Abrir menu principal

Alterações

13 bytes adicionados, 20h24min de 21 de julho de 2014
Acrescentei uma infocaixa, traduzindo algumas informações da versão Wikipedia em inglês e adicionando outra de pesquisa própria no texto da página em inglês ("influenciados"). Retirei as hiperligações "em vermelho", as que não levam a páginas.
 
{{Infobox person
|imagem = Sanzio 01 Zoroaster Ptolmey.jpg|right|thumb|300px500px|Zoroastro, pintura de [[Rafael Sanzio]]
|name = Zoroastro<br><small>Zaraϑuštra Spitāma</small>
|imagem = Sanzio 01 Zoroaster Ptolmey.jpg|right|thumb|300px|Zoroastro, pintura de [[Rafael Sanzio]]
|caption = No século terceiro, o Zoroastrismo e as ideias de Zoroastro espalharam-se pelo [[Oriente Médio]].
|known_for = Fundador do Zoroastrismo Persa [660 - 583 a.C.]
|honorific = Ashu ou Asho ''(i.e. Ashu Zaratustra)''
|cônjuge = Hvōvi
|filhos = Freni, Pourucista, Triti;<br/>Isat Vastar, Uruvat-Nara, Hvare Ciϑra
|legenda = No século terceiro, o Zoroastrismo e as ideias de Zoroastro espalharam-se pelo [[Oriente Médio]].|nome = Zoroastro<br><small>Zaraϑuštra Spitāma</small>|nome_pai = Pourušaspa Spitāma|nome_mãe = Dughdova|conhecido_por = Fundador do Zoroastrismo Persa [660 - 583 a.C.]|outros_nomes = Ashu ou Asho ''(i.e. Ashu Zaratustra)''|influenciados = [[Judaísmo]], [[Platonismo]], [[Nietzsche|Friedrich Nietzsche]], [[Richard Strauss]], [[Renascimento|Renascentistas]]}}
|parents = Pourušaspa Spitāma, Dughdova}}
 
 
'''Zaratustra''', mais conhecido na versão [[Língua grega|grega]] de seu nome, '''Zωροάστρης''' ('''Zoroastres''', '''Zoroastro'''), foi um [[profeta]] e poeta nascido na [[Pérsia]] (atual [[Irão]]), provavelmente em meados do [[século VII a.C.]] Ele foi o fundador do [[Masdeísmo]] ou [[Zoroastrismo]], a primeira religião [[monoteísmo|monoteísta]] que se têm notícia, adotada oficialmente pelos [[Aquemênidas]] ([[558]] – [[330]] a.C.). A denominação grega Ζωροάστρης significa ''contemplador de astros''. É uma corruptela do [[avéstico]] '''Zarathustra''' (em [[Língua persa|persa]] moderno: '''Zartosht''' ou '''زرتشت'''). O significado do nome é obscuro, ainda que, certamente, contenha a palavra ''ushtra'' ([[camelo]]).
== Nascimento e infância de Zaratustra ==
Há muito tempo, nas estepes a perder de vista da [[Ásia Central]] perto do [[Mar de Aral]], havia uma pequena vila de casas de [[adobe]], onde vivia a família [[Spitama]]. Um dia, no sexto dia da primavera, um menino nasceu naquela família. A sua mãe e seu pai decidiram dar-lhe o nome de Zaratustra. Ao nascer, Zaratustra não chorou, pelo contrário, riu sonoramente. As parteiras, vendo aquilo, admiraram-se, pois nunca tinham visto um bebê rir ao nascer.
 
Na vila havia um sacerdote que percebeu que aquele menino viria a ser um revolucionário do pensamento humano e o que enfraqueceria o poder dos "donos" das [[Religião|religiões]]. Ele então decidiu tomar providências e procurou [[Pourushaspa]], o pai de Zaratustra, com a seguinte conversa: "Pourushaspa Spitama, vim avisar-lhe. Seu filho é um mau sinal para a nossa vila porque riu ao nascer, ele tem um demônio. Mate-o ou os deuses destruirão seus cavalos e plantações. Onde já se viu rir ao nascer nesse mundo triste e escuro! Os deuses estão furiosos!".
 
Pourushaspa não queria ferir seu filho, mas o sacerdote insistiu e impôs uma prova.
Na manhã seguinte Pourushaspa fez uma grande fogueira, e à frente de todos colocou Zaratustra no meio do fogo, mas ele não sofreu dano algum. O sacerdote ficou confuso.
 
Zaratustra foi levado então para um vale estreito e colocado no caminho de uma boiada de mil cabeças de gado, para ser pisoteado. O primeiro boi da boiada percebeu o menino e ficou parado sobre ele, protegendo-o, enquanto o resto passava ao lado e o bebê não sofreu um só arranhão. O sacerdote logo arquitetou outro plano. O menino Zaratustra foi colocado na toca de uma loba que, ao invés de devorá-lo, cuidou dele até que [[Dugdav]], sua mãe, viesse buscá-lo. Diante de tantos prodígios o sacerdote ficou envergonhado e mudou-se da vila.
 
Ao crescer, Zaratustra peramburalava pelas estepes indagando-se: "Quem fez o sol e as estrelas do céu? Quem criou as águas e as plantas? E quem faz a lua crescer e minguar? Quem implantou nas pessoas a sua natural bondade e justiça?".
 
Um dia Zaratustra estava meditando às margens de um rio quando um ser estranho lhe apareceu. Ele era indescritível, tal a sua beleza e brilho. Zaratustra perguntou-lhe quem era ele, ao que teve como resposta: "Sou [[Vohu Mano]], a Boa Mente. Vim buscá-lo". E tomou-lhe a mão, e o levou para um lugar muito bonito, onde sete outros seres os esperavam.
 
A Boa Mente disse-lhe então: "Zaratustra, se você quiser pode encontrar em você mesmo todas as respostas que tanto busca, e também questões mais interessantes ainda. [[Ahura Mazda]], [[Deus]] que tudo cria e sustenta, assim escolheu partilhar a sua divindade com os seres que cria. Agora, sabendo disso, você pode anunciar essa mensagem libertadora a todas as pessoas.”
Zaratustra voltou para casa e contou a todos o que lhe acontecera. A sua família aceitou o que ele havia descoberto, mas os sacerdotes o rejeitaram. Eles argumentaram: "Se é assim nada há de especial em nosso serviço, nada valem nossos sacrifícios e perderemos o poder que nos dão os deuses ciumentos e caprichos que servimos. Estamos sem trabalho e passaremos fome!". Decidiram, então, dar cabo da vida de Zaratustra.
 
Com sua boa mente ele entendeu que tinha que sair dali por uns tempos. Chamou seus vinte e dois companheiros e companheiras de primeira hora e fugiram com tudo o que tinham. Eles viajaram durante várias semanas até chegarem a um lugar cujo governante chamava-se [[Vishtaspa]]. Zaratustra procurou Vishtaspa e partilhou com ela a sua descoberta.
 
Vishtaspa respondeu ao seu apelo com uma recusa: "Por que haveria de crer nesse estranho? Meus deuses são, com certeza, mais poderosos que esse Ahura Mazda!".
 
== Cosmogonia ==
Na doutrina zaratustriana, antes de o mundo existir, reinavam dois espíritos ou princípios antagônicos: os espíritos do [[Bem]] (Ahura Mazda, [[Spenta Mainyu]], ou [[Ormuz]]) e do [[Mal]] ([[Angra Mainyu]] ou [[Arimã]]). Divindades menores, gênios e espíritos ajudavam Ormuz a governar o mundo e a combater Arimã e a legião do mal. Entre as divindades auxiliares, como consta no ''[[Avesta]]'' a mais importante era [[Mithra]], um deus benéfico que exercia funções de juiz das almas. No final do [[século III]] d.C, a religião de Mithra fundiu-se com cultos solares de procedência oriental, configurando-se no culto do Sol.
 
Arimã é representado como uma serpente. Criador de tudo que há de ruim (crime, mentira, dor, secas, trevas, doenças, pecados, entre outros), ele é o espírito hostil, destruidor, que vive no deserto entre sombras eternas. Ormuzd, no entanto, é o Criador original, organizador do mundo de modo perfeito.
A doutrina de Zaratustra é [[escatológica]]. De acordo com os seus preceitos, o mundo duraria doze mil anos. No fim de nove mil anos, ocorreria a segunda vinda de Zaratustra como um sinal e uma promessa de redenção final dos bons. Isso seria seguido do nascimento miraculoso do [[Saoshyant]], semelhante ao [[Messias]] [[hebreu]], cuja missão seria aperfeiçoar os bons para o fim do mundo, da história humana, enfim, para a vitória do Bem sobre as forças do Mal. A cada mil anos viria um profeta/messias (Saoshyant).
 
Assim, nos últimos três milênios, três Saoshyant preparariam a completude do grande ano cósmico. É neste sentido que Nietzsche menciona Zaratustra como aquele que compreendeu a [[História]] em toda a sua completude. Cada série de desenvolvimento da História seria presidida por um profeta, que teria seu ''hazar'', seu reino de mil anos. O Zaratustra histórico, no entanto, anuncia a chegada do tempo em que surgirá da raça persa o [[Shah Bahram]], o Senhor Prometido, o Salvador do Mundo, o Grande Mensageiro da Paz.
 
No final dos tempos haveria o julgamento derradeiro de todas as almas e a ressurreição dos mortos. Não fica claro se o inferno tem duração eterna, se os maus se agitarão eternamente "nas trevas". Nos ''[[Gathas de Zaratustra|Gathas]]'', cantos de Zaratustra, consta também que o mal poderia ser banido para sempre do universo, com o nascimento de um novo mundo, física e espiritualmente perfeito, aqui na Terra. Não seria possível, assim, a coexistência de um mundo físico degradado e um mundo hiperfísico perfeito.
 
Os [[Grécia|gregos]] enfatizaram, no profeta persa, mais a [[astrologia]] e a cosmologia do que o [[dualismo]] moral. Para eles, Zoroastro é um ser mítico, um astrólogo, legendário fundador da seita dos magos. Os aspectos cosmológicos, [[soteriológicos]] (relativos à parte da [[Teologia]] que trata da salvação do homem), teológicos e morais do Masdeísmo estavam contidos nos ''[[Pahlavi]]'' (principalmente no ''[[Denkard]]''), livros baseados no ''Avesta''. Mas esses textos estão perdidos.
 
== Moral ==
Entre as condutas proibidas destacavam-se a [[gula]], o [[orgulho]], a [[indolência]], a [[cobiça]], a [[ira]], a [[luxúria]], o [[adultério]], o [[aborto]], a [[calúnia]] e a [[dissipação]]. Cobrar juros a um integrante da religião era considerado o pior dos pecados. Reprovava-se duramente o acúmulo de riquezas.
 
As [[virtude]]s como [[justiça]], [[retidão]], [[cooperação]], [[verdade]] e [[bondade]], surgem com o princípio organizador de Deus [[Ascha]], que só se pode manifestar com o esforço individual de cultivar a Tríplice Bondade. Esta prática do Bem leva ao bem-estar individual e, consequentemente, coletivo. A comunidade somente pode surgir quando o indivíduo se vê como autônomo, e desse modo pode descobrir o outro como pessoa. O [[ego]] é valorizado como fonte para o reconhecimento do próximo. Cultivado de forma sadia, o ego torna-se forte e poderoso para o homem observar a si próprio como membro da comunidade e capaz de contribuir para o bom relacionamento harmonioso com os outros seres.
 
Por isso, eram incentivadas as virtudes [[Economia|econômicas]] e [[política]]s, entre elas a diligência, o respeito aos contratos, a obediência aos governantes, a procriação de uma prole numerosa e o cultivo da terra, como está expresso na frase: "Aquele que semeia o grão, semeia santidade". Havia também outras virtudes ou recomendações de Ahura Mazda: os homens devem ser fiéis, amar e auxiliar uns aos outros, amparar o pobre e ser hospitaleiros.
{{Artigo principal|[[Zoroastrismo]]}}
 
As revelações e profecias de Zaratustra estão contidas nos ''Gathas'', cinco hinos que formam a mais antiga parte do livro do Masdeísmo, o ''Avesta''. Os ''Gathas'' datam do final do segundo milênio a.C. Foram escritos numa língua do nordeste do Irã, aparentada ao [[sânscrito]], o ''avestan'' [[gático]]. Originalmente, esses hinos eram transmitidos oralmente. Grande parte do ''Avesta'' original foi destruída, com a invasão de [[Alexandre Magno]] e com o domínio posterior do [[Islamismo]]. As escrituras sagradas do Masdeísmo, o ''Avesta'' ou ''Zend-Avesta'', como se tornaram mais conhecidas no ocidente, significam "comentário sobre o conhecimento".
 
O Zoroastrismo é uma das religiões mais antigas e de mais longa duração da humanidade. Seu [[monoteísmo]] não influenciou as doutrinas [[Judaísmo|judaica]], [[Cristianismo|Cristãs]] e Islâmicas como alguns dizem, pois comparatiamente o Zoroastrismo não compartilhou da mesma data da fixação ideologica Judaica, mas é possível que tenha influenciado o Cristianismo por sinal, mas sem provas. Após o domínio Islâmico do Irã, o Masdeísmo passou a ser religião de uma minoria, que passou a ser perseguida pela nova religião hegemônica. Por isso, parte dos seguidores remanescentes migrou para o noroeste da [[Índia]], onde foi estabelecida a comunidade [[Parsi]]. No Irã, permanece ainda a comunidade [[Zardushti]]. Atualmente, o número total de seguidores do Masdeísmo (Zoroastrismo) não chega a 120 mil, distribuídos em pequenas comunidades rurais. Por ser uma religião étnica, o Masdeísmo geralmente não permite a adesão de convertidos. Na atualidade há uma maior flexibilidade, devido à migração, à secularização e aos casamentos realizados entre [[etnia]]s distintas.
 
Como já mencionado, a base da doutrina de Zaratustra é o dualismo Bem-Mal. O cerne da religião consiste em evitar o mal por intermédio de uma distinção rigorosa entre Bem e Mal. Além disso, é necessário cultivar a [[sabedoria]] e a virtude, por meio de sete ideais, personificados em sete espíritos, os Imortais Sagrados: o próprio Ahura Mazda, concebido como criador e espírito santo; Vohu Mano, o Espírito do Bem; [[Asa-Vahista]], que simboliza a Retidão Suprema; [[Khsathra Varya]], o Espírito do Governo Ideal;[[Spenta Armaiti]], a Piedade Sagrada; [[Haurvatãt]], a Perfeição; e [[Ameretãt]], a Imortalidade. Estes deuses enfrentam constantemente as forças do Mal, os maus pensamentos, a mentira, a rebelião, a doença e a morte. O príncipe destas forças é Angra Mainyu, o Espírito Hostil, também conhecido como Arimã.
 
A adoração a Ahura Mazda ou Ormuz pode também ser chamada [[Mazdayasna]] (Adoração ao Sábio). O culto não requeria templos, pois Deus era representado pelo fogo, considerado sagrado e símbolo de pureza. A chama era mantida constantemente em altares, erguidos geralmente em lugares elevados das montanhas, onde se faziam oferendas. Os magos, detentores de segredos e de verdades reveladas, dirigiam os [[rito]]s e os [[culto]]s – são referidos na ''[[Bíblia]]'', no ''[[Novo Testamento]]''. O rei da Pérsia teria enviado a [[Israel]] sacerdotes do Zoroastrismo, que seguiram uma estrela até [[Belém (Palestina)|Belém]], no intuito de encontrar o Salvador, ou Messias.
 
Zaratustra transmitira, aos magos e adeptos, os segredos e a verdade suprema que lhe foram revelados por Ahura Mazda por meio de um anjo chamado Vohu Manõ. Assim como o Cristianismo, o judaísmo e o islamismo, também no zoroastrismo a revelação divina é elemento essencial.
 
A religião Masdeísta diferencia-se das existentes até então não só pelo dualismo Bem–Mal, mas também pelo caráter escatológico. Entre os seus [[dogma]]s, estão a vinda do Messias, a [[ressurreição dos mortos]], o [[julgamento final]] e a translação dos bons para o [[paraíso]] eterno. Inclui também a doutrina da [[imortalidade da alma]] e o seu julgamento.
 
Conforme os seus méritos ou pecados, elas iriam para o mundo dos justos (paraíso), para a mansão dos pesos iguais ([[purgatório]]) ou para a escuridão eterna ([[inferno]]). Não sepultavam, incineravam ou jogavam os mortos em rios, mas ficavam expostos em altas torres a céu aberto. Os corpos dos justos, salvos da destruição, secariam; já os dos injustos seriam devorados pelas aves de rapina. Desse modo, Zaratustra pode ser visto como um dos primeiros [[teólogo]]s da história por ter erigido um sistema de [[fé]] religiosa desenvolvido e estruturado.
122

edições