Diferenças entre edições de "Pena de voo"

2 481 bytes adicionados ,  18h09min de 6 de novembro de 2016
 
Em muitas espécies há mais do que um foco ao longo da asa. Nestes casos, a muda começa em todos os ''foci'' de modo simultâneo, mas prossegue, geralmente, apenas numa direção. Muitos tetrazes, por exemplo, têm dois ''foci'' alares: um na extremidade da asa, o outro entre as penas P1 e S1. Neste caso, a muda prossegue de forma descendente a partir dos dois ''foci''. Muitas aves de grande envergadura alar possuem múltiplos ''foci''.
 
Aves com elevada "[[carga alar]]", isto é, aves com grande peso corporal com asas relativamente pequenas têm dificuldades em voar mesmo no caso de perda de um número reduzido de penas de voo. Uma muda prolongada como a descrita acima torná-las-ia vulneráveis a [[predador]]es durante um período não desprezável do ano. Por essa razão perdem as penas de voo de uma só vez. Ficam assim totalmente incapazes de voar por um período de três a quatro semanas, porém, o período total de vulnerabilidade é assim bastante menor do que seria de outra forma. Onze famílias de aves, incluindo [[mobelha]]s, mergulhões e a maior parte dos [[anseriformes]] têm esta estratégia de muda.
 
Os [[cuco]]s apresentam aquilo que é chamado de muda alar transiliente. De forma simplificada, esta estratégia resume-se à perda e substituição, em primeiro lugar, das primárias com número ímpar e só depois das primárias de número par. Há, contudo variações complexas derivadas na história de vida de cada indivíduo.<ref>{{Citar livro|título=The Cuckoos: Cuculidae|autor=Robert B. Payne|publicado=Oxford University Press|ano=2005|isbn=0-19-850213-3|páginas=52}}</ref>
 
Os [[pica-pau]]s arborícolas, cujos hábitos vitais dependem em grande parte da sua cauda, e em particular, do forte par central de rectrizes em que apoiam o corpo enquanto se alimentam, têm uma muda de penas da cauda muito particular. Ao invés de mudarem as rectrizes centrais em primeiro lugar, tal como faz a maior parte das aves, retêm estas penas até ao fim da muda. É no segundo par de rectrizes (ambas as penas R2) que começa a muda. (Em algumas espécies dos géneros ''Celeus'' e ''Dendropicos'', cai em primeiro lugar o terceiro par.) O padrão de queda e substituição de penas prossegue da mesma forma já descrita para os passeriformes até que todas as rectrizes tenham sido substituídas; só depois é que as rectrizes centrais são mudadas. Isto permite que as penas em crescimento tenham alguma proteção, já que ficam sempre cobertas pelo menos por uma pena existente, ao mesmo tempo que assegura que a nova cauda, fortalecida por penas recentes, possa lidar melhor com a perda do crucial par central de rectrizes. Espécies de pica-paus que se alimentam no solo, como o [[torcicolo (ave)|torcicolo]], não apresentam esta estratégia de muda; de facto, os toricolosmudam as suas rectrizes distais em primeiro lugar, prosseguindo depois a mudaem direção ao par central.
 
== Ligações externas ==