ruínas do castelo, e pergunta-lhe qual a razão, sendo respondido: