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'''Cepticismo'''<ref>{{citar web|url=http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=lemma&lemma=90451|título=cepticismo|autor=[[Instituto de Linguística Teórica e Computacional|ILTEC]]|data=|publicado=[[Portal da Língua Portuguesa]]|acessodata=[[27/10/2013]]}}</ref> ou''' ceticismo''' é qualquer atitude de questionamento para o conhecimento, fatos, opiniões ou crenças estabelecidas como fatos.<ref>R. H. Popkin, ''The History of Skepticism from Erasmus to Descartes'' (rev. ed. 1968); C. L. Stough, Greek Skepticism (1969); M. Burnyeat, ed., The Skeptical Tradition (1983); B. Stroud, The Significance of Philosophical Skepticism (1984). [http://encyclopedia2.thefreedictionary.com/Skeptikoi Encyclopedia2.thefreedictionary.com]</ref> Filosoficamente, é a doutrina da qual a mente humana não pode atingir nenhuma [[certeza]] a respeito da [[verdade]].<ref>{{cite book|title=Dicionário UNESP do português contemporâneo|url=http://books.google.com/books?id=RFrCN3hCsHoC&pg=PA267|year=2004|publisher=UNESP|isbn=978-85-7139-576-3|page=267}}</ref>
 
O [[ceticismo filosófico]] é uma abordagem global que requer todas as informações suportadas pela evidência.<ref>"O ceticismo filosófico deve ser distinguido do ceticismo comum, onde as dúvidas são levantadas contra certas crenças ou tipos de crenças, porque a evidência para a crença particular ou tipo de crença é fraco ou em falta ..." [http://www.skepdic.com/skepticism.html Skepdic.com]</ref> O ceticismo filosófico clássico deriva da ''Skeptikoi'', uma escola que "nada afirma". <ref> Liddell e Scott</ref> Adeptos de [[pirronismo]], por exemplo, suspenderam o julgamento em investigações.<ref>Sextus Empiricus, ''Outlines Of Pyrrhonism,'' Trad. por R. G. Bury, [[Harvard University Press]], Cambridge, Massachusetts, 1933, p. 21</ref> Os céticos podem até duvidar da confiabilidade de seus próprios sentidos.<ref>"...as duas formas mais influentes do ceticismo foram o ceticismo epistemológico radical dos céticos pirrônicos clássicos e a forma cartesiana do ceticismo epistemológico radical" [http://www.utm.edu/research/iep/s/skepcont.htm UTM.edu]</ref> O ceticismo religioso, por outro lado é "a dúvida sobre princípios religiosos básicos (como a imortalidade, a providência e a revelação)".<ref>Merriam–Webster</ref>
 
==História==
===Antiguidade===
{{Artigo principal|Ceticismo filosófico|Pirro}}
O ceticismo filosófico se manifestou na [[Grécia]] clássica, aparentemente um de seus primeiros proponentes foi [[Pirro de Élis|Pirro de Elis]] (360-275 a.C.) que estudou na [[Índia]] e defendia a adoção de um "ceticismo prático". [[Carneades]] discutiu o tema de maneira mais minuciosa e contrariando os [[estoico]]s, dizia que a certeza no conhecimento, seria impossível. Sexto Empírico (200 a.C.) é tido como a autoridade maior do ceticismo grego.<ref name="Hegenberg">{{cite book|author=Leonidas Hegenberg|title=Filosofia moral v. 2: Metaética|url=http://books.google.com/books?id=LViWTyXOyykC&pg=PA79|publisher=Editora E-papers|isbn=978-85-7650-261-6|page=79}}</ref> Mesmo atualmente o ceticismo filosófico costuma ser confundido com o ceticismo vulgar e com aquilo que a tradição cética denominou de "dogmatismo negativo". Nada mais está tão em desacordo com o espírito do ceticismo do que a reivindicação de quaisquer certezas, seja as positivas ou as negativas. <ref name="Guerreiro1999">{{cite book|author=Mario A. L. Guerreiro|title=Ceticismo ou senso comum?|url=http://books.google.com/books?id=-ohU24MohqkC&pg=PA233|year=1999|publisher=EDIPUCRS|isbn=978-85-7430-083-2|page=233}}</ref><ref>"Não deve ser confundido com discordância de opiniões, embora o cético discorde daquele que afirma saber algo, a discordância pode existir sem o menor vestígio de ceticismo."{{cite book|author=PAULO AUGUSTO SEIFERT|title=Epistemologia Das Ciências Sociais|url=http://books.google.com/books?id=4bAsluYd2zwC|publisher=IESDE BRASIL SA|isbn=978-85-7638-761-9}}</ref>
 
Na [[Filosofia islâmica]], o ceticismo foi estabelecido por [[Al-Ghazali]] (1058–1111), conhecido no Ocidente como "Algazel", era parte da ''Ash'ari'', a escola de teologia islâmica, cujo método de ceticismo compartilha muitas semelhanças com o método de [[René Descartes]].<ref name=Najm>{{citation|title=The Place and Function of Doubt in the Philosophies of Descartes and Al-Ghazali|first=Sami M.|last=Najm|journal=Philosophy East and West|volume=16|issue=3–4|date=July–October 1966|pages=133–141|doi=10.2307/1397536|publisher=Philosophy East and West, Vol. 16, No. 3/4|jstor=1397536}} {{en}}</ref>
Os céticos são freqüentemente confundidos com, ou até mesmo apontados como, [[cinismo|cínicos]].<ref>[http://scientium.com/diagon_alley/commentary/editorial_concourse/mcnamara/cynical.htm McNamara, Michael ''Skepticism vs. Cynicism'']</ref> Porém, o [[criticismo]] cético válido (em oposição a dúvidas arbitrárias ou subjetivas sobre uma ideia) origina-se de um exame objetivo e metodológico que geralmente é consenso entre os céticos. Note também que o [[cinismo]] é geralmente tido como um ponto de vista que mantém uma atitude negativa desnecessária acerca dos motivos humanos e da sinceridade. Apesar de as duas posições não serem mutuamente exclusivas, céticos também podem ser cínicos, cada um deles representa uma afirmação fundamentalmente diferente sobre a natureza do mundo.
 
Os céticos científicos constantemente recebem também, acusações de terem a "mente fechada" <ref name="victorzammit.com">[http://www.victorzammit.com/book/chapter26.html Zammit, Victor ''Answering the closed-minded skeptics'']</ref> ou de inibirem o progresso científico devido às suas exigências de [[evidência]]s [[método científico|cientificamente]] válidas. Eles se defendem argumentando que tais críticas são, em sua maioria, provenientes de adeptos de [[pseudociência|pseudociências]]s como [[homeopatia]], [[reiki]], [[paranormal]]idade e [[espiritualismo]],<ref name="victorzammit.com"/><ref>Seavey, Todd ''Energy, homeopathy, and hypnosis in Santa Fe: skeptics get called closed-minded. As an experiment, why not immerse oneself in the mindset and environs of the believers? Santa Fe, New Mexico, is an easy place to do it'' [http://findarticles.com/p/articles/mi_m2843/is_5_27/ai_108114814]</ref><ref>[http://www.ufoevidence.org/topics/SkepticsAnalysis.htm UFO Evidence ''Skeptics and Their Arguments'']</ref><ref>[http://www.bbc.co.uk/science/horizon/2002/homeopathy.shtml BBC ''Homeopathy: The Test'']</ref> cujas visões não são adotadas ou suportadas pela [[ciência]]. Segundo [[Carl Sagan]], cético e [[astronomia|astrônomo]], "você deve manter sua mente aberta, mas não tão aberta que o cérebro caia", e ele também afirmava que "o primeiro [[vicio]] da humanidade foi a [[fé]] e a primeira [[virtude]] foi o ceticismo".
 
A necessidade de evidências cientificamente adequadas como suporte a teorias é mais evidente na área da [[saúde]], onde utilizar uma técnica sem a avaliação científica dos seus riscos e benefícios pode levar a piora da [[doença]], gastos financeiros desnecessários e abandono de técnicas comprovadamente eficazes. Por esse motivo, no [[Brasil]] é vedado aos [[médico]]s a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica.<ref>[http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/1998/1499_1998.htm Resolução CFM nº 1.499/98]</ref>
{{Ver artigo principal|[[Desenganador]]}}
 
Um [[desenganador]] (em inglês: ''debunker'') é um cético engajado no combate a [[charlatanismo|charlatões]] e ideias que, na sua visão, são falsas e não científicas.
 
Alguns dos mais famosos são: [[James Randi]], [[Basava Premanand]], [[Penn e Teller]] e [[Harry Houdini]]. <ref>Randi, James ''Why I Deny Religion, How Silly and Fantastic It Is, and Why I'm a Dedicated and Vociferous Bright.'' [http://www.randi.org/jr/072503.html]</ref><ref> James, Randi '''The Faith Healers''', Prometheus Books, 1989</ref><ref>Shermer, Michael '''Why People Believe Weird Things: Pseudoscience, Superstition, and Other Confusions of Our Time''' Owl Books, 2002</ref><ref>Randi, James '''Flim-Flam! Psychics, ESP, Unicorns, and Other Delusions''' Prometheus Books, 1982</ref><ref>Taylor, Troy ''HOUDINI! Master Magician, Debunker & Psychic Investigator.'' [http://www.prairieghosts.com/houdini.html]</ref>
 
Religiosos contrários aos grupos de céticos desenganadores dizem que suas conclusões estão cheias de interesse próprio e que nada mais são que novos movimentos de [[cruzada]]s de crentes <ref>Zeilberger, Doron ''Be Skeptical of Skeptics and be Optimistic about Optimism'' [http://www.math.rutgers.edu/~zeilberg/Opinion38.html]</ref><ref>[http://reannotated.blogspot.com/2005/08/these-are-generations-genesis-overview.html Brucker ''Annotated Skeptic's Annotated Bible'']</ref> com a necessidade de assim se afirmarem.
 
Religiosos contrários aos grupos de céticos desenganadores dizem que suas conclusões estão cheias de interesse próprio e que nada mais são que novos movimentos de [[cruzada]]s de crentes <ref>Zeilberger, Doron ''Be Skeptical of Skeptics and be Optimistic about Optimism'' [http://www.math.rutgers.edu/~zeilberg/Opinion38.html]</ref><ref>[http://reannotated.blogspot.com/2005/08/these-are-generations-genesis-overview.html Brucker ''Annotated Skeptic's Annotated Bible'']</ref> com a necessidade de assim se afirmarem.
 
== Pseudo-ceticismo ==
* Uso de [[Argumentum ad hominem|ataques pessoais]].
* A apresentação de [[evidência]]s insuficientes.
* A tentativa de desqualificar proponentes de novas idéiasideias taxando-os pejorativamente de '[[pseudociência|pseudo-cientistas]]', 'promotores' ou 'praticantes de ciência patológica'.
* A apresentação de contra-provas não fundamentadas ou baseadas apenas em plausibilidade, ao invés de se basearem em evidências.
* A sugestão de que evidências inconvincentes são suficientes para se assumir que uma [[teoria]] é falsa.
== Ceticismo como inércia ==
A ciência moderna é baseada no ceticismo. Por um lado, a ciência deve estar sempre aberta a novas ideias (por mais estranhas que pareçam), desde que apoiadas em evidências científicas, mas deve fazê-lo de forma que sejam sempre devidamente escrutinadas, de modo a assegurar a veracidade de suas implicações e resultados. Sempre que uma nova hipótese é formulada ou uma nova alegação é realizada, toda a comunidade científica se mobiliza de modo a comprovar sua viabilidade teórica e prática. Como em qualquer outro plano, quanto mais incomuns forem as novas ideias e invenções, mais resistência tendem a enfrentar durante seu escrutínio por meio do [[método científico]].
Uma consequência disso é que vários cientistas através da história, ao apresentarem suas idéiasideias, foram inicialmente recebidos com alegações de fraude por colegas que não desejavam ou não eram capazes de aceitar algo que requereria uma mudança em seus pontos de vista estabelecidos. Por exemplo, [[Michael Faraday]] foi chamado de charlatão por seus contemporâneos quando disse que podia gerar uma [[corrente elétrica]] simplesmente movendo um [[ímã]] por uma bobina de fio.{{carece de fontes}}
 
Em Janeiro de 1905, mais de um ano após [[Irmãos Wright|Wilbur e Orville Wright]] terem feito o seu histórico primeiro vôovoo em [[:en:Kitty Hawk|Kitty Hawk]] (em 17 de Dezembro de 1903), a revista [[Scientific American]] publicou um artigo ridicularizando o vôovoo dos Wright. Com assombrosa autoridade, a revista citou como principal razão para questionar os Wright o fato de a imprensa americana ter falhado em cobrir o vôovoo.<ref>Schlenoff, Daniel C. ''The Equivocal Success of the Wright Brothers'', Scientific American, Dezembro de 2003 [http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=000E2A9A-2E05-1FA8-AE0583414B7F0000]</ref> Outros a se juntarem ao movimento cético foram o [[:en:New York Herald|New York Herald]], o [[Exército dos Estados Unidos da América|Exército Americano]] e inúmeros cientistas americanos. Somente quando o presidente [[Theodore Roosevelt]] ordenou tentativas públicas no [[:en:Fort Myers|Forte Mayers]], em 1908, após o voo do [[14-bis]] de [[Alberto Santos Dumont]], numa aeronave aprimorada, os irmãos Wright comprovaram suas afirmações e compeliram até os céticos mais zelosos a aceitarem a realidade das máquinas voadoras mais pesadas que o ar. Na verdade, os irmãos Wright foram bem sucedidos em demonstrações públicas do voo de sua máquina cinco anos antes do voo histórico {{carece de fontes}}. Nesse contexto, embora o voo dos irmãos Wright, mesmo não calando os céticos, tenha sido talvez o primeiro onde uma nave mais pesada do que o ar alçou voo, o primeiro voo de uma máquina capaz de alçar voo totalmente por conta própria, sem ajuda de catapultas, é contudo corretamente creditado a Santos Dumont, esse devidamente registrado e documentado.
 
A maioria das invenções revolucionárias modernas, como o [[microscópio de corrente de tunelamento]], que foi inventado em 1981, ainda encontram intenso ceticismo e até mesmo ridículo quando são anunciados pela primeira vez. Como físico, [[Max Planck]] observou em seu livro "The Philosophy of Physics" [A Filosofia da Física], de 1936: "uma importante inovação científica raramente faz seu caminho vencendo gradualmente e convertendo seus oponentes: raramente acontece que 'Saulo' se torne 'Paulo'. O que realmente acontece é que os seus oponentes morrem gradualmente e a geração que cresce está familiarizada com a ideia desde o início".
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