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Neto do [[Sebastião José de Carvalho e Melo|Marquês de Pombal]] por via materna, nasceu no [[Palácio da Anunciada]], em Lisboa, 9.º filho do 1.º [[conde de Rio Maior]], João Vicente de Saldanha Oliveira e Sousa Juzarte Figueira, e de sua mulher, Maria Amália de Carvalho Daun, 3.ª filha dos 2.<sup>os</sup> [[Marquês de Pombal (título)|marqueses de Pombal]].
 
Destinado a seguir a vida militar, com 14 anos de idade, em 1805 matriculou-se na [[Academia Real de Marinha]], instituição onde fez um curso brilhante, tendo recebido distinção no 1.º ano lectivo e sido premiado nos 2.° e 3.° anos. Simultaneamente, a 28 de setembro de 1805 assentou praça no [[Regimento de Infantaria nN.º 1]], ao tempo comandado pelo [[marquês de Alvito]], no qual foi reconhecido [[cadete]].<ref name="dic"/>
 
A sua carreira militar iniciou-se a 24 de junho de 1806, data em foi promovido a [[capitão]] adido, com apenas 15 anos de idade, em virtude do decreto de 8 de janeiro desse mesmo ano, pelo qual se determinava que os filhos militares dos conselheiros de estado recebessem como primeiro posto o de capitão. A 17 de agosto de 1807, com 16 anos de idade, foi promovido de capitão adido a capitão efetivo.<ref name="dic"/>
 
===A Guerra Peninsular===
Comandava a 8.ª companhia do Regimento de Infantaria nN.º 1 quando em novembro de 1807 as forças francesas comandadas pelo general [[Jean-Andoche Junot]] entraram em Portugal, no episódio que ficaria conhecido como a [[primeira invasão francesa de Portugal]], forçando a [[transferência da corte portuguesa para o Brasil]] e desencadeando a [[Guerra Peninsular]]. Estes acontecimentos levam o jovem capitão Saldanha, como aliás sucedeu com a maioria da oficialidade oriunda da alta [[aristocracia]], a pedir a sua demissão do exército, que a [[Regência do Reino]] lhe concedeu por decreto de 25 de janeiro de 1808.<ref name="dic"/>
 
Tendo abandonado o exército, logo a 5 de fevereiro juntou-se ao grupo anti-napoleónico que planeava organizar a resistência à ocupação francesa, mas foi após o [[Levantamento de Madrid]] que se juntou à insurgência contra as forças francesas. Quando no início de agosto de 1808 ocorreu o desembarque das tropas britânicas comandadas pelo general [[Arthur Wellesley, 1.º Duque de Wellington|Arthur Wellesley]] na baía de [[Lavos]], Saldanha incorporou-se nas forças portuguesas do general [[Bernardim Freire de Andrade]], o denominado ''[[Exército de Operações da Estremadura]]''. Foi então reintegrado no seu posto, por decreto de 13 de setembro de 1808 da [[Junta Provisional do Supremo Governo do Reino]], e voltou a comandar a 8.ª companhia do Regimento de Infantaria nN.º 1, então em operações de apoio às forças britânicas em Portugal.
 
A sua participação nas operações da [[Guerra Peninsular]] granjeou-lhe um rápido prestígio entre as tropas e com apenas 18 anos de idade foi nomeado ajudante-de-campo do general [[Miranda Henriques]], então aquartelado em [[Tomar]]. Foi então encarregado de estudar a [[tática]] adotada pelas forças britânicas comandadas pelo general [[William Carr Beresford]], e mostrando-se apto para comandar por essa tática um regimento na presença do general, este promoveu-o a [[major]] por distinção, a 9 de dezembro de 1809, continuando a servir no Regimento de Infantaria nN.º 1.<ref name="dic"/> Promovido a major, integrou as forças portuguesas e britânicas que protagonizaram os principais combates da [[Guerra Peninsular]].
 
Logo em 1810 distinguiu-se na [[Batalha do Buçaco]], improvisando uma coluna com duas companhias, oriundas do [[Regimento de Infantaria nN.º 1]] e do [[Regimento de Infantaria nN.º 16]], com ela repelindo intrepidamente forças francesas muito superiores. Também se destacou na [[Batalha de Salamanca]], travada a 22 de julho de 1812, sendo por isso promovido a [[tenente-coronel]] em setembro desse ano, sendo então preteridos 23 majores, alguns deles britânicos.
 
Com dois batalhões do Regimento de Infantaria nN.º 1, dois batalhões do Regimento de Infantaria nN.º 16 e pelo [[Regimento de Caçadores nN.º 4]], Saldanha foi integrado na 1.ª Brigada Independente Portuguesa, com um efetivo de 2100 homens, todos portugueses, sob o comando do brigadeiro [[Dennis Pack]]. Com essa Brigada, entrou no [[Combate de Carrion]], travado a 25 de setembro de 1812, na defesa da passagem do [[rio Tormes]], de 8 a 14 de novembro, e no [[Combate de Muñoz]], a 27 de novembro daquele ano. No prosseguimento das operações, participou na [[Batalha de Vitoria]], travada a 21 de junho de 1813, na tomada da aldeia de [[Beasain]], a 24 de junho, na tomada de [[Tolosa (Espanha)|Tolosa]], a 25 de junho, e nos assaltos à praça de [[San Sebastián]], nos dias 25 de julho e 31 de agosto.
 
Depois da [[Batalha dos Pirenéus]], a 1.ª Brigada Independente Portuguesa entrou em França, e na [[Batalha do Nive]], travada a 13 de dezembro de 1813, Saldanha estreou no comando do seu regimento. Tendo dado provas de capacidade de comando, o general [[William Carr Beresford]] confiou-lhe interinamente o comando duma brigada, composta pelo [[Regimento de Infantaria nN.º 12]], pelo [[Regimento de Infantaria nN.º 21]] e pelo [[Batalhão de Caçadores nN.º 5]]. Tendo adoecido o general [[Rowland Hill, visconde Hill de Almaraz|Rowland Hill]], comandante doutra brigada, foi ela também entregue ao jovem tenente-coronel Saldanha, que assim, aos 23 anos de idade, foi comandante duma divisão que formou a esquerda do corpo do exército que cercou [[Baiona (França)|Baiona]]<ref name="dic"/>.
 
Terminada a [[Guerra Peninsular]], Saldanha, então um [[tenente-coronel]] com 23 anos de idade, era um dos militares mais condecorados do Exército Português, com as medalhas de ouro das seis campanhas, as medalhas inglesas do Buçaco, de San Sebastián e do Nive, esta última com uma menção especial, e as medalhas espanholas de Vitoria, San Sebastián, Nive e Tolosa. O prestígio daí resultante foi um dos elementos essenciais no lançamento da sua carreira político-militar.
Saldanha casou em 5 de outubro de 1814 com uma jovem de origem irlandesa, Maria Teresa Margarida Horan FitzGerald (Irlanda, 1796 &mdash; Sintra, 1855), filha do general Thomas Horan e de sua mulher Isabel FitzGerald, a qual, ficando órfã de seus pais, fora educada desde os 7 anos de idade pela [[Conde de Rio Maior|condessa de Rio Maior]].<ref>[http://www.geneall.net/U/per_page.php?id=14263 Nota genealógica].</ref>
 
Foi então integrado no [[Regimento de Infantaria nN.º 13]], unidade que em 1815 foi escolhida para ser enviada para os [[Países Baixos]] em auxílio da coligação anti-napoleónica, que através de [[Arthur Wellesley, 1.º Duque de Wellington]], solicitara a Portugal o envio de {{formatnum:20000}} homens para ajudar a por termo à restauração de [[Napoleão Bonaparte]] no poder, que viria a ser conhecido como o [[Governo dos Cem Dias]]. Contudo, os atrasos na formação do contingente, a indecisão do governo português e a rapidez e contundência da derrota da ''[[Grande Armée]]'' na [[Batalha de Waterloo]] tornaram desnecessário o envio das forças, que não chegaram a embarcar.
 
===A guerra contra Artigas e a independência do Brasil===
Apesar da operação se ter saldado num fiasco, ainda assim o prestígio de Saldanha não sofreu grande abalo, e com o seu regresso a Londres reassumiu a liderança da ala radical, dentro em pouco fortalecida pelo afluxo de novos emigrados chegados do Porto via Galiza. Este reforço de emigrados, resultado directo da ''Belfastada'' e do sucesso do coronel Pizarro na condução das forças liberais derrotadas até à [[Galiza]], veio reforçar a capacidade dos liberais no exílio influenciarem os governos britânico e francês, países em cujo território se refugiaram e que passaram a ter motivos para activamente procurar uma solução que permitisse o repatriamento dos exilados portugueses. Foi nesse contexto que Saldanha se revelou progressivamente mais influente, embora cada vez mais afastado de D. Pedro de Bragança, que por ele nutria poucas simpatias, o que se reflectiu em escritos publicados por Saldanha.<ref>''Observações sobre a Carta que os membros da Junta do Porto dirigiram a S. M. o Imperador do Brasil em 5 de agosto de 1828''. Paris, 1829; o folheto foi republicado em 1830, acrescentado, com o título de ''A Perfídia desmascarada, ou carta da Junta do Porto a S. M. o Imperador do Brasil, e observações à mesma carta pelo conde de Saldanha, e por outro emigrado'', contendo notas do editor.</ref>
 
Desencadeada a [[Guerra Civil Portuguesa (1828-1834)|Guerra Civil]], Saldanha passou a ser o líder incontestado da esquerda liberal, opondo-se ao domínio de [[Pedro de Sousa Holstein, Duque de Palmela|Pedro de Sousa Holstein, o futuro duque de Palmela]] entre os emigrados. Contudo, a verdadeira relevância de Saldanha foi fruto de um incidente não planeado: a captura por forças navais britânicas da expedição que em finais do ano de 1828 foi organizada em [[Plymouth]], comandada por Saldanha, destinada a socorrer as forças liberais cercadas na [[ilha Terceira]], nos [[Açores]], onde o [[Batalhão de Caçadores nN.º 5]] se rebelara e impusera a obediência aos liberais.
 
Composta por 650 voluntários recrutados entre os emigrados na Inglaterra, a expedição embarcou nos [[brigue]]s ''Susana'' e ''Lyra'' e nas [[Galé|galera]]s ''Minerva'' e ''Delfins'', navios expressamente fretados para o efeito. A saída da expedição, desarmada por imposição do governo britânico, foi conseguida a muito custo, não ficando claro que o destino final era os Açores, fazendo os britânicos saber que preferiam que os navios se dirigissem ao Brasil. Estas dificuldades, resultantes do equilíbrio diplomático que o governo britânico, chefiado por [[Arthur Wellesley, 1.º Duque de Wellington|Arthur Wellesley, 1.º lorde Wellington]], procurava encontrar no contexto europeu face às pressões da [[Santa Aliança]] e à vontade de manter um relacionamento estável com o governo absolutista de [[Miguel I de Portugal|D. Miguel I]], que ao tempo governava em Lisboa, tinham levado pouco antes o governo britânico a determinar o bloqueio naval da Terceira, não permitindo o rearmamento dos liberais ali instalados. Nesse contexto, quando a 16 de janeiro de 1829 os navios que transportavam as forças comandadas por Saldanha chegaram às imediações da ilha Terceira, onde já se preparavam para desembarcar, foram intercetados duas fragatas [[britânica]]s, sob o comando do [[Comodoro (patente)|comodoro]] [[William Walpole]], que pela força os impediram de se aproximar da ilha.
A desforra de Saldanha não demorou: com o pretexto da eminência de uma revolução popular que poria em risco o trono e a dinastia, decidiu recorrer novamente à força militar e organizar um [[pronunciamento]]. Apesar de ter recebido o apoio do [[Partido Progressista]], liderado pelo Conde das Antas, recusou o envolvimento partidário e decidiu optar por uma solução puramente militar, da qual saísse livre de quaisquer peias partidárias. O golpe, que daria origem à [[Regeneração]], iniciou-se a [[7 de abril]] de [[1851]], quando Saldanha saiu de [[Sintra]] com um grupo de oficiais do seu estado-maior.
 
Saldanha dirigiu-se a [[Mafra]], com a intenção de obter o apoio do [[Regimento de Infantaria nN.º 7]], mas apenas alguns soldados daquela unidade militar o seguiram. Das unidades aquarteladas na região de Lisboa recebeu apenas alguns batalhões do [[Regimento de Caçadores nN.º 1]], de Setúbal. Dirigindo-se para norte, apenas conseguiu a adesão do [[Regimento de Infantaria nN.º 5]], que estava em [[Leiria]].
 
Esta fraca adesão levou Saldanha a considerar perdida a insurreição, já que quase todos os coronéis eram [[Cabralismo|cabralistas]] e sonegavam os respectivos regimentos à influência do marechal. Face a isso resolveu procurar refúgio na [[Galiza]], estando em [[Lobios]] quando recebeu cartas de [[José Estêvão]] e de outros notáveis do Partido Progressista que lhe comunicavam o inesperado triunfo do movimento em Lisboa. Entretanto a guarnição do Porto sublevara-se a favor de Saldanha, matando um dos coronéis que se opusera à revolta.
Foi nessa postura que em 1869, tendo visitado Lisboa, se julgou desconsiderado pelo governo do [[Partido Progressista (Portugal)|Partido Progressista]], ao tempo presidido pelo [[duque de Loulé]]. Resolveu então demonstrar que, apesar dos seus 80 anos de idade, ainda conservava o antigo prestigio junto do Exército que lhe permitia organizar mais um [[pronunciamento]]. Nesse evento terá sido influenciado pelo [[Caetano Gaspar de Almeida Moniz e Sousa|conde de Peniche]] e pelo grupo de revolucionários que o acompanhavam.
 
Assim, num evento que ficaria conhecido pela ''[[Saldanhada]]'', a [[19 de maio]] de [[1870]] postou-se à frente do [[Batalhão de Caçadores nN.º 5]] e do [[Regimento de Infantaria nN.º 7]] e proclamou a demissão do ministério. O pronunciamento foi um inesperado êxito e apenas a [[Guarda Municipal de Lisboa]] e algumas forças de artilharia e de lanceiros permaneceram fiéis ao governo. Na noite daquele dia, Saldanha dirigiu-se ao [[Palácio da Ajuda]] à frente de uma força do Batalhão de Caçadores, sendo recebido pelo fogo de uma bateria do [[Regimento de Artilharia nN.º 3]], que guardava o rei que ali se encontrava.
 
A resistência da artilharia foi correspondido por disparos dos revoltosos, os quais causaram 5 mortos entre os defensores do Palácio, tendo várias balas esmigalhado as vidraças do paço furado os estuques. Apesar do ataque, o governo recusou demitir-se, mas o rei D. [[Luís I de Portugal|Luís I]] ficou aterrado, querendo de imediato pôr termo à contenda. Mandou então chamar o duque de Loulé para lavrar o decreto da demissão dos ministros, mas o duque recusou-se terminantemente a referendar o decreto. Depois de um curto impasse, vendo que o rei se obstinava em não querer resistir, cedeu, e foi reunir-se aos resto do governo para tentarem sufocarem a revolta. Contudo, sem o apoio real, o governo foi obrigado a aceitar o decreto da demissão e Saldanha ficou senhor da situação. A 25 de maio formou um ministério, sem apoio parlamentar, em que entravam D. [[António da Costa]], o [[Caetano Gaspar de Almeida Moniz e Sousa|conde de Peniche]], D. [[Luís da Câmara Leme]], [[José Dias Ferreira]] e o [[conde de Magalhães]], ficando Saldanha com a presidência e as pastas da guerra e dos estrangeiros. Promulgou uma série de reformas, mas, a 29 de agosto do mesmo ano de 1870, um outro golpe levou à queda do ministério.
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