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=== A dissonância através da história da música ocidental ===
As dissonâncias têm sido entendidas e escutadas de maneiras diferentes nas diversas tradições, culturas, estilos e períodos musicais. Relaxamento e tensão têm sido usados como analogia desde os tempos de [[Aristóteles]] até os nossos dias.<ref>DELONE et. al. 1975. p.&nbsp;290</ref>
 
No início do [[Música Renascentista|Renascimento]], intervalos como, por exemplo, a quarta justa, eram considerados como grandes dissonâncias que deviam ser imediatamente resolvidas. A ''regola delle terze e seste'' ('"regra das terças e sextas"), exigia que as consonâncias imperfeitas fossem resolvidas por uma consonância perfeita de um semi intervalo de segunda maior numa voz e e por um intervalo de segunda maior na outra (Dahlhaus [[1990]], p.&nbsp;179). O Anônimo 13 permitia duas ou três consonâncias imperfeitas, o ''Optima introductio'' três ou quatro e o Anônimo 11 (século XV) quatro ou cinco. Por volta do final do [[século XV]], as consonâncias imperfeitas não eram mais consideradas "sonoridades tensas", mas "sonoridades independentes", como evidenciado pelo argumento de Adam von Fulda, permitindo suas sucessões, conforme registrado por Gerbert (:<ref>vol. 3, página 353).</ref> "Embora os eruditos no passado proibissem todas as seqüências com mais de três ou quatro consonâncias imperfeitas, nós que somos mais modernos, as permitimos" (ibid., página 179).
Relaxamento e tensão têm sido usados como analogia desde os tempos de Aristóteles até os nossos dias (DeLone et. al. 1975, p.&nbsp;290)..
{{quote2|Embora os eruditos no passado proibissem todas as sequências com mais de três ou quatro consonâncias imperfeitas, nós, que somos mais modernos, as permitimos.<ref>ibid., página 179</ref>}}
 
No período que cobre o século XVII até o fim do século XIX, se exigia que toda a dissonância fosse preparada e, em seguida, [[Resolução (música)|resolvida]],<ref>N.T. - Resolução, na [[música tonal]], é a propriedade do som de uma nota ou de um acorde se mover de uma dissonância, ou som instável, para um som mais estável ou concludente, uma consonância (para mais detalhes, ver o verbete [[:en:Reolution (music)]], em inglês).</ref> ocorrendo nos tempos (batidas) fracos e, rapidamente, abrindo para, ou retornando para uma consonância. Havia, também uma diferença entre dissonância [[Harmonia (música)|harmônica]] e [[melodia|melódica]]. Os intervalos de dissonância melódica incluem o [[trítono]] e todos os intervalos aumentados e diminutos. Os intervalos harmônicos dissonantes incluem:
No início do [[Música Renascentista|Renascimento]], intervalos como, por exemplo, a quarta justa, eram considerados como grandes dissonâncias que deviam ser imediatamente resolvidas. A ''regola delle terze e seste'' ('"regra das terças e sextas"), exigia que as consonâncias imperfeitas fossem resolvidas por uma consonância perfeita de um semi intervalo de segunda maior numa voz e e por um intervalo de segunda maior na outra (Dahlhaus [[1990]], p.&nbsp;179). O Anônimo 13 permitia duas ou três consonâncias imperfeitas, o ''Optima introductio'' três ou quatro e o Anônimo 11 (século XV) quatro ou cinco. Por volta do final do século XV as consonâncias imperfeitas não eram mais consideradas "sonoridades tensas", mas "sonoridades independentes", como evidenciado pelo argumento de Adam von Fulda, permitindo suas sucessões, conforme registrado por Gerbert (vol. 3, página 353). "Embora os eruditos no passado proibissem todas as seqüências com mais de três ou quatro consonâncias imperfeitas, nós que somos mais modernos, as permitimos" (ibid., página 179).
 
No período que cobre o século XVII até o fim do século XIX, se exigia que toda a dissonância fosse preparada e, em seguida, [[Resolução (música)|resolvida]],<ref>N.T. - Resolução, na [[música tonal]], é a propriedade do som de uma nota ou de um acorde se mover de uma dissonância, ou som instável, para um som mais estável ou concludente, uma consonância (mais detalhes ver o verbete [[:en:Reolution (music)]], em inglês).</ref> ocorrendo nos tempos(batidas) fracos e rapidamente abrindo para, ou retornando para uma consonância. Havia, também uma diferença entre dissonância [[Harmonia (música)|harmônica]] e [[melodia|melódica]]. Os intervalos de dissonância melódica incluem o [[trítono]] e todos os intervalos aumentados e diminutos. Os intervalos harmônicos dissonantes incluem:
 
* segunda menor e sétima maior; e
* quarta aumentada e quinta diminuta (trítono).
 
Portanto, a história da música ocidental pode ser interpretada como iniciando com uma definição bastante limitada de consonância e progredindo em direção a uma definição cada vez mais ampla. Na história antiga, apenas os intervalos baixos na série de ''sobretons''<ref>DUARTE, Pedro, '''Percepção e Multimédia-A Base Acústica da Escala: A Série Harmónica e Temperamento igual''', http://www.citi.pt/estudos_multi/pedro_duarte/10.html, acesso em 26/03/07.</ref> eram considerados dissonâncias. À medida que se avançava no tempo, mesmo intervalos mais altos na série de ''overtones''sopretons erampassaram a ser considerados consonantes. O resultado final desta corrente de eventos foi, nas palavras de [[Arnold Schönberg]], a ''emancipação da dissonância'' por alguns compositores do [[século XX]]. O compositor americano do início do século XX, [[Henry Cowell]], via o bloco sonoro (''tone clusters'') como o uso de ''overtones''sobretons cada vez mais altos.
 
Apesar desta ideia da progressão histórica da aceitação de níveis cada vez maiores de dissonância ser algo simplificada e excluir desenvolvimentos importantes na história da música ocidental, a ideia geral se mostrou atraente a muitos compositores modernistas do século XX e é considerada uma [[metanarrativa]] do [[Música moderna|modernismo musical]].
 
Exemplo de dissonância modernista:
 
Apesar desta ideia da progressão histórica da aceitação de níveis cada vez maiores de dissonância ser algo simplificada e excluir desenvolvimentos importantes na história da música ocidental, a ideia geral se mostrou atraente a muitos compositores [[Modernismo|modernistas]] do [[século XX]] e é considerada uma [[metanarrativa]] do [[Música moderna|modernismo musical]]. Exemplo de dissonância modernista é o excerto da ''Dança Sacrificial'' da ''[[Le Sacre du Printemps|Sagração da Primavera]]'', de [[Igor Stravinsky]], .
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A ''Sagração da Primavera'' de Igor Stravinsky, excerto da ''Dança Sacrificial''
 
=== A base objetiva (física/fisiológica) da dissonância ===