Abrir menu principal

Alterações

Sem alteração do tamanho ,  16h40min de 27 de novembro de 2015
corrigir link
Com dois batalhões do Regimento de Infantaria N.º 1, dois batalhões do Regimento de Infantaria N.º 16 e pelo [[Regimento de Caçadores N.º 4]], Saldanha foi integrado na 1.ª Brigada Independente Portuguesa, com um efetivo de 2100 homens, todos portugueses, sob o comando do brigadeiro [[Dennis Pack]]. Com essa Brigada, entrou no [[Combate de Carrion]], travado a 25 de setembro de 1812, na defesa da passagem do [[rio Tormes]], de 8 a 14 de novembro, e no [[Combate de Muñoz]], a 27 de novembro daquele ano. No prosseguimento das operações, participou na [[Batalha de Vitoria]], travada a 21 de junho de 1813, na tomada da aldeia de [[Beasain]], a 24 de junho, na tomada de [[Tolosa (Espanha)|Tolosa]], a 25 de junho, e nos assaltos à praça de [[San Sebastián]], nos dias 25 de julho e 31 de agosto.
 
Depois da [[Batalha dos Pirenéus]], a 1.ª Brigada Independente Portuguesa entrou em França, e na [[Batalha do Nive]], travada a 13 de dezembro de 1813, Saldanha estreou no comando do seu regimento. Tendo dado provas de capacidade de comando, o general [[William Carr Beresford]] confiou-lhe interinamente o comando duma brigada, composta pelo [[Regimento de Infantaria N.º 12]], pelo [[Regimento de Infantaria N.º 21]] e pelo [[Batalhão de Caçadores Nn.º 5]]. Tendo adoecido o general [[Rowland Hill, visconde Hill de Almaraz|Rowland Hill]], comandante doutra brigada, foi ela também entregue ao jovem tenente-coronel Saldanha, que assim, aos 23 anos de idade, foi comandante duma divisão que formou a esquerda do corpo do exército que cercou [[Baiona (França)|Baiona]]<ref name="dic"/>.
 
Terminada a [[Guerra Peninsular]], Saldanha, então um [[tenente-coronel]] com 23 anos de idade, era um dos militares mais condecorados do Exército Português, com as medalhas de ouro das seis campanhas, as medalhas inglesas do Buçaco, de San Sebastián e do Nive, esta última com uma menção especial, e as medalhas espanholas de Vitoria, San Sebastián, Nive e Tolosa. O prestígio daí resultante foi um dos elementos essenciais no lançamento da sua carreira político-militar.
Apesar da operação se ter saldado num fiasco, ainda assim o prestígio de Saldanha não sofreu grande abalo, e com o seu regresso a Londres reassumiu a liderança da ala radical, dentro em pouco fortalecida pelo afluxo de novos emigrados chegados do Porto via Galiza. Este reforço de emigrados, resultado directo da ''Belfastada'' e do sucesso do coronel Pizarro na condução das forças liberais derrotadas até à [[Galiza]], veio reforçar a capacidade dos liberais no exílio influenciarem os governos britânico e francês, países em cujo território se refugiaram e que passaram a ter motivos para activamente procurar uma solução que permitisse o repatriamento dos exilados portugueses. Foi nesse contexto que Saldanha se revelou progressivamente mais influente, embora cada vez mais afastado de D. Pedro de Bragança, que por ele nutria poucas simpatias, o que se reflectiu em escritos publicados por Saldanha.<ref>''Observações sobre a Carta que os membros da Junta do Porto dirigiram a S. M. o Imperador do Brasil em 5 de agosto de 1828''. Paris, 1829; o folheto foi republicado em 1830, acrescentado, com o título de ''A Perfídia desmascarada, ou carta da Junta do Porto a S. M. o Imperador do Brasil, e observações à mesma carta pelo conde de Saldanha, e por outro emigrado'', contendo notas do editor.</ref>
 
Desencadeada a [[Guerra Civil Portuguesa (1828-1834)|Guerra Civil]], Saldanha passou a ser o líder incontestado da esquerda liberal, opondo-se ao domínio de [[Pedro de Sousa Holstein, Duque de Palmela|Pedro de Sousa Holstein, o futuro duque de Palmela]] entre os emigrados. Contudo, a verdadeira relevância de Saldanha foi fruto de um incidente não planeado: a captura por forças navais britânicas da expedição que em finais do ano de 1828 foi organizada em [[Plymouth]], comandada por Saldanha, destinada a socorrer as forças liberais cercadas na [[ilha Terceira]], nos [[Açores]], onde o [[Batalhão de Caçadores Nn.º 5]] se rebelara e impusera a obediência aos liberais.
 
Composta por 650 voluntários recrutados entre os emigrados na Inglaterra, a expedição embarcou nos [[brigue]]s ''Susana'' e ''Lyra'' e nas [[Galé|galera]]s ''Minerva'' e ''Delfins'', navios expressamente fretados para o efeito. A saída da expedição, desarmada por imposição do governo britânico, foi conseguida a muito custo, não ficando claro que o destino final era os Açores, fazendo os britânicos saber que preferiam que os navios se dirigissem ao Brasil. Estas dificuldades, resultantes do equilíbrio diplomático que o governo britânico, chefiado por [[Arthur Wellesley, 1.º Duque de Wellington|Arthur Wellesley, 1.º lorde Wellington]], procurava encontrar no contexto europeu face às pressões da [[Santa Aliança]] e à vontade de manter um relacionamento estável com o governo absolutista de [[Miguel I de Portugal|D. Miguel I]], que ao tempo governava em Lisboa, tinham levado pouco antes o governo britânico a determinar o bloqueio naval da Terceira, não permitindo o rearmamento dos liberais ali instalados. Nesse contexto, quando a 16 de janeiro de 1829 os navios que transportavam as forças comandadas por Saldanha chegaram às imediações da ilha Terceira, onde já se preparavam para desembarcar, foram intercetados duas fragatas [[britânica]]s, sob o comando do [[Comodoro (patente)|comodoro]] [[William Walpole]], que pela força os impediram de se aproximar da ilha.
Foi nessa postura que em 1869, tendo visitado Lisboa, se julgou desconsiderado pelo governo do [[Partido Progressista (Portugal)|Partido Progressista]], ao tempo presidido pelo [[duque de Loulé]]. Resolveu então demonstrar que, apesar dos seus 80 anos de idade, ainda conservava o antigo prestigio junto do Exército que lhe permitia organizar mais um [[pronunciamento]]. Nesse evento terá sido influenciado pelo [[Caetano Gaspar de Almeida Moniz e Sousa|conde de Peniche]] e pelo grupo de revolucionários que o acompanhavam.
 
Assim, num evento que ficaria conhecido pela ''[[Saldanhada]]'', a 19 de maio de 1870 postou-se à frente do [[Batalhão de Caçadores Nn.º 5]] e do [[Regimento de Infantaria N.º 7]] e proclamou a demissão do ministério. O pronunciamento foi um inesperado êxito e apenas a [[Guarda Municipal de Lisboa]] e algumas forças de artilharia e de lanceiros permaneceram fiéis ao governo. Na noite daquele dia, Saldanha dirigiu-se ao [[Palácio da Ajuda]] à frente de uma força do Batalhão de Caçadores, sendo recebido pelo fogo de uma bateria do [[Regimento de Artilharia N.º 3]], que guardava o rei que ali se encontrava.
 
A resistência da artilharia foi correspondido por disparos dos revoltosos, os quais causaram 5 mortos entre os defensores do Palácio, tendo várias balas esmigalhado as vidraças do paço furado os estuques. Apesar do ataque, o governo recusou demitir-se, mas o rei D. [[Luís I de Portugal|Luís I]] ficou aterrado, querendo de imediato pôr termo à contenda. Mandou então chamar o duque de Loulé para lavrar o decreto da demissão dos ministros, mas o duque recusou-se terminantemente a referendar o decreto. Depois de um curto impasse, vendo que o rei se obstinava em não querer resistir, cedeu, e foi reunir-se aos resto do governo para tentarem sufocarem a revolta. Contudo, sem o apoio real, o governo foi obrigado a aceitar o decreto da demissão e Saldanha ficou senhor da situação. A 25 de maio formou um ministério, sem apoio parlamentar, em que entravam D. [[António da Costa]], o [[Caetano Gaspar de Almeida Moniz e Sousa|conde de Peniche]], D. [[Luís da Câmara Leme]], [[José Dias Ferreira]] e o [[conde de Magalhães]], ficando Saldanha com a presidência e as pastas da guerra e dos estrangeiros. Promulgou uma série de reformas, mas, a 29 de agosto do mesmo ano de 1870, um outro golpe levou à queda do ministério.