Diferenças entre edições de "Madame du Barry"

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'''Jeanne Bécu''', mais conhecida como '''Madame du Barry''', ([[Vaucouleurs (Meuse)|Vaucouleurs]], [[19 de agosto]] de [[1743]] – [[Paris]], [[8 de dezembro]] de [[1793]]) de origem humilde, tornou-se [[amante]] de [[Luís XV da França|Luís XV]]. Morreu na [[guilhotina]] durante o período do [[Terror (Revolução Francesa)|Terror]] da [[Revolução Francesa]].
 
Jeanne Bécu nasceu em Vaucouleurs, na [[Lorena (França)|Lorena]], filha ilegítima de Anne Bécu – cozinheira ou costureira, consoante as fontes – e de pai desconhecido, provavelmente um [[frade]] do [[convento]] de Picpus, em [[Paris]], de nome Jean-Baptiste Gormand de Vaubernier.
 
Graças a um amante de sua mãe, Nicolas Rançon, a pequena Jeanne pôde ser educada num convento, onde recebeu uma [[educação]] muito superior à que poderia esperar, em função de sua condição social humilde.
 
Aos 15 anos de idade abandona o convento, e usando o nome de Jeanne Rançon, ganha a vida em diversas actividades, desde aprendiz de cabeleireira a camareira de uma família de posses, passando por empregada de balcão de uma conhecida e elegante loja, ''La Toilette''. Pôde assim observar – e absorver – o mundo das mais altas esferas da sociedade parisiense.
 
Em [[1763]], a sua notória beleza chama a atenção de Jean-Baptiste du Barry, libertino confesso. Torna-se sua amante e instala-se na casa deste em Paris, onde acorriam muitas personagens ligadas à música e às artes. De facto, o conde era um grande apreciador de música e, sobretudo, de pintura, tendo Jeanne bebido muitos dos seus conhecimentos.
 
== A vida na corte ==
[[Ficheiro:Louveciennes Pavillon entrée Barry.jpg|thumb|esquerda|220pxupright=0.8||[[Château de Louveciennes]].]]
Entretanto, Jean du Barry alimentaalimentava outros projectos para Jeanne: instado pelo marechal Richelieu, irá usar os bons ofícios da encantadora jovem para que Luís XV demita o [[Duque de Choiseul]], ministro dos Negócios Estrangeiros. É assim que, aos 19 anos, Jeanne Bécu é apresentada ao rei, então com 58 anos, que de imediato se apaixonaapaixonou. Porém, para fazer dela sua amante oficial, éera indispensável conceder-lhe um [[título nobiliárquico]]. O casamento de conveniência com o irmão de Jean du Barry, o conde Guillaume du Barry, permitepermitiu-lhe usar com toda a licitude o título de Madame du Barry, o qual já antes indevidamente usava. Assim, em [[1769]], a Condessa du Barry, amante oficial do rei, éfoi apresentada à [[Corte (realeza)|corte]] com a devida pompa e o incontestável escândalo.
 
[[Ficheiro:Du Barry.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|260x260px|''Madame du Barry'' pintada por [[Élisabeth-Louise_Vigée-Le_Brun]], em 1782]]
Este episódio éfoi evocado por Madame Campan, camareira-mor de [[Maria Antonieta]], nas suas memórias: «Mesdames [as irmãs] faziam uma vida muito distante do rei, que vivia sozinho desde a morte de [[Madame de Pompadour]]. Os inimigos do Duque de Choiseul não sabiam [...] como preparar e precipitar a queda do homem que se lhes atravessava no caminho. As mulheres com quem o rei se relacionava eram de tão baixa extracção que nenhuma seria capaz de urdir intrigas que exigissem grande subtileza. [...] Havia que arranjar ao rei uma amante capaz de criar um círculo à sua volta e de, na intimidade da alcova, minar a sólida e duradoura relação entre o rei e o seu ministro. De facto, a Condessa do Barry provinha de uma classe social inferior. A sua origem e educação, o seu estilo de vida, tudo nela transpirava vulgaridade e despudor. Ao casá-la com um homem cuja linhagem recuava até [[1400]], julgaram que poderiam evitar o escândalo».<ref>Traduzido da versão inglesa de: ''Mémoires de madame Campan, première femme de chambre de Marie-Antoinette'' [http://www.gutenberg.org/files/3891/3891-h/3891-h.htm#p254 (''Memoirs of the Court of Maria Antoinette, Queen of France. Being the Historic Memoirs of Madam Campan, First Lady in Waiting to the Queen'')]</ref>
 
Sem ter a influência política tão notória quanto a de sua antecessora, Madame de Pompadour, a Condessa du Barry acabou por conseguir a demissão de Choiseul, o qual, através do casamento do futuro [[Luís XVI]] com Maria Antonieta, firmara a união dos [[Bourbons]] com os [[Habsburgos]] da Casa da [[Áustria]]. Tal não fez mais que exacerbar o ódio que lhe votava a arquiduquesa austríaca, já à partida indisposta contra "a du Barry" e todo o seu passado.
 
A situação torna-se insustentável quando Maria Antonieta se recusa dirigir a palavra à ''maîtresse'' do rei, pois, de acordo com a inelutável [[etiqueta]] da corte de [[Versalhes]] esta não podia ser a primeira a entabular conversação com a [[Delfim de França|Delfina]]. Pressionada por um agastado Luís XV, Maria Antonieta acaba por condescender em pronunciar uma memorável frase, de tão vazia de conteúdo e tão plena de significado: "Hoje está tanta gente em Versalhes".<ref>Antonia Fraser, ''Maria Antonieta – A Viagem'' (''Marie Antoinette: The Journey'')</ref> Quanto bastou, porém, para deixar todos satisfeitos.
 
== Apoio às artes ==
[[Ficheiro:François-Hubert Drouais, Portrait de la comtesse Du Barry en Flore (1769).jpg|thumb|left|Retrato de 1769 por [[François-Hubert Drouais]].]]
Durante os anos em que desfrutou do favor real, protegeu muitos intelectuais e artistas, entre os quais [[François-Hubert Drouais]] (cujos retratos de Madame du Barry são bem conhecidos), [[Augustin Pajou]], [[Van Loo]], [[Etienne Falconet]] e [[Lemoyne]]. Grande amiga de [[Voltaire]], incumbe-o de concluir o restauro do castelo de Louveciennes, oferta com que Luís XV a agracia em [[1769]]. Para a decoração do palácio, encomenda a [[Fragonard]] quatro painéis dedicados ao Amor, uma obra estilo [[rococó]]: O Encontro, A Perseguição, A Recordação e A Coroação, que, de resto, pouco tempo aí ficaram, tendo sido retirados por não se enquadrarem no estilo do palácio.
 
Apesar do seu apoio às artes] e de um sincero esforço para se tornar agradável a todos, acabou contudo por tornar-se impopular, devido aos dons e benesses com que o rei a cumulava: uma renda principesca, joias sem preço e propriedades sumptuosas. Para isto também não foram alheias certas atitudes levianas e inconvenientes, desrespeitosas para a dignidade do soberano. Veja-se um episódio relatado por Madame Campan: Um belo dia Madame du Barry teve o capricho de assistir a uma sessão do Conselho de Estado. Luís XV, cuja fraqueza de carácter se acentuara com a idade, acede. Durante a reunião, «ficou ridiculamente pendurada nos braços da cadeira do rei, fazendo todo o tipo de criancices e macacadas.»
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[[Ficheiro:François-Hubert Drouais, Portrait de la comtesse Du Barry en Flore (1769).jpg|thumb|left|Retrato''Madame dedu 1769 porBarry''<br><small>Por [[François-Hubert Drouais]].]], 1769</small>
[[Ficheiro:Du Barry.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|260x260px|''Madame du Barry'' pintada por<br><small>Por [[Élisabeth-Louise_Vigée-Le_Brun]], em 1782]]</small>
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== A queda ==
[[Ficheiro:Madame Duberry.jpg|thumb|direita|220pxupright=0.8|''Encarceramente de Du Barry''. <br><small>Ilustração de Tighe Hopkins em "The Dungeons of Old Paris", 1897.</small>]]
Ao ver aproximar-se a morte, em 1774, Luís XV bane Madame du Barry da corte, pois a sua ligação pecaminosa aos olhos da [[Igreja]] impedi-lo-ia de conseguir a [[absolvição]]. Confinada durante alguns meses à [[abadia]] de Pont-aux-Dames, instala-se depois na sua propriedade favorita, o magnífico Château de Louveciennes. Aí, rodeia-se de uma corte íntima de amigos e admiradores, entre os quais Henry Seymour e o Duque de Brissac, que viriam a ser seus amantes.
 
Em [[1789]], eclodeeclodiu a [[Revolução Francesa]] e, durante as convulsões que agitaram o país, Madame du Barry não hesitahesitou em cuidar igualmente de [[República|republicanos]] e [[Monarquia|monárquicos]], pelo que receberárecebeu uma carta de gratidão da sua velha inimiga Maria Antonieta. Suspeita aos olhos dos republicanos pelo seu passado, manifesta-se partidária das mudanças políticas. Sincera ou não, o facto é que ninguém a incomodaincomodou.
 
Em [[1791]], parte de sua valiosíssima colecção de joias, guardada em Louveciennes, éfoi roubada. Talvez sem se aperceber do perigo em que incorre, move mundos e fundos para as recuperar, ordena a abertura de um inquérito, promete generosas recompensas, fazendo assim alarde da sua imensa fortuna. Finalmente, as joias aparecem em [[Londres]], para onde empreende diversas viagens. Ora esta cidade era um dos locais de refúgio dos “contra-revolucionários” e, na sua busca de informações, entra em contacto com alguns dos expatriados. Em Janeiro de [[1793]], encontrando-se um Londres, ao receber a notícia da execução de Luís XVI, veste-se de luto, o que não passa despercebido aos espiões franceses. Todas as suas acções, todas as suas relações são agora consideradas suspeitas, e a sua fortuna, a sua antiga condição de ''maîtresse du roi'', o facto de o seu amante, o Duque de Brissac, ter sido brutalmente assassinado nos [[Revolução Francesa|Massacres de Setembro]] de [[1792]], enfim, tudo joga em seu desfavor tornando-a um alvo de eleição para os revolucionários.
 
Em [[1793]], é acusada de conspirar contra o novo regime e, após um longo processo – cuja sentença estava decidida à partida - éfoi declarada inimiga da revolução e condenada à [[pena de morte]].
 
No dia 8 de dezembro de 1793, aos 50 anos de idade, Madame du Barry foi [[guilhotina]]da. O seu comportamento no cadafalso indiciou um carácter fraco e pusilânime. Chegou ao ponto de denunciar várias pessoas, condenando-as assim a uma sorte igual à sua, e tentou comprar o carrasco revelando-lhe os locais onde estavam escondidas as jóiasjoias que ainda lhe restavam. As suas últimas e pouco dignas palavras foram: «De grâce, monsieur le bourreau, encore un petit moment!» - ''Por quem sois, senhor carrasco, só mais um momentinho!''
 
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