Diferenças entre edições de "Joaquim Francisco de Assis Brasil"

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|nome =Joaquim Francisco de Assis Brasil
|imagem =Joaquim Francisco de Assis Brasil.jpg
|imagem-tamanho =200px
|título =[[Governador do Rio Grande do Sul]] {{BR-RSb}} na [[junta governativa gaúcha de 1891]]
|mandato =[[12 de novembro]] de [[1891]]<br />até [[8 de junho]] de [[1892]]
|antecessor =[[Júlio de Castilhos]]
|sucessor =[[José Antônio Correia da Câmara]]
|título2 =[[Anexo:Lista de ministros da Agricultura do Brasil|Ministro da Agricultura do Brasil]] {{BRAb}}
|mandato2 =[[3 de março]] de [[1911]]<br>até [[30 de março]] de [[1911]]
|antes2 =[[Pedro Manuel de Toledo]]
|depois2 =[[José Barbosa Gonçalves]]
|website =[http://assisbrasil.org/bio.html]
}}
'''Joaquim Francisco de Assis Brasil''' ([[São Gabriel (Rio Grande do Sul)|São Gabriel]], [[{{dtlink|lang=br|29 de julho]] de [[|7|1857]]}}[[{{dtlink|lang=br|24 de dezembro]] de [[|12|1938]]}}) foi um [[advogado]], [[político]], [[Oratória|orador]], [[escritor]], [[poeta]], [[prosa]]dor, [[diplomata]] e [[estadista]] brasileiro; propagandista da [[República]]. Foi fundador do [[Partido Libertador]], [[deputado]] e membro da [[junta governativa gaúcha de 1891]]<ref>[http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1443933&tit=Os-120-anos-do-Cerco-da-Lapa-e-o-preco-da-consolidacao-da-Republica - Os 120 anos do Cerco da Lapa e o preço da consolidação da República Floriano Peixoto implantou uma ditadura militar no início da República e com isso gerou uma série de rebeliões. O Cerco da Lapa faz parte desse cenário de luta pelo poder e de debilidade política] Jornal Paranaense - [[Gazeta do Povo]]</ref>.
 
Introduziu no [[Brasil]] o [[gado]] Jersey, o [[Devon (bovino)|gado Devon]] e a [[Karakul|ovelha Karakul]], tendo participação importante na introdução do [[Árabe (cavalo)|cavalo árabe]] e no melhoramento do [[Thoroughbred]], o puro sangue inglês.
Assis Brasil nasceu na [[estancieiro|estância]] de São Gonçalo, município de [[São Gabriel]], no [[Rio Grande do Sul]], filho do estancieiro Francisco de Assis Brasil, de quem herdou extensas propriedades no interior gaúcho, e de Joaquina Teodora de Bem Salinas, ambos [[descendência|descendentes]] de [[Açores|açorianos]].
 
Aos oito anos entrou na escola de primeiras letras do mestre Custódio José de Miranda. Em [[1870]] transferiu-se para o Colégio São Gabriel, na cidade de mesmo nome. No primeiro ano ganhou a medalha de prata e no ano seguinte a de ouro. Estas medalhas ainda existem, guardadas no [[Castelo de Pedras Altas]], no município de [[Pedras Altas]].
 
Em [[1872]], já órfão de pai, partiu para [[Pelotas]], ficando interno no Colégio Taveira Júnior. Em [[1874]] frequentou, em [[Porto Alegre]], o [[Colégio Gomes]], onde estudou os preparatórios.
 
Em [[1876]] matriculou-se na [[Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo]], passando a integrar o grupo de estudantes rio-grandenses que ali se formara. Fundaram o [[Clube 20 de Setembro]], com o compromisso de pregar e propagar o [[República|sistema republicano]] de governo e de apressar a mudança de regime político do país.
 
==Vida Acadêmica==
 
Em [[1877]], Assis Brasil publicou seu primeiro livro, ''Chispas'', com versos da adolescência. A seguir publicou ''História da República Rio-grandense'', onde fez uma defesa ardorosa da [[Revolução Farroupilha]] de [[1835]]. Neste livro já estão presentes os princípios básicos de seu pensamento. Seguiram-se outros trabalhos inspirados no puro ideal de suas convicções. Sua obra é vasta. Destacam-se nela tanto trabalhos de propaganda, como obras de profunda relevância do ponto de vista da teoria política. A defesa ardorosa do [[sistema presidencial]] de governo e da [[representação proporcional]] são a marca principal de seu pensamento.
 
Em [[1879]], com um grupo de rapazes que marcaram época na Academia de São Paulo, fundou o "Clube Republicano Acadêmico" e o [[jornal]] "Evolução".
 
==Carreira Política==
[[Imagem:ab1923 a.jpg|esquerda|thumbminiatura|400px|Assinatura do acordo que pôs fim à [[Revolução de 1923]]. Assis Brasil é o primeiro à direita]]
Em [[1882]] formou-se em [[direito]] e voltou para o Rio Grande do Sul, onde foi um dos fundadores do [[Partido Republicano Rio-grandense]]. Durante meses, percorreu a província a cavalo, pregando a [[liberdade]] e a república com que tanto sonhava.
 
Foi eleito deputado provincial (hoje seria estadual) em dois biênios: [[1884]][[1886]] e 1886 — [[1888]]. Na tribuna enfrentou [[Gaspar Silveira Martins]], merecendo deste seu digno adversário as maiores considerações.
 
Em [[1889]], proclamada a República, foi eleito deputado à [[Assembleia Nacional Constituinte]]. Promulgada a [[constituição]], renunciou ao seu mandato. Convidado pelo [[Marechal Deodoro da Fonseca]] para fazer parte do primeiro ministério constitucional, recusou o convite por divergência de ideais.
 
Em consequência do [[golpe de estado]] de Deodoro, a situação no Rio Grande do Sul tornou-se anormal, tendo o presidente do estado [[Júlio Prates de Castilhos|Júlio de Castilhos]] abandonado o poder. Foi constituída então uma [[junta governativa gaúcha de 1891|Junta Governativa]], da qual Assis Brasil fez parte. Como único membro presente da junta, assumiu o governo do estado. Segundo manifesto publicado, tinha como objetivos:
Os rio-grandenses uniram-se para defender a causa comum; o mais completo êxito veio coroar seu gesto de [[patriotismo|patriota]]. Atingidos os objetivos com a eleição de um novo governador, Assis Brasil renunciou ao poder.
 
Nomeado ministro plenipotenciário do Brasil na [[Argentina]], prestou relevantes serviços à pátria por ocasião de acontecimentos desenrolados de [[1880]] a [[1894]]. Transferido neste ano para a [[China]], não chegou a assumir o posto, porque o presidente [[Prudente de Morais]] lhe conferiu a incumbência de reatar as estremecidas relações com [[Portugal]].
 
Em [[1896]] publicou o livro ''Governo Presidencial na República Brasileira'' e, em [[1898]], ''A Cultura dos Campos''.
 
Transferido para os [[Estados Unidos]] em [[1898]] (ano em que se casou com sua segunda esposa), lá ficou até [[1902]], quando foi enviado para a [[Embaixada]] do Brasil no [[México]].
 
Em 1903, o presidente [[Rodrigues Alves]] o chamou para trabalhar ao lado do [[Barão de Rio Branco]] na questão de limites com a [[Bolívia]]. A assinatura do [[Tratado de Petrópolis]], em [[17 de novembro]] de [[1903]], terminou com o litígio de fronteiras entre o Brasil e a Bolívia, no atual estado do [[Acre]]. Com o término das negociações, Assis Brasil retornou para [[Washington]] logo após a assinatura.
Em [[1905]], o Barão do Rio Branco removeu-o para a Argentina, onde se tornava necessária a presença de uma personalidade de prestígio para desfazer intrigas surgidas contra o então Ministro das Relações Exteriores.
 
Em [[1906]], ao lado de [[Joaquim Nabuco (político)|Joaquim Nabuco]], Presidente do Congresso Pan-Americano realizado no [[Rio de Janeiro]], dirigiu os trabalhos como Secretário-Geral.
 
Em [[1907]] pediu aposentadoria. Retirando-se do serviço diplomático, fundou sua granja de [[Pedras Altas]]. Ele já havia liderado, no final do [[século XIX]], a fundação da Associação Pastoril de [[Pelotas]], a associação [[agropecuária]] mais antiga do Rio Grande do Sul. Depois vieram as associações de São Gabriel, de [[Bagé]] e, finalmente, em [[1919]], a de [[Alegrete (Rio Grande do Sul)|Alegrete]], que recebeu o nome de Associação Rural de Alegrete.
 
Em [[1908]] fundou, com seu amigo [[Fernando Abbott]], o [[Partido Republicano Democrático]]. Depois viveu retirado da atividade política até que, em [[1922]], o seu nome foi lançado como candidato de oposição a [[Borges de Medeiros]]. A rudeza da luta eleitoral tornou inevitável um movimento armado, a [[Revolução de 1923]], que acabou resultando na reforma da Constituição Estadual de [[1891]]. Em dezembro de [[1923]] foi assinado o [[TratadoPacto de Pedras Altas]], em seu castelo na cidade de mesmo nome.
 
Em [[1924]], tendo surgido um movimento revolucionário, exilou-se no [[Uruguai]]. Em [[1927]] os sufrágios de seus correligionários o elegeram deputado federal. Nesse mesmo ano teve participação destacada na fundação do [[Partido Democrático Nacional]].
 
Em [[1928]], com [[Raul Pilla]], fundou o [[Partido Libertador]]. Em [[1929]], o presidente [[Washington Luís]] pretendeu impor à nação a impopular candidatura de [[Júlio Prestes]] para a sucessão presidencial. Assis Brasil aconselhou o Partido Libertador a cerrar fileiras em torno de [[Getúlio Vargas]], então Presidente do Estado, que se opunha ao candidato oficial e prometera aceitar o [[voto secreto]] se eleito presidente. Em [[1930]] Washington Luís foi deposto e Getúlio Vargas assumiu o poder como Chefe do [[Revolução de 1930|Governo Provisório]], do qual Assis Brasil fez parte como Ministro da Agricultura, cargo ao qual renunciou em protesto contra o empastelamento do [[Diário Carioca]], por pessoas ligadas ao [[tenentismo]].
 
Em [[1932]], foi o grande idealizador do Código Eleitoral, baseado em sua obra ''Democracia representativa: Do voto e do modo de votar''. Neste código está a primeira menção à [[urna eletrônica]], quando o mesmo levanta a hipotese da utilização de uma ''máquina de votar''. Em [[1934]] foi mandado em missão especial a [[Buenos Aires]], para ocupar a Embaixada do Brasil, acéfala desde o movimento revolucionário argentino de [[1930]], por não haver o presidente Washinton Luís reconhecido o governo do [[José Félix Uriburu|General Uriburú]].
 
Assis Brasil disse a Mem de Azambuja Sá sobre a repartição de cargos e ministérios na [[Revolução de 1930]]:
 
==Últimos anos==
Suas últimas participações em conferências internacionais foram a chefia da Delegação Brasileira à Conferência Econômica Preliminar, em Washington, e à Conferência Monetária e Econômica Mundial de [[1933]], em [[Londres]].
 
Em 1933, eleito deputado à Assembleia Constituinte, foi enviado em missão extraordinária à [[Inglaterra]], onde tomou parte na Conferência Econômica Mundial e ainda retribuiu a visita que o [[Príncipe de Gales]] fizera ao Brasil. Ao retornar, resignou a todos os cargos oficiais e voltou à vida do campo, que sempre preferiu a tudo o mais.
 
Em agosto de [[1938]] adoeceu em consequência de uma [[gripe]]. O seu coração, de 80 anos, não resistiu. Na noite de 24 de dezembro, no seu [[Castelo de Pedras Altas]], fechou para sempre os olhos, com a consciência tranquila de haver cumprido o seu dever e trabalhado pela glória da pátria, realizando na vida o que afirmou em um dos seus mais brilhantes manifestos:
 
{{cquote|A vida dos bons e justos é feita mais de renúncias do que de conquistas.}}
 
{{Referências}}
==Ligações externas==
{{commonscat}}
 
{{Caixa de sucessão
|título=[[Anexo:Lista de governadores do Rio Grande do Sul#Governantes do período republicano (1889 — {{CURRENTYEAR}})|Junta governativa gaúcha de 1891]]
|anos=[[1891]]
|antes=[[Júlio Prates de Castilhos]]
|depois=[[José Antônio Correia da Câmara]]
{{Caixa de sucessão
|título=[[Anexo:Lista de ministros da Agricultura do Brasil|Ministro da Agricultura do Brasil]]
|anos=[[1930]][[1932]]
|antes=[[Paulo de Moraes Barros]]
|depois=[[Juarez Távora]]