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===== Dinastias da Idade de Bronze Média =====
 
O [[Império Médio]] durou de 2055-1650 a.C. Durante este período, a [[Antiga religião egípcia|culto fúnebre a Osíris]] ascendeu para dominar a religião popular egípcia. O período compreende duas fases: a 11ª Dinastia, que governou de Tebas, e a 12ª<ref>Othmar Keel and Christoph Uehlinger. ''Gods, goddesses, and images of God in ancient Israel'', 1998. Página 17 (cf. "The first phase (Middle Bronze Age IIA) runs roughly parallel to the Egyptian Twelfth Dynasty")</ref> e 13ª dinastias que foram centradas em torno de [[el-Lisht]]. O império unificado já foi considerado como compreendendo as 11ª e 12ª dinastias, mas historiadores atuais pelo menos parcialmente consideraram a 13ª dinastia como pertencente ao Império Médio.
 
Durante o [[Segundo Período Intermediário]],<ref>Bruce G. Trigger. ''Ancient Egypt: a social history''. 1983. Página 137. (cf. ... "for the Middle Kingdom and Second Intermediate Period it is the Middle Bronze Age".)</ref> o Antigo Egito caiu em desordem pela segunda vez, entre o final do Império Médio e do início da Império Novo. É mais conhecido pelos [[Hicsos]], cujo reinado compreendeu as 15ª e 16ª dinastias. Os hicsos apareceram pela primeira vez no Egito durante a 11ª dinastia, começaram sua escalada rumo ao poder na 13ª dinastia, e surgiram a partir do Segundo Período Intermediário no controle de [[Aváris]] e do [[Delta do Nilo|Delta]]. Pela 15ª dinastia, governaram o Baixo Egito, tendo sido expulsos no final da 17ª dinastia.
 
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'''Idade do Bronze Tardio no Egito'''<ref>{{citar web|URL = http://novoimperio.wix.com/novoimperio|título = O Novo Império no Antigo EGito|data = 01/01/2012|acessadoem = 15/07/2015|autor = Raphael Freire Santos|publicado = Raphael Freire Santos}}</ref><ref>SANTOS, Raphael Freire. O Novo Império no Antigo Egito. São Paulo: Raphael Freire Santos, 2012.</ref><ref name=":0">{{citar livro|nome = Raphael Freire|sobrenome = SANTOS|título = O Novo Império no Antigo Egito|ano = 2012|isbn = 978-85-914307-0-3}}</ref>
* Ascensão do poder tebano da 17ª dinastia: o Alto Egito era controlado por Tebas que, por sua vez, viu a terra negra ser controlada pelos estrangeiros. Frizzo (2010, apud SPALINGER, 2005) classifica as relações tensas entre asiáticos e tebanos semelhantes à guerra fria.
 
De um lado, SeqenenráSequenenrá II era faraó e, do outro, ApophisApófis, rei em Avaris, asiático e igualmente exercia poder no Egito. SeqenenráSequenenrá II lança mão de um conflito para retirar o poder de ApophisApófis, sem sucesso. A guerra é retomada por seu sucessor. Enquanto Alto e o Baixo Egito estão em conflito, o país permanece fragmentado. Duas estelas relatam a guerra entre Kamés5Camés5 e ApophisApófis, com uma grande insatisfação do primeiro em dividir o poder, demonstrando nacionalismo e xenofobia (FRIZZO, 2010, apud SPALINGER, 1982 e BUSBY, 2002).
 
Frizzo (2010), citando Newby (1980), acredita na possibilidade de as cidades do Médio Egito ter se divido entre os apoiadores dos egípcios e apoiadores dos hicsos, inclusive de grandes proprietários de terras que tinham interesse na pastagem do gado.
KamésCamés vence o confronto, mas volta para Tebas sem literalmente derrotar o exército inimigo asiático de Apophis. O último teria ainda tentado uma aliança com o rei de KushCuxe, uma tentativa de pedido de auxílio desesperado diante do saque inimigo. A demonstração de fraqueza por parte dos hicsos foi o necessário para que Ahmés6Amósis6, sucessor de Kamés, derrotasse o povo estrangeiro e iniciasse um novo tempo para o Egito.
As ações militares de AhmésAmósis foram escritas pelos oficiais, não diretamente pelo próprio rei. Em uma de suas campanhas, ele apodera-se da cidade de Avaris. Em seguida, o alvo do faraó é Sharuhen, ao sul palestino, ponto de apoio para Avaris. O objetivo das ações seria, conforme o próprio rei, evitar que os asiáticos realizassem algum contra-ataque contra seu território (kemet). Posteriormente, outras ações em território asiático serviram para enfraquecer os inimigos. Frizzo (2010) acredita que isso deva-se à invasão estrangeira, ou seja, uma nova percepção dos egípcios sobre a segurança do país. Frizzo (2010, apud NEWBY, 1989) considera que a própria ideologia de superioridade inata (herança do demiurgo) trouxe um sentimento de patriotismo para a expulsão dos povos estrangeiros, consolidando o poder do próprio rei com fortes alianças com famílias importantes.
 
Mais tarde, duas rebeliões núbias levaram os navios do faraó para o Alto Egito: Aata, núbio invasor do território sul do Egito, e Tetian, um egípcio revoltoso. Para Frizzo (2010), as revoltas núbias não eram novidade para os egípcios. Inclusive, eles fizeram parte do exército do Egito.
 
 
''“Os núbios serviram desde o princípio do período faraônico como força militar, formando as tropas de elite do Exército do faraó. Eram conhecidos como medjayw e tinham grande habilidade com os arcos. Outro papel desempenhado pelos núbios era o de forças policiais. Em geral, eles eram alistados a partir das revoltas, como fica claro a partir do texto conhecido como Admoestações de Ipu-ur, única descrição de uma revolta social durante o Egito faraônico.” (FRIZZO, 2010:31)''
 
Segundo Frizzo (2010), há três especulações a respeito dos motivos que levou os egípcios a incluir soldados estrangeiros em seu exército. O primeiro, de pouca consistência, baseia-se na ideia de que eles eram mais bem treinados com maior habilidade marcial. A segunda considera insuficiência do número de pessoas nativas no corpo militar, levando a contratação de mercenários, núbios ou asiáticos em sua composição. A última hipótese diz que tropas estrangeiras serviam para “manter o controle da coerção nas mãos da classe dominante ligada ao Estado.” (FRIZZO, 2010:32)
Frizzo (2010) não considera somente as modificações na sociedade e a centralização do poder nas bases do império que viria a levantar-se no Egito, mas também as mudanças na forma de recompensas aos militares. A 18ª dinastia foi marcada, dentre outras, pela caracterização do militar como servidor importante do faraó, dando lugar ao sistema de meritocracia. Frizzo (2010, apud LORTON, 1974) atesta, por exemplo, a lógica do inimigo derrotado que, consequentemente, perde a posse de seus bens e família para o vencedor. Nesse sentido, o autor lembra que tudo que era conquistado estava nas mãos do faraó, pois ele seria responsável pelas vitórias e, portanto, tudo estaria em sua posse, centralizando os ganhos e distribuindo aos soldados que destacaram-se nas batalhas. Os capturados, da mesma forma, poderiam ser presenteados como escravos aos vencedores. Já as mortes seriam provadas quando um guerreiro levasse uma mão cortada do inimigo ao rei. O ouro, conforme inscrições do soldado AhmésAmósis, filho de Ebana, servia como título honorífico e como valor pago em recompensa por capturas e mortes.
A expansão do império egípcio iniciada pelo faraó contra os hicsos começa a mostrar resultados quando outros povos começam a enviar tributos para a cidade de Tebas. Apoiando-se em Redford (1993), Frizzo (2010) enuncia que a organização social no antigo Oriente Médio começa a modificar-se. O Chipre e o Levante fortalecem as rotas de comércio de ópio, cobre e cerâmica. A Babilônia não consegue sustentar seu poder no império da Mesopotâmia, pois havia sido invadida pelos kassitascassitas após o reinado de Hammurabi[[Hamurabi]]. Não obstante, dois grupos étnicos ameaçam o equilíbrio do Levante e influenciam a história do Egito e de sua relação com o Oriente Próximo: os hititas e os hurritas (estes últimos ganharam força no cenário político, influenciados pelos indo-arianos caracterizados pela utilização do cavalo e do carro de guerra, cremação e da aristocracia jovem – maryannu).
Esses dois povos são importantes para a história egípcia, pois, segundo Frizzo (2010), eles cresceram e enfrentaram-se para conquistar o norte da Síria e o alto Eufrates e, unindo-se famílias com características de ambas as partes, geram um só povo, chamado kharu pelos egípcios7. “A pressão dos hurritas e seus líderes indo-arianos deu origem a um Estado territorial chamado Mitanni (...) e exerceu influência sobre cidades diretamente ligadas ao processo de expansão egípcia.” (FRIZZO, 2010:35) Megido e Kadesh (este último centro de poder do alto Orontes e GaliléiaGalileia), da Síria-Palestina, eram dois exemplos de cidades influenciadas.
AhmésAmósis estabelece um governo de dominação e intimidação dos povos estrangeiros. As cidades sírio-palestinas deveriam ser servas do Egito, sendo que os reis dos territórios passariam a ser representantes do faraó com o jugo do juramento e da fidelidade ao rei. Assim, ele estendia suas fronteiras. O sucessor de AhmésAmósis, AmenhotepAmenófis I8, segue a política de dominação do pai em direção à Núbia, promovendo uma ação militar por volta do oitavo ano de reinado. Frizzo (2010), baseando-se em Galán (2002), dá especial atenção ao termo utilizado nos documentos dos militares que registraram as guerras de AmenhotepAmenófis I, a saber, “estender as fronteiras”, que carrega algo além das delimitações geográficas para as relações do faraó com povos estrangeiros. Destarte, quando o faraó estendia suas fronteiras pode-se entender, de acordo com o contexto, fronteiras geográficas ou relações internacionais.
A invasão da Baixa Núbia relaciona-se com as rotas comerciais de minérios e produtos de luxo. Também está ligada pela importância sagrada da terra negra. “Era necessário limpar o vale do Nilo de qualquer ameaça séria à hegemonia egípcia.” (FRIZZO, 2010:37) AmenhotepAmenófis I teria expandido mais suas fronteiras ao sul, na segunda Catarata, pela segurança desse território, onde teria construído fortes que incumbiam-se do comércio e das ações de repressão contra rebeldes kushitascuxitas. A região de Wawat era tributada conforme Frizzo (2010, apud BRYAN, 2000) cita uma estela do forte de Aniba.
 
''“Com a expansão do império para o sul e a tributação de Wawat, a economia egípcia continuou sua linha de desenvolvimento iniciada com as inovações nas forças produtivas relativas às trocas de experiências com os hicsos. A conquista da Baixa Núbia fornecera um fluxo constante de ouro e outros minérios. Nos 12 anos de paz do reinado de AmenhotepAmenófis I, abriram-se minas de turquesa no Sinai; iniciou-se a extração de alabastro em Bosra e em Hatnub; e foram abertos os trabalhos nas minas de arenito Gebel el-Silsila.” (FRIZZO, 2010:37)''
 
Frizzo (2010) estabelece dois pontos para a importância do produto da mineração no Egito:
* Deslocamento militar para proteção dos trabalhadores e dos produtos.
 
Houve um aumento, segundo o autor, de construções na margem oriental do Nilo, visto que havia subsídio provindo de Wawat e da intensificação da mineração. AmenhotepAmenófis I foi adorado postumamente, e muitos pontos sobre seu reinado:
 
* Fortalecimento do culto de Amon devido aos investimentos ao temploTemplo de KarnakCarnaque;
* Expansão do território para o sul;
* Fortalecimento da família real contra reivindicações políticas ou econômicas, o que também centralizava os ganhos da guerra com famílias diretamente associadas à realeza e fortalecia as posições políticas;
* Desenvolvimento da administração com importantes famílias das cidades centrais do Egito (Elkab, Edfu e Tebas, por exemplo).
 
Assim, Frizzo (2010) demonstra os aspectos principais das bases para a construção da Idade do Bronze Tardio no Egito entre o reino de KamésCamés e AmenhotepAmenófis I.
 
* Expansão do império egípcio – dominação no Oriente Próximo;
* Saques periódicos e dominação através de juramentos de fidelidades entre príncipes locais.
 
Cardoso (2000) realiza uma análise das relações que o antigo Egito mantinha com o Oriente Próximo, em especial durante a época tardia da Idade do Bronze até aproximadamente 1200 a.C., época de colapso segundo o autor. Ele baseou-se em documentos de Amarna escritos em acadiano (tabuinhas de argila inscritas em cuneiforme) que abarcam do fim do reinado de AmenhotepAmenófis III até, provavelmente, início do reinado de TutankhamonTutancâmon. Seus estudos contam a história do Oriente Próximo em geral, além de fazer referência ao Egito.
O ponto mais alto da Idade do Bronze Tardio apresentou países muito fortes que, no entanto, não tinham como enfrentar-se, salvo o MitanniMitani que perdeu importância perante os demais. Muitos tratados foram realizados em períodos de vários reis.
Cardoso (2000), baseando-se em uma relação de correspondência entre as nações descrita por Zaccagnini (1987), demonstra que cada reino descrevia-se como uma casa, sendo o governante o chefe de família que, por sua vez, tratava os demais como irmãos que trocam presentes (dons ou contra-dons) que podiam ser matérias-primas ou artigos luxuosos. Moran (1992, apud CARDOSO, 2000) traz a tradução de uma das cartas entre AmenhotepAmenófis III e Kadashmanenlil I, rei da Babilônia, no qual o faraó diz que está tudo muito bem com sua família (o reino) e pergunta como está a família do irmão (reino babilônico). Outro rei babilônico, Burraburiash[[Burraburias]], em contato com o rei assírio, escreve em uma carta que as saudações (presentes de saudação) não deveriam ter conotação comercial, pois seu reino de nada necessitava, servindo apenas como garantia de boas relações.
O dom/contradom davam-se pela relação de utilidade dos materiais enviados de rei para rei. O autor exemplifica com a carta de Ashshuruballit[[Assurubalite I]], rei da Assíria, quando solicita ouro a AmenhotepAmenófis III para a construção de uma obra. Ele oferece a filha em matrimônio como troca, mas não a enviaria se o faraó enviasse o solicitado quando a obra já estivesse terminada, pois de nada serviria, devolvendo o ouro. Vê-se, também, que mulheres de famílias reais poderiam ser enviadas para casamento em troca de vários presentes, salvo o Egito que não enviava suas princesas, mas recebia-as de seus irmãos.
Outra característica é a depreciação dos presentes enviados entre os irmãos, que poderia ocorrer caso o reino não recebesse algo não correspondente ao prometido ou o tivesse em abundância. O rei assírio, ao solicitar ouro, percebe que o mesmo foi enviado em menor quantidade se comparado a presentes enviados a seus ancestrais e, por isso, reclama a AmenhotepAmenófis III que ele não é suficiente para cobrir despesas de viagens dos seus mensageiros, visto que o ouro na sua “casa” é comparado a pó devido a sua abundância. Ressalte-se que o Egito era grande detentor de ouro e possuía extrações muito produtivas pelo Oriente Próximo e por suas rotas.
 
''“De certo modo, entravam na mesma lógica os pedidos de envio de mão-de-obra (serviçais) e especialistas: médicos, mágicos, escultores, etc. Neste caso, tratava-se de um empréstimo: passada a necessidade alegada (sempre de acordo com a lógica do “valor de uso”, portanto), o membro do pessoal de outro palácio emprestado seria devolvido. Em forma análoga, estátuas divinas a que se atribuíam poderes curativos podiam circular entre as cortes.” (CARDOSO, 2000:21)''
O autor dispõe as principais produções dos reinos do Oriente Próximo:
 
''“Assim, a Síria-Palestina se especializava em azeite de oliva, madeira e tecidos tingidos de púrpura; o cobre tinha duas zonas referenciais de maior peso: a ilha de Chipre a oeste e, a leste, a região do Golfo Pérsico (Omã-MaganMagão); o caso do estanho é menos claro, mas pareceria que o Irã em certos períodos era a zona de referência; o Egito controlava as rotas do ouro, bem com as do incenso e da mirra do país de Punt (nesta época proavelmenteprovavelmente [sic] a Somália e talvez também o sul da Arábia) por sua navegação no mar Vermelho; por fim, o lápis-lazúli vinha do atual Afeganistão (Liverani,1987: 68). Um de tais circuitos comerciais, dentro do que já vimos acerca da fragmentação dos contactos a longa distância, é representado pelas rotas (fluviais e marítimas) controladas pelo Egito no tocante ao comércio de ouro e incenso.” (CARDOSO, 2000, apud LIVERANI, 1987)''
 
Houve vários confrontos na Síria quando o Egito perdia o controle sobre a situação. A presença de tropas egípcias estava associada, conforme analisa Cardoso (2000), à prevenção de criação de grupos hegemônicos que pudessem confrontar o dominador. Destarte, compreende-se que muitas das campanhas egípcias na região eram empreendidas justamente para interromper a ascensão de tais hegemonias. Amarru é um exemplo, com Labayu e seus filhos ou Aziru, considerados por outras cidades como rebeldes e traidores.
Outro fenômeno que Cardoso (2000) destaca é a concentração da população sedentária e a urbanização da costa. Abandonaram-se zonas agrícolas ao pastoreio seminômade, levando ao empobrecimento e à marginalização. Nesse momento surgem os apiru, um grupo de pessoas que abandona o sedentarismo e começa a viver saqueando cidades e zonas agrícolas numa espécie de seminomadismo secundário. Eles também estavam dispostos a ser mercenários dos príncipes das cidades mais importantes. “Se os apiru representavam um elemento móvel e instável, a sociedade organizada centrava-se em cada caso uma cidade fortificada com seu sistema palacial.” (CARDOSO, 2000:27)
Os príncipes locais possuíam à favor combatentes, carros, artesãos e comerciantes. Contudo, os camponeses eram muito explorados e hostis à dominação do palácio. O regime, segundo o autor, enfrentou desafeto mesmo dos maryannu39 e dos comerciantes e enfraqueceu até seu desaparecimento com a invasão dos povos do mar.
Diferentemente dos faraós, os príncipes vassalos deveriam dirigir-se ao seu rei superior, demonstrando sua subordinação. Cardoso (2000) exemplifica com o trecho de uma carta de Rib-Hadda (Biblos) ao faraó, que cai aos pés de seu senhor como subordinação. O Egito mantém relações estratégicas com UgaritUgarite e seu porto através de presentes, visto que era um importante centro comercial e de aspecto político-militar.
 
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== Mitologia ==