Diferenças entre edições de "Karl Lueger"

3 504 bytes adicionados ,  01h02min de 19 de dezembro de 2016
sem resumo de edição
(Correções nas datas de nascimento e falecimento.)
{{Sem-fontes|data=fevereiro de 2013}}
[[Ficheiro:Ludwig Grillich7.jpg|200px|direita]]
'''Karl Lueger''' ([[Wieden]], [[Viena]], [[24 de outubro]] de [[1844]] — Viena, 10[[0 de março]] de [[1910]]) foi um político [[Áustria|austríaco]], presidente da Câmara de [[Viena]] entre [[1897]] e [[1910]] e foi o líder do Partido Social Cristão que tomou o poder dos liberais alemães em Viena e combateu os sociais democratas. Sendo apenas uma pequena facção no parlamento austríaco, o Partido Social Cristão ganhou uma posição minoritária na câmara de [[Viena]] em [[1895]] e subsequentemente ajudou Lueger a adquirir a maioria. Após três recusas, o [[Francisco José I da Áustria|imperador Franz Josef]] acabou por finalmente sancionar a sua eleição em [[1897]].
 
Conhecido pelo seu [[anti-semitismo]], Lueger foi tido por [[Adolf Hitler]] como uma inspiração para a forma mais tarde ainda mais virulenta do [[anti-semitismo]].<ref>Fareed Zacharia, ''The Future of Freedom: Illiberal Democracy at Home and Abroad'', Norton, 2003, 2007, p. 60</ref> Ele também advogava políticas racistas contra todas as minorias de língua não-alemã na Áustria-Hungria.
 
O seu racismo inspirou alguns dos líderes da república austríaca (entre 1918 e 1938), tais como [[Ignaz Seipel]], [[Engelbert Dollfuss]] e [[Kurt von Schuschnigg]].
 
==Percurso político==
Karl Lueger nasceu numa família da pequena burguesia. Doutorou-se em Direito em 1866, e trabalhou como advogado liberal até 1870; em paralelo desenvolveu a sua oratória nas tabernas da periferia vienense. Entrou no Conselho Municipal em 1875, e rompeu abertamente com o liberalismo decimonónico, que tinha transformado o país, na década seguinte; em 1885 denunciava o capitalismo mundial, misturando muitos argumentos, e, entre estes, uma argumentação racista.<ref>William M. Johnston, ''L'esprit viennois'', París, PUF, 1985, p.69 (tr. ''O génio austro-húngaro. História social e intelectual, 1848-1938'', Oviedo, KRK, 2008)</ref>
 
Como político, surgiu num momento de situação débil para a classe média e para os pequenos artesãos, responsáveis pelo fulgor do liberalismo económico austríaco da segunda metade do século XIX que deu lugar aos grandes armazéns e ao fabrico industrial de bens. Enquanto advogado fundou o partido do "cravo branco", e com o lema "é preciso ajudar os pequenos" conseguiu arrastar as classes médias, que temiam ver-se delapidadas. Como disse [[Stefan Zweig]] nas suas memórias, "era exatamente a mesma camada social assustada que mais tarde congregou ao seu lado (...) Adolf Hitler, e K. Lueger serviu-lhe de modelo também noutro sentido: ensinou-lhse o manipulável que era o lema [[Antissemitismo|antissemita]], que oferecia aos descontentes círculos pequeno-burgueses um adversário palpável e, por outro lado, impercetívelmente desviava o ódio pelos grandes proprietários e a riqueza feudal".<ref>Stefan Zweig, ''O mundo de ontem. Memórias de um europeu''.</ref>
 
A primeira gazeta do partido, claramente demagógica, o ''Illustrierte Wiener Volkszeitung'', tinha como sub-título "Órgão dos antissemitas". Embora cedo moderasse o seu ódio, dizia sempre que ele "determinava quem é judeu ou não", prelúdio para terríveis consequências a partir de 1933.<ref>J. Riedl, ''Viena infame e genial'', Anaya-Mario Muchnik, 1995, p. 139.</ref> Em vão o cardeal de Praga, [[Franziskus von Paula Schönborn]], pediu ao [[Papa Leão XIII]] que suspendesse o apoio papal ao partido de Lueger (cuja foto figurava no escritório do Papa).<ref>J. Riedl, ''Viena infame y genial'', 1995, p. 140.</ref>
 
Foi eleito presidente da câmara de Viena em 1895, mas só pode tomar posse em 1897 devido ao veto imperial, causado pelos seus ódios, e esteve no posto até 1910, quando morreu. Desde então, dominou a vida pública vienense e converteu-se em figura célebre, quase tão conhecida como o Imperador. As suas ações estenderam-se desde a suspensão vigorosa do poder da igreja católica, por exemplo tentando "reconquistar as universidades fundadas pelas nossas igrejas" (universidades a que tinham acesso livre os austro-judeus), até ações renovadoras, parciais mas eficazes: municipalizar o gás, eletrificar transportes públicos, estender a iluminação pública, regular o Danúbio. Tudo isto foi realizado com apoio da banca alemã (Deutsche Bank). Estas tarefas sociais, por certo, foram desenvolvidas com amplitude e com uma perspectiva social muito distinta, desde 1920, pelos social-democratas, que transformaram definitivamente a cidade em mais de uma década. <ref>W. Johnston, ''L'esprit viennois'', pp. 69-72</ref>
 
{{referências}}
 
{{esboço-político}}
 
{{DEFAULTSORT:Lueger, Karl}}
{{Authority control}}
{{DEFAULTSORT:NF|1844|1910|Lueger, Karl}}
[[Categoria:Políticos da Áustria]]
[[Categoria:Naturais de Viena]]
Utilizador anónimo