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Acadêmicos dos séculos XIX e XX também se basearam nos relatos de Heródoto, porém as descobertas de ''[[Sir]]'' [[Austen Henry Layard|Henry Layard]] nos arquivos reais de [[Nínive]] e [[Calá]] permitiram o estudo de ainda mais material anterior (em muitos séculos) à obra do historiador grego.<ref>Deller, K. "Ausgewählte neuassyrische Briefe betreffend Urarṭu zur Zeit Sargons II.," in P.E. Pecorella e M. Salvini (ed.), ''Tra lo Zagros e l'Urmia. Ricerche storiche ed archeologiche nell'Azerbaigian Iraniano'', ''Incunabula Graeca'' 78 (Roma, 1984) 97–122.</ref> O registro arqueológico [[Assíria|assírio]] aponta que os cimérios, e a terra de [[Gamir]], localizavam-se a pouca distância de [[Urartu]] (um reino da [[Idade do Ferro]] cujo epicentro era ao redor do [[lago Van]], no [[Planalto Armênio]]), ao sul do Cáucaso.<ref name="Cozzoli 1968">{{citar livro | autor = Cozzoli, Umberto| título = I Cimmeri|ano = 1968|editora = Arti Grafiche Citta di Castello (Roma)|local = [[Roma]] | url=http://openlibrary.org/b/OL19361902M/Cimmeri.}}</ref><ref name="Salvini 1984">{{citar livro | autor = Salvini, Mirjo| título = Tra lo Zagros e l'Urmia: richerche storiche ed archeologiche nell'Azerbaigian iraniano| ano = 1984|editora = Ed. Dell'Ateneo (Roma)|local = [[Roma]] | url=http://openlibrary.org/b/OL13958629M/Tra-lo-Zagros-e-l%27Urmia}}</ref> Relatórios de inteligência militar de [[Sargão II]] do século VIII a.C. descrevem como os cimérios ocupavam territórios ao sul do [[Mar Negro]].<ref>{{citar livro | autor = Kristensen, Anne Katrine Gade| título = Who were the Cimmerians, and where did they come from?: Sargon II, and the Cimmerians, and Rusa I|ano = 1988|editora = [[Academia Real Dinamarquesa de Ciência e Letras]] | local = [[Copenhagen]]}}</ref>
 
===Primeira aparição histórica===
== Registos históricos ==
[[Imagem:Urartu 715 713-en.svg|thumb|right|Invasões cimérias da [[Cólquida]], [[Urartu]] e [[Assíria]] (715–713 a.C.).]]
O primeiro registo histórico dos cimérios aparece nos anais da [[Assíria]] no ano 714 a.C. Eles descrevem como um povo chamado ''Gimirri'' ajudou as forças de [[Sargão II]] a derrotar o reino de [[Urartu]]. Sua terra original, chamada ''Gamir'' ou ''Uishdish'', parece ter sido localizada no Estado-tampão de [[Mannai]]. O geógrafo posterior [[Ptolomeu]] colocou a cidade de ''Gomara'' nessa região.
O primeiro registro histórico dos cimérios se dá nos anais [[Assíria|assírios]], no ano de 714 a.C.; eles descrevem como um povo demominado ''Gimirri'' ajudou as tropas de [[Sargão II da Assíria|Sargão II]] a derrotar o reino de [[Urartu]]. Sua terra de origem, chamada no texto de ''Gamir'' ou ''Uishdish'',{{carece de fontes|data=janeiro de 2012}} parece ter se localizado dentro do "[[estado tampão]]" de [[Manas]] (''Mannai'' ou ''Mannae''). O [[geógrafo]] grego [[Ptolemeu]], escrevendo nos séculos I-II d.C., situou a cidade ciméria de ''Gomara'' nesta região. Após as conquistas da [[Cólquida]] e da [[Ibéria caucasiana|Ibéria]], ocorridas no primeiro milênio a.C., os cimérios também passaram a ser conhecidos como ''Gimirri'' no [[língua georgiana|idioma georgiano]]. De acordo com historiadores da [[Geórgia]],<ref>Berdzenishvili, N., Dondua V., Dumbadze, M., Melikishvili G., Meskhia, Sh., Ratiani, P., ''History of Georgia (Vol. 1)'', [[Tbilisi]], 1958, p. 34–36</ref> os cimérios tiveram um papel de grande influência no desenvolvimento da cultura cólquica e ibérica. O palavra georgiana para "[[herói]]", [[wikt:გმირი|გმირი]], ''gmiri'', vem do termo ''Gimirri'', que se referia aos cimérios que habitaram a região após as primeiras conquistas.
 
Alguns autores modernos{{carece de fontes}} afirmam que entre os cimérios incluíamestavam [[mercenários]], chamados pelos assírios de ''Khumri'', restabelecidosque haviam sido despachados para naaquela região por Sargão. Contudo,Relatos gregos de épocas posteriores sustentam quedescrevem os cimérios, antestendo disso, haviamhabitado vividoanteriormente nasas [[estepe]]s situadas entre os rios Tiras (''Tyras'', atual ([[Dniester]]) e TanaisTánais (atual [[Riorio Don, Rússia|Don]]). [[Homero]]Fontes os descreve em seu livro 11 da ''[[Odisseia]]'' como habitantes de terras enevoadasgregas e de trevas nos limites do mundo, às margens de [[Oceano (mitologia)Mesopotâmia|Oceanomesopotâmicas]]. Váriosmencionam diversos reis cimérios são mencionados em fontes gregas e [[Mesopotâmia|mesopotâmicas]], incluindoentre oeles [[Tugdamme]] (''Lygdamis'', em [[Língua grega|grego]]; meados do século VII a.C.) e o [[Sandakhshatra]] (final do século VII a.C.).
 
Um povo "mítico" também chamado de cimério é descrito nos livros XI e XIV da ''[[Odisseia]]'', de [[Homero]]; eles habitariam além do [[Oceano (mitologia)|Oceano]], numa terra envolta em névoa e escuridão, na beira do mundo dos vivos, próximo à entrada do [[Hades]]. Provavelmente não tinham qualquer relação com os cimérios do Mar Negro.<ref>Liddell, Henry e Scott, Robert. [http://www.perseus.tufts.edu/cgi-bin/ptext?doc=Perseus%3Atext%3A1999.04.0057%3Aentry%3D%2357414 "Cimmerians" (Κιμμέριοι)], [[Project Perseus]], [[Universidade Tufts]].</ref>
 
De acordo com as ''[[Histórias (Heródoto)|Histórias]]'', de [[Heródoto]] (c. 440 a.C.), os cimérios teriam sido expulsos das estepes pelos citas. Para se asseguraram de que seriam sepultados em sua terra ancestral, os homens da família real ciméria se dividiam em grupos e combatiam até à morte. Já os cimérios das classes populares eram enterrados ao longo do rio Tiras, enquanto fugiam do avanço cita, cruzando o [[Cáucaso]] e chegando à [[Anatólia]].<ref>[[Heródoto]], ''[[Histórias (Heródoto)|Histórias]]'', livro IV, seções 11–12.</ref>
 
Os assírios registraram as migrações dos cimérios, já que seu antigo rei, Sargão II, havia sido morto em combate contra eles em 705 a.C. Registros posteriores indicam que os cimérios teriam conquistado a [[Frígia]] entre 696 e 695 a.C., o que fez com que o rei frígio [[Midas]] preferisse o suicídio, ingerindo veneno, do que ser capturado por eles. Em 679 a.C., durante o reinado de [[Assaradão]] da Assíria, eles atacaram a [[Cilícia]] e [[Tabal]], então comandados por seu novo rei, [[Teushpa]]. Assaradão teria derrotado-os nos arredores de [[Hubushna]].{{carece de fontes|data=fevereiro de 2011}}
 
Em 654 ou 652 a.C. – a data exata não é conhecida com exatidão – os cimérios teriam atacado o reino da [[Lídia]], assassinando o rei lídio [[Giges da Lídia|Giges]], e destruindo a capital lídia de [[Sárdis]]. Dez anos mais tarde eles realizaram uma nova incursão na mesma cidade, durante o reinado do filho de Giges, [[Árdis II]]; desta vez conseguiram conquistar a cidade, com a exceção de sua [[cidadela]]. A queda de Sárdis representou um grande choque para as potências regionais da época; os [[poeta]]s gregos [[Calino]] e [[Arquíloco]] registraram o temor que os cimérios inspiravam, à época, nas [[colônias gregas]] da [[Jônia]], muitas das quais já haviam sido atacadas por saqueadores cimérios e [[treros]].{{carece de fontes|data=fevereiro de 2011}}
 
A ocupação cimérica da Lídia, no entanto, teve curta duração, provavelmente devido a alguma [[epidemia]]. Entre 637 e 626 a.C. foram derrotados por [[Aliates II]] da Lídia; esta derrota marcou, na prática, o fim do poder cimério. O termo ''Gimirri'' foi usado um século depois, na [[Inscrição de Behistun]] (c. 515 a.C.) como um equivalente [[Babilônia|babilônio]] dos [[sacas]] (citas) mencionados pelos [[persas]]. Com a exceção desta menção, os cimérios desaparecem por completo dos relatos históricos, e seu destino se torna desconhecido; especula-se que tenham se fixado na [[Capadócia]], conhecida em [[Língua armênia|armênio]] como [[wikt:Գամիրք|Գամիրք]], ''Gamir-kʿ'' (mesmo nome dado à terra natal dos cimérios em Manas).{{carece de fontes|data=fevereiro de 2011}}
 
De acordo com as ''Histórias'' de [[Heródoto]] (c. 440 a.C.), os cimérios haviam, em determinado ponto do passado, sido expulsos das estepes pelos [[citas]]. Para garantir seu enterro na pátria de seus ancestrais, os membros da família real ciméria dividiram-se em grupos e lutaram entre si até a morte. Os camponeses cimérios enterraram os corpos ao largo do rio Tyras e, através do Cáucaso, fugiram do avanço.
<!--Editar: texto cheio de preciosismo, erros ortográfico e factuais
== Guerra contra a Cítia==
De acordo com Heródoto a Cítia entrou em guerra com a Ciméria se expandindo para o Oeste e sob tal pretexto seguiu os cimérios pelo cáucaso ocidental enquanto os cimérios pelo litoral euxino até o Pontvs no noroeste anatólico ou sudeste do Euxino. Acabaram chegando na Média onde suas hordas enfrentaram resistência mas acabaram se impondo sobre os medos e reinando por décadas sob o império Medo gerando um império cita que avançou até a Síria e Egipto, onde o soberano egipto se ajoelhou e clamou diante dos citas para que não invadissem o Nilo Setentrional, Sinai, et cetera. De acordo com o mesmo a decisão de Dário em preferir atacar a Cítia ao invés dos gregos adveio deste episódio, pois os persas assumindo o papél de sucessores da Média acabaram herdando a sua história e portanto a humilhante derrota diante dos citas. Com isso os persas foram derrotados pelos citas e acabaram se voltando contra os gregos sob Xerxes (de acordo com fontes persas tudo começa quando os fenícios arrumam confusão com os gregos em Argos).
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== Língua ==
Da língua dos cimérios, apenas alguns poucos nomes pessoais sobreviveram, encontrados em inscrições assírias: