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Acho que não estamos falando de um ouriço-do-mar
|campanha = Guerra romano-selêucida
}}
'''Guerra romano-selêucida''', conhecida também como '''Guerra romano-síria''', '''Guerra Síria''' ou '''Guerra de Antíoco''', foi um conflito militar entre duas coalizões lideradas respectivamente pela [[República Romana]] e pelo [[Império Selêucida]]. A guerra se desenrolou entre 192 e {{AC|188 a.C.|x}} nos territórios da [[Grécia Antiga|Grécia]] e da [[Ásia Menor]].
 
Esta guerra foi uma consequência direta da escalada de tensões entre romanos e selêucidas iniciada em {{AC|196 a.C.|x}}. Neste período, as duas potências mediterrâneas tentaram assegurar suas [[esfera de influência|esferas de influência]] firmando alianças com diversas potências menores gregas. O conflito terminou em uma clara vitória romana, firmada no [[Tratado de Apameia]]. Pelos seus termos, os selêucidas perderam todas as suas possessões na Ásia Menor, que passou para o controle dos aliados de Roma. Como resultado principal da guerra, a República Romana conseguiu afirmar sua hegemonia sobre a Grécia e a Ásia Menor, isolando-se como a última grande potência no [[Mediterrâneo]] ocidental.
 
== Prelúdio ==
O primeiro contato de [[Antíoco III, o Grande]], o imperador selêucida, com a Grécia foi uma aliança com o rei [[Filipe V da Macedônia]] em {{AC|203 a.C.|x}}<ref name="Green304">Green, ''Alexander to Actium: The Historical Evolution of the Hellenistic Age'', 304</ref>. Este tratado determinava que os dois se ajudariam mutuamente na conquista das terras do jovem [[faraó]] [[Egito ptolemaico|ptolemaico]] [[Ptolemeu V]]<ref name="Green304"/>.
 
Roma, por sua vez, se envolveu nos assuntos internos da região em {{AC|200 a.C.|x}}, quando dois de seus aliados, o [[Reino de Pérgamo]] e a [[Rodes (cidade)|ilha de Rodes]], que já haviam combatido Filipe na [[Guerra Cretense (205-200 a.C.)|Guerra Cretense]], pediram ajuda aos romanos<ref name="Livy 31.14">[[Lívio]], ''[[Ab Urbe Condita libri|Ab Urbe Condita]]'' [http://mcadams.posc.mu.edu/txt/ah/Livy/Livy34.html XXXI.14]</ref>. Em resposta a este apelo, os romanos enviaram um exército até a Grécia e atacou os macedônios. A [[Segunda Guerra Macedônica]] durou até {{AC|196 a.C.|x}} e terminou efetivamente quando os romanos e seus aliados, incluindo a [[Liga Etólia]], derrotaram Filipe na [[Batalha de Cinoscéfalos]]. Os termos do tratado forçaram Filipe a pagar uma indenização de guerra e a se tornar um aliado de Roma, que ocupou algumas áreas da Grécia.
 
Enquanto isso, Antíoco estava lutando contra os exércitos de Ptolemeu na [[Cele-Síria]] na [[Quinta Guerra Síria]] (201&ndash;{{AC|195 a.C.|x}}). O exército de Antíoco destruiu o egípcio na [[Batalha de Pânio]] em {{AC|201 a.C.|x}} e, já em {{AC|198 a.C.|x}}, a Cele-Síria estava sob o comando selêucida.
 
Antíoco então passou a atacar as possessões ptolemaicas na [[Cilícia]], [[Lícia]] e [[Cária]], na [[Anatólia]]<ref name="Livy 33.19">[[Lívio]], ''[[Ab Urbe Condita libri|Ab Urbe Condita]]'' [http://mcadams.posc.mu.edu/txt/ah/Livy/Livy34.html XXXIII.19]</ref>. Em paralelo, Antíoco enviou uma frota para ocupar as cidades costeiras de Ptolemeu na região para apoiar Filipe<ref name="Livy 33.19"/>. Rodes, uma aliada dos romanos e a potência naval na região, desconfiou das intenções de Antíoco e enviou uma embaixada para informá-lo de que ele seria enfrentado se sua frota passasse de [[Quelidonas]] ({{lang-la|''Chelidonae''}}), na [[Cilícia]], pois os rodenses não queriam que Filipe recebesse apoio nenhum<ref name="Livy 33.20">[[Lívio]], ''[[Ab Urbe Condita libri|Ab Urbe Condita]]'' [http://mcadams.posc.mu.edu/txt/ah/Livy/Livy34.html XXXIII.20]</ref>. Antíoco ignorou a ameaça e manteve o avanço de sua frota. Os rodenses não atacaram por que souberam que Filipe havia sido derrotado em Cinoscéfalos e já não era mais uma ameaça<ref name="Livy 33.20"/>.
 
A paz foi firmada em {{AC|195 a.C.|x}} com o casamento da filha de Antíoco, [[Cleópatra I do Egito|Cleópatra]], com Ptolemeu. Antíoco havia resolvido todos os seus problemas na Ásia e estava livre para voltar sua atenção para a Europa.
 
== Irrupção da guerra ==
[[Imagem:Aegean Sea 192 BC.png|thumb|direita|upright=1|Região do [[mar Egeu]] no início do conflito, em {{AC|192 a.C.|x}}
{{legend|red|[[Império Selêucida]] e aliados}}
{{legend|blue|[[República Romana]] e aliados}}
Enquanto isso, [[Aníbal]], o general cartaginês que havia lutado contra Roma na [[Segunda Guerra Púnica]], fugiu de [[Cartago Antiga|Cartago]] para [[Tiro]] e, a partir dali, buscou refúgio na corte de Antíoco em [[Éfeso]], onde o imperador estava decidindo seus próximos movimentos contra Roma<ref name="Livy 34.49">[[Lívio]], ''[[Ab Urbe Condita libri|Ab Urbe Condita]]'' [http://mcadams.posc.mu.edu/txt/ah/Livy/Livy34.html XXXIV.49]</ref>.
 
Por conta da continuada influência romana na Grécia, os [[Liga Etólia|etólios]], a despeito da declaração do cônsul [[helenismo|filo-helenístico]] [[Tito Quíncio Flaminino]] de que a Grécia estava "livre", puseram guarnições em [[Cálcis]] e [[Demétrias]], duas cidades que os próprios romanos haviam afirmado ser fundamentais para um eventual domínio macedônico sobre a Grécia e se declararam contra o domínio romano. Eles ressentiam o fato de Roma tê-los impedido de reincorporar ''[[EchinusAquino (Ftiótida)|Aquino]]'' e [[Farsalos]], que eram partes da Liga Etólia, ao final da Segunda Guerra Macedônica<ref name="Livy 34.23">[[Lívio]], ''[[Ab Urbe Condita libri|Ab Urbe Condita]]'' [http://mcadams.posc.mu.edu/txt/ah/Livy/Livy34.html XXXIV.23]</ref>. Em {{AC|195 a.C.|x}}, quando os romanos decidiram invadir [[Esparta]], os etólios, que queriam Roma fora da Grécia, ofereceram um acordo aos espartanos. Porém, a [[Liga Aqueia]], que queria manter em xeque o poderio etólio, recusou<ref name="Livy 34.24">[[Lívio]], ''[[Ab Urbe Condita libri|Ab Urbe Condita]]'' [http://mcadams.posc.mu.edu/txt/ah/Livy/Livy34.html XXXIV.24]</ref>. O historiador moderno Erich Gruen sugeriu que os romanos podem ter utilizado a guerra como desculpa para posicionar suas [[legião romana|legiões]] na Grécia com a missão principal de evitar que tanto os espartanos quanto os etólios se aliassem ao [[imperador selêucida]] [[Antíoco III]] se ele de fato invadisse a Grécia<ref name="Gruen450">Gruen, ''The Hellenistic World and the Coming of Rome, 450</ref>.
 
Tendo derrotado Esparta em {{AC|195 a.C.|x}}, as legiões romanas de Flamínio deixaram a Grécia no ano seguinte. Em {{AC|192 a.C.|x}}, a enfraquecida Esparta pediu ajuda militar à [[Liga Etólia]], que respondeu enviando um destacamento de {{fmtn|1000}} cavaleiros<ref name="Livy 35.35">[[Lívio]], ''[[Ab Urbe Condita libri|Ab Urbe Condita]]'' [http://mcadams.posc.mu.edu/txt/ah/Livy/Livy34.html XXXV.35]</ref>. Ao chegar em Esparta, os etólios tentaram assassinar [[Nábis]], o rei de Esparta, mas foram derrotados e mortos<ref name="Livy 35.35"/>.
 
== Conflito ==