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[[Imagem:Paulus Diaconus Plutei 65.35 b&w.png|esquerda|thumb|upright=0.8|[[Paulo, o Diácono]] foi a principal fonte primária para o estudo dos lombardos.]]
O relato mais completo das origens, da história e dos costumes dos lombardos é a ''[[Historia gentis Langobardorum]]'' (''História dos Povos Lombardos''), de [[Paulo, o Diácono]], escrita no {{séc|VIII}}<ref>Sergio Rovagnati, ''I Longobardi'', p. 5.</ref>. A obra de Paulo, por sua vez, baseou-se numa outra obra do {{séc|VII}}, a ''[[Origo Gentis Langobardorum]]'' (''Origem dos Povos Lombardos'').<ref name=Origo1>''Origo gentis Langobardorum'', [[s:la:Origo gentis Langobardorum#1|§1]].</ref>
 
A ''Origo'' narra a história de uma pequena tribo, os ''Winnili'',<ref>Priester, 16. Do [[antigo germânico]] ''Winnan'', "combatendo", "vencendo".</ref> que habitava o sul da [[Escandinávia]]<ref name="dick">Harrison, D. & Svensson, K. (2007). ''Vikingaliv'' Fälth & Hässler, Värnamo. 978-91-27-35725-9 p. 74</ref> (''Scadanan'') - o ''[[Codex Gothanus]]'' afirma que os Winnili viviam próximos a um rio chamado ''Vindilicus'', na fronteira extrema da [[Gália]]<ref>CG, II.</ref> Os Winnili dividiram-se em três grupos; e um deles abandonou sua terra natal para procurar terras estrangeiras; o motivo para este êxodo provavelmente foi a [[superpopulação]].<ref>Menghin, 13.</ref> Este povo, liderado pelos irmãos Ybor e Aio, e sua mãe, Gandara,<ref>Priester, 16. Grimm, ''Deutsche Mythologie'', I, 336. Antigo germânico para "[[Strenuus]]", "[[Sibila]]".</ref> finalmente chegou nas terras de ''Scoringa'', talvez a costa do [[mar Báltico]]<ref>Priester, 16</ref> ou o [[Bardengau]], às margens do [[Rio Elba|Elba]].<ref>Hammerstein, 56.</ref> Scoringa era dominada pelos [[vândalos]], e seus chefes, os irmãos Ambri e Assi, concederam aos Winnili uma escolha entre pagar tributo ou guerra. Os líderes dos Winnili, jovens e corajosos, recusaram-se a pagar tributo, alegando que seria "melhor manter a liberdade por meio das armas do que manchá-la com o pagamento de tributo."<ref name="PD, VII">PD, VII.</ref>
 
[[Imagem:Lombard Migration.jpg|upright=1.3|thumb|As principais rotas da migração dos lombardos<ref>Capo, cartina 1, pp. <small>LII-LIII</small>.</ref>]]
 
Os Winnili então se prepararam para a guerra, consultando Godan (o deus [[Odin]]<ref name="dick"/>), que lhes respondeu que daria a vitória àqueles que ele pudesse ver primeiro ao [[nascer do sol]].<ref name="PD, VIII">PD, VIII.</ref> Os Winnili estavam em menor número,<ref name="PD, VII"/> e Gambara procurou auxílio com Frea (a deusa [[Frigga]]<ref name="dick"/>), que aconselhou que todas as mulheres Winnili amarrassem seus cabelos diante de seus rostos, como barbas, e marchassem ao lado de seus maridos. Assim Godan viu primeiro os Winnili, e perguntou: "Quem são estes barbas-longas?", ao que Frea respondeu: "Meu senhor, tu lhes deste o nome, agora também dá-lhes a vitória."<ref>OGL, appendix 11.</ref> A partir daquele momento, os Winnili passaram a ser conhecidos como ''langobardi'' (latinizado e italianizado como ''lombardi'').
A primeira menção aos lombardos ocorreu entre {{AC|9|x}} e {{DC|16|x}}], pelo [[historiador]] da corte do [[Império Romano]], [[Veleio Patérculo]], que acompanhou como prefeito da [[cavalaria]] uma expedição romana liderada pelo futuro [[Imperador romano|imperador]] [[Tibério]].<ref name="Menghin, 15"/> Patérculo descreveu-os como "mais ferozes que do que a tradicional selvageria germânica."<ref>Veleio, Hist. Rom. II, 106. Schmidt, 5.</ref> Depois de serem derrotados pelos romanos os lombardos teriam se refugiado na margem direita do Elba, onde se recolheram junto aos outros povos germânicos da região ainda não submetidos aos romanos.<ref name="Jarnut8">Jarnut, p. 8.</ref> [[Tácito]] classificou os lombardos como uma tribo dos [[suevos]],<ref name="Tácito, Ann. II, 45">Tácito, Ann. II, 45.</ref> e súditos de [[Marobóduo]], rei dos [[marcomanos]].<ref>Tácito, Ger., 38-40; Tácito, Ann., II, 45.</ref> Marobóduo estava em paz com os romanos, e por este motivo os lombardos não fizeram parte da federação germânica liderada por [[Armínio]] que combateu na [[batalha da Floresta de Teutoburgo]], em {{DC|9|x}} Em {{DC|17|x}}, Armínio e Marobóduo entraram em guerra. Segundo [[Tácito]]:
<blockquote>
''Não apenas os [[queruscos]] e seus confederados... pegaram em armas, mas também os [[sêmnones]] e os longobardos, ambas nações suevas, se revoltaram contra ele pela soberania de Marobóduo... Os exércitos... foram estimulados por motivos próprios, os queruscos e os longobardos lutavam por sua antiga honra ou por sua recém-adquirida independência.'' <ref name="Tácito, Ann. II, 45"/></blockquote>
 
Em 47, uma disputa interna eclodiu entre os queruscos, e acabaram por expulsar seu novo líder, sobrinho de Armínio, de seu país. Os lombardos aparecem na cena com força suficiente, ao que parece, para controlar o destino da tribo que, trinta e oito anos antes, tinha liderado a luta pela independência, pois conseguiram restaurar o líder deposto ao poder novamente.<ref>Tácito, Ann., XI, 16, 17.</ref><ref name="Capo383384">Capo, pp. 383-384.</ref> No meio do {{séc|II}} os lombardos também aparecem na [[Renânia]]. De acordo com o [[geógrafo]] [[Cláudio Ptolomeu|Ptolomeu]], os lombardos suevos teriam ocupado as terras ao sul dos [[sugambros]],<ref>Ptolomeu, Geogr. II, 11, 9. Menghin, 15.</ref> embora muitos também tivessem permanecido no Elba, entre os caúcos e os suevos,<ref>Ibid, II, 11, 17. Ibid.</ref> o que indica uma expansão lombarda. O Código dos Gotos (''Codex Gothanus'') também menciona Patespruna ([[Paderborn]]) como relacionada aos lombardos.<ref>''Codex Gothanus'', II.</ref> [[Dião Cássio]] informa que pouco antes das [[Guerras Marcomânicas]] seis mil lombardos e [[úbios]] cruzaram o [[Rio Danúbio|Danúbio]] e invadiram a [[província romana]] da [[Panônia]].<ref>Dião Cássio, 71, 3, 1. Menghin 16.</ref> As duas tribos foram derrotadas, e acabaram por desistir da invasão e enviaram como embaixador a [[Élio Basso]], que então administrava a província, [[Balomar]], rei dos [[marcomanos]]. A paz foi assinada e as duas tribos retornaram às suas terras de origem, que no caso dos lombardos era o baixo Elba.<ref>Priester, 21. Zeuss, 471. Wiese, 38. Schmidt, 35&ndash;36.</ref> Neste período Tácito, em sua obra ''[[Germânia (Tácito)|Germânia]]'' (98), descreve os lombardos como:
A rota de migração dos lombardos desde sua terra natal até a "Rugilândia", em 489, passou por diversas localidades; Escoringa (tida como sua terra de origem, nas margens do Elba), Mauringa, Golanda, Antaibo, Bantaibo e Vurgundaibo (Burgundaibo).<ref>Hammerstein, Bardengau, 56. Bluhme. ''HGL'', XIII.</ref> De acordo com a [[Cosmografia de Ravena]], Mauringa seria a região a leste do Elba.<ref>Cosmógrafo de Ravena, I, 11.</ref>
 
A entrada em Mauringa foi muito difícil, pois os [[usípios]] lhe negaram passagem pelas suas terras; organizou-se um combate entre o homem mais forte de cada tribo, e o representante lombardo saiu-se vitorioso. Somente depois disso a passagem por terras usípias foi concedida.<ref>Hodgkin, Ch. V, 92. ''HGL'', XII.</ref> O primeiro rei lombardo, Agelmundo, da raça de [[Guginger]], governou por trinta anos.<ref>Menghin, 19.</ref>
 
Os lombardos saíram de Mauringa e chegaram a Golanda. O acadêmico Ludwig Schmidt acredita que esta região ficaria ainda mais a leste, talvez na margem direita do [[rio Oder]].<ref>Schmidt, 49.</ref> Schmidt considera que o nome seria um equivalente de [[Gotlândia]], significando apenas "boa terra".<ref>Hodgkin, V, 143.</ref> Esta teoria é muito plausível; [[Paulo, o Diácono]] menciona um episódio no qual os lombardos teriam cruzado um rio, chegando à ''Rugilândia'' vindos da região do alto Oder através da [[Porta Morávia]].<ref>Menghin, ''Das Reich an der Donau'', 21.</ref>
 
Ao sair de Golanda, os lombardos passaram por Antaibo e Bantaibo até chegarem a Vurgundaibo. Acredita-se que Vurgundaibo seria equivalente às antigas terras dos [[burgúndios]].<ref>K. Priester, 22.</ref><ref>Bluhme, ''Gens Langobardorum''. Bonn, 1868</ref> Em Vurgundaibo os lombardos foram atacados pelos "[[Protobúlgaros|búlgaros]]" (provavelmente [[hunos]])<ref>Menghin, 14.</ref> e foram derrotados; o rei Agelmundo foi morto, e [[Lamicão]] assumiu em seu lugar, jovem e ansioso por vingar seu antecessor.<ref>''Hist. gentis Lang.'', cap. XVII</ref> Os próprios lombardos teriam provavelmente se tornado súditos dos hunos depois da derrota, porém se revoltaram contra eles e os derrotaram, em meio a grande carnificina.<ref>''Hist. gentis Lang.'', cap. XVII.</ref> O próprio Lamicão teria sido capaz de reverter a situação, segundo a tradição lombarda, obtendo a vitória frente aos hunos que permitiu aos lombardos manter sua independência. O sucessor de Lamicão foi {{ilc|Letúoco||Lethuoc}}, fundador da primeira dinastia lombarda, a [[dinastia letinga]].
Segundo [[Procópio de Cesareia|Procópio]], os lombardos estavam sujeitos aos [[hérulos]] mediante o pagamento de tributos. Tatão guiou seu povo contra os hérulos e, na sangrenta batalha que teve lugar em 508, venceu e matou em combate o líder dos hérulos, [[Rodolfo (hérulo)|Rodolfo]]. A derrota dos hérulos significou o desaparecimento desse povo da história. Os lombardos de Tatão, pelo contrário, emergiram como uma potência local: tomaram o tesouro dos vencidos, reformaram o seu exército incluindo nele guerreiros de outras tribos já submetidas pelos hérulos (ou ao menos os hérulos sobreviventes) e ocuparam uma vasta área em torno do curso médio do [[Danúbio]].
 
No ano de 510, um sobrinho de Tatão, [[Vacão]], rebelou-se contra o tio, prendendo-o e usurpando o trono. O filho de Tatão lutou com Vacão pelo poder mas acabou sendo derrotado e obrigado a fugir para junto dos [[gépidas]] onde morreu.<ref>''Origo Gentis Langobardorum''<!-- onde na obra exatamente? --> </ref> Vacão manteve boas relações com os francos e com os bávaros, e morreu em 539 sendo sucedido por [[Audoíno]].
 
Na década de 540, Audoíno (que governou de 546 a 565) liderou os lombardos para a Panônia, cruzando o [[rio Danúbio]], onde receberam subsídios imperiais depois que o imperador [[Justiniano I]] encorajou-os a combater os gépidas.
Quando entraram na Itália, alguns lombardos ainda mantinham sua forma nativa de [[Paganismo germânico|paganismo]], enquanto outros eram [[Cristianismo|cristãos]] [[Arianismo|arianos]]. Isto lhes colocou desde o início em más relações com a [[Igreja Católica]]. Gradualmente adotaram os títulos, nomes e tradições romanas, e converteram-se, parcialmente, ao catolicismo, no {{séc|VII}} - não sem antes passar por uma longa série de conflitos étnicos e religiosos.
 
Todo o território lombardo estava dividido em 35 [[ducado]]s, cujos líderes tinham sede nas principais cidades. <ref name=GAETA>{{Referência acitar livro
| Autorautor = GAETA, Franco; VILLANI, Pasquale
| Títulotítulo = Corso di Storia
| Subtítulosubtítulo = per le scuole medie superiori
| Ediçãoedição = 1
| Local de publicaçãolocal-publicacao = Milão
| Editoraeditora = Principato Editore
| Anoano = 1986
| Páginaspáginas = 324
| IDvolume = 1}}</ref> O rei lhes governava, e administrava todo o território através de emissários chamados gastaldos (''gastaldi'').<ref name=GAETA/> Esta subdivisão, no entanto, aliada à indocilidade independentista dos ducados, não conferiu unidade ao reino, tornando-o fraco se comparado aos bizantinos, especialmente depois que estes puderam se recuperar da invasão inicial. Esta fraqueza se tornou ainda mais evidente quando os lombardos tiveram de confrontar o poder crescente dos [[francos]]. Como resposta a esse problema, os reis gradualmente tentaram centralizar o poder. Acabaram, no entanto, perdendo definitivamente o controle sobre os ducados de [[Ducado de Espoleto|Espoleto]] e [[Ducado de Benevento|Benevento]] no processo.
| Volumes = 1
| Volume =
| ID = }}</ref> O rei lhes governava, e administrava todo o território através de emissários chamados gastaldos (''gastaldi'').<ref name=GAETA/> Esta subdivisão, no entanto, aliada à indocilidade independentista dos ducados, não conferiu unidade ao reino, tornando-o fraco se comparado aos bizantinos, especialmente depois que estes puderam se recuperar da invasão inicial. Esta fraqueza se tornou ainda mais evidente quando os lombardos tiveram de confrontar o poder crescente dos [[francos]]. Como resposta a esse problema, os reis gradualmente tentaram centralizar o poder. Acabaram, no entanto, perdendo definitivamente o controle sobre os ducados de [[Ducado de Espoleto|Espoleto]] e [[Ducado de Benevento|Benevento]] no processo.
 
====Lombardia Maior====
[[Imagem:0492 - Pavia - S. Pietro - Tomba di Liutprando - Foto Giovanni Dall'Orto, Oct 17 2009.jpg|thumb|upright=0.9|Tumba de [[Liutprando (rei lombardo)|Liutprando]], na Basílica de São Pedro, em [[Pávia]]]]
 
As disputas religiosas permaneceram sendo uma fonte de conflito nos anos seguintes. O reino lombardo começou a se recuperar apenas sob [[Liutprando, o Lombardo|Liutprando]] (rei a partir de 712, filho de [[Ansprando]] e sucessor do brutal [[Ariperto II]]. Liutprando conseguiu reconquistar um centro controle sobre Espoleto e Benevento, e, aproveitando-se das desavenças entre o papa e [[Império Bizantino|Bizâncio]] em relação à [[Iconoclasmo|reverência aos ícones]], anexou o [[Exarcado de Ravena]] e o ducado de [[Roma]]. Também ajudou o marechal franco, [[Carlos Martel]], a rechaçar os [[árabes]]. Seu sucessor, [[Astolfo]], conquistou Ravena para os lombardos pela primeira vez, porém foi derrotado subsequentemente pelo rei dos francos, [[Pepino III]], convocado pelo papa, e teve de abandoná-la. Com a morte de Astolfo, [[Rachis]] tentou novamente ser rei da Lombardia, sendo deposto no mesmo ano.
 
Após a derrota de Rachis, o último lombardo a governar como rei foi [[Desidério]], duque da Toscana, que conseguiu conquistar Ravena definitivamente, pondo um fim à presença bizantina no norte da Itália. Desidério decidiu reiniciar os conflitos com o papa, que estava apoiando os duques de [[Ducado de Espoleto|Espoleto]] e [[Ducado de Benevento|Benevento]] contra ele, e invadiu Roma em 772, o primeiro rei lombardo a fazê-lo. Quando o [[Papa Adriano I]] convocou a ajuda do poderoso rei [[Carlos Magno]], Desidério foi derrotado em [[Susa (Itália)|Susa]] e sitiado em [[Pavia]], enquanto seu filho [[Adalgis]] foi obrigado a abrir as portas de [[Verona]] para as tropas francas. Desidério se rendeu em 774, e Carlos Magno, numa decisão sem precedentes, adotou o título de "Rei dos Lombardos"; até então os reinos germânicos frequentemente conquistavam-se uns aos outros, porém nenhum conquistador havia adotado o título de rei de outro povo. Carlos Magno então separou parte do território lombardo e transformou-o nos [[Estados Papais]].
 
{{Artigo principal|Ducado de Benevento}}
Embora o reino com sede em [[Pavia]], no norte da [[península Itálica]] tivesse sido conquistado por [[Carlos Magno]], os territórios controlados pelos lombardos ao sul dos [[Estados Pontifícios]] nunca foram conquistados pelo rei franco ou seus descendentes.
 
Em 774, o duque [[Aragis II de Benevento]], cujo ducado estava até então apenas nominalmente sob autoridade real - ainda que muitos reis tenham conseguido exercer com sucesso seu poder no sul - passou a alegar que Benevento era o [[estado sucessor]] do reino lombardo, tentando transformar Benevento num ''secundum Ticinum'', uma segunda Pavia. Não contou com qualquer apoio, no entanto, e não tinha qualquer chance de ser coroado em Pavia.
Carlos Magno enviou um exército, e seu filho [[Luís, o Piedoso]] também enviou tropas, para tentar forçar o duque de Benevento à submissão, que eventualmente foi aceita. Apesar disso, Aragis e seus sucessores permaneceram independentes ''de facto'', com a única peculiaridade que os duques de Benevento passaram a adotar o título de "príncipe" (''princeps'') no lugar de "rei" (''rex'').
 
Os lombardos da Itália meridional ficaram a partir de então na posição anômala de dominar terras disputadas por dois impérios: o [[Império Carolíngio]], a norte e oeste, e o [[Império Bizantino]], a leste. Apesar das frequentes promessas e garantias de tributo feitas aos carolíngios, permaneceram efetivamente fora do controle franco. Enquanto isso, Benevento cresceu até atingir sua extensão máxima, chegando a impor tributos sobre o [[Ducado de Nápoles]], que continuava leal a Bizâncio, e até mesmo chegou a conquistar a cidade napolitana de [[Amalfi]], em 838 A uma determinada altura no reinado de [[Sicardo de Benevento|Sicardo]], o domínio lombardo se estendeu por quase a totalidade do sul da Itália, com exceção da extremidade meridional da [[Apúlia]] e da [[Calábria]] e de Nápoles e suas cidades associadas.
 
Durante o {{séc|IX}}, uma forte presença lombarda conseguiu se entrincheirar na região até então predominantemente [[Gregos|grega]] da Apúlia. Sicardo, no entanto, deixou o sul da península aberto às invasões dos [[sarracenos]] durante sua guerra contra [[André II de Nápoles]]. Quando Sicardo foi assassinado em 839, Amalfi declarou sua independência e duas facções passaram a disputar o poder em Benevento, o que arruinou o principado e tornou ainda mais suscetível a inimigos externos.
===Itália meridional e os árabes, 836&ndash;915===
{{principal|História do islamismo na Itália meridional}}
André II de Nápoles contratou [[mercenário]]s [[sarraceno]]s para atuar em sua guerra contra Sicardo de Benevento, em 836 Sicardo respondeu pagando na mesma moeda. Os sarracenos inicialmente concentraram seus ataques na Sicília e na Itália bizantina, porém logo [[Radalgiso I de Benevento]] convocou mais mercenários, que saquearam [[Cápua]] em [[841]]. As ruínas daquela cidade são tudo o que restou da "Antiga Cápua" ([[Santa Maria Capua Vetere]]); logo em seguida [[Landulfo I de Cápua|Landulfo, o Velho]] fundou a "Nova Cápua", atual cidade moderna, numa colina vizinha. Os príncipes lombardos, no entanto, estavam menos dispostos a se aliar a sarracenos do que a seus vizinhos gregos de Amalfi, [[Gaeta]], Nápoles e [[Sorrento]]. [[Guaifério de Salerno]], no entanto, colocou-se por um breve período sob a suserania muçulmana.
 
Uma grande força islâmica conquistou [[Bari]], que até então era um ''[[Gastaldo|gastaldato]]'' lombardo sob o controle de [[Pandenulfo de Bari|Pandenulfo]], em 847 As incursões sarracenas continuaram então, cada vez mais ao norte, até que finalmente o príncipe de Benevento, [[Adalgiso de Benevento|Adalgiso]], convocou o auxílio de seu suserano, Luís II - que aliou-se ao imperador bizantino {{Lknb|Basílio|I, o Macedônio}} para expulsar os [[Emirado de Bari|árabes de Bari]] em 869 Uma força expedicionária árabe foi derrotada novamente pelo imperador em [[871]]. A partir daí Alagiso e Luís permaneceram em conflito até o fim do reinado do segundo; Adalgiso se via como o verdadeiro sucessor dos reis lombardos, e nesta condição alterou o ''[[Édito de Rotário]]'', último soberano lombardo a fazê-lo.
 
Após a morte de Luís, [[Landulfo de Cápua]] estabeleceu uma breve aliança com os sarracenos, porém o [[Papa João VIII]] o convenceu a interrompê-la. [[Guaimário I de Salerno|Guaimário de Salerno]] enfrentou os sarracenos com tropas bizantinas. Ao longo de todo este período os príncipes lombardos mudaram suas alianças de um grupo a outro, até que por volta de 915 o [[Papa João X]] conseguiu unir todos os príncipes cristãos do sul da Itália contra os territórios sarracenos no [[rio Garigliano]]. Naquele ano, na grande [[batalha de Garigliano]], os sarracenos finalmente foram expulsos da Itália.
===Conquista normanda, 1017&ndash;1078===
{{principal|Conquista normanda da Itália meridional}}
O diminuto principado de Benevento logo perdeu sua independência para o [[papado]] e declinou de importância até ser conquistado pelos [[normandos]] durante sua [[Conquista normanda da Itália meridional|conquista do sul da Itália]]. Inicialmente chamados pelos próprios lombardos para combater os bizantinos pelo controle da [[Apúlia]] e da [[Calábria]], os normandos atenderam ao chamado de líderes como [[Melo de Bari]] e [[Arduíno, o Lombardo|Arduíno]], e gradualmente acabaram por se tornar os principais rivais dos próprios lombardos pela hegemonia no sul.
 
O [[Principado de Salerno|principado salernitano]] viveu uma era de ouro sob [[Guaimário III de Salerno|Guaimário III]] e [[Guaimário IV de Salerno|Guaimário IV]], porém sob [[Gisulfo II de Salerno|Gisulfo II]] acabou reduzido à insignificância e foi tomado em 1078 por [[Roberto Guiscardo]], que havia se casado com a irmã de Gisulfo, [[Siquelgaita]]. O [[Principado de Cápua]] foi muito disputado durante o reinado do odiado [[Pandolfo IV de Cápua|Pandolfo IV]], o ''Lobo dos Abruzos'', e sob o domínio de seu filho foi conquistado, quase sem resistência, pelo normando [[Ricardo I de Aversa|Ricardo Drengot]], em 1058. Os capuanos se revoltaram contra o domínio normando em 1091, expulsando o neto de Ricardo, [[Ricardo II de Cápua|Ricardo II]], e colocando em seu lugar [[Lando IV de Cápua|Lando IV]].
===Língua===
{{principal|Língua lombarda}}
A [[língua lombarda]] é uma [[línguas germânicas|língua germânica]] já [[Língua extinta|extinta]] cujo uso começou a declinar no {{séc|VII}}, mas que ainda estava em uso até por volta do ano 1000. Foi preservada apenas de maneira fragmentária, com a sua principal evidência consistindo de palavras individuais citados em textos [[latim|latinos]]. Na ausência de textos completos no idioma, nada se pode concluir sobre a sua [[Morfologia (linguística)|morfologia]] e [[sintaxe]]. A classificação genética do idioma tem como base apenas a sua [[fonologia]]. Como existem evidências de o lombardo tenha participado - e até mesmo seja a sua evidência mais antiga - da [[mudança consonantal do alto alemão]], costuma ser classificado como um dialeto [[germânico do Elba]] ou [[alemão superior]].
 
Fragmentos do lombardo foram preservadores em inscrições [[Runas|rúnicas]]. Entre as fontes primárias do idioma estão inscrições curtas no [[antigo futhark]], entre elas a "cápsula de bronze de [[Schretzheim]]" (c. 600). Diversos textos latinos incluem nomes lombardos, e textos jurídicos lombardos contêm termos retirados do vocabulário legal do vernáculo. Em 2005, alegou-se que a inscrição da [[espada de Pernik]] poderia estar em lombardo.{{carece de fontes}}
Os primeiros indícios de uma religião lombarda mostram que eles veneravam originalmente os [[Paganismo germânico|deuses germânicos]] do [[panteão]] de [[Vanir]] enquanto estavam na [[Escandinávia]]. Após se deslocar para a costa do [[mar Báltico]], através do contato com outros povos germânicos, adotaram o culto dos deuses de [[Aesir]], uma alteração que representou mudança cultural, de uma sociedade agrária para uma formada por guerreiros.
 
Após penetrarem em território [[Panônia|panônio]], os lombardos tomaram contato com um [[povos iranianos|povo iraniano]], os antigos [[sármatas]]. Deste povo, tomaram emprestado um antigo costume de [[simbolismo]] religioso. Uma longa vara, por exemplo, com uma figura de um pássaro em sua ponta - normalmente um [[pombo]], derivado dos [[estandarte]]s utilizados em combate, era colocado na frente dos lares pela família dos homens que morriam durante uma guerra distante e cujos cadáveres não podiam ser trazidos para serem velados e sepultados.
 
===Cristianização===
O ducado (e, mais tarde, principado) de [[Ducado de Benevento|Benevento]], no sul da Itália, desenvolveu um [[rito]] cristão único nos séculos VII e VIII, o rito beneventano, mais próximo da [[liturgia]] do [[rito ambrosiano]] do que o [[rito romano]]. O rito beneventano não sobreviveu em sua forma completa, embora a maior parte de seus festivais e dias santos de importância local ainda existam. O rito beneventano parecem ter sido menos completos, menos sistemáticos e mais flexíveis, liturgicamente, do que o rito romano.
 
Uma das características deste rito era o [[canto beneventano]], um estilo de [[cantochão]] de influência lombarda que trazia semelhanças com o [[canto ambrosiano]] da Milão dos lombardos. O canto beneventano era definido pelo seu papel na liturgia do rito beneventano; diversos cantos recebiam papeispapéis diferentes ao serem inseridos em livros de canto gregoriano, surgindo ora como [[antífona]]s, [[ofertório]]s e [[comunhão|comunhões]], por exemplo. Eventualmente foi suplantado pelo [[canto gregoriano]], no {{séc|XI}}.
 
O principal centro do canto beneventano era [[Montecassino]], sede de uma das primeiras e maiores [[abadia]]s do [[monasticismo ocidental]]. [[Gisulfo II de Benevento]] doou uma grande extensão de terra para a cidade em 744, que se tornou a base de um Estado importante, ''[[Terra Sancti Benedicti]]'', sujeito à autoridade de Roma. A influência de Montecassino no cristianismo do sul da Itália foi imensa. Montecassino também foi o ponto inicial de outra característica do monasticismo beneventano: o uso da típica [[escrita beneventana]], uma forma de escrita clara e angular, derivada da [[cursiva romana]], utilizada pelos lombardos.
{{Referências|col=3}}
 
*{{tradução/ref|en|Lombards|oldid=353246396}}
 
== Bibliografia ==
 
== Ligações externas ==
* {{link|en|http://www.northvegr.org/lore/langobard/index.phpb|''Historia Langobardorum de Paulus Diaconus''}}
 
{{Lombardos}}