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Sendo, nesse tempo, [[João Anes (de Almada)]] o primeiro vedor dessa [[Fazenda Régia]].
 
Depois, passaram a ser três vedores em exercício, numero este referido quando em [[1520]] El-Rei [[Manuel I de Portugal|D. Manuel]] pretende estipular uma divisão mais clara das funções de cada um. Nessa altura refere-se ao [[Francisco de Paula de Portugal e Castro|Conde de Vimioso]], ao [[João Fernandes da Silveira|Barão de Alvito]] e a D. [[Pedro de Castro]], que se manterão em funções com D. [[João III de Portugal|João III]], juntando-se-lhes [[Nuno da Cunha]], por renúncia de [[Tristão da Cunha]], seu pai – desde 27 de Dezembro de [[1521]]<ref>[http://repositorio.ul.pt/handle/10451/2584 «''A governação de D. João III: a Fazenda Real e os seus vedores''», Autor: Maria Leonor García da Cruz, Editora: Centro de História da Universidade de Lisboa, Data: 2001, p. 36]</ref>.
 
Por ser uma função tão importante no serviço real quanto zeladora dos bens e direitos da Coroa e da Casa Real, em [[Lisboa]] e por todas as [[comarcas]] do reino, que houve desde [[Baixa Idade Média|finais da Idade Média]] uma [[secularização]] e acentuada [[aristocracia|aristocratização]] desta<ref>[http://repositorio.ul.pt/handle/10451/2584 «''A governação de D. João III: a Fazenda Real e os seus vedores''», Autor: Maria Leonor García da Cruz, Editora: Centro de História da Universidade de Lisboa, Data: 2001, p. 33 e 34]</ref>. Mas também não admira pois, segundo D. Manuel I, as características que idealmente teriam os homens que desempenhassem estas funções: “''honrados e de bõas e saãs cõsciencias''”, deveriam ter muito cuidado ao olhar por todas as coisas que pertencessem ao rei. E tinham de ser ricos, para que não se deixassem corromper nem tivessem necessidade de executar funções que os desviassem do serviço ao monarca<ref>[http://hdl.handle.net/10316.2/35443 «A burocracia régia e os seus oficiais no tempo de D. Manuel I», Autores: Faria, Diogo, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Instituto de História Económica e Social, ed. lit. Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014, Aparece nas colecções: Revista Portuguesa de História nº 45, pág. 600 e 601]</ref>.
 
O cronista [[Fernão Lopes]], incumbido por D. [[Duarte I de Portugal|Duarte]], em [[1434]], de redigir as crónicas dos reis antecessores, faz referência direta aos oficiais que detinham o controlo das despesas da fazenda régia quando diz: «''em cada huum anno eram os reis certificados polos vedores da fazenda das despesas todas que feitas haviam''»<ref>[https://e-spania.revues.org/24221#bodyftn5 A atividade financeira da Corte dos reis de Portugal (séculos XIV e XV), por Judite A. Gonçalves de Freitas, Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade / FCT / Universidade do Porto, e-spania, 20 de Fevereiro de 2015]</ref>.
Perante os Vedores da Fazenda respondiam os [[contadores]] e os [[porteiros]] que desempenhavam as funções de [[contabilistas]] da [[casa régia]], seguidos do [[tesoureiro-mor]] e do [[esmoler-mor]], acompanhados de perto pelo [[reposteiro-mor]] que tradicionalmente possuía atribuições financeiras relacionadas com a atividade da [[Corte]]. Estes oficiais tinham por missão a fiscalização de todos os atos executados com dinheiros do [[património régio]]<ref>[https://e-spania.revues.org/24221#bodyftn5 A atividade financeira da Corte dos reis de Portugal (séculos XIV e XV), por Judite A. Gonçalves de Freitas, Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade / FCT / Universidade do Porto, e-spania, 20 de Fevereiro de 2015]</ref>.
 
Mas, observa [[Helena Maria Matos Monteiro]], na sua dissertação de mestrado sobre os meados do século XV e anterior, que ''nos livros de chancelaria surgem também cartas redactadas pelos Vedores da Fazenda, sobretudo de subscrição régia, Mas para além "da redacção de um conjunto de cartas ligadas aos bens e direitos do rei ou da coroa"<ref>[http://hdl.handle.net/10316.2/35443 Os principais tipos de cartas que passaram pelas mãos destes oficiais são: contratos de exploração, doações de bens e direitos e provimentos de ofícios. - «A burocracia régia e os seus oficiais no tempo de D. Manuel I», Autores: Faria, Diogo, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Instituto de História Económica e Social, ed. lit. Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014, Aparece nas colecções: Revista Portuguesa de História nº 45, pág. 600 e 601]</ref> a eles cumpre também a preparação e a própria execução das mesmas". Paralelamente desempenham múltiplos "encarregos". Em suma, são oficiais 'polivalentes', e destacados membros da "sociedade política" afonsina e joanina de um departamento 'já ' quase patriminonializado''<ref>[https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/19437/2/FLM04801P000081759.pdf A Chancelaria Régia e os seus Oficiais (1464-1465), por Helena Maria Matos Monteiro, Dissertação de mestrado em História Medieval, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto]</ref>.
 
No [[Ultramar português]], seguindo a [[escala hierárquica]], o vedor encontrava-se logo a seguir ao [[vice-rei]].
No decorrer desse período da gestão do [[Império de Portugal]] há uma descrição de um viajante estrangeiro que permite que facilmente se perceba a constituição do poder político e a respectiva distribuição na cidade de [[Goa]], onde se situava o centro de decisão de [[Índia Portuguesa]], começando por descrever a figura do Vedor da Fazenda que governa na Praça da Ribeira Grande, sendo ele “''... o [[intendente]] de todos os negócios da fazenda e de tudo quanto em Goa se faz [...] porque é ele a segunda pessoa abaixo do vice-rei'' («Viagem de Francisco Pyrard de Laval», edição de Joaquim Heliodoro e Magalhães Basto, Porto, Livraria Civilização, Vol. II, cap. III, pág. 34.).” A criação deste cargo remonta a 1517 e possibilitou a prossecução de uma magistratura capaz de interferir na administração das fortalezas[[fortaleza]]s, exercendo a sua jurisdição sobre todos os oficiais da fazenda que nelas se encontravam. As suas funções incidiam na inspecção administrativa, controlando desta feita o cumprimento dos regimentos dos seus oficiais. <ref>[http://cadernosdahistoria.weebly.com/a-viagem-de-francisco-pyrard-laval.html A viagem de Francisco Pyrard Laval, por Marco Monteiro, Cadernos da História]</ref>.
 
== Historial ==