Diferenças entre edições de "Pena de voo"

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O [[papagaio-mocho]], que vive no solo e é a única espécie de papagaio do mundo incapaz de voar, tem rémiges mais curtas, arredondadas e simetricamente direcionadas que as dos papagaios voadores; estas penas de voo contêm também um menor número de barbicelos junto às extremidades.<ref>{{Citar jornal |último=Livezey |primeiro=Bradley C. |título=Morphological corollaries and ecological implications of flightlessness in the kakapo (Psittaciformes: Strigops habroptilus) |jornal=Journal of Morphology |ano=2005 |volume=213 |artigo=1 |páginas=105–145 |url=http://www3.interscience.wiley.com/cgi-bin/abstract/109920448 |doi=10.1002/jmor.1052130108}}</ref>
 
==Muda==
[[Ficheiro:Corvus-01.jpg|right|thumb|[[Gralha-de-nuca-cinzenta]] (''Corvus monedula'') durante o voo, em processo de muda das rectrizes centrais.]]
Assim que terminam de se formar, as penas são essencialmente estruturas mortas. Com o passar do tempo acabam por ficarem gastas e estragadas, com necessidade de serem mudadas. Ao processo de reposição de novas penas dá-se o nome de [[Muda (biologia)|muda]]. A perda das penas da asa e da cauda pode afetar o voo, por vezes de forma dramática e, em certas famílias, pode prejudicar a capacidade de alimentação ou de realizar os rituais de acasalamento. A cronometragem e progressão da muda das penas de voo variam consoante as famílias de aves.
 
Para a maior parte das aves, a muda começa num ponto específico, designado como ''focus'' (no plural: 'foci'), na asa ou na cauda, e prossegue de forma sequencial numa ou em ambas as direções a partir desse ponto. Por exemplo, a maioria dos passeriformes têm o ''focus'' entre a mais proximal das primárias (P1, usando o esquema de numeração explicado acima) e a mais distal das secundárias (S1), e um ponto focal no meio do par central de rectrizes.<ref>{{Harvnb|Campbell|Lack|1985|p=361}}</ref> Quando a muda destas penas começa, no caso dos passeriformes, as duas penas mais próximas do ''focus'' são as primeiras a cair. Quando as penas de substituição atingem aproximadamente metade do seu comprimento final, as penas adjacentes (P2 e S2 na asa e as duas R2 na cauda) caem. Este padrão de queda e substituição continua até que a muda percorre toda a asa ou cauda. A velocidade da muda pode variar muito entre as várias espécies, e mesmo dentro da mesma espécie. Alguns passeriformes que se reproduzem no [[Árctico]], por exemplo, perdem de uma só vez mais penas de voo (ficando por vezes incapazes de voar por um breve período de tempo) de modo a completar a muda nas asas antes da [[Migração de aves|migração]] para sul, enquanto que essas mesmas espécies, ao reproduzirem-se em [[latitude]]s mais baixas passam por mudas mais prolongadas.<ref>{{Harvnb|Campbell|Lack|1985|p=363}}</ref>
 
[[Ficheiro:Haliaeetus leucogaster overhead imm.jpg|left|thumb|Jovem [[águia-marinha-de-barriga-branca]] (''Haliaeetus leucogaster'') em voo, com efeitos visíveis da muda das penas nas asas.]]
 
Em muitas espécies há mais do que um foco ao longo da asa. Nestes casos, a muda começa em todos os ''foci'' de modo simultâneo, mas prossegue, geralmente, apenas numa direção. Muitos tetrazes, por exemplo, têm dois ''foci'' alares: um na extremidade da asa, o outro entre as penas P1 e S1. Neste caso, a muda prossegue de forma descendente a partir dos dois ''foci''. Muitas aves de grande envergadura alar possuem múltiplos ''foci''.
 
== Ligações externas ==