Diferenças entre edições de "Pomeranos"

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{{Ver desambig|prefixo=Se procura|os pomeranos de língua eslava|pomeranos (eslavos)}}
 
Os '''pomeranos''' ({{lang-de|''Pommern''}}) são um povo alemão originário da [[Pomerânia]], na região do [[Mar Báltico]], entre as atuais [[Alemanha]] e [[Polônia]].<ref>Thomas Carson, ''Problems of the Postwar World'', READ BOOKS, 2007, p.349, ISBN 1-4067-4703-3, ISBN 978-1-4067-4703-4</ref><ref>Paulus Gijsbertus Johannes Post, P. Post, G. Rouwhorst, L. Van Tongeren, A. Scheer, ''Christian Feast and Festival: The Dynamics of Western Liturgy and Culture'', Peeters Publishers, 2001, p.80, ISBN 90-429-1055-0, ISBN 978-90-429-1055-3</ref> A língua original desse povo é o [[Língua pomerana|pomerano]] mas, desde o século {{séc|XIX}}, o [[Língua alemã|alemão]] também passou a ser usado na Pomerânia.
 
No século {{séc|XIX}}, milhares de pomeranos imigraram, sobretudo para os [[Estados Unidos]] e para o [[Brasil]], onde vivem centenas de milhares de descendentes de pomeranos. Com a derrota alemã na [[Segunda Guerra Mundial]], a maior parte da Pomerânia foi anexada pela Polônia, e a maioria dos alemães que viviam na região foram expulsos e refugiaram-se em outras regiões da Alemanha. Como consequência, a língua pomerana praticamente desapareceu na Europa, e o Brasil é o único país no mundo onde ainda se fala regularmente o pomerano.<ref>[{{Citar web|url=http://midiacidada.org/os-pomeranos-um-povo-sem-estado-finca-suas-raizes-no-brasil/ |título=Os pomeranos: um povo sem Estado finca suas raízes no Brasil]|acessodata=27/11/2015}}
</ref>
 
==Origens==
 
Os primeiros habitantes da Pomerânia foram tribos germânicas que migraram da [[Escandinávia]] antes de {{AC|100 a.C.|x}} No {{AC|século V d.C|x}}, essas tribos germânicas migraram para o leste e encontraram tribos eslavas (wendos[[vendos]]) que colonizavam a região da Pomerânia. Nos séculos XII e XIII, dezenas de milhares de imigrantes chegaram de outras regiões da Alemanha, como [[Renânia]], [[Vestfália]], Niedersachsen[[Baixa Saxônia]], Holstein[[Holsácia]], [[MecklenburgMeclemburgo]] e da [[Holanda]] e colonizaram a Pomerânia, estabelecendo aldeias alemãs entre os habitantes eslavos. Nesse processo, a língua e a cultura alemã dominaram a região e, no século {{séc|XIV}}, os wendosvendos da Pomerânia já haviam desaparecido completamente como resultado dos casamentos mistos.<ref name="pomerania">{{Citar web|url=http://www.genemaas.net/Pommern.htm|título =Pomerania|autor = |ano =|publicado acessodata=27/11/2015}}</ref>
 
No [[século {{séc|XIII]]}}, um grupo de comerciantes falantes do baixo-saxão, ao qual o pomerano pertence, formaram uma aliança mercantil conhecida como [[Liga Hanseática]]. Sua atuação espalhou-se por várias cidades portuárias da região do [[mar Báltico]] e o baixo-saxão tornou-se língua franca regional. Com a decadência da Liga Hanseática, o baixo-saxão perdeu seu status de língua internacional e passou a ser considerado um mero dialeto.<ref>[http://portalypade.mma.gov.br/bblio-pomeranos?download=95:o-pomerano-uma-lingua-baixo-saxonica1 O POMERANO: UMA LÍNGUA BAIXO-SAXÔNICA1]</ref>
 
A Pomerânia, assim como outras regiões alemãs, foi fortemente afetada pela [[reforma protestante]] e a região tornou-se predominantemente [[luteranismo|luterana]]. A [[Guerra dos Trinta Anos]] teve consequências nefastas na Pomerânia, pois cerca de 30% da população morreu. Antes da [[Unificação Alemã]], os pomeranos faziam parte da [[Prússia]].<ref name="pomerania"/>
 
==Imigração==
[[FicheiroImagem:PomerodeSouthGate.jpg|thumb|250px|rifht|A cidade brasileira de [[Pomerode]], fundada por pomeranos no século {{séc|XIX.}}]]
 
No século {{séc|XIX}}, assim como milhões de alemães, 330 mil pomeranos imigraram para os [[Estados Unidos]] e 30 mil para o [[Brasil]]. Nos EUA, eles não formaram comunidades isoladas, porém no Brasil foi possível a criação de comunidades fechadas, uma vez que as colônias teuto-brasileiras normalmente surgiram em regiões inóspitas e pouco habitadas.<ref name="Alemao"> Os Alemães no Sul do Brasil, Editora Ulbra, 2004 (2004)</ref> Atualmente, a língua pomerana é falada em cinco estados brasileiros, sobretudo nos estados do [[Espírito Santo (estado)|Espírito Santo]] (estimados em 120 mil), [[Rio Grande do Sul]] e [[Santa Catarina]]. O Brasil abriga, inclusive, mais falantes de pomerano do que a própria Alemanha, devido à extinção do idioma na Europa.<ref>[http://sites.unicentro.br/wp/lhag/files/2013/10/Beatriz-Hellwig-Neunfeld-e-Gianne-Zanella-Atallah.pdf MENINOS E MENINAS NO REGISTRO DA HISTÓRIA LOCAL: ESTABELECENDO UMA RELAÇÃO DO SEU PASSADO NO SEU PRESENTE]</ref>
 
*Entre 1871 e 1880, 61.700 pomeranos emigraram para a América.<ref name=Piskorski262>Jan M Piskorski, ''Pommern im Wandel der Zeiten'', p.262, ISBN 83-906184-8-6 {{OCLC|43087092}}</ref>
 
==Extinção dos pomeranos na Alemanha==
[[FicheiroImagem:Bundesarchiv Bild 183-1983-0422-315, Umsiedler auf dem Güterbahnhof Berlin-Pankow.jpg|thumb|250px|rifht|Alemães sendo expulsos dos territórios a leste, 1946]]
 
Depois da derrota alemã na [[Segunda Guerra Mundial]], toda a Pomerânia ficou sob controle militar soviético e, posteriormente, a maior parte da Pomerânia foi anexada pela [[Polônia]]. A população alemã que morava a leste da [[linha Oder-Neisse]] foi [[Expulsão dos alemães após a Segunda Guerra Mundial|quase completamente expulsa]], em represália às atrocidades cometidas pelo [[regime nazista]]<ref name="Iw9AAAAIAAJ page 2"/><ref name="Ulf Brunnbauer p.91"/><ref name="EU6"/><ref name="Zybura202">Zybura, p.&nbsp;202</ref> e pelo desejo de se criar Estados mononacionais.<ref name="Iw9AAAAIAAJ page 2">[https://books.google.com/books?id=5Iw9AAAAIAAJ&pg=PA2&dq=expulsion+volksdeutsche&lr=&sig=ACfU3U2zevXuRM3qGFyaKGDTu7Rf3TaJsg#PPA2,M1 Alfred M. de Zayas, ''Nemesis at Potsdam'', p. 2]</ref><ref name="Renata Fritsch-Bournazel 1992, p.77">Fritsch-Bournazel, Renata. ''Europe and German Unification: Germans on the East-West Divide'', 1992, p. 77; ISBN 0-85496-684-6, ISBN 978-0-85496-684-4: The Soviet Union and the new Communist governments of the countries where these Germans had lived tried between 1945 and 1947 to eliminate the problem of minority populations that in the past had formed an obstacle to the development of their own national identity.</ref><ref name="Ulf Brunnbauer p.91">Ulf Brunnbauer, Michael G. Esch & Holm Sundhaussen, ''Definitionsmacht, Utopie, Vergeltung'', p. 91</ref><ref name="Philipp Ther p.155">Philipp Ther & Ana Siljak, ''Redrawing Nations'', p. 155</ref><ref name="Kacowicz102">Arie Marcelo Kacowicz & Paweł Lutomski, Population resettlement in international conflicts: a comparative study, [[Lexington Books]], 2007, p. 102; ISBN 073911607X [http://www.google.de/books?id=ovck_g0xwX0C&pg=PA103&dq=expulsion+germans+poland&lr=&as_brr=3#PPA100,M1 Google.de]</ref><ref name="EU6">Steffen Prauser and Arfon Rees,[http://cadmus.iue.it/dspace/bitstream/1814/2599/1/HEC04-01.pdf ''The Expulsion of "German" Communities from Eastern Europe at the end of the Second World War''], European University Institute, Florence. HEC No.&nbsp;2004/1, p. 6</ref>