Diferenças entre edições de "António Teixeira Rebelo"

4 089 bytes adicionados ,  02h36min de 14 de fevereiro de 2014
sem resumo de edição
(Cat toponímia)
|nome = António Teixeira Rebelo
|imagem = Teixeirarebelo.jpg
|imagem_tamanho = 250px240px
|imagem_legenda = ''Retrato de António Teixeira Rebelo na Biblioteca do Colégio Militar''
|nascimento_data = {{dni|17|12|1750|si|lang=pt}}
 
=== O Regimento de Artilharia do Porto (1764-1780) ===
Pelo Alvará de 15 de julho de 1763 foram organizados os novos Regimentos de Artilharia de Portugal, segundo o plano a ele junto<ref>Mais tarde ampliado pelo Alvará de 4 de junho de 1766</ref>.
 
Considerando a sua proveniência social e a sua vontade e necessidade de prosseguir com os seus estudos, não restava outra opção a António Teixeira Rebelo que o ingresso na carreira eclesiástica ou militar. António Teixeira Rebelo decidiu-se pela última, talvez motivado pela acção de recrutamento efectuada por [[Luís D'Alincourt]] na região de Trás-os-Montes, tendo-se alistado como soldado voluntário, em 27 de setembro de 1764, no recém-fundado Regimento de Artilharia de Valença, como era conhecido na altura o Regimento de Artilharia do Porto.
 
A ''Artilharia'' era entendia na altura como o serviço militar encarregue de todos os preparativos de guerra, em que se compreendem as munições de que os Exércitos se servem nas batalhas, bem como nos ataques e defesas de Praças. Tratava também da arte de manejar canhões, bombas, obuzes, e outros instrumentos de disparar tiros por meio de pólvora.
 
No ano anterior ao seu alistamento, com o fim da Guerra Fantástica, havia sido criada pelo [[Conde de Lippe]] uma ''"Aula Real de Artilharia"'' naquele Regimento, onde um ilustrado oficial suíço, chamado [[João Vitória Miron Sabione]], ensinava as cadeiras de ''"Matemática"'', ''"Fortificação"'', ''"Tática"'', ''"Artilharia"'' e ''"Desenho"'', obrigatórias para oficiais e praças do Regimento. O plano do Conde de Lippe para aquele tipo de aulas regimentais era tão detalhado, que ia até à obrigatoriedade dos livros a utilizar e à interdição de quaisquer outros; e sobre as matérias ensinadas eram prestadas provas, indispensáveis nas promoções.
 
=== O Regimento de Artilharia da Corte (1785-1797) ===
FoiAntónio Teixeira Rebelo foi transferido em 1785 para o Regimento de São Julião, ou Regimento de Artilharia da Corte<ref>O Regimento de Artilharia da Corte foi criado por Alvará de 9 de abril de 1762, que extinguiu os Pés do Castelo, Presídios e Troço.</ref>, onde em [[25 de setembro]] de [[1785]] seria promovido a 1.º Tenente da companhia de mineiros e, dois anos mais tarde, em 9 de agosto de 1788, a Capitão da 9.ª Companhia. ReencontraÀ comosua comandanteentrada dono novo Regimento, reencontra como seu comandante Christian Frederich von Weinholz, queo tinhaqual, também como ele, havia servido no Regimento de Artilharia do Algarve, tendo assumido aquele cargocomando em 1783, e que vindo-o viria a desempenhar até 1789, aquando a sua morte.
 
=== O Tratado de Artilharia de John Muller (1793) ===
 
O Marquês de Alorna, escrevendo em 1789 uma memória sobre a reorganização militar de Portugal, feita a pedido do Príncipe Regente D. João, chegou a aconselhar nela que sobre assuntos da arma de artilharia se consultasse sempre a opinião de Teixeira Rebelo, como a mais competente.<ref>O Occidente. - Lisboa. - Vol. 26, nº 871 (1903), p. 51, 53 : il. - http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1903/N871/N871_master/N871.pdf</ref>
 
António Teixeira Rebelo foi casado com uma senhora irlandesa, D. Maria Luísa Ardisson, e morreu sem descendência.
 
Em 20 de abril de 1798, assina uma ''"Memória sobre o estabelecimento local e organização dos armazéns provinciais"'', ordenada por Luís Pinto de Sousa Coutinho, ministro e secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra.<ref>Documento n.º PT/AHM/DIV/4/1/08/03</ref>
 
=== A Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica (1798-1802) ===
Por Decreto de 19 de outubro de 1798, o coronel António Teixeira Rebelo é nomeado Membro da Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica para o Desenho, Gravura e Impressão das Cartas Hidrográficas, Geográficas e Militares, criada em 30 de Junho daquele mesmo ano, por D. Rodrigo de Sousa Coutinho, Conde de Linhares, Secretário de Estado da Fazenda e maior representante do "partido inglês" à época, com o objetivo não só de preparar a ''"Carta Geral do Reino"'' e de centralizar todo o trabalho cartográfico disperso por diferentes instituições da coroa, como também com o propósito, e talvez o principal, de centralizar os trabalhos técnicos a realizar para promover o desenvolvimento económico do país e que pudessem dar cobertura às reformas perspetivadasperspectivadas pelo Conde de Linhares.
 
A Sociedade é instalada no Arsenal Real da Marinha, reunindo pelo menos uma vez por semana e será organizada em duas classes: a primeira dedicada às cartas hidrográficas e a segunda às cartas geográficas, militares e hidráulicas; podendo cada um dos respetivos membros assistir e participar de igual modo nas sessões da classe a que não pertençam. Terá um número limitado de membros, 68 no total, dos quais apenas 39 são oficiais do Exército, e a quem D. Rodrigo de Sousa Coutinho fará questão de explicar todos os anos, de 1798 até 1802, a política geral da monarquia portuguesa, assim como as realizações e os planos no domínio da política de reformas.
 
=== A Guerra das Laranjas (1800-1801) ===
A chamada [[Guerra_das_Laranjas|Guerra das Laranjas]] foi um curto episódio militar ocorrido entre [[Portugal]] e a [[Espanha]] em [[1801]], preludiando a [[Guerra Peninsular]], com extensos desdobramentos, quer na [[Península Ibérica]], quer no [[Império Português|ultramar português]]. Em 29 de janeiro de 1801, Espanha lança um ultimato ao governo português para que desfaça a velha aliança que mantinha com os ingleses. Não satisfeitas as suas pretensões, declara guerra a Portugal, em 20 de maio daquele ano, e faz entrar o seu exército no país através do Alentejo.
 
Em 1801consequência, António Teixeira Rebelo foi nomeado, em 1801, comandante do Quartel-General do Grilo e novamente comandante dos parques do Exército do Sul, ''«de Entre Douro e Guadiana»'', que defenderá o país da invasão espanhola dirigida por [[Manuel_de_Godoy|Manuel de Godoy]], sendo encarregue do estabelecimento de parques volantes e de reserva, da construção e organização dum depósito geral, e da criação, organização e instrução de duas companhias de artilharia montada, arma até então desconhecida no nosso país. Era comandante em chefe do Exército do Sul o Tenente General Forbes Skelater, fazendo ainda parte do quartel-general: D. Miguel Pereira Forjaz (Ajudante General); José Neves da Costa Cardoso (Comandante da Brigada de Artilharia); José António da Rosa (Comandante da Tropa de Artilharia); Luís Cândido Correia Pinheiro Furtado (Comandante da Brigada dos Engenheiros); e António Teixeira Rebelo (Comandante do Parque do Regimento de Artilharia do Alentejo e do Regimento de Artilharia do Algarve).
 
Era comandante em chefe do Exército do Sul o Tenente General Forbes Skelater, fazendo ainda parte do quartel-general: D. Miguel Pereira Forjaz (Ajudante General); José Neves da Costa Cardoso (Comandante da Brigada de Artilharia); José António da Rosa (Comandante da Tropa de Artilharia); Luís Cândido Correia Pinheiro Furtado (Comandante da Brigada dos Engenheiros); e António Teixeira Rebelo (Comandante do Parque do Regimento de Artilharia do Alentejo e do Regimento de Artilharia do Algarve).
Em maio de 1801 é comandante do Quartel-General do Grilo.
 
Com a entrada das forças espanholas no Alentejo, o [[João_Carlos_de_Bragança_e_Ligne_de_Sousa_Tavares_Mascarenhas_da_Silva|Duque de Lafões]], Marechal-General Comandante do Exército, é destituído de todos os cargos e substituído no comando em chefe pelo marechal Carlos Alexandre, Conde de Goltz, um general prussiano da escola de Frederico.
=== O Comando do Regimento de Artilharia da Corte (1802) ===
 
Em 1802, por morte do anterior comandante, [[Henrique de Pratt]], foi promovido a coronel efetivo e nomeado comandante do Regimento de Artilharia da Corte, à altura sediado no [[Forte_de_São_Julião_da_Barra|Forte de S. Julião da Barra]], um caso praticamente único no exército português da altura, para um oficial que não pertencia à aristocracia, nem da corte, nem da província<ref>Henrique de Pratt terá nascido em França, sendo filho de Francisco de Pratt e Margarida Mourguez. Veio para Portugal no final do século XVIII. Em 1800 era Coronel do Regimento de Artilharia da Corte. E em 1801 foi encarregado do depósito de recrutamento provisional do Porto e foi Comandante da Brigada de Artilharia do Exército do Norte. O seu filho José Miguel Caetano de Pratt, nascido em Oeiras em 12.11.1801, já órfão de pai, entraria para o Colégio Militar, então Colégio de Educação Militar do Regimento de Artilharia da Corte, em 1812. Foi também militar e chegou a General de Brigada, tendo falecido em 09.05.1869.</ref>.
No seguimento de um relatório do Conde de Goltz sobre a reorganização do exército, D. [[João de Almeida Melo e Castro]], ministro da Guerra e dos Estrangeiros, decide reunir um Conselho Militar constituído por nove oficiais generais portugueses e estrangeiros, dos mais competentes em todas as armas, presidido por ele próprio e tendo como secretariado o coronel D. [[Miguel Pereira Forjaz]]. Competiria a este Conselho ''"o exame e deliberação sobre todos os assuntos relativos à constituição do exército, à sua disciplina e instrução, na conformidade das indicações contidas numas bem elaboradas Instruções assinadas pelo Ministro da Guerra, devendo o resultado das suas deliberações subir à presença do Governo para conveniente resolução"''. A composição do Conselho Militar foi determinada em 1 de dezembro de 1801, e nele tinham assento: o marechal conde de Goltz, marechal-general Comandante do Exército; o marechal marquês de Viomésnil, marechal encarregado do governo de todas as tropas e armas; João Forbes Skellater, escosês, tenente-general, inspetor geral da Infantaria; o Conde de Aveiras, general de Artilharia; o Conde de S. Lourenço, general de Cavalaria; o Marquês de la Rosière, tenente-general; João d'Ordaz Querióz, tenente-general, inspetor geral da Cavalaria; e Francisco Carlos de Quief-de-Ville, marechal de campo, inspetor geral da Artilharia.
 
É necessário compreender que, no período entre 1793 e 1807, o Exército vive sob a égide de duas fações distintas: uma conotada com um certo ''"partido inglês"'', de resistência à eventual invasão francesa e motivada para as reformas, liderada por D. Rodrigo de Sousa Coutinho e D. João de Almeira; e uma segunda conotada com o ''"partido francês"'', de reação, de contenção de despesas consideradas supérfluas, e que procura a manutenção, e mesmo o alargamento, dos privilégios da aristocracia, defendendo uma solução de compromisso com a França, sendo esta encabeçada numa primeira fase pelo Duque de Lafões e, posteriormente, por António de Araújo.
 
Teixeira Rebelo surge nesta fase, novamente, a acompanhar o "partido inglês" nas reformas do Exército levadas a cabo por [[Rodrigo_de_Sousa_Coutinho|D. Rodrigo de Sousa Coutinho]]<ref name="reforma">[http://www.arqnet.pt/exercito/rodrigo_exercito.html link] Manuel Amaral, D. Rodrigo de Sousa Coutinho e o Exército, 2011</ref>.
 
=== O Comando do Regimento de Artilharia da Corte (1802) ===
Em 1802, por morte do anterior comandante, [[Henrique de Pratt]], foi promovido a coronel efetivo e nomeado comandante do Regimento de Artilharia da Corte, à altura sediado no [[Forte_de_São_Julião_da_Barra|Forte de S. Julião da Barra]], um caso praticamente único no exército português da altura, para um oficial que não pertencia à aristocracia, nem da corte, nem da província<ref>Henrique de Pratt terá nascido em França, sendo filho de Francisco de Pratt e Margarida Mourguez. Veio para Portugal no final do século XVIII. Em 1800 era Coronel do Regimento de Artilharia da Corte. E em 1801 foi encarregado do depósito de recrutamento provisional do Porto e foi Comandante da Brigada de Artilharia do Exército do Norte. O seu filho José Miguel Caetano de Pratt, nascido em Oeiras em 12.11.1801, já órfão de pai, entraria para o Colégio Militar, então Colégio de Educação Militar do Regimento de Artilharia da Corte, em 1812. Foi também militar e chegou a General de Brigada, tendo falecido em 09.05.1869.</ref>, António Teixeira Rebelo foi promovido a coronel efetivo e nomeado comandante do Regimento de Artilharia da Corte, à altura sediado no [[Forte_de_São_Julião_da_Barra|Forte de S. Julião da Barra]], um caso praticamente único no exército português da altura, para um oficial que não pertencia à aristocracia, nem da corte, nem da província.
 
Em 21 de março de 1802, é escolhido para a ''Junta do Código Penal Militar, e melhoramento das Coudelarias do Reino'', composta de oficiais do exército e da marinha, e a que pertenceram o [[Pedro_José_de_Almeida_Portugal|Marquês de Alorna]] e [[Bernardim_Freire_de_Andrade|Bernardim Freire de Andrade]]. Esta Junta, ampliada por Decreto de 23 de Fevereiro de 1804 para regular igualmente um Código Criminal Militar para a Marinha, e que irá regular, em 9 de abril de 1804, os diferentes tipos de crime de deserção e a proporcionalidade das penas a aplicar a cada caso.
=== A criação e direção do Colégio da Feitoria (1803-1825) ===
[[File:Real Colegio Militar.jpg|thumb|300px|Real Colegio Militar]]
No Conselho Militar de 1801 acima referido, encarregue da reorganização do Exército, o Marquês de Viosésnil fez diversas intervenções, que fundamentaram diversas propostas, das quais se salientam as seguintes: que os postos de oficial passassem a ser todos preenchidos por elementos que, como cadetes, tivessem recebido conhecimentos adequados; que, para facilitar a aquisição dos conhecimentos preparatórios exigidos, fosse estabelecido um Colégio Militar, comum a todos os que pretendessem servir no Exército, no qual se entraria com a idade de 10 anos; que neste Colégio, sustentado à custa do Estado, fosse ministrada aos alunos a educação conveniente, entrando estes de seguida nos corpos das diferentes armas, conforme a sua inclinação e aptidão demonstrada; que se destinassem aos corpos de Engenharia e Artilharia os mais aptos, os quais prosseguiriam estudos num estabelecimento único, localizado em Lisboa, e sustentado pelo Estado<ref>José Alberto Costa Matos, ''Dois séculos do Colégio Militar - 155 anos partilhados com a Revista Militar" in Revista Militar n.º 2413/1414, 2003</ref>.
 
O processo de criação do ''Colégio Regimental da Artilharia da Corte'', também conhecido por ''Colégio da Feitoria'', e que deu origem ao atual [[Colégio_Militar_(Portugal)|''Colégio Militar'']], prolongou-se entre 1802 e 1803, tendo sido fixada, mais tarde, a data oficial de [[3 de março]] de [[1803]] de modo a assinalar a efeméride. Em 7 de agosto de 1802, António Teixeira Rebelo envia a D. João de Almeida de Melo e Castro uma relação nominal dos alunos que estão em circunstâncias de entrar no pequeno Colégio de Educação<ref>Documento PT/AHM/DIV/3/05/10/40/01</ref>.
 
 
Faleceu em Lisboa na madrugada do dia 6 de outubro de 1825.
 
António Teixeira Rebelo foi casado com uma senhora irlandesa, D. Maria Luísa Ardisson, e morreu sem descendência.
 
Em 1903 foi inaugurado no Colégio Militar um busto de António Teixeira Rebelo, modelado pelo professor da Escola Industrial Marquês de Pombal, Jorge Ians, e fundido em bronze na oficina de canhões do Arsenal do Exército sob a direção do Coronel Matias Nunes.
595

edições