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=== O Regimento de Artilharia do Porto (1764-1780) ===
Em Portugal, pode dizer-se que a organização da artilharia portuguesa, como "arma", deu os seus primeiros passos desde a Restauração em 1640, até à criação dos "troços" em 1765, mas praticamente só
Pelo Alvará de 15 de julho de 1763 foram organizados os novos Regimentos de Artilharia de Portugal, segundo o plano a ele junto<ref>Mais tarde ampliado pelo Alvará de 4 de junho de 1766</ref>.
teve início nos princípios do século XVIII, com o decreto de 20 de Fevereiro de 1708, que transformou o "''Troço de Artilheiros da Província do Alentejo''" no "''Regimento de Artilharia da Província do Alentejo''" ou, como ainda era designado, "''Regimento de Artilharia de Estremoz''". Seguiu-se a criação de novas Unidades: em 22 de Dezembro de 1718, o "''Regimento de Artilharia e Marinha do Reino do Algarve''", também conhecido pelo nome de "''Regimento de Artilharia de Lagos''"; alguns anos mais tarde, em Abril de 1762, o "''Regimento de Artilharia da Corte e Província da Estremadura''" ou "''Regimento de S. Julião''" e, em Setembro de 1763, o "''Regimento de Artilharia do Porto''".
 
Pelo Alvará de 15 de julho de 1763 foram organizados os novos Regimentos de Artilharia de Portugal, segundo o plano a ele junto, no âmbito das reformas do Conde de Lippe, consolidando-se a artilharia como uma arma distinta do Exército Português<ref>Mais tarde ampliado pelo Alvará de 4 de junho de 1766</ref>. Paralelamente a esta evolução orgânica, segue-se o desenvolvimento técnico da Artilharia e o aparecimento de numerosas obras didáticas, algumas de
Considerando a sua proveniência social e a sua vontade e necessidade de prosseguir com os seus estudos, não restava outra opção a António Teixeira Rebelo que o ingresso na carreira eclesiástica ou militar. António Teixeira Rebelo decidiu-se pela última, talvez motivado pela acção de recrutamento efectuada por [[Luís D'Alincourt]] na região de Trás-os-Montes, tendo-se alistado como soldado voluntário, em 27 de setembro de 1764, no recém-fundado Regimento de Artilharia de Valença, como era conhecido na altura o Regimento de Artilharia do Porto.
autores portugueses, contendo a indicação de todos os processos e teorias científicos da época.
 
Considerando a sua proveniência social e a sua vontade e necessidade de prosseguir com os seus estudos, não restava outra opção a António Teixeira Rebelo que o ingresso na carreira eclesiástica ou militar. António Teixeira Rebelo decidiu-se pela última, talvez motivado pela acçãoação de recrutamento efectuadaefetuada por [[Luís D'Alincourt]] na região de Trás-os-Montes, tendo-se alistado como soldado voluntário, em 27 de setembro de 1764, no recém-fundado Regimento de Artilharia de Valença, como era conhecido na altura o Regimento de Artilharia do Porto.
 
A ''Artilharia'' era entendia na altura como o serviço militar encarregue de todos os preparativos de guerra, em que se compreendem as munições de que os Exércitos se servem nas batalhas, bem como nos ataques e defesas de Praças. Tratava também da arte de manejar canhões, bombas, obuzes, e outros instrumentos de disparar tiros por meio de pólvora.
No ano anterior ao seu alistamento, com o fim da Guerra Fantástica, havia sido criada pelo [[Conde de Lippe]] uma ''"Aula Real de Artilharia"'' naquele Regimento, onde um ilustrado oficial suíço, chamado [[João Vitória Miron Sabione]], ensinava as cadeiras de ''"Matemática"'', ''"Fortificação"'', ''"Tática"'', ''"Artilharia"'' e ''"Desenho"'', obrigatórias para oficiais e praças do Regimento. O plano do Conde de Lippe para aquele tipo de aulas regimentais era tão detalhado, que ia até à obrigatoriedade dos livros a utilizar e à interdição de quaisquer outros; e sobre as matérias ensinadas eram prestadas provas, indispensáveis nas promoções.
 
À altura o Regimento De Artilharia de Valença, comandado por [[James Ferrier]], reflectiarefletia substancialmente o êxodo estrangeiro que ocorria nos corpos do exército, sendo composto por um terço de oficiais estrangeiros e tornando-se num epicentro das ideias [[maçónicas]] que chegavam a Portugal. António Teixeira Rebelo garantidamente teve acesso à discussão de muitas delas, bem como ao estudo da extensa biblioteca do comandante do regimento, profícua em bibliografia então proibida e que permitia aos oficiais daquela força lerem e recitarem escritores como [[Pope]], [[Voltaire]] e [[Holbach]], cujas obras estavam classificadas pela [[Santa Sé]] como heréticas e subversivas.
 
Como observou Ana Cristina Araújo, ''o meio militar, com os seus postos-chave preenchidos por oficiais estrangeiros com boa formação em quartéis e [[lojas maçónicas]], desempenhou um papel importante no processo de desarticulação dos tradicionais mecanismos de reconhecimento cultural e social''<ref name="araujo">ARAÚJO, Ana Cristina. A cultura das Luzes em Portugal. Temas e problemas. Lisboa : Livros Horizonte, 2003, p. 63.</ref>. Tais práticas tornaram Valença do Minho um dos principais núcleos de divulgação das idéiasideias ilustradas em Portugal <ref name="ramos">RAMOS, Luís A. de Oliveira, ''“A irreligião filosófica na província vista no Santo Ofício pelos fins do século XVIII”'', in: Revista da Faculdade de Letras: História. Universidade do Porto, n. 5, 1988, pp. 173-188.</ref>.
 
O comandante do regimento - [[James Ferrier]] - tendo sido obrigado a abandonar Portugal, foi o autor, sob o pseudónimo de ''Arthur William Costigan'', duns importantes ''Sketches of Society and Manners in Portugal'' (2 vols., London, T. Vernor, 1788), onde criticou causticamente a situação portuguesa e onde advogou os princípios racionalistas e maçónicos.
 
=== O Regimento de Artilharia do Reino do Algarve (1774-1780) ===
Em setembro de 1774, [[James Ferrier]] é incumbido da organização do [[Regimento de Artilharia do Reino do Algarve]], deixando o [[Regimento de Artilharia do Porto]], em Valença, e atravessando todo o país em direção a Faro, onde instaria tal força, junto do [[Castelo de Faro]], tendo concluído a tarefa nos inícios de 1775.
 
Este regimento, como os outros de artilharia, de acordo com o alvará de 1766, era constituído por 12 companhias, 9 de artilheiros, 1 de bombeiros, 1 de mineiros e 1 de artífices e pontoneiros. Como nos regimentos de infantaria, a 1.ª, 2.ª e 3.ª companhias eram respectivamenterespetivamente comandadas pelo Coronel, Tenente-Coronel e pelo Sargento-Mor (isto até 1796).
 
António Teixeira Rebelo, enquanto furriel, acompanha nesta altura o seu comandante [[James Ferrier]], tendo obtido o posto de sargento em 1 de janeiro de 1775.
 
=== A Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica (1798-1802) ===
Por Decreto de 19 de outubro de 1798, o coronel António Teixeira Rebelo é nomeado Membro da Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica para o Desenho, Gravura e Impressão das Cartas Hidrográficas, Geográficas e Militares, criada em 30 de Junho daquele mesmo ano, por D. Rodrigo de Sousa Coutinho, Conde de Linhares, Secretário de Estado da Fazenda e maior representante do "partido inglês" à época, com o objetivo não só de preparar a ''"Carta Geral do Reino"'' e de centralizar todo o trabalho cartográfico disperso por diferentes instituições da coroa, como também com o propósito, e talvez o principal, de centralizar os trabalhos técnicos a realizar para promover o desenvolvimento económico do país e que pudessem dar cobertura às reformas perspectivadasperspetivadas pelo Conde de Linhares.
 
A Sociedade é instalada no Arsenal Real da Marinha, reunindo pelo menos uma vez por semana e será organizada em duas classes: a primeira dedicada às cartas hidrográficas e a segunda às cartas geográficas, militares e hidráulicas; podendo cada um dos respetivos membros assistir e participar de igual modo nas sessões da classe a que não pertençam. Terá um número limitado de membros, 68 no total, dos quais apenas 39 são oficiais do Exército, e a quem D. Rodrigo de Sousa Coutinho fará questão de explicar todos os anos, de 1798 até 1802, a política geral da monarquia portuguesa, assim como as realizações e os planos no domínio da política de reformas.
Com a entrada das forças espanholas no Alentejo, o [[João Carlos de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva|Duque de Lafões]], Marechal-General Comandante do Exército, é destituído de todos os cargos e substituído no comando em chefe pelo marechal Carlos Alexandre, Conde de Goltz, um general prussiano da escola de Frederico.
 
No seguimento de um relatório do Conde de Goltz sobre a reorganização do exército, D. [[João de Almeida Melo e Castro]], ministro da Guerra e dos Estrangeiros, decide reunir um Conselho Militar constituído por nove oficiais generais portugueses e estrangeiros, dos mais competentes em todas as armas, presidido por ele próprio e tendo como secretariado o coronel D. [[Miguel Pereira Forjaz]]. Competiria a este Conselho ''"o exame e deliberação sobre todos os assuntos relativos à constituição do exército, à sua disciplina e instrução, na conformidade das indicações contidas numas bem elaboradas Instruções assinadas pelo Ministro da Guerra, devendo o resultado das suas deliberações subir à presença do Governo para conveniente resolução"''. A composição do Conselho Militar foi determinada em 1 de dezembro de 1801, e nele tinham assento: o marechal conde de Goltz, marechal-general Comandante do Exército; o marechal marquês de Viomésnil, marechal encarregado do governo de todas as tropas e armas; João Forbes Skellater, escosêsescocês, tenente-general, inspetor geral da Infantaria; o Conde de Aveiras, general de Artilharia; o Conde de S. Lourenço, general de Cavalaria; o Marquês de la Rosière, tenente-general; João d'Ordaz Querióz, tenente-general, inspetor geral da Cavalaria; e Francisco Carlos de Quief-de-Ville, marechal de campo, inspetor geral da Artilharia.
 
É necessário compreender que, no período entre 1793 e 1807, o Exército vive sob a égide de duas fações distintas: uma conotada com um certo ''"partido inglês"'', de resistência à eventual invasão francesa e motivada para as reformas, liderada por D. Rodrigo de Sousa Coutinho e D. João de Almeira; e uma segunda conotada com o ''"partido francês"'', de reação, de contenção de despesas consideradas supérfluas, e que procura a manutenção, e mesmo o alargamento, dos privilégios da aristocracia, defendendo uma solução de compromisso com a França, sendo esta encabeçada numa primeira fase pelo Duque de Lafões e, posteriormente, por António de Araújo.
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