Diferenças entre edições de "Reformismo"

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{{mais notas|data=dezembro de 2012}}
{{socialSocial-democracia}}
 
O '''reformismo''' é um [[movimento social]] que tem em vista a transformação da [[sociedade]] mediante a introdução de [[reformas]] graduais e sucessivas na [[legislação]] e nas instituições já existentes a fim de torná-las mais igualitárias. Essa reforma distingue-se dos movimentos sociais mais radicais, como movimentos [[Revolução|revolucionários]].
Na segunda metade do {{séc|XX|x}}, muitas críticas foram feitas à ideologia defendida pelos teóricos [[Teoria populacional neomalthusiana|neo-malthusianos]]. Com bases nessas críticas, teóricos de [[países subdesenvolvidos]] elaboraram a ''[[teoria reformista]]'' que afirma que os [[problema social|problemas sociais]] não são o resultado do [[crescimento populacional]], mas sim da falta de acesso da grande parte da população às riquezas produzidas.
 
Ideias reformistas são muitas vezes baseada em [[liberalismo]],<ref>{{cite book |last= Ian |first= Adams |title=''Ideology and politics in Britain today''|page= 54-55 |publisher= Manchester University Press |year= 1998 | ISBN==0-7190-5056-1 }}</ref> embora possam estar enraizadas em [[Socialismo|socialistas]] (especificamente, [[Social-democracia|sociais democráticos]] )<ref>{{cite book |last= Sejersted and Adams and Daly |first= Francis and Madeleine and Richard |title= The Age of Social Democracy: Norway and Sweden in the Twentieth Century |publisher=Princeton University Press|year= 2011 |isbn= 978-0691147741|page = |quote= }}</ref><ref name="Foundations of social democracy, 2009">''Foundations of social democracy'', 2004. Friedrich-Ebert-Stiftung, p. 8, November 2009.</ref> ou conceitos [[Religião|religiosos]] {{Carece de fontes|data=outubro de 2016}}. Algumas dependem da transformação pessoal, outras dependem de pequenas mudanças coletivas, tais como roda de fiar de Mahatma Gandhi e a economia da aldeia auto-sustentável, como um modo de [[mudança social]]. <ref>{{Cite book|ref=Desai|last=Gandhi|first=Mohandas Karamchand|editor=Desai, Mahadev H.|title=Autobiography: The story of my experiments with truth |page=89|publisher=Dover|location=Mineola, N.Y |year=1990|isbn=0-486-24593-4}} </ref><ref>Haferkamp, Hans, and Neil J. Smelser, editors. [http://ark.cdlib.org/ark:/13030/ft6000078s/ "Social Change and Modernity."]Berkeley: University of California Press, c1992 1991.</ref>
 
== Teorias reformistas ==
{{Partidos políticos}}
 
=== Teoria populacional reformista ===
Na segunda metade do século XX, muitas críticas foram feitas à ideologia defendida pelos teóricos neo-malthusianos. Com bases nessas críticas, teóricos de países subdesenvolvidos elaboraram a teoria reformista que afirma que os problemas sociais não são o resultado do crescimento populacional, mas sim da falta de acesso da grande parte da população às riquezas produzidas.<ref name="Brasil Escola"/>
 
 
== Movimentos reformistas ==
=== Movimento reformista Radicalista ===
{{Ver artigoArtigo principal|[[Radicalismo]]}}
O [[Radicalismo|movimento radical]] foi um movimento reformista no Reino Unido no final do século XVIII e início do século XX. Ele fez campanhas para a reforma eleitoral, a reforma das Leis dos Pobres, o [[Livre-cambiamo| livre comércio]], a reforma educacional, reforma postal, reforma do sistema prisional, e [[saneamento básico]].<ref>Elie Halévy, ''The Growth of Philosophic Radicalism. '' Faber (1972) ISBN 0-571-04759-9</ref> Originalmente este movimento deveria substituir o exclusivo [[poder político]] da [[aristocracia]] com um sistema mais [[Democracia|democrático]] dando mais representatividade as [[Zona urbana|áreas urbanas]] e as [[Classe média| classes média]] e [[Classe trabalhadora| trabalhadora]].
Após as idéias do [[Iluminismo]], os reformadores olharam para o [[revolução científica]] e [[Industrialização| progresso industrial]] para resolver os [[Questões sociais| problemas sociais]] que surgiram com a [[Revolução Industrial]].
Finalmente, em 1859, este movimento de reforma levou à formação do [[Partido Liberal (Reino Unido) |Partido Liberal]]
 
Após as idéiasideias do [[Iluminismo]], os reformadores olharam para o [[revolução científica]] e [[Industrialização| progresso industrial]] para resolver os [[Questões sociais| problemas sociais]] que surgiram com a [[Revolução Industrial]].
O maior sucesso dos reformadores foi na Inglaterra a Lei da Reforma de 1832, o que proporcionou à crescente [[classes médias]] mais poder político em [[áreas urbanas]], diminuindo ao mesmo tempo a representação de áreas da Inglaterra não perturbadas pela [[Revolução Industrial]].<ref> G. M. Trevelyan, ''Lord Grey of the Reform Bill: Being the Life of Charles, Second Earl Grey'' (London: Longmans, Green, 1913)</ref> Apesar da determinada resistência da [[Câmara dos Lordes]] a lei foi aprovada dando mais poder parlamentar para os liberais.<ref>G. D. H. Cole, ''Short History of the British Working Class Movement, 1787-1947. '' London, George Allen & Unwin (1948), pp. 63-69. "The Reform Movement"</ref>
 
Finalmente, em 1859, este movimento de reforma levou à formação do [[Partido Liberal (Reino Unido) |Partido Liberal]]
 
O maior sucesso dos reformadores foi na Inglaterra a Lei da Reforma de 1832, o que proporcionou à crescente [[classes médias]] mais poder político em [[áreas urbanas]], diminuindo ao mesmo tempo a representação de áreas da Inglaterra não perturbadas pela [[Revolução Industrial]].<ref> G. M. Trevelyan, ''Lord Grey of the Reform Bill: Being the Life of Charles, Second Earl Grey'' (London: Longmans, Green, 1913)</ref> Apesar da determinada resistência da [[Câmara dos Lordes]] a lei foi aprovada dando mais poder parlamentar para os liberais.<ref>G. D. H. Cole, ''Short History of the British Working Class Movement, 1787-1947. '' London, George Allen & Unwin (1948), pp. 63-69. "The Reform Movement"</ref>
 
=== Movimento cartista ===
{{Ver artigoArtigo principal|[[Cartismo]]}}
O [[Cartismo| movimento cartista]] procurou implementar o [[sufrágio universal]]. Um historiador do movimento cartista observou que "O movimento cartista era essencialmente um movimento econômico com um programa puramente político".<ref>G.D.H. Cole, ''Short History of the British Working Class Movement, 1787-1947.'' London, George Allen & Unwin (1948), p. 94 "The Rise of Chartism” </ref>
A idéiaideia do sufrágio universal masculino, uma meta inicial do movimento cartista, era incluir todos os homens como eleitores, independentemente da sua posição social. Isto mais tarde evoluiu para uma campanha pelo sufrágio universal. Este movimento procurou redesenhar os distritos parlamentares dentro de Grã-Bretanha e criar um sistema de salário para os eleitos para que os trabalhadores poderiam ter recursos para representar seus eleitores, sem um fardo para suas famílias.
 
=== Movimento pelo sufrágio feminino ===
{{Ver artigoArtigo principal|[[Sufrágio feminino]]}}
[[FileImagem:Mary Wollstonecraft by John Opie (c. 1797).jpg|rightdireita|120px|thumb|Mary Wollstonecraft]]
Muitos consideram o livro "Defesa dos Direitos da Mulher" (1792), de [[Mary Wollstonecraft]], como a origem da longa campanha dos reformadores para [[Inclusão social|inclusão]] feminista e do movimento do [[sufrágio feminino]]. [[Harriet Taylor]] foi uma influência significativa nos trabalhos e ideias de [[John Stuart Mill]], reforçando a defesa de Mill dos [[direitos da mulher]]. Seu ensaio "Emancipação da Mulher" apareceu no ''Westminster Review'' em 1851, em resposta a um discurso de Lucy Stone dado na primeira [[National Women's Rights Convention|Convenção Nacional de Direitos da Mulher]], em [[Worcester (Massachusetts)|Worcester]], em [[Massachusetts]], em 1850. Mill cita a influência de Taylor em sua revisão final da obra ''On Liberty'', de 1859, que foi publicado logo após sua morte.<ref>[http://feminism.eserver.org/history/docs/subjection-of-women.txt John Stuart Mill, ''The Subjection of Women,'' The Feminism and Women's Studies site (e-text)]</ref>
 
=== Movimento Reformista islâmico de Mustafa Kemal ===
Os conceitos de reforma social haviam sido desenvolvidos por [[Mustafa Kemal]] desde cedo, como fica evidente por seus diários pessoais. Juntamente com seus assessores ele discutia constantemente medidas como a abolição do ''[[hijab]]'' e outras formas de [[véu]]s utilizados tradicionalmente pelas mulheres islâmicas, bem como a integração das mulheres na vida social turca.
 
Mustafa Kemal precisava de um [[Código civil]] para dar seu segundo grande passo em direção à liberdade para as mulheres; o primeiro havia sido assegurar a educação para elas, que fora estabelecida como parte da unificação da educação promovida por ele. Em 4 de outubro de 1926, o novo código civil turco foi aprovado, modelado a partir do [[código civil suíço]]. Kemal não considerava o sexo um fator na organização social; de acordo com seu ponto de vista, a sociedade marchava rumo a sua meta com todos os seus homens e mulheres juntos, e que seria cientificamente impossível para ele conseguir atingir o progresso e tornar o país civilizado se a separação dos sexos continuasse como nos tempos otomanos.<ref>Tüfekçi, ''Universality of Atatürk's philosophy''</ref>
[[Imagem:Ataturk-September 20, 1928.jpg|thumb|esquerda|180px|Edição de 1928 do [[jornal]] francês ''[[L'Illustration]]'', mostrando Atatürk introduzindo o novo [[alfabeto turco]] às pessoas de [[Sinope (Turquia)|Sinope]]]]
 
Em 24 de maio de 1928, o alfabeto turco, uma variante do [[alfabeto latino]], foi implementado, substituindo o [[alfabeto árabe]], como parte da solução de Mustafa Kemal para o problema da alfabetização. O [[pedagogo]] americano John Dewey, contratado por Kemal para assessorar no processo de reforma educacional, relatou que aprender a ler e escrever em turco utilizando-se do alfabeto árabe levava três anos nos níveis mais elementares, frequentemente utilizando-se de métodos bastante cansativos para os alunos.<ref name=dew>{{Citar periódico | ultimo =Wolf-Gazo | primeiro=Ernest | jornal =Journal of American Studies of Turkey| titulo=John Dewey in Turkey: An Educational Mission | editora =American Studies Association of Turkey| local= Ancara| ano =1996|volume=3|issn=1300-6606| paginas=15–42|url=http://www.bilkent.edu.tr/~jast/Number3/Gazo.html}}</ref> Os cidadãos alfabetizados compunham menos de 10% da população da época, que se utilizavam do [[Língua turca otomana|turco otomano]], no alfabeto árabe e com [[vocabulário]] de origem [[Língua árabe|árabe]] e [[Língua persa|persa]].<ref name=dew/> A criação do alfabeto turco a partir do latino foi realizada pela ''Comissão da Língua'' (em turco: ''Dil Encümeni''), sob iniciativa de Atatürk<ref name=dew/> e sob a tutelagem de um [[caligrafia|calígrafo]] [[Armênios|armênio]]-otomano.<ref>{{citar web | título =Türkeş, Atatürk'ün imzasını hatırlattı|url=http://www.milliyet.com.tr/2005/04/25/yazar/dundar.html|citação=Atatürk'ün imzasını bir Ermeni güzel yazı hocasının çizdiğini duymuş muydun?|obra=[[Milliyet]]|autor = Dundar, Can |data=25 de abril de 2005|língua = turco}}</ref>
 
Em 1931, após participar de trabalhos de pesquisa sobre o [[Língua turca|idioma turco]], Mustafa Kemal determinou o estabelecimento da [[Associação da Língua Turca]] (''Türk Dil Kurumu''); ao avanço institucional da língua turca seguiu-se o da [[história da Turquia]], e no ano seguinte foi fundada a [[Sociedade Histórica Turca]] (''Türk Tarih Kurumu''). Mustafa Kemal ainda apelou publicamente aos setores privados e à sociedade em geral para participarem deste esforço em prol da educação.<ref name="TED">{{citar web |url=http://www.ted.org.tr/EN/BelgeGoster.aspx?17A16AE30572D313AAF6AA849816B2EF01E9BE68C047FEF5 |título=About Us |acessodata=1-2-2008}}</ref>
Em 1933, Mustafa Kemal Atatürk ordenou a reestruturação da [[Universidade de Istambul]], que a transformou numa instituição moderna, e estabeleceu logo a seguir a [[Universidade de Ancara]], na capital, para se assegurar do zelo e proteção dos princípios que ele via como expressões de uma sociedade moderna, como a [[Ciência]] e o Iluminismo.<ref>Saikal, [http://books.google.com/books?id=qFhU3kWXLvEC&printsec=frontcover&dq=ataturk+and+islam&as_brr=1 ''Democratization in the Middle East: Experiences, Struggles, Challenges''], 95</ref>
 
Kemal se envolveu pessoalmente com a tradução da terminologia científica;<ref name="Geoffrey">Lewis, Geoffrey L. (1999), ''The Turkish Language Reform: A Catastrophic Success'', Oxford University Press ISBN 0-19-823856-8 pág. 66</ref> ele desejava uma reforma linguística fundamentada numa base metodológica.
 
Em 1932, a primeira [[Lista de traduções do Corão#Turco|tradução para o turco]] do Corão foi lida publicamente.<ref name=cleveland178>Cleveland, ''A History of the Modern Middle East'', 181</ref> Mustafa Kemal comissionou uma [[Traduções do Corão|tradução do Corão]] para o turco do ''[[tafsir]]'' Elmalılı Hamdi Yazır. Sua meta mais alta, no campo religioso, era esta tradução do [[Corão]] para o idioma nacional;<ref name="Radu"/> Atatürk queria ''"ensinar religião em turco para o povo turco, que vinha praticando o [[Islã]] sem o compreender por séculos a fio."''<ref name="Radu">Radu, Michael. (2003), ''Dangerous Neighborhood: Contemporary Issues in Turkey's Foreign Relations'', pág. 125, ISBN 978-0-7658-0166-1</ref> A intensidade da oposição à tradução na Turquia pode ser constatada com o fato de que, em 1936, o texto sagrado do [[islamismo]] já havia sido vertido para outras 102 línguas.<ref name =translation>{{citar livro |sobrenome=Fatani |nom =Afnan |subtítulo=''Translation and the Qur'an'' |ano=2006 | título= The Qur'an: an encyclopedia |editor-last =Leaman |editor-first= Oliver |páginas =657-669 | place= Great Britain |editora=Routeledge}}</ref>
 
{{referênciasReferências}}
 
 
{{Espectro político}}
{{Esboço-política}}
{{Portal3|Política}}
 
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