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== Biografia ==
=== Infância e juventude ===
Manuel de Arriaga nasceu na ''casa do Arco'', na freguesia da [[Matriz (Horta)|Matriz]], cidade da [[Horta]], [[ilha do Faial]], filho de [[Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira]] e de sua esposa Maria Cristina Pardal Ramos Caldeira. Pertencente à melhor sociedade faialense, o pai era um dos mais ricos comerciantes da cidade, último administrador do morgadio familiar e grande proprietário. A família, com pretensões aristocráticas, traçava as suas origens até ao flamengo [[Joss van Aard]], um dos povoadores iniciais da ilha. Foi neto do general [[Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira]], que se distinguira na [[Guerra Peninsular]], e sobrinho-neto do desembargador [[Manuel José de Arriaga|Manuel José de Arriaga Brum da Silveira]], que em 1821 e 1822 fora deputado pelos Açores às [[Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa]].<ref name="biografico">Maria Filomena Mónica, ''Dicionário Biográfico Parlamentar (18134-1910)'', volume III, pp. 749-753. Lisboa: Assembleia da República, 2006 (ISBN 972-671-167-3).</ref>
 
Esta adesão ao ideário republicano, então considerado subversivo, levou a que o pai, [[monárquico]] [[conservadorismo|conservador]] com laivos [[miguelistas]], cortasse relações com o filho, proibindo-lhe o regresso a casa. Nessas circunstâncias foi obrigado a trabalhar para sustentar os seus estudos, e os do irmão, igualmente proscrito pelo pai por adesão a ideologias subversivas. Leccionava [[língua inglesa|inglês]] como professor particular, aproveitando os bons conhecimentos daquela língua que adquirira na Horta com a preceptora americana contratada pela sua família.<ref name="harmonias"/> O seu irmão escrevia em diversos jornais de Coimbra e de Lisboa, vindo a revelar-se um [[polígrafo]] de mérito.
 
=== Carreira profissional ===
Formou-se no ano de [[1865]] e no ano seguinte abriu escritório de advogado em [[Lisboa]], cidade onde se fixou. Tentou então ingressar na docência do ensino superior e nesse ano de [[1866]] concorreu, sem êxito, a um lugar de professor da 10.ª cadeira da [[Escola Politécnica de Lisboa]]. Não tendo conseguido ingressar na docência, rapidamente se notabilizou como advogado, ganhando uma carteira de clientes que lhe permitia segurança financeira e os meios para ajudar o irmão a terminar os seus estudos.
 
 
[[Ficheiro:Manuel de Arriaga - António Maria Serra (April 1882).png|thumb|200px|Manuel de Arriaga em 1882, por volta da altura em que foi eleito deputado republicano]]
=== Deputado republicano ===
Em 26 de Novembro de 1882, numas eleições suplementares, foi finalmente eleito deputado republicano pelo círculo da [[Região Autónoma da Madeira|Madeira]]. A vitória eleitoral deveu-se a um conjunto de circunstâncias que beneficiaram a sua candidatura: apresentara-se a convite de uma comissão de comerciantes e industriais funchalenses, desiludidos com os partidos do ''[[rotativismo]]'', beneficiando da ausência de um candidato do [[Partido Regenerador]]. Ainda assim, teve de se submeter a segunda volta, pois quase empatara contra [[Anselmo José Braamcamp]], o líder do [[Partido Progressista (Portugal)|Partido Progressista]], mas com a desistência deste venceu folgadamente com 2650 votos, 60,9% do total dos votos expressos.<ref name="biografico"/> Foi proclamado deputado a [[8 de Janeiro]] de [[1883]], prestando juramento dois dias depois. Foi o segundo republicano a tomar assento no parlamento português, juntando-se no parlamento a [[José Elias Garcia]], que ali tinha assento desde 1881.
 
Apesar da forte actividade e da pertinência das suas intervenções parlamentares, desencantou-se com a actividade parlamentar, declarando, no termo do mandato que não voltaria às Cortes ''enquanto novas leis ou melhores condições não investissem os representante do povo de melhores garantias''.<ref name="biografico"/> Desencantado com a política, dedicou-se gradualmente às suas obras literárias, com forte pendor filosófico, publicando, entre 1899 e 1907, dois livros de poesia e um de prosa.
 
=== Implantação da República ===
Após a [[implantação da República Portuguesa]], a [[17 de Outubro]] de [[1910]] foi nomeado reitor da [[Universidade de Coimbra]], tendo como vice-reitor [[Sidónio Pais]], outro vulto do republicanismo português. A nomeação foi feita por [[António José de Almeida]], que perante a necessidade de restabelecer a ordem_presidente na Universidade, onde estudantes republicanos entraram nas instalações do Senado e praticaram actos de vandalismo, o convidou para reitor e lhe foi dar posse a 17 de Outubro de 1910, em cerimónia sem aparato académico, mas que bastou para serenar os ânimos estudantis.<ref>Joaquim Veríssimo Serrão, ''História de Portugal'', volume XII, p.320</ref> Pouco depois, a 17 de Novembro de 1910, foi nomeado [[Procurador-Geral da República]].
 
[[Ficheiro:Manuel Jose de Arriaga.jpg|thumb|left|300px|Cartaz comemorativo da eleição de Manuel de Arriaga.]]
A 28 de Abril de 1911 foi eleito novamente deputado constituinte pelo círculo da Madeira. Na [[Assembleia Nacional Constituinte]] revelou-se um orador notável, tendo muitos dos seus discursos dado um impulso não negligenciável à causa republicana. Não partilhava, porém, o [[anticlericalismo]] próprio dos primeiros republicanos portugueses.
 
=== Presidente da República ===
[[Ficheiro:Manuel Jose de Arriaga.jpg|thumb|left|300px250px|Cartaz comemorativo da eleição de Manuel de Arriaga.]]
Perante um [[Partido Republicano Português]] dividido em facções crescentemente radicalizadas, a 24 de Agosto de 1911 foi eleito Presidente da República Portuguesa, por proposta de [[António José de Almeida]]. Sem o apoio da facção dos ''democráticos'' de [[Afonso Costa]], recolheu 121 votos em 217, tendo como apoiantes toda a ala moderada do republicanismo português. Com 71 anos de idade, foi o primeiro Chefe do Estado eleito do novo regime.
 
 
[[Ficheiro:Funeral de Manuel de Arriaga, saíndo da sua residência na rua São Francisco de Paula, e desde 1920, rua Presidente Arriaga.png|thumb|right|250px|Funeral de Manuel de Arriaga, saindo da sua residência na rua de São Francisco de Paula (hoje, Rua Presidente Arriaga).]]
=== Morte ===
Morreu em Lisboa a [[5 de Março]] de [[1917]], dois anos depois de ter abandonado a Presidência da República. Foi sepultado em jazigo de família no [[Cemitério dos Prazeres]]. Em cumprimento da decisão votada por unanimidade pela [[Assembleia da República (Portugal)|Assembleia da República]], constante da [http://dre.pt/pdf1s%5C2003%5C06%5C129A00%5C33523352.pdf Resolução da Assembleia da República n.º 49/2003, de 4 de Junho], foi trasladado para o [[Panteão Nacional]] da Igreja de Santa Engrácia.<ref>Em Novembro de 2001, numa cerimónia de homenagem ao poeta [[Pedro da Silveira]] na Casa dos Açores, em Lisboa, o Presidente do Governo dos Açores, [[Carlos César]], referindo-se ao Doutor Manuel de Arriaga, afirmou que ''pesa ainda a injustiça de não estar sepultado ao lado de outros no Panteão Nacional, ideia para a qual a nossa Casa dos Açores em Lisboa poderia iniciar o movimento para a sua concretização''. Com a colaboração dos deputados açorianos, da Câmara Municipal da Horta e da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta, foi apresentada a respectiva proposta, aprovada por unanimidade.</ref> A cerimónia solene de trasladação ocorreu a [[16 de Setembro]] de [[2004]], com a presença do Presidente da República, do Primeiro Ministro e das mais altas individualidades do Estado Português.<ref>{{citar web |url=http://www.ps.parlamento.pt/?menu=actualidade&id=813 |publicado=Ps.parlamento.pt |autor= |obra=[[Assembleia da República]] |título=Honras de Panteão para Manuel de Arriaga |data= |acessodata= }}</ref>
 
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