Diferenças entre edições de "Xalimego"

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[[Ficheiro:Nome Lagarteiro.JPG|thumb|direita|250px|Placa toponímica em [[Eljas]]]]
[[Ficheiro:Cartel San Martin.jpg|thumb|direita|250px|Placa escrita em castelhano e na fala, em baixo, em [[San Martín de Trevejo|São Martinho de Trebelho]]]]
A '''fala da Estremadura''' ou '''fala de Xálima'''<ref name=":0">{{Citar web|url=http://www.proel.org/index.php?pagina=lenguas/fala|titulo=Promotora Española de Lingüística|acessodata=2016-04-23|obra=www.proel.org}}</ref> é uma [[variedade linguística]] do [[galaico-português]]<ref name=":0" /><ref name=":1">GONZÁLEZ, Juan María Carrasco. Evolución de las hablas fronterizas luso-extremeñas desde mediados del siglo XX: uso y pervivencia del dialecto. ''Revista de estudios extremeños'', 2006, vol. 62, no 2, p. 623-633.</ref><ref name=":2">Costas González X.H., ''Notas socio-lingüísticas sobre os falares 'galegos' da Riberia Trebellan (Cáceres)''. A Trabe de ouro, 11, 1992).</ref><ref name=":3">{{Citar web|url=http://www.eldiario.es/eldiarioex/sociedad/Fala-Sierra-Gata-ortografia-mantenerse_0_422058596.html|titulo=La Fala, la lengua que conserva Sierra de Gata, busca unificar su ortografía para mantenerse viva|acessodata=2016-04-23|obra=eldiario.es}}</ref> usada por cerca de {{fmtn|10500}} pessoas na parte mais ocidental da {{il-suf|província|de|Cáceres}}, na [[Espanha]], junto à [[A Raia|fronteira]] [[Portugal|portuguesa]].<ref name=":0" /><ref name=":4">{{Citar web|url=http://www.hoy.es/extremadura/201406/21/fala-pone-moda-20140621203449.html|titulo=A fala se pone de moda|acessodata=2016-04-23|obra=Hoy.es|lingua=es-ES}}</ref><ref>SÁNCHEZ-ÉLEZ, Mª V. Navas. La frontera lingüística hispano-portuguesa. Estado de la cuestión. ''Madrygal. Revista de Estudios Gallegos'', 1998, vol. 1, p. 83-90.</ref>
A '''fala da Estremadura''' ou '''fala de Xálima''' é uma [[variedade linguística]] do [[galaico-português]] usada por cerca de {{fmtn|10500}} pessoas na parte mais ocidental da {{il-suf|província|de|Cáceres}}, na [[Espanha]], junto à [[A Raia|fronteira]] [[Portugal|portuguesa]].
 
É utilizada numa área conhecida por vale de Xálima ou vale do rio Ellas (o Eljas), no noroeste da província de Cáceres, na região espanhola da [[Estremadura (Espanha)|Estremadura]].<ref name=":0" /><ref>Gargallo Gil, J.E., ''San Martín de Trevejo. Eljas (As Eljas) y Valverde del Fresno: una encrucijada lingüística en tierras de Extremadura.''</ref> Foi declarada [[Bem de Interesse Cultural (Espanha)|Bem de Interesse Cultural]] pela administração da Estremadura em [[20 de março]] de [[2001]]. Recentemente um grupo de expertos elaborou uma proposta de ortografia basada na portuguesa.<ref name=":3" />
 
É também conhecida por '''galego da Estremadura'''<ref name=":2" /><ref name=":4" /> e por '''valego'''<ref name="freietall">cfr. págs. 83 a 102 de FERNÁNDEZ REI (1999)</ref>
 
Tradicionalmente, não existe um nome único que abranja as três variantes que se falam em cada um dos três concelhos do vale. Os nomes populares são:
* o '''Manhego''' (''mañegu'', na sua fala), falado em [[San Martín de Trevejo|São MartinhoMartim de TrebelhoTrevelho]];<ref name=":0" /><ref name=":3" />
* o '''Valverdeiro''' (''valverdeiru'', na sua fala), falado em [[Valverde del Fresno|Valverde do Fresno]];<ref name=":0" /><ref name=":3" />
* o '''Lagarteiro''' (''lagarteiru'', na sua fala), falado nas [[Eljas|ElasElhas]].<ref name=":0" /><ref name=":3" />
 
Segundo alguns filólogos, existe uma forte relação entre estas falas e os dialectos portugueses falados no Concelho do [[Sabugal]], em [[Portugal]].<ref name=":1" />
 
== Falantes ==
No vale, existem cerca de cinco mil falantes destas três variantes.<ref name=":0" /> Como consequência da emigração, existem à volta de trêscinco mil naturais da região que vivem fora e que mantêm o uso familiar da língua.<ref name=":0" /><ref name=":1" /> Regressam no verão, reforçando a utilização do idioma.<ref name=":0" /><ref name=":1" />
 
A fala é a língua habitual da população, com a excepção dos funcionários do estado, da polícia e de outras pessoas vindas de fora do vale. Não há perda linguística com as gerações mais novas, ainda que Valverde se possa dizer ser o concelho mais castelhanizado. A partir de 1960, o número de castelhanismos na língua falada aumentou progressivamente, devido à escola, ao serviço militar e aos meios de comunicação.
[[Clarinda de Azevedo]] também se refere a esta repovoação, afirmando a sua relação com um galaico-português arcaico e portanto maior proximidade com o Galego actual. [[José Luis Martín Galindo]] crê que as falas são anteriores a uma possível repovoação galega, mas esta tese não conquistou muitos partidários.
 
Xosé Henrique Costas González nos seus estudos afirma a galeguidade<ref name=":5">{{Citar web|url=http://www.elperiodicoextremadura.com/noticias/extremadura/en-valle-xalima-no-hablamos-gallego_235106.html|titulo='En el Valle de Xálima no hablamos gallego'|acessodata=2016-04-23|obra=El Periódico Extremadura}}</ref> destas falas estabelecendo a sua origem na repovoação por galegos nos séculos XII e XIII e a interferência de leonesismos<ref name=":5" /> como consequência dum longo contacto com o [[leonês]]. A existência de palavras galegas na [[Serra de Gata]] e no sudoeste de [[Salamanca]] poderia indicar que a extensão da fala na [[Idade Média]] tivesse sido maior do que na actualidade. Frías Conde também se mostra partidário da galeguidade destas falas. [[José Enrique Gargallo Gil]] fala de um galego-português fronteiriço e arcaizante, admitindo uma maior vinculação com o galego de que com o português. [[Juan Manuel Carrasco González]] classifica a fala como a terceira variedade do galego-português.
 
No ano de 1999, celebrou-se um congresso sobre a Fala, com a intervenção dos principais investigadores.
 
== Sondagens sociolinguísticas ==
Em [[1992]], uma sondagem realizada por José Enrique Gargallo Gil<ref>GIL, José Enrique Gargallo. Gallego-portugués, iberorromance: la" fala" en su contexto románico peninsular. ''Limite: Revista de Estudios Portugueses y de la Lusofonía'', 2007, no 1, p. 31-49.</ref> (professor da Universidade de Barcelona) a alunos falantes da fala revelou os seguintes dados, relativamente ao uso do Castelhano no seio familiar:
* 4 dos 29 entrevistados de [[San Martín de Trevejo|São MartinhoMartim de TrebelhoTrevelho]] usam o Castelhanocastelhano quando falam com a família
* em [[Eljas|ElasElhas]], o número desce para apenas 3, em 54 entrevistados
* em [[Valverde del Fresno|Valverde]], 25 de 125 entrevistados usa o Castelhano neste contexto
 
* '''Dialecto do Português''': 20%
* '''Língua autónoma''': 67%
Deve salientar-se que na referida sondagem participaram apenas 20 pessoas, num total de 960 habitantes, não existindo a hipótese de responder "Galego" ou "variante do Galego". A ausência destas opções era lógica na altura, dado que as teorias da possível relação com o Galegogalego eram recentes.
 
Em 1994, um novo estudo indica que 80% dos entrevistados aprendeu a falar Castelhano na escola, sendo a percentagem do uso da fala na família como se segue:
* 73% em [[Valverde del Fresno|Valverde]]
==Amostra de texto==
{| class="wikitable"
De fel u ben, nun temus que sansalmus nunca; ya chegará u día que arrecollamus u que hemus sembráu.
!Língua
!Amostra
|-
|Xalimego
|De fel u ben, nun temus que sansalmus nunca; ya chegará u día que arrecollamus u que hemus sembráu.
|-
''|Português''
|De fazer o bem, nunca devemostemos de nos cansar,; e viráchegará o dia em que colheremosrecolheremos ao que semeadurasemeamos.
|-
|Galego
|De facer o ben, nunca temos de cansarnos; xa chegará o día que recolleremos o que semeamos.
|}
 
''Português''
 
De fazer o bem, nunca devemos nos cansar, e virá o dia em que colheremos a semeadura.
== {{Bibliografia}} ==
* {{Citar livro
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