Diferenças entre edições de "Diocleciano"

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Existem evidências que entre os séculos II e IV fatores como poder imperial, cultura literária da elite e os modos de vida no interno das cidades e áreas rurais, permanecerem inabaláveis.  O sistema imperial como um todo não foi perturbado, apesar das turbulências político-militares.<ref>WISTCHEL, 2004, p. 273 apud ANTIQUEIRA, 2015, p. 158</ref> Por outro lado, os problemas com exército, inflação, política e até mesmo a substituição da mão de obra escrava também ocorreram nos séculos II e IV,<ref>BRAVO CASTAÑEDA, 2012, p. 121 apud ANTIQUEIRA, 2015, p. 159</ref> por isso a ideia de crise não poderia ser restrita apenas ao século III, ela foi característica de um longo período.
 
A ideia de crise também não era um consenso na época, visto que a maior parte da população não tinha essa noção, sendo algo mais restrito aos políticos, soldados e pessoas que vivam nas áreas de fronteiras, onde ocorreram diversas invasões.<ref>ANTIQUEIRA, 2015, p. 156</ref> Um modelo histórico tão geral não tem como dar conta de explicar toda a complexidade e as situações individuais que marcaram um Império tão vasto como o romano<ref>(WITSCHEL, 2004, p. 252 apud ANTIQUEIRA, 2015, p. 157 )</ref>. Outro ponto que corrobora esse argumento é o fato de que algumas regiões do Império, como a província do Egito e outras regiões do norte da África, apresentaram crescimento econômico e não teriam sido afetadas pelas ameaças militares.<ref>(STROBEL, 1993, p. 11 apud ANTIQUEIRA, 2015, p. 156 )</ref>.
 
=== Dominato ===
[[Imagem:Roman Empire with dioceses in 300 AD-pt.gif|thumb|upright=2.0|As 12 [[diocese]]s na nova [[tetrarquia|divisão tetrárquica]] do [[Império Romano]] implantada por Diocleciano por volta de {{DC|300|x}}]]
 
A Tetrarquia foi um sistema de governo baseado na divisão administrativa imperial entre quatro titulares, marcado pela adoção de amplas reformas no setor público as quais, visavam a restauração e reorganização do Estado e a manutenção do exército, não obstante, dentro da [[Tetrarquia]] ocorre a aproximação mítico-religiosa com o sistema imperial, consagrando a autoridade do [[Augusto]] ''senior'', ou senhor.<ref>SILVA; MENDES, 2006, p. 197 - 199.</ref>
 
A vitória militar de [[Maximiano]] sobre os rebeldes bagautas levou, Diocleciano a investi-lo com o título de [https://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_(t%C3%ADtulo) Augusto], a fim de evitar que [[Maximiano]] se tornasse um usurpador em potencial. [[Galério]] e [[Constâncio Cloro]] foram eleitos a [https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9sar_(t%C3%ADtulo) César] após se casarem com as filhas de Diocleciano e [[Maximiano]], respectivamente. Dessa forma, era constituída uma aliança política através da aliança familiar, composta por dois Augustos e dois Césares, num sistema que se convencionou chamar de [[Tetrarquia]]. Dentro desse sistema a defesa e a administração do império foi dividida entre cada um dos quatro membros, de forma que cada membro possuía sua própria capital. Diocleciano ficou responsável pelo Oriente e o Egito, [[Galério]] ficou responsável pela [[Grécia]] e as pelas províncias danubianas, [[Maximiano]] pela Itália e a África e [[Constâncio]] pelas províncias ocidentais e Alpes Gálicos, sendo que a unidade do colégio imperial era mantida por Diocleciano, enquanto Augustus ''senior'' que se intitulou de ''Iovius'', ou [[Júpter]], comparando-se às próprias divindades, legitimando seu poder a partir da justificativa teológica que consistia segundo os pagãos, a uma assistência prestada pelos deuses aos imperadores, garantindo na terra a reprodução da ordem divina.<ref>SILVA; MENDES, 2006, p. 199 - 201.</ref>
 
A criação da [[Tetrarquia]] em conjunto com outras medidas adotadas no período levou a um processo de burocratização da administração pública, pela separação e especialização dos cargos e tarefas administrativas, se estendendo também às reformas realizadas no exército como a separação das carreiras civil e militar e o crescente aumento do seu efetivo.<ref>SILVA; MENDES, 2006, p. 203 - 208.</ref>
 
== Reformas econômicas ==
[[Imagem:Edict on Maximum Prices Diocletian piece in Berlin.jpg|thumb|upright=1.0|[[Édito Máximo]]]]
Quando Diocleciano assumiu o poder como [[Imperador romano|imperador]], junto ele assumiu todos os problemas econômicos do império, então durante seu governo ele tomou várias medidas para estabilizar a [[Economia do Império Romano|economia]]. Dentre estas medidas estão à reforma feita na cobrança de impostos e a maneira como eles seriam cobrados, que contava com um censo para saber com quanto cada cidadão poderia contribuir. Também fez uma mudança na [[cunhagem]] das [[Moeda da Roma Antiga|moedas]], organizou a sua produção para tentar resolver a instabilidade da economia e dar novamente valor para as moedas do império. Além destas, houve também a emissão do Edito de Preço Máximo, que estabelecia um preço máximo e fixo para todos os produtos, na intenção de estabilizar a [[inflação]].<ref>PETITT, 2012, p. 2, e p.67.</ref><ref name="SILM211">SILVA; MENDES, 2006, p. 211.</ref>
 
=== Reformas fiscais ===
O [[Império Romano]] vinha de uma falta de organização na taxação dos produtos e cobrança dos impostos, além de receber o império já com uma inflação muito alta e com a sua [[Moeda da Roma Antiga|moeda]] valendo muito pouco. Pensando nisso, Diocleciano decidiu fazer algumas alterações no sistema de impostos, que nesta época eram necessários não somente para o uso geral do império, como também para cobrir os custos e gastos com o [[Exército romano|contingente militar]] de Diocleciano <ref>PETITT, 2012, p. 66-68.</ref>
 
Ele enviou então agentes para analisar todos os produtos e a quantidade que cada [[Cidadania romana|cidadão]] produzia, para com isso fazer um recenseamento e assim saber quanto cada um produzia e com quanto cada um poderia ajudar. Esta avaliação era feita através de uma análise de bens (''caput'') e da terra (''iuga''), no qual o preço a ser pago dependeria do tamanho da terra, dos animais, da quantidade de trabalhadores que ali exerciam sua função. <ref>SILVA; MENDES,name="SILM211" 2006, p.211.</ref> Mas mais um problema precisava ser solucionado para que este novo método de impostos funcionasse, o modo de pagamento. Como a [[Moeda da Roma Antiga|moeda romana]] vinha passando por uma grande desvalorização, Diocleciano decidiu a forma de pagamento dos impostos, que não seriam mais feitos com dinheiro, mas com produtos. Uma lista das necessidades era gerada e cada cidadão pagaria com o que poderia e com a quantia que lhe cabia, dependendo do resultado dordo recenseamento. <ref>PETITT, 2012, p. 69-71.</ref>
 
Outra reforma de Diocleciano dizia respeito à proibição de abandono por parte dos colonos agricultores e arrendatários das terras que cultivavam. Os trabalhadores urbanos também deveriam passar seus ensinamentos para seus filhos, mantendo assim uma estabilização na demanda e produção.<ref name="CARLAN9" />
As [[Moeda da Roma Antiga|moedas]] do império chegaram ao comando de Diocleciano valendo muito pouco. Então Diocleciano fez uma reforma nas [[Moeda da Roma Antiga|moedas]] e suas formas de [[cunhagem]]. Em 294, ele reorganizou as casas de cunhagens romanas, que na época eram muitas e espalhadas por várias [[Província romana|províncias]], o que dificultava ainda mais o processo de fiscalização. Criou então algumas casas principais, nas principais cidades do império para que se tivesse um padrão de qualidade nas moedas. Ele inseriu então três moedas as de ouro [[Áureo|(''aureus'']]), serviam para realizar apenas os pagamentos militares, as moedas de prata (''argenteus'') e as moedas de bronze (''[[Denário|denarii]]'') que seriam usadas para as transações menores e corriqueiras.<ref name="CARLAN9" /><ref>BOWMAN, 2005, p. 83</ref><ref>PETITT, 2012, p. 67</ref>
 
Essas moedas foram implantadas não somente para revigorar a economia romana, mas também traziam em seu corpo desenhos que representavam a riqueza do império e também ajudavam na construção da imagem de legitimidade do imperador. Muitas dessas moedas cunhadas possuíam imagens de Diocleciano de um lado e de [[Júpiter (mitologia)|Júpiter]] do outro ou então [[Maximiano]] e [[Hércules]]. Essas associações divinas representavam a aprovação [[Mitologia romana|divina]] e além de legitimar o poder tanto de Diocleciano quanto de [[Maximiano]] contribuiu para que durante grande parte da [[Tetrarquia]] fossem considerados filhos desses deuses. <ref>CARLAN, 2006, p. 9-11.</ref>
 
==== Moedas com a efígie de Diocleciano ====
 
=== Edito Máximo - 301 d.C. ===
O [[Império Romano]] passava por uma grande inflação devido a total desvalorização das [[Moeda da Roma Antiga|moedas locais]], para isso junto com a reorganização das [[Cunhagem|casas de cunhagem]], Diocleciano lançou um Edito para tentar contornar esta situação. Um edito era a maneira com a qual o imperador fazia para se comunicar com todo o resto da população, dando avisos e ditando [[Leis de Roma|leis]], estas ficavam geralmente expostas em lojas e centros de mercados, onde a maioria das pessoas teria acesso para ler. <ref>PETITT, 2012, p. 67, p.73, e p.83.</ref>
 
O Edito Máximo tinha como premissa fixar o preço máximo que um produto poderia ser vendido. Se algum comerciante, vendedor ou produtor quisesse vender seus produtos por um preço menor, nada o impediria disso, ele estava apenas não poderia vender seus produtos por preços maiores que os ditados pelo edito. Caso alguém vendesse por preços maiores que os propostos, seria condenado a [[Pena de morte|pena capital]], a mesma atribuída para crimes como o estupro de uma [[Vestal]] e traição. Um dos produtos incluídos dentro do edito foi a [[seda]] de cor púrpura. A única pessoa capaz de obter esse tipo de mercadoria seria o próprio [[Imperador romano|imperador]]. Com base nisso muitos estudiosos tendem a acreditar que esse ato serviria para mostrar para a população que o imperador seguiria os mesmos padrões dos demais habitantes do império. <ref>PETITT, 2012, p.79, e p.82</ref>
 
Porém, sua única função não foi estabilizar a [[Economia do Império Romano|economia romana]], mas também para confirmar o poder e controle de Diocleciano sobre a economia. Se o édito conseguisse estabilizar a economia, Diocleciano continuaria no comando do império. Para isso, na introdução escrita por ele mesmo para o edito alega que muitas outras vezes na história do império, outros imperadores já haviam usado editos para tentar resolver questões pertinentes. Além disso, Diocleciano alega ao povo que a culpa estava nos mercadores que por causa da ganância, causaram este grande problema. <ref>PETITT, 2012, p.66, p.72, p.75, e p.80.</ref>
 
Existem dúvidas acerca da abrangência [[Geografia do Império Romano|geográfica]] do edito. Pelo fato de não se ter encontrado evidências sobre o edito no lado [[Império Romano do Ocidente|Ocidental do Império]], muitos pesquisadores acreditam que ele tenha sido promulgado somente para o [[Império Bizantino|Império Oriental]]. Mas é necessário levar em conta que as cartas, editos e/ou mensagens demoravam muito tempo para chegarem de um lado do império até o outro. Outro fator que deve ser considerado é o fato que em 303 d.C., dois anos após a emissão do Edito Máximo, Diocleciano promulgou também o Edito Contra os Cristãos, que fez com que Diocleciano tivesse sua atenção voltada muito mais para os cristãos, dando assim muito mais importância para a perseguição a eles. <ref>PETITT, 2012, p. 83-85</ref>
 
== A Grande Perseguição ==
{{Artigo principal|[[Perseguição de Diocleciano]]}}
Desde o século I, os cristãos praticavam sua religião no território romano, mas não reconheciam a divindade do imperador, logo, foram considerados praticantes de uma religião transgressora, que desconsiderava a moralidade.<ref>CHEVITARESE, 2006, p. 169 apud OLIVEIRA, 2010, p. 19</ref> O cristianismo estava disseminado pelo Império Romano, exercendo sua religião ilícita e tomando espaço entre os romanos, implicando nas medidas persecutórias (éditos) de Diocleciano para restaurar a pureza moral do Império Romano, o respeito às leis romanas que promoveriam a indulgência divina<ref name="SILV37">SILVA, 2011, p. 37</ref> e a credibilidade na divindade do Imperador.<ref>OLIVEIRA, 2010, p. 19-21</ref>
 
Os primeiros éditos persecutórios - promulgados em 303 - removeram cristãos de cargos públicos e destruíram igrejas<ref>SILVA, 2011,name="SILV37" p. 37</ref>,  mas o que mais temiam os cristãos era o ''dies traditionis'', que consistia no dia da entrega das escrituras bíblicas ao império, para que estas fossem queimadas. O medo se caracterizava, pois acreditava-se na perda do poder sacramental que esses elementos continham.<ref name="OL22">OLIVEIRA, 2010, p. 22</ref> Os próximos éditos lançados até 304, tornavam a vida e o culto cristãos cada vez mais árduos, pois estabeleciam medidas como detenção de líderes eclesiásticos e a obrigatoriedade do sacrifício aos deuses pagãos sob pena de execução.<ref>OLIVEIRA, 2010,name="OL22" p. 22</ref> Diferindo do tetrarca [[Galério]], Diocleciano não era favorável ao assassínio, porém houve esse apelo no quarto édito.<ref name="SILV38">SILVA, 2011, p. 38.</ref>
 
A diligência era liderada geralmente por um curador, um delegado da autoridade imperial, que durante o governo de Diocleciano ganhou o poder para administrar a finança e a polícia da cidade. Estes curadores eram auxiliados pelos ''officium publicum'' (secretários, escrivães, arquivistas) para cumprir as demandas fiscais contra os cristãos, e para isso, acredita-se que usavam de trabalhadores braçais para o transporte dos bens adquiridos das igrejas.<ref>LEPELLEY, 1979, p. 225-227 apud OLIVEIRA, 2010, p. 23-34</ref>
 
Após a abdicação de Diocleciano e [[Maximiano]], em 305, a perseguição não se manteve no império ocidental. No oriente, em 311 d.C, [[Galério]], enfermo, promulgou sua retratação, permitindo os cristãos a retomarem sua religião e seus lugares de culto. [[Galério]] ainda pediu que rezassem pela saúde dos imperadores e da ''res publica''.<ref>SILVA, 2011,name="SILV38" p. 38</ref>
 
O [[Édito de Tolerância de Galério|Edito de Galério]], em 311, cessou oficialmente a perseguição, tornou o Deus dos cristãos umas da divindades patrona do Império e ajudou na consolidação das relações do cristianismo com o poder imperial. Entretanto, a perseguição no oriente se manteve sob a jurisdição de [[Maximino Daia]], um César sobrinho de [[Galério]].<ref>SILVA, 2011,name="SILV38" p. 38</ref>
 
Desde meados dos século III, as ações persecutórias financiadas pelo poderio imperial romano podem ser compreendidas como globais. Por meio de éditos imperiais, buscava-se a legislação sobre uma unidade normativa de culto que tinha por objetivo manter a ''pax deorum'' (“paz dos deuses”).<ref>SILVA, 2011, p. 40</ref>
 
== Batalhas travadas durante seu governo ==
Além da vitória contra [[Carino]] na batalha do rio ''Margus'' no início de 285,<ref name="BM69" /> outras batalhas foram travadas antecedendo formação da [[diarquia]]. Dentre essas, destacam-se as ações de [[Maximiano]] na [[Gália]] contra os bagaudas, bandoleiros rurais descontentes com a tributação pesada, em 285<ref name="BM70">BOWMAN, 2005, p. 70</ref> e as ações contra as invasões feitas por coalizões tribais (incluindo [[burgúndios]]/[[alamanos]] e caibões/[[hérulos]]) através do [[Reno]] entre 287 e 288.<ref name="BM71">BOWMAN, 2005, p. 71</ref> A visão de [[Eutrópio (historiador)|Eutrópio]], segundo a qual [[Maximiano]] não teve problemas em controlar as revoltas desse campesinato, é questionada pelos pesquisadores.<ref>BOWMAN, 2005,name="BM70" p. 70</ref> Há também a incursão de [[Maximiano]] atravessando o [[Reno]] em direção a Alemanha após a inauguração de seu [[Cônsul (Roma Antiga)|consulado]] na cidade de [[Tréveris]] ser interrompida por ataques [[bárbaros]] em 287, essa já posterior a sua nomeação,<ref>BOWMAN, 2005, p. 72</ref> e as campanhas de Diocleciano contra os [[Sármatas]] em 285.<ref>BOWMAN, 2005, p. 73</ref>
 
Ao auxiliar, em 287, o rei persa [[Vararanes II]], neto de [[Shapur I da Pérsia|Shapur I]], o qual passava por problemas internos causados pela revolta de seu irmão ''Hormizd'', Diocleciano foi capaz de restaurar o trono da [[História da Armênia#Antiguidade|Armênia]] ao cliente romano [[Tirídates III|Tiridates III]] e, possivelmente, a [[Mesopotâmia]], que havia sido cedida por [[Império Romano|Roma]]. Isso faz com que, em 290, Diocleciano reclame o título de ''Persicus Maximus'' para si. É possível que ele tenha fortificado ''Circesium'' nessa ocasião para fortalecer as defesas de [[Império Romano|Roma]] contra o perigo persa na [[Síria (província romana)|Síria]]. Fortificações também foram feitas em 288 no [[Egito romano|Egito]], em [[Hieracômpolis]]. Ainda em 288, Diocleciano retorna ao Ocidente e protagoniza uma campanha na [[Récia]], após a qual se encontrou com [[Maximiano]], que parte para a fronteira do [[Rio Danúbio|Danúbio]] para lutar contra os [[Sármatas]] em 289. As últimas campanhas de Diocleciano antes da formação da [[tetrarquia]] ocorrem em 290 contra os [[Sarracenos]] na [[Síria (província romana)|Síria]].<ref>BOWMAN, 2005, p. 73</ref>
=== Combate à Revolta Carausiana ===
{{AP|Revolta de Caráusio}}
Ao deixar a [[Gália]] no inverno de 285 e se dirigir a [[Milão]], [[Maximiano]] delegou a um de seus oficiais, [[Caráusio]], um comando naval baseado em [[Bolonha]] para que lidasse com piratas [[Francos]] e [[Saxões]] na costa [[Gauleses|gaulesa]], mas desconfiando do enriquecimento suspeito dele, ordenou sua execução, provocando uma reação maior ainda. Em 286, [[Britânia (província romana)|Britânia]] e [[Gália]] declaram seu apoio a ele, dando início à [[Revolta de Caráusio|Revolta Carausiana]].<ref>BOWMAN, 2005,name="BM71" p. 71</ref>
 
[[Maximiano]] provavelmente já tinha começado a construção de uma frota para lidar a revolta em 287 e delegado a seus subordinados que lidassem com os [[francos]] no estuário do [[Reno]], o que levou à restauração do reinado do franco ''Gennoboudes'' na região de [[Tréveris]]. Entre esses subordinados, a principal figura era [[Constâncio Cloro|Flávio Constâncio]], que havia servido como tribuno militar e governador da Dalmácia. Ele seria, posteriormente, um dos [[Tetrarquia|tetrarcas]] responsável pelo [[Império Romano]].<ref>BOWMAN, 2005,name="BM71" p. 71</ref>
 
[[Caráusio]] passa a se denominar [[Cônsul (Roma Antiga)|cônsul]] a partir de 287 e investe na cunhagem como instrumento de legitimação, reclamando a lealdade dos [[Legionário|legionários]] [[Britânia (província romana)|britânicos]] e eventualmente afirmando [[colegialidade]] com os [[Imperador romano|imperadores]] legítimos, reivindicação essa que nunca foi reconhecida. Em 280 ou 290, há uma tentativa falha de [[Maximiano]] em pôr fim à [[Revolta de Caráusio|Revolta Carausiana]], mas [[Constâncio Cloro|Constâncio]] deu início, em 293, a ações para resolver esse problema. Seu primeiro passo foi sitiar [[Bolonha]], a qual [[Caráusio]] ainda controlava, construindo um porto que impedisse os sitiados de fugir pelo mar e também de receber auxílio da frota de [[Caráusio]]. [[Bolonha]] caiu facilmente perante [[Constâncio Cloro|Constâncio]], que começou a construção de uma frota para invadir a [[Britânia (província romana)|Britânia]].<ref>BOWMAN, 2005, p. 72, 78</ref>
* FINLEY, Moses. O imperador Diocleciano. In: FINLEY, Moses. Aspectos da antiguidade. São Paulo: Martins Fontes, 1991. p. 165-175.
* GONÇALVES, Ana Teresa Marques. Os Severos e a Anarquia Militar. In: SILVA, Gilvan Ventura da; MENDES, Norma Musco (Org.). Repensando o Império Romano: perspectiva socioeconômica, política e cultural. Rio de Janeiro: Mauad Editora Ltda., 2006. Cap. 8. p. 175-191.
* MARCHI, Eduardo Casar Silveira Vita. Aspectos do direito público romano II: as constituições políticas do principado e da monarquia absoluta. Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 101, n. 264, p.73-86, jan. 2006. Anual. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/view/67699/70307>. Acesso em: 02 dez. 2016.
* PETITT, Joshua Edward. The Extension Of Imperial Authority Under Diocletian And The Tetrarchy, 285-305ce. 2009. 137 f. Tese (Mestrado) - Curso de Artes, Departamento de História, University Of Central Florida, Orlando, 2012. Disponível em: <http://etd.fcla.edu/CF/CFE0004582/Petitt_Joshua_E_201212_HistoryMA.pdf>. Acesso em: 21 out. 2016.
* OLIVEIRA, Julio Cesar Magalhães de. A perseguição de Diocleciano na África e os autos da repressão à Igreja de Cirta: os Acta Munatii Felicis. Dimensões, Vitória, v. 25, n. 25, p.18-31, 2010. Disponível em: <http://www.periodicos.ufes.br/dimensoes/article/view/2540/2036>. Acesso em: 16 set. 2016.
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