Luso-tropicalismo: diferenças entre revisões

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O [[Estado Novo (Portugal)|Estado Novo]], nos anos 30 e 40, ignorou ou rejeitou a tese de [[Gilberto Freyre]], devido à importância que conferia à mestiçagem, à interpenetração de culturas, à herança árabe e africana na gênese do povo português e das sociedades criadas pela colonização lusa. As ideias do pensador brasileiro tiveram que esperar pela década de 1950 para conhecer uma recepção mais favorável no seio do regime salazarista. Nessa altura, o regime adotou uma versão simplificada e nacionalista do luso-tropicalismo como discurso oficial, para ser utilizado na propaganda e na política externa. À mudança de atitude não foi alheia a conjuntura internacional saída da [[Segunda Guerra Mundial]] e a necessidade de o Governo português afirmar a unidade nacional perante as pressões externas favoráveis à autodeterminação das colônias. Paralelamente, assistiu-se à penetração do luso-tropicalismo no meio acadêmico e científico, em particular o ligado à formação dos quadros da administração ultramarina e à chamada ''ocupação científica'' das colônias. Com o início da guerra em Angola, e a chegada de Adriano Moreira ao Ministério do Ultramar, foi promulgado um pacote de medidas legislativas inspiradas no luso-tropicalismo. No novo contexto, procurou-se igualmente incutir nos portugueses a ideia da benignidade da colonização lusa ou, de forma mais eufemística, “do modo português de estar no mundo”. A propaganda encarregou-se disso, de forma incansável: era urgente moldar o pensamento para conformar a ação, sobretudo dos colonos e dos agentes do poder colonial no terreno. Desde então, uma versão simplificada do luso-tropicalismo foi entrando no imaginário nacional contribuindo para a consolidação da auto-imagem em que os portugueses melhor se identificam: a de um povo tolerante, fraterno, plástico e de vocação ecumênica.
 
== Ver também ==
*[[Crisol de raças]]
*[[Assimilação cultural]]
 
{{referências}}
 
{{esboço-Portugal}}
{{Portal3|Portugal}}
 
[[Categoria:Colonialismo]]
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