Ósio de Córdova: diferenças entre revisões

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'''Ósio de Córdoba''' ([[circa|ca.]] 257 - 359 dC), também conhecido como '''Hósio''' ou '''Óssio''', foi um [[bispo]] de [[Córdoba (Espanha)|Córdoba]] e uma dos mais proeminentes defensores do que se tornou o [[Catolicismo]] durante a [[controvérsia ariana]], que dividiu a [[cristianismo primitivo|igreja antiga]] durante o século {{séc|IV dC}}. Após [[Lactâncio]], ele era o mais próximo conselheiro de [[Constantino]] e o guiou muitos de seus discursos públicos, como a "Oração aos Santos", endereçada aos bispos reunidos.<ref name = CE>{{1913CE|Hosius of Cordova}}</ref>
 
== Vida e obras ==
Ele nasceu provavelmente na ''[[CordubaCórduba]]'' [[Império Romano|romana]], na província da [[Hispânia]], embora uma passagem em [[Zósimo]] já foi conjecturada como sendo uma crença do autor de que Ósio seria um [[Egito (província romana)|egípcio]]<ref name = CE/>.
 
Eleito para a [[sé episcopal|sé]] de Córdoba antes do final do século {{séc|III dC}}, ele escapou por pouco do [[martírio]] durante a [[perseguição de Maximiano]] (303 - 305 dC). Em 305 ou 306 dC, ele compareceu ao [[Sínodo de Elvira]] (''Illiberis''[[Ilíberis]]) - seu nome aparecendo em segundo na lista dos presentes - e defendeu seus estritos [[lei canônica|cânones]] sobre pontos disciplinares como o tratamento dos que renegaram a sua fé durante as perseguições recentes (''[[traditores]]'') - o que deu margem para o surgimento do [[Donatismo]] - e questões sobre o [[casamento clerical]]<ref name = CE/>.
 
Em 313 dC, ele reaparece na corte de Constantino, mencionado explicitamente pelo nome numa comunicação direcionada à [[Ceciliano de Cartago]] naquele mesmo ano. Em 323 dC, ele foi o portador e provável autor da carta de Constantino ao bispo [[Alexandre de Alexandria]] e [[Ário]], seu [[diácono]], ordenando que eles parassem de perturbar a fé da igreja. Além disso, com o fracasso das negociações no [[Egito (província romana)|Egito]], foi sem dúvida com a ajuda ativa de Ósio que o [[Primeiro Concílio de Niceia]] foi convocado em 325 dC. Ele certamente tomou parte nos procedimentos deste [[concílio]], embora a afirmação de que ele o tenha presidido seja duvidosa, assim como a de que ele teria sido o principal autor do [[Credo de Niceia]]. Ainda assim, ele influenciou fortemente o eventual julgamento do [[imperador romano|imperador]] contra o partido de Ário ([[heteroousianos]])<ref name = CE/>.
 
Após um período de vida tranquila em sua própria [[diocese]], Ósio presidiu em 343 dC o infrutífero [[Sínodo de Sardica]], que se mostrou tão hostil com o [[arianismo]]. Dali em diante, ele falou e escreveu em favor de [[Atanásio de Alexandria]] - principal defensor dos [[homoousianos]]<ref name = CE/>.
 
Após a morte de Constantino, o prestígio dado à causa [[ortodoxia doutrinária|ortodoxa]] (''homoousianos'') na [[controvérsia ariana]] por conta do apoio do venerável Ósio levou os arianos a pressionar o imperador [[Constâncio II]], que o convocou até [[Mediolano]], onde ele se recusou a condenar Atanásio e a estender a [[comunhão (sacramento)|comunhão]] aos arianos. Ele impressionou tanto o imperador que foi autorizado a voltar pra casa apesar da desobediência. Mais pressão ariana levou Constâncio a escrever-lhe uma carta perguntando se ele seria o único a permanecer em sua obstinação. Em resposta, Ósio enviou-lhe uma corajosa carta de protesto contra a interferência do imperador nos assuntos da Igreja (353 dC), preservada por Atanásio,<ref>{{citar livro|nome=[[Atanásio de Alexandria]]|título=Historia Arianorum|volume=VI|capítulo=44| subtítulo=Hosius to Constantius the Emperor sends health in the Lord.| url=http://www.newadvent.org/fathers/28156.htm |língua=inglês}}</ref> que levou ao exílio de Ósio na cidade de [[Sirmio]] em 355 dC. Do exílio, ele escreveu novamente para Constâncio II a sua única composição sobrevivente, uma carta, considerada muito justamente por [[Tillemont]] como demonstrando gravidade, dignidade, gentileza, sabedoria, generosidade e, de fato, todas as qualidades de uma grande alma e um grande bispo<ref name = CE/>.
 
Desta época (353 dC) também há uma carta do [[Papa Libério]] para ele<ref name = CE/>.
 
== Lapso no fim da vida ==
Submetido à contínua pressão dos arianos, o já envelhecido Ósio, que já beirava os cem anos, fraquejou ao assinar a fórmula adotada pelo terceiro [[Concílio de Sirmio]] em 357 dC,<ref>{{citar livro| autor = [[Filostórgio]]|título = História Eclesiástica| url = http://www.ccel.org/ccel/pearse/morefathers/files/philostorgius.htm| língua = inglês| subtítulo = |volume = IV |capítulo = 3}}</ref> que incluía a comunhão com os arianos e excluía as condenações à Atanásio. Assim ele obteve autorização para retornar para sua diocese na Hispânia, onde morreu em 359 dC<ref name = CE/>.
 
{{Referências}}