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Águeda Sena desde logo se revelou um dos nomes mais promissores do CIC começando por integrar o corpo de baile e, de seguida, dançando alguns papéis solísticos, designadamente em "Chopiniana", "Arraial na Ribeira", "Polaca Heróica" e, sobretudo, em "Tito e Berenice". Para se aperfeiçoar fez repetidas viagens a Paris na qualidade de bolseira do [[Instituto_de_Alta_Cultura|Instituto de Alta Cultura]] (entre 1948 e 1953), tendo estudado dança clássica com os famosos mestres [http://en.wikipedia.org/wiki/Olga_Preobrajenska Olga Preobrajenska], Mme Rousanne e, sobretudo, com [http://en.wikipedia.org/wiki/Lubov_Egorova Lubov Egorova]. Naquela cidade teve os primeiros contactos com a dança moderna ao estudar com Leonard Lenwood, bailarino principal e professor da companhia da bailarina antropóloga e coreógrafa norte-americana [http://en.wikipedia.org/wiki/Katherine_Dunham Katherine Duhnam], então em digressão pela Europa. Juntamente com a colega portuguesa Luisa Vitorino – também uma antiga aluna de [[Margarida_de_Abreu|Margarida de Abreu]] – integrando, durante alguns meses, o elenco da citada companhia. Em Paris, também frequentou o Curso de Pedagogia da [[Sorbonne]] (1948-1950) e um curso nocturno de História de Arte no [[Museu_do_Louvre|Museu do Louvre]], durante o ano de 1949, e estabeleceu contactos com artistas famosos do teatro francês, designadamente [https://en.wikipedia.org/wiki/Jean-Louis_Barrault Jean-Louis Barreault] e [[Jean_vilar|Jean Villar]]. Dançou a "Valsa" e o "Prelúdio" de "As Sylphides" em 1950, no [http://fr.wikipedia.org/wiki/Alhambra_%28Paris%29 Teatro Alhambra], em Paris, num espectáculo dirigido por [http://www.imdb.com/name/nm0350182/ Jean Guélis], e em 1952 dançou o solo "Les Mains", da sua autoria, como solista na companhia Galas de Danse, da "estrela" francesa [http://fr.wikipedia.org/wiki/Lycette_Darsonval Lycette Darsonval]. Juntamente com Fernando Lima e Anna Mascolo participou, no ano de 1952, nos supracitados espectáculos intitulados "Recital", "Tarde de Ballet" e "Noite de Arte", sob a direcção conjunta de [[Margarida_de_Abreu|Margarida de Abreu]] e [[Fernando_Lima|Fernando Lima]], em criações da professora e dos colegas. Depois de várias estadas em França toma contacto com a "escola inglesa" tendo frequentado, em 1953, um Curso de Verão para Professores de Ballet na escola no [http://en.wikipedia.org/wiki/Sadler%27s_Wells_Theatre Saddler's Wells] Ballet, em Londres. Cidade onde também trabalhou com alguns professores particulares, mormente Cleo Nordi e Anna Northcote. Seguidamente entrou para aquele conhecido estabelecimento de ensino onde frequentou as classes de nível “profissionalizante”. No início do ano de 1954, adoeceu gravemente com tuberculose tendo permanecido internada quase ano e meio em hospitais londrinos (mormente o Royal Brompton Hospital, um conhecido sanatório), só tendo regressado a Lisboa em Maio de 1955.
 
Após um rápido período de convalescença, Águeda Sena casacasou-se com [[Fernando_Lima|Fernando Lima]], e recomeça a dançar a seu lado na "super-fantasia musical" de [[Vasco_Morgado|Vasco Morgado]], "Melodias de Lisboa" (de Agosto a Dezembro de 55) e, posteriormente, no "Ballet-Concerto". Grupo que se estreou em 29 de Novembro no Cinema Império, patrocinado pelo Instituto de Alta Cultura, e em cujo reportório constavam, além de peças de Fernando Lima e da veterana Margarida de Abreu também uma obra sua: "Em Nossas Torres de Marfim" (com música de Stravinsky). Seguidamente, com o grupo Danças e Cantares de Portugal - Bailados Portugueses de Fernando Lima, Águeda Sena dança, como primeira figura, diversas obras entre as quais "A Severa" (com coreografia de Lima e música de [[Fernando_de_Carvalho_(compositor)|Fernando de Carvalho]], 1956), no Teatro Monumental, no Casino do Estoril e depois participou numa digressão europeia que durou vários meses. No teatro de Annecy, na Alta Sabóia, em França, durante mais de uma semana, o grupo fez a primeira parte de uma série de espectáculos com a famosa Edith Piaf.
 
Juntamente com Fernando Lima, após o regresso do estrangeiro, participaparticipou na revista "Melodias de Sempre" no Teatro Monumental, em 1956, e em duas peças de teatro, protagonizadas por [[Laura_Alves|Laura Alves]] e [[Artur_Semedo|Artur Semedo]]. Pode-se afirmar que, entre 1955 e 1958, o casal Sena-Lima colaborou regularmente com Vasco Morgado – marido de Laura Alves e o mais famoso empresário da época – dançando e coreografando para o teatro ligeiro. Tendo Águeda, nessa época, ficado bastante popular, sobretudo, por interpretar o papel de Severa, em "O Fado", com uma certa regularidade. Um dos elencos desse "número" avulso contou, mesmo, com Águeda como “Severa”, Fernando como “Marialva”, e a conhecida actriz Laura Alves (em travesti) como “Custódia”.
 
Ainda num período de implantação do importante meio de comunicação social no país, a Radiotelevisão Portuguesa (RTP), que começara a emitir (esporadicamente) em 4 de Setembro de 1956, Águeda e Fernando participam na sua primeira emissão oficial, a 7 de Março de 1957. A mesma realizou-se no antigo parque de Santa Gertrudes, em Palhavã (onde posteriormente se viria a construir a sede da [[Fundação_Calouste_Gulbenkian|Fundação Calouste Gulbenkian]]), e onde se situava a Feira Popular de Lisboa, local onde a RTP produziu os seus primeiros trabalhos televisivos. Participam no bailado "Os Enganos do Amor”, com música de [[Piotr_Ilitch_Tchaikovsky|Tachaikovski]], enredo de Tomaz Ribas, realização de Artur Ramos e coreografia de Fernando Lima.
A partir de então, Sena e Lima começam a trabalhar em televisão com uma certa regularidade – mais ou menos de três em três semanas, segundo a coreógrafa – dançando diversos bailados coreografados por Fernando e mesmo uma suite de "As Sílfides". Ambos intervêm também no primeiro teleteatro apresentado pela RTP, "Monólogo do Vaqueiro" do realizador Álvaro Benamor em 11 de Março de 1957. Em Setembro do mesmo ano dançam numa nova revista do Teatro Monumental "Música, Mulheres e..." na qual, como já era costumeiro, assinaram também as coreografias.
 
No ano de 1960, Águeda Sena participaparticipou no programa "Pássaro Azul", movimento de iniciação às artes para crianças de condição humilde de alguns dos bairros de Lisboa. Nesta espécie de "academia de artes infanto-juvenil", sob a orientação da poetisa [[Fernanda_de_Castro|Fernanda de Castro]], directora dos Parques Infantis (de Lisboa), Águeda, encarregou-se durante dois anos e meio do ensino da dança.
 
Ao formar-se o Grupo Experimental de Ballet (GEB), participou, como coreógrafa, no seu primeiro espectáculo - em 11 de Maio de 1961 no Porto - e nos seguintes com a peça "Pastoral" (mús. Stravinsky; cen. e fig. Inês Guerreiro), dançada 13 vezes seguidamente, em cidades como Porto, Aveiro, Lisboa, Guimarães e Viseu. Em Dezembro de 1961 aparece como bailarina principal no "Verde-Gaio", integrada no elenco da temporada de 1961-62, sob a direcção de Margarida de Abreu e Fernando Lima, na qual, uma vez mais, dançou o papel de Severa no bailado homónimo (um remake do "Fado" de Fernando Lima, agora com música do compositor Jaime da Silva, filho), e com o GEB, em Agosto de 1962, sob a direcção de Norman Dixon. No início de 1963 recebeu o Prémio da Casa da Imprensa de Melhor Coreógrafa, ao lado de Isabel Santa Rosa e Armando Jorge como os melhores bailarinos portugueses. Nesses programas Águeda “coreografou” obras de 19 poetas portugueses, uns já falecidos e outros vivos, sues contemporâneos, tais como [[Fernando_Pessoa|Fernando Pessoa]], [[Cesário_Verde|Cesário Verde]], [[Herberto_Hélder|Herberto Helder]], [[Mário_Beirão|Mário Beirão]], [[Mário_de_Sá-Carneiro|Mário de Sá-Carneiro]], [[Bernardim_Ribeiro|Bernardim Ribeiro]], [[Camilo_Pessanha|Camilo Pessanha]], [[Sebastião_da_Gama|Sebastião da Gama]], Augusto Santa Rita e Carlos Queiroz, entre outros. Os citados programas televisivos estendem-se, com a abordagem de alguns dos poetas portugueses perseguidos pela Censura, até Julho de 1967. Numa altura em que os poucos coreógrafos portugueses, praticamente, se preocupavam em desfiar temas históricos, Águeda Sena foi a única a entrar por caminhos mais controversos abordando mesmo, alguns temas fracturantes, como foi o controverso caso em que se baseou “O Crime da Aldeia Velha”. Obra marcante teve estreia em 24 de Maio de 1963 pelo Grupo Experimental de Ballet com música de [[Dmitri_Shostakovitch|Dmitri Shostakovitch]] – o compositor favorito da coreógrafa e cenografia e figurinos de Inês Guerreiro, inserida no VII Festival Gulbenkian de Música. Começou por ser exibida no Paço dos Duques em Guimarães e teve outras apresentações em Coimbra (no Jardim Botânico e no Teatro Avenida), em Leiria, no Porto (no Jardim do Museu Soares dos Reis), e ainda nas Caldas da Rainha e Aveiro. O então director da companhia, Norman Dixon, afirmou que "o seu trabalho de coreógrafa era particularmente interessante […] e a sua peça ["O Crime..."] sobre uma aldeia em chamas era especialmente dramática e cheia de momentos visualmente poderosos". A própria Águeda, mais tarde, haveria de se integrar no elenco do GEB para dançar o papel de Joana em substituição de Elisa Worm, a sua criadora.
Durante a sua carreira recebeu diversos prémios designadamente os já mencionados da Casa da Imprensa (1963 e 1968), o do Melhor Espectáculo (Expo'70 em Osaka), mas também diversas Medalhas de Mérito Municipal, Grau Ouro, do Concelho de Oeiras (7 de Junho de 1990), Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique (10 de Junho de 1994), Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores (Maio de 2005), e o título de Cidadão Honorário de Cascais (7 de Junho de 1996). Em Maio de 2005, juntamente com Fernando Lima e artistas de outras áreas, foi homenageada pela SPA. Três anos depois, o [http://cdo.com.pt Centro de Dança de Oeiras] e a [http://revistadadanca.com Revista da Dança], homenagearam-na no Auditório Municipal Eunice Muñoz no Dia Mundial da Dança, 29 de Abril.
 
Em Outubro de 2016, os CTT emitiram uma série de selos sob o título Pioneiros da Dança Portuguesa - da autoria de António Laginha - em que foram representados, Francis Graça, Margarida de Abreu - que teve honras de homenagem e carimbo especial no Museu do Teatro e da Dança, no dia do seu 100º aniversário - Fernando Lima, Isabel Santa Rosa, Carlos Trincheiras e Águeda Sena. A única personalidade viva do restrito grupo de artistas representados.
 
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