Docuficção: diferenças entre revisões

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A [[modernidade]] é o motor que levou a docuficção a transpor nova fronteira e entrar em terreno fértil crescendo, num vasto território governado por figuras ambíguas que se confrontam. Umas vezes empatizam, outras vezes zangam-se. Excedem-se em situações extremas.
 
Pela primeira vez, correram mal as coisas com uma triste história: [http://filmow.com/filhos-de-hiroshima-t26321/ Filhos de Hiroshima] (1952), os sobreviventes de uma colossal tragédia, uma história de vingança protagonizada pelo ''Grande Artista'' ([https://en.wikipedia.org/wiki/The_Great_Artiste The Great Artiste]) e pelo ''Mal Necessário'' ([https://en.wikipedia.org/wiki/Necessary_Evil_(aircraft) Necessary Evil]). Uma história de explosões terríveis que implodiram em efeitos [[catarse|catárticos]], em imagens de grande beleza, a preto e branco. Visto isso, uma pessoa terá de submeter-se a esta exigência extrema: é coisa que não pode acontecer.
 
Em estilo diferente e em diferente escala outras se fizeram para gerar menos pathos e um entendimento menos agudo de realidades contemporâneas. Até onde poderão ir? Em que medida certas vaidades de autor ferem os espectadores? Será que esta moda perversa terá futuro? Não muitos filmes destes. Serão muitos os que se seguem? Será que se adaptam às definições modernas? [[Ilustração]] e [[alusão]] ("recording" and "interpretation") <ref>[https://muse.jhu.edu/journals/film_history/summary/v019/19.2donato.html Docufictions: an intervew with Matin Scorsese on documentary film]</ref>são polos opostos em diferentes modos de capturar o real, quer no cinema quer em qualquer outra forma de expressão artística. As técnicas de ilustração são objectivas e implicam fidelidade àquilo que é representado: o [[representante]], o [[significante]]. A alusão representa matéria subjectiva.
 
[[Robert Flaherty]] ilustraria aquilo que filmava com uma estética apelativa capaz de seduzir espectadores ingénuos: selvagens nobres e belos de países longínquos. Fazia isso com imagens fortes ao serviço de produtores gananciosos. Do mesmo modo seduzido por tais encantos, Jean Rouch, mais que tudo um homem de ciência, aventurou-se em tentativas extremas. Servindo-se de lentes neutras, com um sentido bem diferente da poesia, põe-se a filmar pretos em África com o nobre propósito de descobrir que gente eles são. Submete-se ao confronto em duas frentes, cingindo a estética imagens despretensiosas e a estética a princípios estritos, coisa indispensável para fazer surgir a verdade.
As histórias que estes aventureiros contam acerca de tais encontros são crípticas e revelam um paradoxo perturbante que os assedia a todos de várias maneiras e que contagia as audiências. A maior parte deles não são americanos. Não sabemos porquê. São portugueses. Porquê? Ninguém sabe... Uns tantos são iranianos…
 
Em vários países, outros lá vão tentando. Por bons motivos, atrevem-se alguns a ultrapassar os limites em que deveriam manter-se: [[As Mil e uma Noites]], [[Cavalo Dinheiro]] e.g., (sonhos, dramas, paradigmas de um país). Outros, de humor convergente e em idênticas tentativas, sem dar passo atrás, pisam a linha vermelha sem se queimar: [[Taxi]], [[Derivas]] e.g., (autobiografias, comédias, retratos de uma cidade, filmes sem dinheiro, metafilmes <ref>Metacinema é literalmente “cinema sobre cinema” : um filme que deliberadamente se comenta a si próprio enquanto é feito dando a perceber isso ao espectador. (Ver [https://en.wikipedia.org/wiki/Metacinema Metacinema] – Wiki en)</ref> ).
 
== Definições ==
=== docudrama ===
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