Diferenças entre edições de "Conquista normanda da Inglaterra"

12 bytes removidos ,  19h40min de 16 de julho de 2016
sem resumo de edição
== Resistência inglesa ==
=== Primeiras rebeliões ===
Apesar da submissão dos nobres ingleses, a resistência continuou por vários anos.{{harvref|name=Doug212|Douglas|1964|p=212}} Guilherme deixou o controle da Inglaterra nas mãos de seu meio-irmão Odo e um dos seus partidários mais próximos, [[Guilherme FitzOsbern]].<ref name=Huscro138 /> Em 1067, os rebeldes em Kent lançaram um ataque mal sucedido no [[Castelo de Dover]] em combinação com Eustácio II de Bolonha.<ref name=Doug212 /> O proprietário de terras [[Eadrico, o Selvagem]]{{nota de rodapé|[[Epíteto|O nome]] de Eadrico, "o Selvagem" é relativamente comum, de modo que apesar das sugestões que surgiram a partir da participação de Eadrico nas revoltas do norte em 1069, isso não é certo.{{harvref|Williams|2004|loc=Eadric the Wild (fl. 1067–1072)}}}} de [[Shropshire]], em aliança com os governantes galeses de {{ilc|Venedócia||Reino de Venedócia||Reino de Gwynedd}} e [[Reino de Powys|Powys]], levantaram uma revolta no oeste de [[Reino da Mércia|Mércia]], lutando contra as forças dos normandos situadas em [[Hereford]].<ref name=Doug212 /> Estes eventos forçaram Guilherme a voltar à Inglaterra, no final de 1067.<ref name=Huscro138/> Em 1068, o Duque da Normandia [[Cerco de Exeter|sitiou os rebeldes em Exeter]], incluindo a mãe de Haroldo, Gita, e depois de sofrer pesadas perdas conseguiu negociar a rendição da cidade.{{harvref|Walker|2000|p=186-190}} Em maio, a esposa de Guilherme, [[Matilde de Flandres|Matilde]], foi coroada rainha em Westminster, um importante símbolo da crescente estatura internacional do rei.{{harvref|name=Huscro141|Huscroft|2009|p=140-141}} Mais tarde neste ano, Eduíno e Morcar levantaram uma revolta em Mércia com ajuda galesa, enquanto [[Gospatrico da Nortúmbria|Gospatrico]], o recém-nomeado [[conde de Nortúmbria]],{{nota de rodapé|Gospatrico (ou ''Gospatric'', em [[língua inglesa]]) tinha comprado a função de Guilherme após a morte de Copsi, a quem o rei havia nomeado em 1067. Copsi foi assassinado em 1068 por Osulfo (''Osulf''), seu rival pelo poder em Nortúmbria.{{harvref|name=Huscro142|Huscroft|2009|p=142}}}} liderou um levante na região, que ainda não tinha sido ocupada pelos normandos. Estas rebeliões rapidamente entraram em colapso quando Guilherme se moveu contra elas, construindo castelos e instalando guarnições como já havia feito no sul.{{harvref|Douglas|1964|p=214-215}} Eduíno e Morcar se submeteram novamente, enquanto Gospatrico fugiu para a Escócia, assim como Edgar, o Atelingo e sua família, que pode ter se envolvido nessas revoltas.{{harvref|Williams|2000|p=24-27}} Enquanto isso os filhos de Haroldo, que haviamtinham se refugiado na Irlanda, invadiram [[Somerset]], [[Devon]] e [[Cornualha]] pelo mar.{{harvref|Williams|2000|p=20-21}}
 
=== Revoltas de 1069 ===
Ao mesmo tempo, a resistência reacendeu-se no oeste de Mércia, onde as forças de Eadrico, o Selvagem, juntamente com seus aliados galeses e outras forças rebeldes de [[Cheshire]] e Shropshire, atacaram o castelo de [[Shrewsbury]]. No sudoeste, os rebeldes de Devon e Cornualha atacaram a guarnição normanda em Exeter, mas foram repelidos pelos defensores e espalhados por uma força de socorro normanda do conde Brian. Outros rebeldes de Dorset, Somerset e áreas vizinhas cercaram o [[Castelo de Montacute]], mas foram derrotados por um exército normando reunido a partir de Londres, [[Winchester]] e [[Salisbury|Salisbúria]] sob [[Godofredo de Coutances]]. Enquanto isso, Guilherme atacou os dinamarqueses, que tinham ancorado para o inverno ao sul de ''[[Humber]]'', em Lincolnshire, e os conduziu de volta à margem norte. Deixando [[Roberto de Mortain]] encarregado de Lincolnshire, ele tornou a oeste e derrotou os rebeldes de Mércia em batalha em [[Stafford (Staffordshire)|Stafford]]. Quando os dinamarqueses tentaram retornar a Lincolnshire, lá as forças normandas novamente os levaram a recuar para ''Humber''. Guilherme avançou pela Nortúmbria, derrotando uma tentativa de bloquear a sua travessia do caudaloso [[Rio Aire (Inglaterra)|rio Aire]] em [[Pontefract]]. Os dinamarqueses fugiram a sua aproximação, e ele ocupou Iorque. Ele comprou o afastamento dos dinamarqueses, que concordaram em deixar a Inglaterra na primavera, e durante o inverno de 1069-1070 as suas forças devastaram sistematicamente a Nortúmbria, no [[Massacre do Norte]], subjugando toda a resistência.<ref name=Willi41 /> Como um símbolo de sua renovada autoridade sobre o norte, Guilherme cerimonialmente usou sua coroa em Iorque no dia de Natal de 1069.<ref name=Huscro142 />
 
No início de 1070, tendo assegurado a submissão de Valdevo e Gospatrico e conduzido Edgar e seus partidários restantes de volta à Escócia, Guilherme voltou a Mércia, onde baseou-se em Chester e esmagou toda a resistência remanescente na área, antes de voltar para o sul.<ref name=Willi41 /> [[Legado papal|Legados papais]] chegaram e na Páscoa recoroaram Guilherme, o que teria simbolicamente reafirmado seu direito ao reino. O rei da Inglaterra também supervisionou um expurgo dos prelados da Igreja, principalmente Stigand, que foi deposto da Cantuária. Os legados papais também impuseram penitências a Guilherme e seus partidários que haviam estadoestavam em Hastings e campanhas subsequentes.{{harvref|Huscroft|2009|p=145-146}} Assim como Cantuária, a [[Arcebispo de Iorque|Sé de Iorque]] tinha se tornado vaga após a morte de Ealdred, em setembro de 1069. Ambas as sés foram preenchidas por homens leais ao rei: [[Lanfranco de Cantuária|Lanfranco]], abade da fundação de Guilherme em Caen, recebeu Cantuária, enquanto [[Tomás de Bayeux]], um dos capelães de Guilherme, foi instalado na Sé de Iorque. Alguns outros bispados e abadias também receberam novos bispos e abades e Guilherme confiscou parte da riqueza dos mosteiros ingleses, que haviamtinham servido como repositórios para os bens dos nobres nativos.{{harvref|Bennett|2001|p=56}}
 
=== Problemas dinamarqueses ===
[[Imagem:Coin king of denmark sven estridsen.jpg|thumb|Moeda de Sueno II da Dinamarca.]]
Em 1070, Sueno II da Dinamarca chegou para assumir o comando pessoal de sua frota e renunciou ao acordo anterior para retirada, enviando tropas a [[Fens]] para unir forças com os rebeldes ingleses liderados por [[Herevardo, o Vigilante]],{{nota de rodapé|Em inglês ''Hereward''. Embora o [[epíteto]] de "o Vigilante" tenha sido reivindicado como derivado de "o Desperto", o primeiro uso do epíteto é de meados do {{séc|XIII}}, e é, portanto, improvável que tenha sido contemporâneo.{{harvref|Roffe|2004|p=Hereward (fl. 1070–1071)}}}} com base na [[Ilha de Ely]]. Sueno logo aceitou mais um pagamento de ''[[Danegeld]]'' por Guilherme, e voltou para casa.{{harvref|Douglas|1964|p=221-222}} Após a saída dos dinamarqueses os rebeldes de Fens permaneceram livres, protegidos pelos pântanos, e no início de 1071 houve a eclosão final da atividade rebelde na área. Eduíno e Morcar novamente voltaram-se contra Guilherme, e embora Eduíno tenha sido rapidamente traído e morto, Morcar chegou a [[Ely (Cambridgeshire)|Ely]], onde ele e Herevardo se juntaram a rebeldes exilados que haviamtinham navegado da Escócia. Guilherme chegou com um exército e uma frota para acabar com este último bolsão de resistência. Depois de algumas falhas dispendiosas, os normandos conseguiram construir um pontão para chegar à ilha de Ely, derrotaram os rebeldes na ponte e invadiram a ilha, marcando o fim efetivo da resistência inglesa.{{harvref|Williams|2000|p=49-57}} Morcar foi preso pelo resto de sua vida; Herevardo foi perdoado e teve suas terras devolvidas.{{harvref|name=Huscro147|Huscroft|2009|p=146-147}}
 
=== Última resistência ===
== Controle da Inglaterra ==
[[Imagem:Londres 297..jpg|thumb|esquerda|200px|A [[Torre de Londres]], originalmente iniciada por Guilherme, o Conquistador, para controlar Londres.{{harvref|Douglas|1964|p=216 e nota de rodapé 4}}]]
Uma vez conquistada a Inglaterra, os normandos enfrentaram muitos desafios para manter o controle.{{harvref|Stafford|1989|p=102-105}} Eles estavam em número reduzido em comparação com a população nativa inglesa; incluindo os de outras partes da França, os historiadores estimam que o número de colonos normandos era de cerca de {{formatnum|8000}}.{{harvref|Carpenter|2004|p=82-83}} Os seguidores do rei esperavam e receberam terras e títulos em troca de seus serviços na invasão,{{harvref|name=Carp80|Carpenter|2004|p=79-80}} mas Guilherme reivindicou a posse definitiva das terras na Inglaterra nas quais os seus exércitos haviamtinham lhe dado ''de facto'' o controle, e garantiu o direito de dispor delas como bem entendesse. Daí em diante, todas as terras foram "mantidas" diretamente pelo rei em [[Feudo|posse feudal]], em troca de serviço militar.{{harvref|Carpenter|2004|p=84}} Um lorde normando tipicamente tinha propriedade localizada de forma fragmentada em toda a Inglaterra e Normandia, e não em um único bloco geográfico.{{harvref|Carpenter|2004|p=83-84}}
 
Para encontrar terras para compensar seus seguidores normandos, Guilherme inicialmente confiscou os bens de todos os lordes ingleses que haviamtinham lutado e morrido com Haroldo e redistribuiu parte de suas terras.{{harvref|Carpenter|2004|p=75-76}} Estas apreensões levaram a revoltas, que resultaram em mais apreensões, um ciclo que continuou por cinco anos após a Batalha de Hastings.<ref name=Carp80 /> Para derrubar e evitar novas rebeliões, os normandos construíram castelos e fortificações em números sem precedentes,{{harvref|Chibnall|1986|p=11–13}} no início principalmente no padrão [[castelo de mota]].{{harvref|Kaufman|2001|p=110}} O historiador Robert Liddiard observa que "ao olhar para a paisagem urbana de Norwich, Durham ou Lincoln somos forçados a lembrar do impacto da invasão normanda".{{harvref|Liddiard|2005|p=36}} O rei e seus barões também exerceram um controle mais rígido sobre a herança de bens por viúvas e filhas, muitas vezes obrigando casamentos com normandos.{{harvref|Carpenter|2004|p=89}}
 
Uma comparação do sucesso do rei na tomada de controle é que, a partir de 1072 até a [[Batalha de Bouvines|conquista capetiana]] da Normandia em 1204, Guilherme e seus sucessores eram governantes, em grande parte, ausentes. Por exemplo, depois de 1072, Guilherme passou mais de 75 por cento do seu tempo na França, em vez de na Inglaterra. Enquanto precisava estar pessoalmente presente na Normandia para defender o reino de uma invasão estrangeira e sufocar as revoltas internas, ele montou estruturas administrativas reais que lhe permitiram governar a Inglaterra à distância.{{harvref|Carpenter|2004|p=91}}
 
=== Língua ===
Um dos efeitos mais evidentes da conquista foi a introdução do [[Língua anglo-normanda|anglo-normando]], um dialeto setentrional do [[francês antigo]], como a língua das classes dominantes na Inglaterra, deslocando o inglês antigo. Palavras em [[Língua francesa|francês]] entraram no idioma inglês, e mais um sinal da mudança foi o uso de nomes próprios comuns na França em vez de nomes anglo-saxões. Nomes masculinos, como ''William'' (Guilherme), ''Robert'' (Roberto) e ''Richard'' (Ricardo), logo se tornaram comuns; nomes femininos mudaram mais lentamente. A invasão normanda teve pouco impacto sobre [[Toponímia|nomes de lugares]], que haviamtinham mudado significativamente após as invasões escandinavas anteriores. Não se sabe exatamente quanto de [[inglês antigo]] os invasores normandos aprenderam, nem quanto o conhecimento do francês se propagou entre as classes mais baixas, mas as exigências do comércio e da comunicação básica provavelmente indicam que pelo menos alguns dos normandos e ingleses nativos tornaram-se bilíngues.{{harvref|Huscroft|2009|p=323-324}} No entanto, sabe-se que o próprio [[Guilherme I de Inglaterra|Guilherme, o Conquistador]], nunca desenvolveu um conhecimento prático de inglês e por séculos depois o inglês não era bem compreendido pela nobreza.{{harvref|Crystal|2004|loc= cap. Story of Middle English}}
 
=== Imigração e casamentos mistos ===
Estima-se que {{formatnum|8000}} normandos e outros continentais se estabeleceram na Inglaterra, como resultado da conquista, ainda que não seja possível estabelecer números exatos. Alguns desses novos moradores casaram-se com ingleses nativos, mas a extensão desta prática nos anos imediatamente após Hastings não é clara. Vários casamentos são atestados entre homens normandos e mulheres inglesas durante os anos anteriores a 1100, mas tais casamentos eram incomuns. A maioria dos normandos continuou a contrair casamentos com outros normandos ou outras famílias continentais e não com ingleses.{{harvref|Huscroft|2009|p=321-322}} Um século após a invasão, os casamentos entre ingleses nativos e os imigrantes normandos haviam tornaram-se tornado comuns. No início da década de 1160, [[Elredo de Rievaulx]] escreveu que o casamento misto era comum em todos os níveis da sociedade.{{harvref|Thomas|2007|p=107-109}}
 
=== Sociedade ===
125 986

edições