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Provavelmente se tivesse permanecido em Portugal, como um poeta cortesão, jamais teria atingido a maestria da sua arte. As experiências que acumulou como soldado e navegador enriqueceram sobremaneira a sua visão de mundo e excitaram o seu talento. Através delas conseguiu livrar-se das limitações formais da poesia cortesã e as dificuldades por que passou, a profunda angústia do exílio, a saudade da pátria, impregnaram indelevelmente o seu espírito e comunicaram-se à sua obra, e dali influenciaram de maneira marcante as gerações seguintes de escritores portugueses. Os seus melhores poemas brilham exatamente pelo que há de genuíno no sofrimento expresso e na honestidade dessa expressão, e este é um dos motivos principais que colocam a sua poesia em um patamar tão alto.<ref name="Britannica"/>
 
As suas fontes foram inúmeras. Dominava o [[latim]] e o [[língua espanhola|espanhol]], e demonstrou possuir um sólido conhecimento da [[Mitologia grega|mitologia greco-romana]], da história antiga e moderna da Europa, dos cronistas portugueses e da [[literatura clássica]], destacando-se autores como [[Ovídio]], [[Xenofonte]], [[Lucano]], [[Caio Valério Flaco (poeta)|Valério Flaco]], [[Horácio]], mas especialmente [[Homero]] e [[Virgílio]], de quem tomou vários elementos estruturais e estilísticos de empréstimo e às vezes até trechos em transcrição quase literal. De acordo com as citações que fez, também parece ter tido um bom conhecimento de obras de [[Ptolomeu]], [[Diógenes Laércio]], [[Plínio, o Velho]], [[Estrabão]] e [[Pompônio Mela|Pompónio]], entre outros historiadores e cientistas antigos. Entre os modernos, estava a par da produção italiana de [[Francesco Petrarca]], [[Ludovico Ariosto]], [[Torquato Tasso]], [[Giovanni Boccaccio]] e [[Jacopo Sannazaro]], e da literatura castelhana.<ref name="Pimpão">Pimpão, Álvaro Júlio da Costa. [http://cvc.instituto-camoes.pt/bdc/literatura/lusiadas/ ''Prefácio'']. IN Camões, Luís Vaz de. ''Os Lusíadas''. Lisboa: Ministério dos Negócios Estrangeiros. Instituto Camões, 2000. pp. i-xiii</ref><ref>[http://books.google.es/books?hl=pt-BR&lr=&id=I_T9Fqq5A7cC&oi=fnd&pg=PA7&dq=gama+%22Ana+de+S%C3%A1+Macedo%22&ots=NwcOwIL6VB&sig=JrED5IMkTk0UIg0gcEAoDe9m6bg#v=onepage&q&f=false Spina & Bechara, p. 18]</ref>
 
Para aqueles que consideram o Renascimento um período histórico homogéneo, informado pelos ideais clássicos e que se estende até o fim do século XVI, Camões é pura e simplesmente um renascentista, mas de modo geral reconhece-se que o século XVI foi amplamente dominado por uma derivação estilística chamada [[Maneirismo]], que em vários pontos é uma escola anticlássica e de várias formas prefigura o [[Barroco]]. Assim, para vários autores, é mais adequado descrever o estilo camoniano como maneirista, distinguindo-o do classicismo renascentista típico. Isso se justifica pela presença de vários recursos de linguagem e de uma abordagem dos seus temas que não estão concordes às doutrinas de equilíbrio, economia, tranquilidade, harmonia, unidade e invariável idealismo que são os eixos fundamentais do classicismo renascentista. Camões, depois de uma fase inicial tipicamente clássica, transitou por outros caminhos e a inquietude e o drama se tornaram seus companheiros. Por todo ''Os Lusíadas'' são visíveis os sinais de uma crise política e espiritual, permanece no ar a perspectiva do declínio do império e do carácter dos portugueses, censurados por maus costumes e pela falta de apreço pelas artes, alternando-se a trechos em que faz a sua apologia entusiasmada. Também são típicos do Maneirismo, e se tornariam ainda mais do Barroco, o gosto pelo contraste, pelo arroubo emocional, pelo conflito, pelo paradoxo, pela propaganda religiosa, pelo uso de [[figuras de linguagem]] complexas e preciosismos, até pelo grotesco e pelo monstruoso, muitos deles traços comuns na obra camoniana.<ref name="Machado"/><ref name="Soares"/><ref>Moisés, Massaud (2000). [http://books.google.com/books?id=GnADW82tdmYC&pg=PA192&dq=camoes+maneirismo&lr=&as_brr=3&hl=pt-BR&cd=12#v=onepage&q&f=false ''A literatura portuguesa através dos textos'']. Cultrix, 2000. p. 192</ref><ref>[http://books.google.com/books?id=RffKKJPYttgC&pg=PA298&dq=camoes+maneirismo&lr=&as_brr=3&hl=pt-BR&cd=13#v=onepage&q&f=false Teixeira, p. 298]</ref>
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