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==Antijudaísmo no Império Romano pré-cristão==
No [[Império Romano ]], a [[religião]] era uma parte integrante do governo civil. Os [[Imperador romano|imperadores romanos]] proclamaram-se como deuses na [[Terra]] , e exigiam ser assim venerados. Isso criava dificuldades, não apenas para os judeus[[judeu]]s, mas também para os seguidores de [[Mitra (mitologia)|Mithras]], [[Sabazius]], e os primeiros [[cristãos]], que eram proibidos por suas crenças de venerar deuses de outras.
 
A ''Crise sob [[Calígula]]'' (37-41) é tida como a "primeira ruptura aberta entre Roma e os judeus", apesar de os problemas já serem evidentes durante o Censo de [[Públio Sulpício Quirino]] em 6 e sob [[Sejano]] (antes de 31).
 
Após a [[Guerra Judaicojudaico-Romanaromana]] (66-135), [[Adriano]] mudou o nome da província da Judéia[[Judeia (província romana)|Judeia]] para Síria Palaestina, e [[Jerusalém]] para [[Aelia Capitolina]], na tentativa de apagar os laços históricos dos judeus com a região. Além disso, após 70, os judeus só eram autorizados a praticar a sua religião se pagassem o Fiscus Judaicus (imposto judaico), e depois de 135 foram impedidos de entrar em Jerusalém, exceto no dia do [[Tisha B'Av]].
 
Flávio Clemente, hoje tido como [[mártir cristão]], foi condenado à morte por "viver uma vida judaica", no ano de 95, o que pode ter sido relacionado com a administração do imposto judaico sob [[Domiciano]].
 
O [[Império Romano]] adotou o [[cristianismo]] como religião do Estado com o [[Édito de Tessalónica]] em 27 de Fevereiro de 380.
 
==História do antijudaísmo cristão==
===Cristianismo primitivo e os judaizantes===
O cristianismo iniciou a sua existência no [[século 1I]] como uma seita dentro do judaísmo, o chamados cristianismo judaico. Era visto como tal pelos primeiros cristãos, assim como pelos judeus em geral. A administração romana provavelmente também não teria visto qualquer distinção. É discutido entre os historiadores[[historiador]]es se o governo romano distinguia ou não entre cristãos e judeus antes que [[Nerva]] realizasse sua modificação do imposto judaico em 96. A partir de então, os judeus praticantes pagavam o imposto, mas os cristãos não.
 
O principal ponto de divergência entre a comunidade cristã primitiva e suas raízes judaicas era a crença cristã de que [[Jesus]] era o tão esperado [[Messias]]. Outro ponto de divergência foi o questionamento por parte da comunidade cristã da aplicabilidade contínua da [[Lei de Moisés]] (a [[Torá]]), embora o [[Concílio de Jerusalém|decreto apostólico]] da [[era apostólica]] do cristianismo parece fazer paralelo com as [[Leis de Noé]] do judaísmo. As duas questões vieram a ser ligadas a uma discussão teológica dentro da comunidade cristã, sobre se a vinda do Messias poderia anular algumas ou todas as leis bíblicas anteriores.
 
Após a aceitação de Jesus como o messias, a controvérsia quanto à circuncisão foi provavelmente o segundo problema no qual o argumento teológico foi feito em termos de anti-judaísmo; aqueles que defendiam que as leis bíblicas continuavam a ser aplicáveis eram chamados de "judaizantes" ou "fariseus[[fariseu]]s" (por exemplo, em [[Atos dos Apóstolos|Atos]] 15:05). Os ensinamentos de [[Paulo de Tarso]], cujas cartas compreendem grande parte do [[Novo Testamento]], podem ser vistos como um esforço contra a judaização. No entanto, [[Tiago, o Justo]], que após a morte de Jesus foi amplamente reconhecido como o líder da cristãos de Jerusalém, adorou no [[Segundo Templo]] em Jerusalém até sua morte em 62, 30 anos após a morte de Jesus.
 
A destruição do Segundo Templo, no ano de 70, levaria os cristãos a "duvidar da eficácia da lei antiga"; no entanto, [[Marcião de Sinope]], que defendia rejeitar a totalidade da influência judaica sobre a fé cristã, seria excomungado pela Igreja de Roma em 144.
Taylor observou que o antijudaísmo cristão teológico "emerge a partir de esforços da Igreja para resolver as contradições inerentes a sua apropriação simultânea e rejeição de diferentes elementos da tradição judaica".
 
Os estudiosos modernos acreditam que o judaísmo pode ter sido uma religião missionária nos primeiros séculos da era cristã, portanto, a concorrência pelas lealdades religiosas dos gentios[[gentio]]s alimentou o antijudaísmo. O debate e o diálogo mudaram de polêmica para ataques verbais e escritos amargos entre os dois grupos. A Tarfon (falecido em 135) é atribuída uma declaração sobre se pergaminhos poderiam ser deixados para queimar em um incêndio no sábado. Uma discutível interpretação identifica esses livros como o Evangelho: "Os Evangelhos devem queimar, pois o [[paganismo]] não é tão perigoso para a fé judaica como judeus cristãos". A anônima "Carta a Diogneto" foi a primeira obra [[apologética cristã]] da Igreja para lidar com o judaísmo. [[Justino]], falecido em 165 dC, escreveu o ''Diálogo com Trifão'', um debate polêmico afirmando a messianidade de Jesus, fazendo uso do [[Antigo Testamento]] em contraste com contra-argumentos de uma versão fictícia do [[rabino]] Trifão. "Durante séculos, os defensores de Cristo e os inimigos dos judeus não empregaram qualquer outro método" além destas obras apologéticas.
 
Embora o imperador Adriano tenha sido um "inimigo da [[sinagoga]]", o reinado de [[Antonino Pio]] começou um período de benevolência romana para a fé judaica. Enquanto isso, a hostilidade ao cristianismo continuou a se cristalizar: após [[Décio]], o império estava em guerra com esta crença. Uma relação desigual de poder entre judeus e cristãos, no contexto do [[mundo greco-romano]], "gerou sentimentos antijudaicos entre os primeiros cristãos." Sentimentos de ódio mútuo surgiram, em parte devido à legalidade do judaísmo no Império Romano; em [[Antioquia]], onde a rivalidade era mais amarga, foram mais provavelmente os judeus que exigiram a execução de [[Policarpo de Esmirna]].
 
===De Constantino até o século 8===
 
Quando [[Constantino]] e [[Licínio]] emitiram o [[Édito de Milão]], a influência do judaísmo estava desaparecendo na terra de [[Israel]] em favor do cristianismo, mas se ampliando fora do Império Romano, na [[Babilônia]]. Até o [[século III]] as heresias[[heresia]]s judaizantes estavam quase extintas no cristianismo. O [[Concílio de Niceia]] proibiu a celebração da [[Páscoa]] entre os cristãos.
 
Após derrotar [[Licínio]], em 323 dC, [[Constantino]] mostrou clara preferência política pelos cristãos. Ele reprimiu o proselitismo judaico, e proibiu os judeus de circuncidar seus escravos[[escravo]]s. Os judeus foram impedidos de entrar em [[Jerusalém]], exceto no [[Tisha B'Av]] (dia do aniversário da destruição do [[Segundo Templo]]) e somente depois de pagar um imposto especial (provavelmente o Fiscus Judaicus) em [[prata]]. Ele também promulgou uma lei que condenava à morte na fogueira os judeus que perseguiram seus apóstatas por apedrejamento. O cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano (''ver: cristandade [[cristianização]]''). "Mal se armou, [a Igreja] esqueceu seus mais elementares princípios e dirigiu seu braço secular contra os seus inimigos".
 
A partir de meados do [[século 5]], o uso da apologética cessou com [[Cirilo de Alexandria]]. Esta forma de antijudaísmo tinha se provado fútil e muitas vezes servira para fortalecer a fé judaica. Com o cristianismo ascendente no Império, "os Padres, bispos, e sacerdotes que tinham de lutar contra os judeus trataram-nos muito mal". Hosius na Espanha; Papa Silvestre I; Eusébio de Cesaréia; os chamaram de uma seita perversa, perigosa e criminosa." Embora [[Gregório de Nissa]] meramente acusa os judeus como infiéis, outros professores são mais veementes. Santo Agostinho rotulou os talmudistas de falsificadores; Santo [[Ambrósio]] reciclou um antigo ataque anti-cristão e acusou os judeus de desprezar o [[direito romano]]. [[São Gerônimo Jerónimo de Strídon]] afirmava que os judeus eram possuídos por um espírito impuro. [[São Cirilo de Jerusalém]] afirmou que os [[Patriarcas bíblicos|patriarcas judeus]], ou Nasi, eram uma raça inferior.
 
Todos estes ataques teológicos se combinaram nos seis sermões de [[João Crisóstomo|São João Crisóstomo]] em Antioquia. Crisóstomo, um arcebispo de [[Constantinopla]], era muito negativo no seu tratamento do judaísmo, embora muito mais hiperbólica de expressão. Enquanto o diálogo de [[Justino]] é um tratado filosófico, as homilias[[homilia]]s contra os judeus de São Crisóstomo são um conjunto mais informal e retoricamente forte de sermões. Realizados enquanto Crisóstomo ainda era um sacerdote em Antioquia, suas homilias faziam uma crítica mordaz da vida civil e religiosa judaica, advertindo os cristãos a evitar qualquer contato com o judaísmo ou o sinagoga, e manter distância dos festivais da religião rival.
 
"Há legiões de teólogos, historiadores e escritores que escrevem sobre os judeus o mesmo que Crisóstomo: [[Epifânio]], [[Diodoro de Tarso]], [[Teodoro de Mopsuéstia]], [[Teodoreto de Chipre]], [[Cosmas Indicopleustes]], [[Atanásio]], o [[Anastácio Sinaíta|Sinaíta]] entre os gregos; [[Hilário de Poitiers]], [[Prudêncio]], [[Paulus Orósio]], [[Sulpício Severo]], [[Gennadius]], [[Venâncio Fortunato]], [[Isidoro de Sevilha]], entre os latinos ".
 
Do século IV a VII, enquanto os bispos se opunham ao judaísmo na escrita, o Império promulgou uma série de leis civis contra os judeus, por exemplo proibindo-os de exercer cargo público, e um imposto curial opressivo. Leis foram promulgadas contra a observância de sua crença; [[Justiniano]] chegou ao ponto de aprovar uma lei contra as orações diárias dos judeus. Tanto os cristãos e os judeus estavam envolvidos em turbas violentas nos últimos dias do Império.
 
O padrão em que os judeus eram relativamente livre em reinos pagãos até a [[conversão (religião)|conversão]] cristã do regente, como visto com Constantino, se repetiria nas terras além do Império Romano, agora em colapso. [[Sigismundo da Borgonha]] promulgou leis contra os judeus depois de chegar ao trono após sua conversão em 514; o mesmo ocorreu com [[Recaredo I]], rei dos visigodos, em 589, o que teria efeito duradouro quando codificada por [[Recesvinto]] no Código Visigótico de Direito. Este código inspirou os judeus a colaborar com [[Tárique]], muçulmano, em sua derrubada de [[Rodrigo]], e sob os mouros, os judeus recuperaram suas liberdades religiosas.
 
==Comparação com o anti-semitismo==
 
== {{Ver também}} ==
* [[Antissemitismo]]
* [[antissemitismo|antissemitismo]]
* [[História judaica]]
 
{{referências}}
{{refend}}
 
{{Portal3|Discriminação|Judaísmo}}
{{Esboço-religião}}
{{Sem imagem|data=outubro de 2009}}
Utilizador anónimo