Diferenças entre edições de "Eletroencefalografia"

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{{Fusão de|1=Eletroencefalografia sistema 10-20|data=abril de 2013}}
 
'''Eletroencefalografia''' ('''EEG''') é um método de monitoramento [[Eletrofisiologia|eletrofisiológico]] que para registrar a atividade elétrica do [[Encéfalo|cérebro]]. Trata-se de um método normalmente não-invasivo, com [[Elétrodo|eletrodos]] colocados no [[couro cabeludo]], muito embora haja alguns métodos utilizados em aplicações específicas que são invasivos. A EEG mede as flutuações de tensão resultante da corrente iônica dentro dos [[Neurónio|neurônios]] do [[Encéfalo|cérebro]].<ref name="Niedermeyer"><cite class="citation book">Niedermeyer E.; da Silva F.L. (2004). </cite></ref> Dentro de contextos clínicos, a EEG refere-se à gravação da atividade elétrica espontânea do cérebro durante um período de tempo,<ref name="Niedermeyer" /> como a registrada a partir de múltiplos [[Elétrodo|eletrodos]] colocados sobre o couro cabeludo. Aplicativos de diagnóstico normalmente focam no [[Densidade espectral|conteúdo espectral]] da EEG, isto é, no tipo de [[Onda cerebral|oscilações neurais]] (popularmente chamadas de "ondas cerebrais") que podem ser observadas em sinais de EEG. A maioria dos sinais cerebrais observados situam-se entre os 1 e 20 [[hertz]].
 
 
Uma evolução do EEG são os sistemas digitais que fazem a análise quantitativa do EEG, bem como o mapeamento topográfico dos potenciais normais e patológicos.
{{Fusão de|1=== Eletroencefalografia sistema 10-20|data=abril de 2013}}===
 
[[File:21 electrodes of International 10-20 system for EEG.svg|right|200px]]
 
O '''sistema internacional 10-20''' é utilizado no mapeamento das posições onde serão fixados os eletrodos para registrar os sinais do Eletroencefalograma.
 
O sistema internacional 10-20 utiliza 21 pontos que são marcados dividindo o crânio em proporções de 10% ou 20% do comprimento das distâncias entre os pontos de referência, ''nasion'' e ''inion'' no plano medial e os pontos pré-auriculares no plano perpendicular ao crânio. A nomenclatura dos pontos é dada de acordo com a região em que estão localizados, Fp = frontal polar, F = frontal, T = temporal, C = central, P = parietal e O = occipital. Os pontos localizados sobre a linha média são indexados pela letra “z”, de “zero”, os pontos localizados do lado esquerdo da linha média por índices ímpares e à direita por índices pares.
 
Na determinação das posições são usados dois pontos de referência, o ''nasion'' localizado no topo do nariz entre as sobrancelhas e o ''inion'' que fica na base do crânio atrás da cabeça. A distância desses dois pontos é medida e a partir deles são marcados os pontos sobre a linha mediana do crânio, Fpz e Oz com 10% da distância entre o nasion e o inion e os pontos Fz, Cz e Pz com 20% desta distância.
 
Dois outros pontos imaginários situados nas regiões ''pré-auriculares'' são utilizados, traça-se uma linha entre estes pontos passando pelo ponto Cz, localizado no centro do crânio sobre a linha média, e utilizamos esta distância para marcarmos os pontos T3 e T4 situados a 10% e os pontos C3 e C4 situados a 20% desta distância.
 
Em seguida traçamos uma linha entre os pontos Fpz e Oz passando pelo ponto T3, medimos esta distância e marcamos os pontos Fp1 e O1 com 10% e os pontos F7 e T5 com 20% desta distância, com este mesmo procedimento marcamos os pontos Fp2, F8, T6 e O2 do lado direito.
 
Os pontos F3, F4, P3 e P4 são localizados de forma eqüidistante dos pontos vizinhos.
 
== História ==
[[Ficheiro:1st-eeg.png|ligação=https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:1st-eeg.png|direita|miniaturadaimagem|400x400px|A primeira gravação de EEG em seres humanos obtida por [[Hans Berger]], no ano de 1924. A linha superior é EEG, e a inferior é de 10 [[Hertz|Hz, o]] sinal temporal.]]
[[Ficheiro:HansBerger_Univ_Jena.jpeg|ligação=https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:HansBerger_Univ_Jena.jpeg|miniaturadaimagem|[[Hans Berger]]]]
A história dos exames de EEG é detalhada por Barbara E. Swartz em Electroencephalography and Clinical Neurophysiology.<ref><cite class="citation journal">Swartz, Barbara E. (1998). </cite></ref> Em 1875, Richard Caton (1842-1926), médico atuando na cidade de [[Liverpool]], apresentou suas conclusões sobre os fenômenos elétricos dos hemisférios cerebrais expostos de coelhos e macacos no ''[[BMJ|British Medical Journal]]''. Já em 1890, fisiologista polonês Adolf Beck publicou uma pesquisa sobre a atividade elétrica espontânea do cérebro de coelhos e cães, que incluiu oscilações rítmicas alteradas pela luz. Beck começou suas [[Testes com animais|experiências sobre a atividade elétrica cerebral dos animais]]. Beck colocou  &nbsp; eletrodos diretamente na superfície do cérebro desses animais para testar a estimulação sensorial. A sua observação da flutuação da atividade do cérebro levaram à conclusão do modelo das ondas cerebrais.<ref name="Adolf Beck pioneer"><cite class="citation journal">Coenen, Anton, Edward Fine, and Oksana Zayachkivska. (2014). </cite></ref>
 
No ano de 1912, o fisiologista ucraniano Vladimir Vladimirovich Pravdich-Neminsky publicou o primeiro exame de EEG de um animal e o potencial evocado de [[mamíferos]], que no caso tratava-se de um cão.<ref><cite class="citation journal">Pravdich-Neminsky, VV. (1913). </cite></ref> Em 1914, Napoleão Cybulski e Jelenska-Macieszyna fotografaram gravações de EEG de experimentações de <span lang="pt" class="short_text" id="result_box">convulsões induzidas.</span>
 
O procedimento foi descrito pela primeira vez pelo fisiologista alemão [[Emil du Bois-Reymond]]. Ele descobriu que a propagação do estímulo nervoso resultava no surgimento de uma corrente elétrica. Coube, no entanto, ao psiquiatra [[Hans Berger]] (1873-1941), de [[Jena]], na [[Alemanha]], o mérito de registrar o primeiro exame de EEG em um ser humano no ano de 1924.<ref><cite class="citation journal">Haas, L F (2003). </cite></ref> Ele obteve a primeira imagem gráfica das corrente elétricas do cérebro através da pele intacta da cabeça de um homem, método que desenvolveu em suas pesquisas sobre a psicofísica e psicofisiologia dos estados anímicos. Seus trabalhos foram publicados entre 1929 e 1938, e não muito aceitos imediatamente em sua terra natal. Expandindo trabalhos anteriormente realizados em animais por Richard Caton e outros, Berger também inventou o eletroencefalograma (dando ao dispositivo seu nome), uma invenção descrita "como uma das mais surpreendentes, extraordinárias e importantes &nbsp;avanços na história da neurologia clínica".<ref>[http://www.bri.ucla.edu/nha/ishn/ab24-2002.htm Millet, David (2002).]</ref> Suas descobertas foram &nbsp;confirmadas em 1934 pelos cientistas britânicos [[Edgar Douglas Adrian]] e B. H. C. Matthews, que seguiram desenvolvendo as pesquisas.
 
Em 1932, A. E. Kornmüller descreveu a existência de diferenças na atividade elétrica nas distintas áreas do córtex cerebral e também pela primeira vez registrou a descrição das descargas de correntes [[Convulsão|convulsivantes]] nos [[Epilepsia|epilépticos]]. F. A. Gibbs, H. Davis e W. G. Lennox, dando continuidade ao seu trabalho, identificaram o complexo ponta de onda (3 por segundo) com o pequeno mal dos epilépticos. Grey Walter em Londres, em 1936, estabeleceu a técnica de localização de [[tumor]]es com o EEG.[[Ficheiro:ComponentsofERP - PT.svg|Eeg raw.svg|esquerda|220px]]
 
Em 1934, Fisher e Lowenback demonstraram pela primeira vez disparos "<nowiki>''</nowiki>epilepticoformes<nowiki>''</nowiki>". No ano seguinte, 1935, Gibbs, Davis e Lennox descreveram inter -ictal pico de ondas e os três ciclos/s padrão de clínica [[Crise de ausência|crises de ausência]], que começou o campo da clínica eletroencefalografia. Posteriormente, em 1936, Gibbs e Jasper relataram o pico interictal como o centro de assinatura de epilepsia. No mesmo ano, o primeiro laboratório de EEG &nbsp;foi aberto no Hospital Geral de Massachusetts.
 
Berger obteve um reconhecimento público por seu trabalho em 1937 no I Congresso Internacional de Psicologia ocorrido nesse ano em Paris. Contudo, por sua difusão principalmente no Canadá, Estados Unidos e Grã Bretanha, em meados da década de 1950, a eletroencefalografia já estava accessível nas clínicas médicas.
Franklin Offner (1911-1999), professor do departamento de biofísica na [[Universidade Northwestern|Universidade de Northwestern]], desenvolveu um protótipo de EEG que incorporava um ''piezoelectric inkwriter ''chamado ''Crystograph ''(o dispositivo como um todo era conhecido como o Offner Dynograph).
 
Em 1947, A Sociedade Americana de EEG foi fundada e &nbsp;o primeiro Congresso &nbsp;Internacional de EEG foi realizado. Em 1953 Aserinsky e Kleitman descreveram o &nbsp;sono REM.
 
Na década de 1950, [[William Grey Walter]] desenvolveu um auxiliar de EEG chamado de EEG topografia, o que permitiu o mapeamento da atividade elétrica através da superfície do cérebro. Isso permitiu um breve período de popularidade na década de 1980 e parecia especialmente promissor para a psiquiatria. Ele nunca foi aceito pelos neurologistas e continua a ser, principalmente, uma ferramenta de pesquisa.
* sonolência em adultos e adolescentes
* inatividade
* Associada com a inibição de respostas eliciadas &nbsp;(descobriu-se picos em situações onde a pessoas está ativamente tentando reprimir uma resposta ou ação).<ref name="Kirmizi-Alsan2006" />
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* lesões subcorticais focais