Diferenças entre edições de "Patrício"

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Os patrícios detinham vários privilégios governamentais, dentre eles a isenção de [[tributo]]s, a exclusiva possibilidade de se tornarem soberanos de Roma e também a de serem magistrados, oficiais e [[Senado romano|senadores]]. Desempenhavam altas funções no [[Exército romano|exército]], na [[Religião romana|religião]], na [[Direito romano|justiça]] e na administração pública. Eram em geral grandes proprietários de terra e credores dos plebeus.<ref name="Patrizio"/> Na cidade habitavam num ''[[domus]]'', uma grande e sofisticada residência, e em suas propriedades rurais, nas ''[[vila romana|villas]]'', casas senhoriais.
 
No entanto, emna era {{AC|320|x}}republicana vários cargos públicos importantes se tornaram acessíveis à plebe, incluindo o de senador, perdendo o patriciado parte de sua força política, mas preservando significativo prestígio e influência, especialmente quando pertencentes às famílias mais tradicionais.<ref>[http://www.treccani.it/enciclopedia/patriziato/ "Patriziato"]. ''Enciclopedia Treccani''</ref><ref name="Patrizio"/> Preservaram também o monopólio dos cargos de [[rei das coisas sagradas]], de [[sálio]]s, dos três [[flâmines principais]], e de [[príncipe do senado]]. Mantiveram ainda o privilégio de foro especial,<ref name="Patrizio">[http://www.treccani.it/enciclopedia/patrizio/ "Patrizio"]. ''Enciclopedia Treccani''</ref> e aparentemente só eles podiam contrair o matrimônio solene conhecido como ''[[confarreatio]]''. [[Vespasiano]] {{nwrap|r.|69|79}} foi o primeiro [[imperador romano|imperador]] a pertencer à [[plebe]], mas assim que ascendeu à dignidade imperial o senado concedeu-lhe o estatuto, providência repetida para todos os seus sucessores que caíam na mesma situação. No âmbito do senado, era apanágio dos patrícios serem escolhidos como ''[[interrex]]'', e somente aos senadores patrícios cabia a ''[[auctoritas patrum]]'', que significava a confirmação das deliberações das assembleias populares, mas no {{AC|século III|x}} o privilégio havia se tornado mera formalidade. [[Constantino]] {{nwrap|r.|306|337}} revitalizou o patriciado, mas apenas como distinção honorária, pessoal e vitalícia, não extensiva à família. Mesmo assim, esses novos patrícios tinham o direito de precedência sobre os oficiais e [[Cônsul (Roma Antiga)|cônsules]]. [[Zenão I|Zenão]] (r. 474-475; 476-491) restringiu o título para os [[Prefeito do pretório|prefeitos pretorianos]] e [[prefeito urbano|urbanos]] de [[Constantinopla]], para os [[mestre dos soldados|mestres dos soldados]] e os cônsules.<ref name="Fraccaro"/> No fim do [[Império Romano do Ocidente]] os patrícios recuperaram poder e virtualmente monopolizaram as funções da administração pública.<ref name="Patrizio"/> No [[Império Bizantino]] indicou uma dignidade da corte.<ref>Kazhdan, Alexander (ed.). ''Oxford Dictionary of Byzantium''. Oxford University Press, 1991, p. 1600</ref>
 
[[Vespasiano]] {{nwrap|r.|69|79}} foi o primeiro [[imperador romano|imperador]] a pertencer à [[plebe]], mas assim que ascendeu à dignidade imperial o senado concedeu-lhe o estatuto, providência repetida para todos os seus sucessores que caíam na mesma situação. No âmbito do senado, era apanágio dos patrícios serem escolhidos como ''[[interrex]]'', e somente aos senadores patrícios cabia a ''[[auctoritas patrum]]'', que significava a confirmação das deliberações das assembleias populares, mas no {{AC|século III|x}} o privilégio havia se tornado mera formalidade. [[Constantino]] {{nwrap|r.|306|337}} revitalizou o patriciado, mas apenas como distinção honorária, pessoal e vitalícia, não extensiva à família. Mesmo assim, esses novos patrícios tinham o direito de precedência sobre os oficiais e [[Cônsul (Roma Antiga)|cônsules]]. [[Zenão I|Zenão]] (r. 474-475; 476-491) restringiu o título para os [[Prefeito do pretório|prefeitos pretorianos]] e [[prefeito urbano|urbanos]] de [[Constantinopla]], para os [[mestre dos soldados|mestres dos soldados]] e os cônsules.<ref name="Fraccaro"/> No fim do [[Império Romano do Ocidente]] os patrícios recuperaram poder e virtualmente monopolizaram as funções da administração pública.<ref name="Patrizio"/> No [[Império Bizantino]] indicou uma dignidade da corte.<ref>Kazhdan, Alexander (ed.). ''Oxford Dictionary of Byzantium''. Oxford University Press, 1991, p. 1600</ref>
A partir da [[Idade Média]], em grande parte da [[Europa Ocidental]], mas especialmente na [[Península Itálica|Itália]], [[Germânia]] e [[Frância|França]], passou a ser um título usado para denominar a nobreza urbana que governava uma [[comuna]], cidade ou uma república aristocrática, contrapondo-se à autoridade dos nobres da tradição [[senhor feudal|feudal]] e detendo, assim como ocorreu na Roma Antiga, relevantes privilégios hereditários e monopolizando o poder e as maiores riquezas.<ref name="Patrizio"/><ref>[http://www.treccani.it/enciclopedia/patriziato_(Dizionario-di-Storia)/ "Patriziato"]. ''Dizionario di Storia'', 2011</ref>
 
A partir da [[Idade Média]], em grande parte da [[Europa Ocidental]], mas especialmente na [[Península Itálica|Itália]], [[Germânia]] e [[Frância|França]], passou a ser um título usado para denominar a nobreza urbana que governava uma [[comuna]], cidade ou uma república aristocrática, contrapondo-se à autoridade dos nobres da tradição [[senhor feudal|feudal]] e detendo, assim como ocorreu na Roma Antiga, relevantes privilégios hereditários e monopolizando o poder e as maiores riquezas. Este novo patriciado baseava sua riqueza principalmente em atividades mercantis e profissionais.<ref name="Patrizio"/><ref>[http://www.treccani.it/enciclopedia/patriziato_(Dizionario-di-Storia)/ "Patriziato"]. ''Dizionario di Storia'', 2011</ref> Na Germânia e nos [[Países Baixos]] os patrícios foram conhecidos em muitos locais pelo título de [[burguesia|burgueses]], termo que neste caso difere da definição [[marxista]].<ref>Clarke, M. V. ''The Medieval City State: An Essay on Tyranny and Federation in the Later Middle Ages''. Routledge, 2015, s/pp. </ref><ref>Kamen, Henry. ''Early Modern European Society''. Routledge, 2005, pp. 93-109</ref>
 
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