Diferenças entre edições de "Orestes (prefeito do Egito)"

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'''Orestes''' ([[Floruit|fl]]. 415) foi o ''[[{{ilc|prefeito augustal||praefectus augustalis]]'' (prefeito)}} da [[Diocese do Egito]], que é como era conhecido o governador do Egito romano no ano de 415. Orestes bateu de frente com o [[bispo de Alexandria]], [[Cirilo de Alexandria|Cirilo]], e esta disputa foi uma das causas da morte da filósofa, professora e cientista [[Hipátia]].
 
== Biografia ==
Esta recusa quase custou a vida de Orestes. Monges do deserto da [[Nítria]] deserto instigaram, misturados à população de Alexandria, protestos contra Orestes. A violência desses monges já tinha sido utilizada quinze anos antes por Teófilo contra os chamados "[[Grandes Irmãos]]"; além disto, diz-se que Cirilo passou cinco anos em [[ascetismo|formação ascética]] junto deles. Os monges atacaram Orestes e o acusaram de ser um pagão; o prefeito rejeitou as acusações dizendo que tinha sido batizado pelo [[arcebispo de Constantinopla]]. Contudo, os monges não ficaram satisfeitos e um deles, [[Amônio de Alexandria|Amônio]], atirou uma pedra que feriu Orestes na cabeça, cobrindo-o de sangue. A guarda de Orestes, temendo ser apedrejada, fugiu deixando o prefeito sozinho. O povo de Alexandria, contudo, veio em sua ajuda, capturou Amônio e fez os monges debandarem. Amônio foi torturado em praça pública e executado.
 
O prefeito escreveu ao [[imperador bizantino|imperador]] [[Teodósio II]], relatando as ocorrências, mas Cirilo fez o mesmo contando a sua versão dos fatos. Além disto, o bispo havia tomado o corpo de Amônio, levando-o a uma igreja e mandando listá-lo entre os santos [[mártir]]es com o nome de ''Thaumasius''Taumásio, que, em [[língua grega clássica|grego clássico]], significa "maravilhoso", "admirável". Segundo [[Sócrates Escolástico]], este ato foi malvisto mesmo entre os cristãos já que Amônio teria morrido não por não [[apostasia|renunciar a fé]], mas sim por um crime comum. Cirilo, ciente disso, deixou o episódio cair no esquecimento, afirma Sócrates.<ref name="ss7_14">[[Sócrates Escolástico]], vii.14.</ref><ref>Wessel, p. 35-36.</ref>
 
Orestes contava com o apoio político de [[Hipátia]], uma filósofa, professora e cientista de considerável sabedoria, virtuosidade e autoridade moral na cidade Alexandria. De fato, muitos estudantes de ricas e influentes famílias se dirigiam a Alexandria com o propósito de estudar com Hipátia e muitos dos seus discípulos, mais tarde alcançavam postos de destaque no governo e na Igreja. Muitos cristãos acreditavam que a influência de Hipátia fez Orestes rejeitar as ofertas de reconciliação oferecidas por Cirilo. Historiadores modernos acreditam que Orestes cultivou seu relacionamento com Hipátia para fortalecer seu vínculo com a [[Religião na Roma Antiga|comunidade pagã]] de Alexandria, da mesma forma que fez com os judeus, de modo a lidar com maior eficácia com a difícil vida política da capital egípcia.<ref>Christopher Haas, ''Alexandria in Late Antiquity: Topography and Social Conflict'', JHU Press, 2006, ISBN 0-8018-8541-8, p. 312.</ref> As disputas entre Orestes e Cirilo resultaram em um fim trágico para Hipátia: uma multidão cristã tomou a filósofa de sua carruagem e brutalmente a assassinou, cortando seu corpo em pedaços e queimando os pedaços fora dos muros da cidade.<ref name="ss7_15">[[Sócrates Escolástico]], vii.15.</ref><ref>[[João de Nikiu]], 84.87-103.</ref>