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[[Ficheiro:Camões - Rimas 1595.jpg|thumb|250px|Capa da primeira edição das ''Rimas'', de 1595.]]
 
A obra lírica de Camões, dispersa em [[manuscrito]]s,<ref>Azevedo, Maria Antonieta Soares de. [http://coloquio.gulbenkian.pt/bib/sirius.exe/issueContentDisplay?n=55&p=14&o=p ''Um Manuscrito Quinhentista de Os Lusíadas'']. IN ''Colóquio de Letras''. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, nº 55, maio de 1980. p. 14</ref> foi reunida e publicada postumamente em 1595 com o título de ''Rimas''. Ao longo do século XVII, o crescente prestígio do seu épico contribuiu para elevar ainda mais o apreço por estas outras poesias. A coletânea compreende [[redondilha]]s, [[ode]]s, [[glosaGlosa (poema)|glosas]]s, [[Canção|cantiga]]s, voltas ou variações, sextilhas, [[soneto]]s, [[elegia]]s, [[bucolismo|écloga]]s e outras estâncias pequenas. A sua poesia lírica procede de várias fontes distintas: os sonetos seguem em geral o estilo italiano derivado de Petrarca, as canções tomaram o modelo de [[Petrarca]] e de [[Pietro Bembo]]. Nas odes verifica-se a influência da poesia [[trovador]]esca de cavalaria e da poesia clássica, mas com um estilo mais refinado; nas sextilhas aparece clara a influência provençal; nas redondilhas expandiu a forma, aprofundou o lirismo e introduziu uma temática, trabalhada em antíteses e paradoxos, desconhecida na antiga tradição das [[cantiga de amigo|cantigas de amigo]], e as elegias são bastante classicistas. As suas estâncias seguem um estilo epistolar, com temas moralizantes. A écoglas são peças perfeitas do género pastoral, derivado de Virgílio e dos italianos.<ref>[http://books.google.es/books?hl=pt-BR&lr=&id=dqg4AAAAYAAJ&oi=fnd&pg=PA1&dq=%22camoes%22+lusiadas&ots=tZG7WV6roT&sig=8kM7pMEiloy-qzzlgZhUVVL_4ss#v=onepage&q&f=false Mourão e Vasconcelos, pp. 72-81]</ref><ref>Moisés, Massaud (1997). [http://books.google.com/books?id=xcQYSXj0xN0C&pg=PA54&dq=%22el+rei+seleuco%22&lr=&as_drrb_is=q&as_minm_is=0&as_miny_is=&as_maxm_is=0&as_maxy_is=&as_brr=3&hl=pt-BR&cd=14#v=onepage&q=%22el%20rei%20seleuco%22&f=false ''A Literatura portuguesa'']. Cultrix, 1997. pp. 54-55</ref><ref name="Bergel">Bergel, Antonio J. Alías. [http://www.ucm.es/info/especulo/numero42/camoensl.html ''Camões laureado: Legitimación y uso poético de Camões durante el bilingüismo ibérico en el "período filipino"]. IN ''Espéculo''. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid. Año XIV, nº 42, julio-octubre 2009</ref> Em muitos pontos de sua lírica também foi detectada a influência da poesia espanhola de [[Garcilaso de la Vega]], [[Jorge de Montemor]], [[Juan Boscán]], [[Gregorio Silvestre]] e vários outros nomes, conforme apontou seu comentador Faria e Sousa.<ref>[http://74.125.155.132/scholar?q=cache:52R2HKqj7aMJ:scholar.google.com/+camoes+castelhano&hl=pt-BR&lr=&as_sdt=2000&as_vis=1 ''Luís de Camões e Ausias March'']. IN ''Península''. Revista de Estudos Ibéricos. Nº 0, 2003. p. 178</ref>
 
A despeito dos cuidados do primeiro editor das ''Rimas'', Fernão Rodrigues Lobo Soropita, na edição de 1595 foram incluídos vários poemas apócrifos. Muitos poemas foram sendo descobertos ao longo dos séculos seguintes e a ele atribuídos, mas nem sempre com uma análise crítica cuidadosa. O resultado foi que, por exemplo, enquanto nas ''Rimas'' originais havia 65 sonetos, na edição de 1861 de Juromenha havia 352; na edição de 1953 de Aguiar e Silva ainda eram listadas 166 peças.<ref name="Britannica"/><ref name="Aguiar e Silva, pp. v-xiv">[http://books.google.com/books?id=5E6KJh5Svj8C&printsec=frontcover&dq=camoes&lr=&as_drrb_is=q&as_minm_is=0&as_miny_is=1950&as_maxm_is=0&as_maxy_is=2010&as_brr=3&hl=pt-BR&cd=3#v=onepage&q=camoes&f=false Aguiar e Silva, pp. v-xiv]</ref><ref>Juromenha, Visconde de (ed) & Camões, Luís de. [http://books.google.es/books?hl=pt-BR&lr=&id=HVHPs5lzDiYC&oi=fnd&pg=PA1&dq=%22camoes%22&ots=9DcmUc07CS&sig=ruADpRjlSS9V5VClCDat1BiyzH4#v=onepage&q=%22camoes%22&f=false ''Obras de Luiz de Camões: Sonetos. Canções. Sextinas. Odes. Oitavas'']. Imprensa Nacional, 1861. p. 177</ref> Além disso, muitas edições modernizaram ou "embelezaram" o texto original, prática acentuada em particular depois da edição de 1685 de Faria e Sousa, fazendo nascer e enraizar uma tradição própria sobre esta lição adulterada que causou enormes dificuldades para o estudo crítico. Estudos mais científicos só começaram a ser empreendidos no final do século XIX, com a contribuição de [[Wilhelm Storck]] e [[Carolina Michaelis de Vasconcelos]], que descartaram diversas composições apócrifas. No início do século XX os trabalhos continuaram com José Maria Rodrigues e Afonso Lopes Vieira, que publicaram em 1932 as ''Rimas'' numa edição que chamaram de "crítica", embora não merecesse o nome: adotou largas partes da lição de Faria e Sousa, mas os editores alegaram ter usado as edições originais, de 1595 e 1598. Por outro lado, levantaram definitivamente a questão da fraude textual que vinha se perpetuando há muito tempo e havia adulterado os poemas a ponto de se tornarem irreconhecíveis.<ref name="Aguiar e Silva, pp. v-xiv"/> Um exemplo basta:
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