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[[File:Palm oil.jpg|thumb|300px|Tigela com azeite de dendê]]
 
O '''azeite de dendê''', '''azeite de dendém''' ou '''óleo de palma''' é um [[azeite]] popular nas [[culinária]]s [[brasil]]eira e [[angola]]na e, também, no [[candomblé]]. É o mais consumido no mundo, seguido pelos de [[soja]] e [[canola]].<ref>[[Época Negócios]], edição de março de 2009 (especial de aniversário), p. 147</ref> É produzido a partir do fruto da palmeira conhecida como [[Dendezeiro]] (''Elaeis guineensis''). Indispensável na cozinha afro-brasileira, é utilizado em pratos como [[Caruru (prato)|caruru]], [[vatapá]], [[acarajé]], [[Bobó|bobó- de- camarão]], [[abará]], entre outros. Em Angola, é usado, por exemplo, na preparação da [[Moamba de Galinha|moamba de galinha]]. Além do uso culinário, o azeite de dendê pode também substituir o [[óleo diesel]], embora seja muito mais caro, sendo ainda rico em [[vitamina A]].
 
É empregado na fabricação de [[sabão]] e [[vela]], para proteção de [[Folha de flandres|folhas de flandres]] e chapas de [[aço]], fabricação de [[graxa]]s e [[lubrificante]]s e artigos vulcanizados. O processo de extração do azeite pode ser artesanal ou não e pode levar horas, já que o fruto de cor [[marrom|marrom ou castanha]] escura é firme. Muitas organizações ecologistas internacionais vêm criticando o uso deste óleo, alegando que a sua produção é responsável por [[desmatamento]], e recomendando a sua substituição por outros óleos.
== História ==
O óleo originário desta palmeira, o azeite de dendê, consumido há mais de 5 000 anos, foi introduzido na [[América]] a partir do [[século XVI]], coincidindo com o início dos [[tráfico de escravos para o Brasil]]. O estudioso [[Edison Carneiro]], em "Ladinos e Criolos: estudos sobre o negro no Brasil", de 1964, nos informa que: "Os traficantes de escravos acrescentaram o dendezeiro à paisagem natural do Brasil sem maiores dificuldades. Era natural que o plantassem primeiro na [[Bahia]], então o grande centro do comércio de negros".
[[File:Oil palm fruit.jpg|thumb|200px|Cacho com frutos de dendezeiro]]
 
Na sua "Notícia da Bahia" ([[1759]]), José Antonio Caldas informava que os [[Navio negreiro|navios negreiros]], na ocasião, frequentavam a [[Costa da Mina]] para negociar "azeite de palmas" além de escravos. Se isto não prova a inexistência da palmeira no país, pelo menos indica que a produção de azeite ou não se fazia ainda ou era ínfima em relação às necessidades brasileiras.
 
Vilhena conseguiu encontrar estatísticas de 1798 que mostram que, naquele ano, entraram na Bahia mil canadas de azeite de palmas da Costa da Mina e 500 canadas da ilha de [[São Tomé (São Tomé e Príncipe)|São Tomé]], no valor total de 1 500$, ou seja, a [[mil-réis]] a canada – cerca de 4 000 [[litro]]s. No momento, porém, em que escrevia suas Cartas Soteropolitanas (1802), já estava aclimado o dendezeiro, tanto que o professor régio propunha que "fossem plantados nas terras dos engenhos, a fim de se extrair, do coco, azeite, tempero essencial da maior parte das viandas dos pretos e ainda dos brancos criados com eles".
[[File:Making palm oil, DR Congo.jpg|thumb|esquerda|300px|Prensagem dos frutos fervidos do dendezeiro para extração de óleo na [[República Democrática do Congo]]]]
 
A importância do [[azeite]] retirado do [[dendezeiro]], chamado óleo de dendém ou [[azeite de palma]], pode ser vista com o Alvará Régio, de [[1813]], do [[Príncipe Regente D. João]], ao isentar de taxas de alfândega o sabão e o azeite de palma, ou como é mais conhecido, [[óleo de palma]] ou [[óleo de dendê]], vindos da [[Ilha de São Tomé]], na [[África]]. <ref>[[Época Negócios]], edição de março de 2009 (especial de aniversário), p. 147</ref>
 
No contexto atual, o azeite de dendê é o segundo óleo mais produzido e consumido no mundo, representando 18,49 por cento da produção e 20,40 por cento do consumo mundial. O dendê é muito usado na [[culinária baiana]], que se baseia em sabedoria ancestral trazida da África. Dá, à comida, sabor, cor e aroma peculiares, de que é exemplo o [[vatapá]].
[[File:Palm oil factory cote d Ivoire.jpg|thumb|300px|Fábrica de azeite de dendê em Aboisso, na [[Costa do Marfim]]]]
 
== Beneficiamento ==
 
== Composição e usos ==
O azeite de dendê contém proporções iguais de [[ácidos graxos]] saturados ([[ácido palmítico|palmítico]] 44% e [[ácido esteárico|esteárico]] 4%) e não saturados ([[ácido oleico|oleico]] 40% e [[ácido linoleico|linoleico]] 10%). É uma fonte natural de [[vitamina E]], [[Tocoferol|tocoferóis]] e [[Tocotrienol|tocotrienóis]] que atuam como antioxidantes[[antioxidante]]s. É rico também em [[betacaroteno]], fonte importante de [[vitamina A]]. O óleo de dendê é avermelhado devido a grande quantidade de [[vitamina A]], 14 vezes maior que na [[cenoura]]. No entanto, o aquecimento do óleo para frituras acaba destruindo a vitamina A e deixando o óleo branco.
[[File:Moamba traditional dish in Luanda.JPG|esquerda|thumb|300px|Moamba de galinha, tradicional prato de Angola que é feito com azeite de dendê]]
 
É o óleo mais apropriado para fabricação de [[margarina]], pela sua consistência e por não [[Rancificação|rancificar]], excelente como óleo de cozinha e frituras, sendo também utilizados na produção de manteiga vegetal, apropriada para fabricação de [[pão|pães]], [[bolo]]s, tortas, [[biscoito]]s finos, cremes etc. O maior uso de óleo de dendê é como matéria-prima na fabricação de [[sabão|sabões]], sabonete, sabão em pó, detergentes e amaciantes/amaciadores de roupa [[Biodegradabilidade|biodegradáveis]], podendo, ainda, ser utilizado (com restrições) como combustível em motores a [[diesel]].
{{Referências}}