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[[Ficheiro:Fresque Mithraeum Marino.jpg|right|300px|thumb|''Mitra e o touro'', [[fresco]] encontrado na cidade de [[Marino (Itália)|Marino]].]]
 
O '''mitraísmo''' (em [[Língua persa|persa]]: '''مهرپرستی''') foi uma [[religião de mistérios]] nascida na [[Helenismo|época helenística]] (provavelmente no [[século II a.C.]]) no [[Mediterrâneo]] Oriental, tendo se difundido nos séculos seguintes pelo [[Império Romano]].
 
Alcançou a sua máxima expansão geográfica nos séculos [[século III|III d.C.]] e [[século IV|IV d.C.]], tendo se tornado um forte concorrente do [[cristianismo]]. O mitraísmo recebeu particular adesão dos soldados romanos. A prática do mitraísmo, assim como de outras religiões pagãs, foi declarada ilegal pelo imperador romano [[Teodósio I]] em [[391]].
 
== História ==
=== Origens do mitraísmo ===
Mitra era uma divindade indo-iraniana cuja referência mais antiga remonta ao [[Segundosegundo milénio a.C.|II milénio a.C.]]. O culto surgiu na [[Índia]] tendo se difundido pela [[Pérsia]] e mais tarde pelo Médio Oriente.
 
Num tratado entre os [[Hititas]] e os Mitânios assinado no [[século XV a.C.]], Mitra é apresentado como deus dos contratos. Na [[Índia]], surge nos hinos védicos como um ''deus da luz'', associado a [[Varuna]].
 
Julga-se ter sido [[Dario I]] a reconhecer pela primeira vez o [[zoroastrismo]] como religião oficial do [[Império Aqueménida]].
 
Julga-se ter sido [[Dario I]] a reconhecer pela primeira vez o [[zoroastrismo]] como religião oficial do [[Império Aqueménida]].
O zoroastrismo é uma religião monoteísta, que postula a existência de um único Deus ao qual atribui o nome de [[Ahura Mazda]]. O fundador, [[Zaratustra]], opunha-se ao sacrifício dos bois, elemento que se encontra no mitraísmo.
 
Dario I e os sucessores não pretenderam erradicar as antigas crenças pagãs, uma vez que essa política poderia gerar oposição política. A religião zoroastriana acabou por receber influências de elementos pagãos anteriores. Uma inscrição encontrada em [[Susa]], datada da época de [[Artaxerxes II]] menciona Mitra junto com Ahura Mazda e uma deusa chamada [[Anahita]]. No [[Avesta]], Mitra surge como um deus benéfico, colaborador de [[Ahura Mazda]], desempenhando funções de juiz das almas.
 
A invasão da Pérsia por [[Alexandre Magno]] em [[{{AC|330 a.C.]]|x}} provocaria a decadência do culto de Mitra, que sobreviveu apenas entre os aristocratas que habitavam naa parte ocidental do Império Persa, na fronteira com o mundo greco-romano. A partir daquidaí, o culto de Mitra difundiu-se nas regiões vizinhas. Ao reconhecer o imperador [[Nero]] como seu senhor, o rei Tiridates da Arménia realizou uma cerimónia associada a Mitra. O culto do deus encontra-se igualmente atestado entre os reis de [[Comagena]].
 
A primeira referência na [[historiografia]] greco-romana ao culto de Mitra encontra-se na obra de [[Plutarco]], que refere que os piratas da [[Cilícia]] celebravam ritos secretos relacionados com Mitra no ano 67 a.C.
 
=== O mitraísmo no Alto Império Romano ===
É possível que os responsáveis pela introdução do culto de Mitra no Império Romano tenham sido os legionários que serviam o império nas suas fronteiras orientais. As primeiras provas materiais do culto de Mitra datam de [[71]] ou [[72]] d.C.: trata-se de inscrições feitas por soldados romanos que procediam da guarnição de [[Carnunto]] (atual [[Petronell-Carnuntum]], na [[Áustria]]), na província da [[Panónia]] Superior e que possivelmente tinha estado no oriente, na luta contra os partos e no combate ao levantamento em [[Jerusalém]].
 
Por volta do ano [[80{{DC|80 d.C.]]|x}} o autor Estácio refere a cena da tauroctonia na sua obra Tebaida.
 
Em finais do [[século {{séc|II]]}}, o mitraísmo já estava amplamente popularizado no exército romano, bem como entre comerciantes, funcionários e escravos. A maior parte dos achados referem-se às fronteiras germânicas do império. Pequenos objectos de culto associados a Mitra têm sido encontrados em locais que vão da [[Roménia]] à [[Muralha de Adriano]].
 
=== O mitraísmo no Baixo Império ===
 
Os imperadores do [[século {{séc|III]]}} foram em geral protectores do mitraísmo, porque a sua estrutura fortemente hierarquizada permitia-lhes reforçar o seu poder. Assim, Mitra converteu-se no símbolo da autoridade e triunfo dos imperadores. Desde a época de [[Cómodo]], que foi iniciado nos seus mistérios, os adeptos do culto eram oriundos de todas as classes sociais.
 
Numerosos templos foram encontrados nas guarnições militares situadas nas fronteiras do império. Na [[Inglaterra]] foram identificados pelo menos três ao longo da [[Muralha de Adriano]], em [[Housesteads]], [[Carrawburgh]] e [[Rudchester]]. Em [[Londres]], também foram encontradas as ruínas de um [[mitreu]]. Outros templos de Mitra datados desta época podem ser encontrados na província da [[Dácia]], (onde em [[2003]] foi encontrado um mitreu em ''Alba Tulia'') e na [[Numídia]], no norte de África.
 
No entanto, a maior concentração de mitreus se encontra em [[Roma]] e perto da cidade de [[Óstia]], com um total de doze templos identificados, sendo provável que tenham existido centenas. A importância do mitraísmo em Roma pode ser avaliada a partir dos achados: mais de setenta e cinco peças de escultura, uma centena de inscrições e ruínas de templos e santuários em toda a cidade e subúrbios. Um dos mitreus mais destacados, que conserva o altar e os bancos de pedra, foi construído por debaixo de uma casa romana e sobrevive na cripta sobre a qual se construiu a [[Basílica de São Clemente]] em Roma.
 
=== Fim do mitraísmo ===
Em finais do [[século {{séc|III]]}} gerou-se um sincretismo entre a religião de Mitra e certos cultos solares de procedência oriental, que se cristalizaram na religião do ''Sol Invictus''. Esta religião foi estabelecida como oficial no [[Império Romano]] em [[274]] pelo imperador [[Aureliano]], que mandou construir em Roma um templo dedicado ao deus e criou um corpo estatal de sacerdotes para prestar-lhe culto. O máximo dirigente deste culto levava o título de ''pontifex solis invicti''. Aureliano atribuiu a ''Sol Invictus'' as suas vitórias no Oriente. Contudo, este sincretismo não implicou o desaparecimento do mitraísmo, que continuou existindo como culto não oficial. Muitos dos senadores da época professaram ao mesmo tempo o mitraísmo e a religião do ''Sol Invictus''.
 
No entanto, este período representou o começo do fim do mitraísmo, provocado pelas perdas territoriais que o império sofreu em consequência da invasão dos povos [[bárbaros]] e que afectariam os territórios fronteiriços onde o culto estava muito arreigado. A concorrência do cristianismo, apoiado por [[Constantino I|Constantino]], tiraria adeptos ao mitraísmo. Importa realçar o facto do mitraísmo excluir as mulheres, situação que não se verificava no cristianismo. O cristianismo substitui o mitraísmo durante o [[século {{séc|IV]]}} até se converter na única religião permitida com [[Teodósio]] ([[379]] -[[ 395]]). O imperador [[Juliano (imperador)|Juliano]] tentou revitalizar o culto de Mitra, bem como o usurpador Eugénio, nos dois casos com pouco êxito. O mitraísmo foi abolido formalmente em [[391]], sendo provável que a sua prática tenha continuado várias décadas.
 
Em algumas regiões dos [[Alpes]], o mitraísmo sobreviveu até ao [[século {{séc|V]]}}, bem como no Oriente, onde teve um renascimento breve. Acredita-se que o mitraísmo teve um importante papel no desenvolvimento do [[maniqueísmo]], outra doutrina que seria concorrencial ao cristianismo.
 
== '''O Ritual, Práticaspráticas e Diasdias sagrados do Mitraísmo'''mitraísmo ==
No entanto, este período representou o começo do fim do mitraísmo, provocado pelas perdas territoriais que o império sofreu em consequência da invasão dos povos [[bárbaros]] e que afectariam os territórios fronteiriços onde o culto estava muito arreigado. A concorrência do cristianismo, apoiado por [[Constantino I|Constantino]], tiraria adeptos ao mitraísmo. Importa realçar o facto do mitraísmo excluir as mulheres, situação que não se verificava no cristianismo. O cristianismo substitui o mitraísmo durante o [[século IV]] até se converter na única religião permitida com [[Teodósio]] ([[379]]-[[395]]). O imperador [[Juliano (imperador)|Juliano]] tentou revitalizar o culto de Mitra, bem como o usurpador Eugénio, nos dois casos com pouco êxito. O mitraísmo foi abolido formalmente em [[391]], sendo provável que a sua prática tenha continuado várias décadas.
O ritual do mitraísmo era complicado e significativo. Incluía uma complexa cerimônia de iniciação em sete etágios ou graus, o último dos quais firmava uma amizade mística com o deus. Longas provas de abnegação e mortificação da carne constituíam complementos necessários ao processo de iniciação.
 
O ritual do mitraísmo era complicado e significativo. Incluía uma complexa cerimônia de iniciação em sete etágios ou graus, o último dos quais firmava uma amizade mística com o deus. Longas provas de abnegação e mortificação da carne constituíam complementos necessários ao processo de iniciação. A admissão à completa participação no culto habilitava uma pessoa a participar dos '''sacramentos''', sendo o mais importante '''o batismo''' e '''uma refeição sagrada com pão, água e, possivelmente, vinho'''. Outras observâncias incluíam a purificação lustral (ablução cerimonial com '''água santificada'''), a '''queima de incenso''', os '''cânticos sagrados''' e a '''guardauarda dos dias santos'''. Destes últimos, eram exemplos típicos o '''domingo''' e o '''dia 25 de dezembro'''. Imitando a religião astral dos caldeus (Zoroastrismo[[zoroastrismo]]), cada dia da semana era dedicado a um corpo celeste. Uma vez que o sol, como fonte de luz e fiel aliado de Mitra, era o mais importante desses corpos, seu dia era, naturalmente, o mais sagrado, ou seja, o "'''domingo representava o dia do sol'''" e dia de guarda semanalmente. O '''dia 25 de dezembro possuía, também significação solar''': sendo a data aproximada do [[solstício de inverno]], marcava a de sua longa viagem ao sul do Equador. Era, em certo sentido o "'''dia do nascimento do sol'''", uma vez que assinalava a renovação de suas forças vivificadoras para benefício do homem. {{carece de fontes}}
Em algumas regiões dos [[Alpes]], o mitraísmo sobreviveu até ao [[século V]], bem como no Oriente, onde teve um renascimento breve. Acredita-se que o mitraísmo teve um importante papel no desenvolvimento do [[maniqueísmo]], outra doutrina que seria concorrencial ao cristianismo.
 
== '''O Ritual, Práticas e Dias sagrados do Mitraísmo''' ==
O ritual do mitraísmo era complicado e significativo. Incluía uma complexa cerimônia de iniciação em sete etágios ou graus, o último dos quais firmava uma amizade mística com o deus. Longas provas de abnegação e mortificação da carne constituíam complementos necessários ao processo de iniciação. A admissão à completa participação no culto habilitava uma pessoa a participar dos '''sacramentos''', sendo o mais importante '''o batismo''' e '''uma refeição sagrada com pão, água e, possivelmente, vinho'''. Outras observâncias incluíam a purificação lustral (ablução cerimonial com '''água santificada'''), a '''queima de incenso''', os '''cânticos sagrados''' e a '''guarda dos dias santos'''. Destes últimos, eram exemplos típicos o '''domingo''' e o '''dia 25 de dezembro'''. Imitando a religião astral dos caldeus (Zoroastrismo), cada dia da semana era dedicado a um corpo celeste. Uma vez que o sol, como fonte de luz e fiel aliado de Mitra, era o mais importante desses corpos, seu dia era, naturalmente, o mais sagrado, ou seja, o "'''domingo representava o dia do sol'''" e dia de guarda semanalmente. O '''dia 25 de dezembro possuía, também significação solar''': sendo a data aproximada do solstício de inverno, marcava a de sua longa viagem ao sul do Equador. Era, em certo sentido o "'''dia do nascimento do sol'''", uma vez que assinalava a renovação de suas forças vivificadoras para benefício do homem.
=== Mitreu ===
{{AP|Mitreu}}
 
;2. Iconografia.
Algumas pinturas mostram Mitra carregando uma rocha sobre as costas, como [[Atlas (mitologia)|Atlas]] na [[mitologia grega]], ou vestido com uma capa cujo forro interior representa o céu estrelado. Perto de um mitreu próximo da [[Muralha de Adriano]] foi encontrada uma estátua em bronze de Mitra emergindo de um anel zodiacal em forma de ovo (a estátua encontra-se actualmente na Universidade de [[Newcastle upon Tyne|Newcastle]]). Uma inscrição encontrada em Roma sugere que Mitra poderia identificar-se com o deus criador do [[Orfismo (culto)|orfismo]], Fanes, que surgiu de um ovo cósmico no começo do tempo, dando origem ao universo. Esta posição é reforçada por um baixo-relevo no Museu Estense de [[Módena]], onde se vê Fanes a nascer de um ovo, rodeado pelos doze [[signos do Zodíaco]], uma representação muito semelhante à que se encontra na Universidade de Newcastle.
 
A imagem central do mitraísmo é a da tauroctonia, ou seja, a representação do sacrifício ritual do touro sagrado por Mitra. Esta representação tem elementos iconográficos fixos: Mitra surge como o barrete frígio e olha para o touro com compaixão; em muitos casos, a cabeça de Mitra olha para trás para evitar olhar directamente para o touro. Inclinado sobre o touro, o deus degola-o com uma faca sacrificial. Da ferida do touro nasce trigo e junto ao touro encontram-se vários animais: um [[escorpião]] que aperta com as suas pinças os testículos do touro; uma [[serpente]]; um cão que se alimenta do trigo que nasce da ferida e um corvo. Por vezes aparecem também um leão e um copo. A imagem está flanqueada por duas personagens portadores de tochas, Cautes e Cautópates. A cena surge situada numa espécie de caverna, sendo possivelmente a representação do mitreu, ou de acordo com outras interpretações, do cosmos, dado estarem presentes o sol e a lua.
Franz Cumont, autor de um estudo clássico sobre a religião de Mitra, interpreta esta imagem à luz da mitologia iraniana. O autor vincula a imagem com textos que se referem ao sacrifício de um touro por Ahriman, divindade do mal, que é o opositor de Ahura Mazda; dos restos do touro nasceriam depois todos os seres. De acordo com a hipótese de Cumont, Ahriman seria mais tarde substituído por Mitra no relato mítico e sob esta forma o relato teria chegado ao Mediterrâneo Oriental.
 
David Ulansey apresentou uma explicação radicalmente diferente da imagem do Mitra Tauroctonos baseada no simbolismo astrológico. De acordo com esta teoria a imagem do Tauroctonos é a representação de Mitra como um deus tão poderoso que é capaz de colocar o universo em ordem. O touro seria o símbolo da constelação de Touro. Nos primórdios da astrologia, na [[Mesopotâmia]], entre o V milénio a.C. e o III milénio a.C. o sol encontrava-se em Touro durante o [[equinócio de Primaveraprimavera]]. Devido à [[precessão dos equinócios]] o sol estava no equinócio da Primavera numa constelação diferente cada 2160 anos pelo que passou a estar em [[Áries|Carneiro]] por volta do ano [[{{AC|2000 a.C.]]|x}}, marcando o fim da era astrológica de [[Touro (astrologia)|Touro]].
 
O sacrífico do touro por Mitra representaria esta mudança, causada segundo alguns crentes, pela omnipotência do seu deus. Isto estaria em consonância com os animais que figuram nas imagens de ''Mitra Tauroctonos'': o cão, a serpente, o corvo, o escorpião, o leão, o copo e o touro que são interpretados como sendo as constelações de ''[[Canis Minor]]'', ''[[Hydra]]'', ''[[Corvus (constelação)|Corvus]]'', ''Scorpio[[Scorpius]]'', ''[[Leo]]'', ''[[Aquarius]]'' e ''[[Taurus]]'', todas no equador celeste durante a era de [[Touro (astrologia)|Touro]].
 
=== Níveis de iniciação ===
Num determinado momento da evolução do mitraísmo introduz-se o rito do ''taurobolium'' ou baptismo dos fiéis com sangue de um touro, prática comum a outras religiões orientais. Graças a [[Tertuliano]] conhecem-se hoje as severas críticas cristãs a estas práticas.
 
Tertuliano também descreve o rito de iniciação do grau de Soldado (''Miles''). O candidato era baptizado (talvez por imersão), sendo marcado com um ferro em brasa; era alvo de um teste, no qual se colocava uma [[coroa]] na sua cabeça que este deveria deixar cair, proclamando que Mitra era a sua coroa. Posteriormente os iniciados assistiam a uma morte ritual e simulada, cujo oficiante era um ''pater''.
 
De acordo com Porfírio, no grau de ''Leo'', colocava-se [[mel]] na boca dos recém-nascidos; para os iniciados adultos vertia-se mel sobre as suas mãos que estes lambiam em sinal de comunhão. Acredita-se que cada nível de iniciação teria o seu próprio ritual.
 
== Bibliografia ==
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;Bibliografía geral
* História da Civilização Ocidental, "Do Homem das Cavernas até a Bomba Atômica". Edward McNall Burns, editora globo,1971, página 107.
* CAMPBELL, Joseph - ''The Masks of God: Occidental Mythology, vol III''. Arkana, 1991.
* VV.AA: ''Historia de las religiones antiguas: Oriente, Grecia y Roma''. Madrid, Cátedra, 1993.
* VV.AA'': Las religiones en el mundo mediterráneo y en el Oriente Próximo I. Formación de las religiones universales y de salvación''. Col. Historia de las Religiones. Madrid: Siglo XXI, 1993 (sexta edição). ISBN 84-323-0353-8. (título original: ''Histoire des Religions 2. Encyclopédie de la Pléiade'', Gallimard, 1972).
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{{religião/Tópicos}}
{{Paganismo}}
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