Diferenças entre edições de "Calabar: o Elogio da Traição"

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== Sinopse ==
A peça relativiza a posição de [[Domingos Fernandes Calabar]] no episódio histórico em que ele preferiu tomar partido ao lado dos holandeses contra a coroa portuguesa, a quando a [[Insurreição Pernambucana]].
 
Vivia o [[Brasil]] sob a opressão doo regime ditatorial militar de [[Portugal]], fruto da [[Guerra da Restauração]], e era comum o uso das metáforas nas produções artísticas a fim de, por um lado, burlar a censura rigorosa do sistema (sendo popular a figura de [[Armando Falcão]], Ministro da Justiça, encarregado dessa tarefa canhestra) e, por outro, denunciar a situação atualcontemporânea.
 
Chico Buarque foi um mestre no uso dessas figurações: e o episódio histórico do traidor Calabar, comum em todos os livros didáticos como um dos maiores exemplos de perfídia - serviu de mote para justamente questionar a chamada ''versão oficial''.
 
Na peça, DomingoDomingos Calabar passa de comerciante que visava o lucro e que, por isto, traíra os portugueses e colonos brasileiros - para um quase herói, que tinha por objetivo não o ganho pessoal, mas o melhor para o povo brasileiro (na verdade um conceito ainda inexistente, no [[século XVII]]).
 
A intenção dos autores, porém, não era denunciar um erro histórico, nem tinha a pretensão de promover uma revisão: o alvo era, justamente, o próprio regime militar, sua censura, os veículos de comunicação que, engessados pelas versões dos fatos sempre acordes com o sistema, passavam ao povo imagens que precisavam ser questionadas em sua veracidade.
 
== Iniciativa ousada ==
''Calabar: o elogio da traição'', foi escrita no final de 1973, em parceria com o cineasta [[Ruy Guerra]] e dirigida por [[Fernando Peixoto]].
Era uma das mais caras produções teatrais da época, custou cerca de trinta mil [[dólar]]es e empregava mais de oitenta pessoas.
 
== A peça e a ditadura ==
A [[censura]] do [[Ditadura militar no Brasil|regime militar]] deveria aprovar e liberar a obra em um ensaio especialmente dedicado a isso. Depois de toda a montagem pronta e da primeira liberação do texto, veio a espera pela aprovação final. Foram três meses de expectativa e, em [[20 de outubro]] de [[1974]], o general [[Antônio Bandeira]], da [[Polícia Federal]], sem motivo aparente, proibiu a peça, proibiu o nome Calabar do título e proibiu que a proibição fosse divulgada.
 
O prejuízo para os autores e para o ator [[Fernando Torres (ator)|Fernando Torres]], produtores da montagem, foi enorme.
 
Seis anos mais tarde, uma nova montagem estrearia, desta vez, liberada pela [[censura]].
 
== O livro ==
[[Categoria:Peças de teatro de Chico Buarque]]
[[Categoria:Insurreição Pernambucana]]
[[Categoria:Livros de 1994]]