Diferenças entre edições de "Frei Cipriano da Cruz"

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Frei Cipriano da Cruz foi um dos escultores portugueses mais importantes da sua época. Em 1676 ingressou, como [[irmão leigo]] no [[Mosteiro de Tibães]], da [[Ordem de São Bento]], tendo tomado o hábito alguns anos mais tarde (entre 1683 e 1685); foi aí que morreu, após uma vida dedicada à produção de imagens em madeira, pedra e barro (note-se que a [[policromia]] aplicada às imagens é frequentemente atribuída a outros autores). À data da entrada no mosteiro era já um consumado [[imagem|imaginário]], com uma linhagem plástica amadurecida, pouco se sabendo da sua atividade artística anterior. Entre as suas obras destaquem-se, por exemplo: ''São Miguel Arcanjo'', [[Museu Nacional de Machado de Castro|MNMC]], Coimbra; Imagem de Santa Catarina, [[Capela de São Miguel (Coimbra)|Capela de S. Miguel]], Coimbra; ''Pietá'' ou ''Nossa Senhora da Piedade'', 1685-1690, madeira policromada, [[Museu Nacional de Machado de Castro|MNMC]], Coimbra.<ref>Carvalho, Maria João Vilhena de; Correia, Maria João Pinto – '''Arte portuguesa, da pré-história ao século XX: a escultura nos séculos XV a XVII'''. Vila Nova de Gaia: Fubu Editores S.A., 2009, p. 132, 133</ref><ref name="Rodrigues" /><ref>Alcoforado, Ana – '''Museu Nacional Machado de Castro'''. Aveleda, Vila do Conde: QuidNovi, 2011, p. 42-43. ISBN 978-989-554-859-0</ref>
 
O seu ''São Miguel Arcanjo'' resume de alguma forma o seu trabalho escultórico. Com um tema e tratamento [[iconografia|iconográfico]] de características [[medieval|medievais]], São Miguel é representado de acordo com a descrição apresentada no [[Velho Testamento]]. Enquanto chefe do Exército Celeste, o arcanjo surge quase sempre com uma armadura, a que aqui se associa um capacete para acentuar a sua dimensão guerreira. "''Mas o tratamento dos panejamentos, a perfeição da figura angélica e a sua cor aberta e solar, acentuada pela disposição raiada e quase sólida dos panejamentos, contrastam com o peso aparente do demónio, escuro e deformado – um diabo feminino –, numa sequência cheia de teatralidade''".<ref name="Pereira" />
 
Originalmente realizada para a Igreja do Colégio de S. Bento, a imagem de Nossa Senhora da Piedade (''[[Pietá]]'') revela até que ponto o trabalho de Frei Cipriano da Cruz se dividiu entre a proximidade relativamente às formulas tradicionais do século XVI, marcadas pelo início da [[contrarreforma]], "''e as exigências formais de uma nova linguagem seiscentista, amplamente [[Barroco|barroca]], em que prevalecem os valores do movimento e do dramatismo e o tratamento monumental dos temas''". Para este escultor, a prioridade prender-se-ia menos com a inventividade do que com a expressividade. Nesta obra, "''a Virgem ergue o rosto para o Céu enquanto Cristo descansa já, lânguido, no seu regaço, num movimento de entrega e fatalidade inéditos na escultura portuguesa. A escala da peça e o tratamento escultórico do pregueado das vestes indicam as novas orientações da escultura sacra, mais virada para a persuasão através dos sentidos''". Sem pôr em causa o caráter convencional da cena, ambas as figuras revelam um acentuado naturalismo. "''É belíssima a expressão da face da Virgem, bem como a modelação, anatomicamente irrepreensível, do corpo do Cristo desfalecido''".<ref name="Pereira" />