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[[Heródoto]] acreditava que os cimérios e os [[trácios]] eram parentes próximos, e que ambos habitavam originalmente a costa setentrional do [[Mar Negro]], de onde teriam sido expulsos por volta de 700 a.C. por invasores vindos do Oriente. Enquanto os cimérios teriam então partido de sua terra natal para o oeste e o sul, cruzando o [[Cáucaso]], os trácios teriam migrado para o sudoeste, adentrando os [[Bálcãs]], onde estabeleceram então uma cultura duradoura e bem-sucedida. Os [[tauros]], habitantes originais da [[Crimeia]], por vezes são identificados como tendo parentesco com os cimérios e, posteriormente, com os [[tauriscos]].
 
Alguns historiadores pré-modernos afirmam que os cimérios seriam antepassados dos [[celtas]] ou dos [[povos germânicos]], utilizando como argumento a semelhança do termo [[Latim|latino]] ''Cimmerii'' com [[cimbros]] (''cimbri'', antigo povo germânico) ou [[Cymry]] (nome do [[País de Gales]] em [[Língua galesa|galês]]). É improvável, no entanto, que tanto o [[Língua protocelta|proto-celta]] quanto o [[Língua protogermânica|proto-germânico]] tenham entrado na [[Europa Ocidental]] no final do século VII a.C.; a formação de ambos costuma estar associada às culturas [[Cultura Urnfield|Urnfield]], da [[Idade do Bronze]], e à [[Idade do Bronze nórdicaNórdica]], respectivamente. Não é inconcebível, no entanto, que migração "[[traco-ciméria]]" de pequena escala (em termos populacionais) ocorrida no século VIII possa ter desencadeado mudanças culturais que contribuíram para que a cultura Urnfield se transformasse na [[Cultura Hallstatt|cultura Hallstatt C]], trazendo consigo o advento da [[Idade do Ferro]] europeia. Posteriormente, estes grupos cimérios restantes poderiam ter se deslocado e atingido os [[países nórdicos]] e o [[rio Reno]]. Um exemplo seria justamente a [[tribo]] dos cimbros, cuja origem estaria na região de [[Himmerland]] (em [[dinamarquês antigo]], ''Himber sysæl''), no norte da [[Dinamarca]].<ref>Jones, Gwyn. ''A History of the Vikings'', Londres: Oxford University Press, 2001</ref>
 
A [[etimologia]] de ''Cymro'' "[[Galeses|galês]]" (plural: ''Cymry''), associada aos cimérios por [[celtista]]s do século XVII, é tida pelos linguistas que estudam os [[Línguas celtas|idiomas celtas]] atualmente como um derivado do termo [[Línguas britônicas|britônico]] *''kom-brogos'',<ref>''[[Geiriadur Prifysgol Cymru]]'', vol. I, p. 770.</ref><ref>Jones, J. Morris. ''Welsh Grammar: Historical and Comparative''. Oxford: Clarendon Press, 1995.</ref><ref>Russell, Paul. ''Introduction to the Celtic Languages''. Londres: Longman, 1995.</ref><ref>Delamarre, Xavier. ''Dictionnaire de la langue gauloise''. Paris: Errance, 2001.</ref> que significa "compatriotas", (ou seja, outros [[britões]], ao contrário de outros habitantes das [[ilhas Britânicas]], como os [[anglo-saxões]]).
 
==Menções na mitologia de outros povos==
Nas fontes surgidas a partir dos [[Anais Reais Frâncicos]], os reis [[merovíngios]] dos [[francos]] tradicionalmente apontavam a origem de sua linhagem a uma tribo pré-frâncica conhecida como [[sicambros]] (''Sicambri'' ou ''Sugambri'', em [[latim]]), [[Mitologia|mitificadas]] como "cimérios" cuja origem seria a foz do [[Danúbio]], mas que na realidade teriam vindo da região de [[Gelderland]], nos atuais [[Países Baixos]], cujo nome tem a mesma origem do [[rio Sieg]].<ref>Geary, Patrick J. ''Before France and Germany: The Creation and Transformation of the Merovingian World. Nova York: Oxford University Press, 1988</ref> Ou que se teriam originado dos Cimbros com os nomes de seus chefes acabarem no mesmo sufixo -rix.
 
Outra associação possível entre os cimérios dos rios Tiras e Tánais e os países nórdicos e, possivelmente, os sicambros do baixo Reno, estaria no fato de que a rota oriental do [[âmbar]] era uma [[rota comercial]] que ligava o [[Mar Báltico]] e o [[Mar Negro]], e através do qual diversas culturas foram difundidas. Esta rota já estaria em plena atividade por volta de 1800 a.C., e cruzava os rios [[Rio Dnieper|Dnieper]], [[rio Pripyat|Pripyat]], [[Rio Bug Ocidental|Bug Ocidental]] e o [[Rio Vístula|Vístula]]. Também existem evidências arqueológicas no sul da [[Escandinávia]] de que uma cultura invasora estava chegando à costa do Mar Báltico por volta de 1200 a.C., aproximadamente o mesmo período do início da [[Idade do Bronze nórdicaNórdica]]. Esta cultura recém-chegada teria abrangido um território que ia do estuário do Vístula até a [[Escânia (província)|Escânia]], [[Zelândia]], [[Fiônia]] e [[Himmerland]], na [[Jutlândia do Norte]] e na [[Helgoland]], um arco que contém os depósitos mais ricos de âmbar da Europa. Graças ao [[cartógrafo]] grego [[Pitéas]], de [[Massília]], que escreveu por volta de 330 a.C., este arco seria habitado por um povo conhecido como ''Gotones''. Pitéas também menciona que estes ''Gotones'' eram vizinhos dos [[teutões]] (''teutones'') que habitavam as regiões das atuais [[Jutlândia do Sul]] e [[Holstein]]. Também sabe-se que [[Plínio, o Velho]], escrevendo em 79 d.C., afirmou que a faixa de terra entre o estuário do Vístula e o Mar Negro era chamada de [[Cítia]]; é possível, logo, que tenha existido uma elite de cavaleiros cimérios que se apossou deste depósito de âmbar báltico entre 1200 e 1000 a.C., e que posteriormente teriam dado origem ou influenciado os ''Gotones'', teutões e [[cimbros]] - bem como, posteriormente, os próprios sicambros. Outros indicadores apontam para o prefixo 'Cim', que poderia ser [[cognato]] do [[Língua proto-indo-europeia|proto-indo-europeu]] ''*khim'', a provável origem dos termos ''home'', em [[Língua inglesa|inglês]], e ''heim'', no [[nórdico antigo]] ("lar", "casa"). A segunda parte da palavra, 'mer', poderia significar "[[mar]]", indicando possivelmente uma terra de origem nas proximidades do Mar Negro, ou "grande" (como no [[Língua gótica|gótico]] 'Waldamar').
 
O nome [[Bíblia|bíblico]] "[[Gomer]]" também foi associado por algumas fontes aos cimérios.
Alguns estudiosos tentaram associar diversos [[topônimo]]s com possíveis origens cimérias. Sugeriu-se, por exemplo, que o nome da [[Crimeia]] viria dos cimérios,<ref>{{citar livro | autor = [[Isaac Asimov|Asimov, Isaac]]| título = Asimov's Chronology of the World| ano = 1991| editora = HarperCollins|local = Nova York|página = 50}}</ref> O nome, no entanto, remonta ao termo [[Língua tártara da Crimeia|tártaro da Crimeia]] ([[Línguas turcomanas|turcomano]]) ''qırım'' ("minha [[estepe]]", "monte"), enquanto a península em si era conhecida na [[Antiguidade]] como [[Táurica]], "península dos [[tauros]]". (Estrabão 7.4.1; Heródoto 4.99.3, [[Amiano Marcelino]] 22.8.32).
 
Com base nas antigas fontes históricas gregas, presume-se uma associação [[Trácios|trácia]]<ref>{{citar livro|autor = Meljukova, A. I.|título = Skifija i Frakijskij Mir|ano = 1979|local = Moscou}}</ref><ref>[[Estrabão]] identifica os [[treres]] com os trácios em determinada altura de sua obra (13.1.8), e com os cimérios em outra (14.1.40)</ref> ou [[Celtas|celta]].<ref>[[Posidônio]]], em Estrabão (7.2.2).</ref> De acordo com o historiador alemão [[Carl Ferdinand Friedrich Lehmann-Haupt]], o idioma dos cimérios poderia ser um "elo perdido" entre o trácio e os idiomas iranianos.
 
==Arqueologia==
* 679/678 a.C. – ''Gimirri'', governados por ''Teushpa'', invadem a Assíria a partir de ''Hubuschna'' ([[Capadócia]]?). [[Assaradão]] da Assíria derrota-os em combate.
* 676-674 a.C. – cimérios invadem e destroem a Frígia, chegando à [[Paflagônia]].
* 654 ou 652 a.C. – [[Giges da Lídia]] morre durante combate contra os cimérios. [[Sárdis]] é saqueada; cimérios e [[treros]] saqueiam colônias [[Jônia|jôniasjônia]]s.
* 644 a.C. – cimérios ocupam Sárdis, porém logo a abandonam.
* 637-626 a.C. – cimérios são derrotados por [[Aliates II]].
*[http://www.livius.org/cg-cm/cimmerians/cimmerians.html Cimmerians], [[Jona Lendering]] - Livius.org
*Dorin Sârbu, ''A controversial archeological phenomenon: the Cimmerian Culture'' ([http://apar.archaeology.ro/ds_artrja.htm texto integral (em romeno)] e [http://apar.archaeology.ro/ds_artrjaeng.htm trechos (em inglês)]
 
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