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[[Ficheiro:Fresque Mithraeum Marino.jpg|right|300px|thumb|''Mitra e o touro'', [[fresco]] encontrado na cidade de [[Marino (Itália)|Marino]].]]
 
== História ==
=== Origens do mitraísmo ===
Mitra era uma divindade indo-iraniana cuja referência mais antiga remonta ao segundo milénio a.C.. O culto surgiu na [[Índia]] tendo se difundido pela [[Pérsia]] e mais tarde pelo Médio Oriente.
 
Num tratado entre os [[Hititas]] e os Mitânios assinado no século XV a.C., Mitra é apresentado como deus dos contratos. Na [[Índia]], surge nos hinos védicos como um ''deus da luz'', associado a [[Varuna]].
 
Julga-se ter sido [[Dario I]] a reconhecer pela primeira vez o [[zoroastrismo]] como religião oficial do [[Império Aqueménida]].
O zoroastrismo é uma religião monoteísta, que postula a existência de um único Deus ao qual atribui o nome de [[Ahura Mazda]]. O fundador, [[Zaratustra]], opunha-se ao sacrifício dos bois, elemento que se encontra no mitraísmo.
 
Dario I e os sucessores não pretenderam erradicar as antigas crenças pagãs, uma vez que essa política poderia gerar oposição política. A religião zoroastriana acabou por receber influências de elementos pagãos anteriores. Uma inscrição encontrada em [[Susa]], datada da época de [[Artaxerxes II]] menciona Mitra junto com Ahura Mazda e uma deusa chamada [[Anahita]]. No [[Avesta]], Mitra surge como um deus benéfico, colaborador de [[Ahura Mazda]], desempenhando funções de juiz das almas.
 
A invasão da Pérsia por [[Alexandre Magno]] em {{AC|330|x}} provocaria a decadência do culto de Mitra, que sobreviveu apenas entre os aristocratas que habitavam a parte ocidental do Império Persa, na fronteira com o mundo greco-romano. A partir daí, o culto de Mitra difundiu-se nas regiões vizinhas. Ao reconhecer o imperador [[Nero]] como seu senhor, o rei Tiridates da Arménia realizou uma cerimónia associada a Mitra. O culto do deus encontra-se igualmente atestado entre os reis de [[Comagena]].
 
A primeira referência na [[historiografia]] greco-romana ao culto de Mitra encontra-se na obra de [[Plutarco]], que refere que os piratas da [[Cilícia]] celebravam ritos secretos relacionados com Mitra no ano 67 a.C.
Em finais do {{séc|III}} gerou-se um sincretismo entre a religião de Mitra e certos cultos solares de procedência oriental, que se cristalizaram na religião do ''Sol Invictus''. Esta religião foi estabelecida como oficial no [[Império Romano]] em 274 pelo imperador [[Aureliano]], que mandou construir em Roma um templo dedicado ao deus e criou um corpo estatal de sacerdotes para prestar-lhe culto. O máximo dirigente deste culto levava o título de ''pontifex solis invicti''. Aureliano atribuiu a ''Sol Invictus'' as suas vitórias no Oriente. Contudo, este sincretismo não implicou o desaparecimento do mitraísmo, que continuou existindo como culto não oficial. Muitos dos senadores da época professaram ao mesmo tempo o mitraísmo e a religião do ''Sol Invictus''.
 
No entanto, este período representou o começo do fim do mitraísmo, provocado pelas perdas territoriais que o império sofreu em consequência da invasão dos povos [[bárbaros]] e que afectariam os territórios fronteiriços onde o culto estava muito arreigado. A concorrência do cristianismo, apoiado por [[Constantino I|Constantino]], tiraria adeptos ao mitraísmo. Importa realçar o facto do mitraísmo excluir as mulheres, situação que não se verificava no cristianismo. O cristianismo substitui o mitraísmo durante o {{séc|IV}} até se converter na única religião permitida com [[Teodósio]] (379 - 395). O imperador [[Juliano (imperador)|Juliano]] tentou revitalizar o culto de Mitra, bem como o usurpador Eugénio, nos dois casos com pouco êxito. O mitraísmo foi abolido formalmente em 391, sendo provável que a sua prática tenha continuado várias décadas.
 
Em algumas regiões dos [[Alpes]], o mitraísmo sobreviveu até ao {{séc|V}}, bem como no Oriente, onde teve um renascimento breve. Acredita-se que o mitraísmo teve um importante papel no desenvolvimento do [[maniqueísmo]], outra doutrina que seria concorrencial ao cristianismo.
Enquanto pastoreava nas montanhas encontrou o touro primordial, que agarrou pelos cornos e montou, mas com o seu galope selvagem a besta fez com que ele saísse de cima dele. Mitra continuou agarrando os cornos do animal, tendo o touro o arrastado por bastante tempo até que o animal ficou cansado. O deus agarrou-o então pelas patas traseiras e carregou-o aos ombros. Levou-o vivo, com muitas dificuldades, até à sua caverna. Esta viagem de Mitra com o touro às costas é denominada de ''transitus''.
 
Quando chegou à caverna um corvo enviado pelo sol comunicou-lhe que deveria realizar o sacrifício; Mitra, segurando o touro, cravou-lhe a faca no flanco. Da coluna vertebral do touro saiu trigo e o seu sangue era vinho. O seu [[sémen]], recolhido e purificado pela lua, gerou animais úteis ao homem. Ao local chegou um [[cão]], que comeu o trigo, um [[escorpião]], que enfiou as suas pinças nos testículos do animal, e uma serpente.
 
;2. Iconografia.
Algumas pinturas mostram Mitra carregando uma rocha sobre as costas, como [[Atlas (mitologia)|Atlas]] na [[mitologia grega]], ou vestido com uma capa cujo forro interior representa o céu estrelado. Perto de um mitreu próximo da [[Muralha de Adriano]] foi encontrada uma estátua em bronze de Mitra emergindo de um anel zodiacal em forma de ovo (a estátua encontra-se actualmente na Universidade de [[Newcastle upon Tyne|Newcastle]]). Uma inscrição encontrada em Roma sugere que Mitra poderia identificar-se com o deus criador do [[Orfismo (culto)|orfismo]], Fanes, que surgiu de um ovo cósmico no começo do tempo, dando origem ao universo. Esta posição é reforçada por um baixo-relevo no Museu Estense de [[Módena]], onde se vê Fanes a nascer de um ovo, rodeado pelos doze [[signos do Zodíaco]], uma representação muito semelhante à que se encontra na Universidade de Newcastle.
 
A imagem central do mitraísmo é a da [[tauroctonia]], ou seja, a representação do sacrifício ritual do touro sagrado por Mitra. Esta representação tem elementos iconográficos fixos: Mitra surge como o [[barrete frígio]] e olha para o touro com compaixão; em muitos casos, a cabeça de Mitra olha para trás para evitar olhar directamente para o touro. Inclinado sobre o touro, o deus degola-o com uma faca sacrificial. Da ferida do touro nasce trigo e junto ao touro encontram-se vários animais: um [[escorpião]] que aperta com as suas pinças os testículos do touro; uma [[serpente]]; um cão que se alimenta do trigo que nasce da ferida e um corvo. Por vezes aparecem também um leão e um copo. A imagem está flanqueada por duas personagens portadores de tochas, [[Cautes e Cautópates]]. A cena surge situada numa espécie de caverna, sendo possivelmente a representação do mitreu, ou de acordo com outras interpretações, do cosmos, dado estarem presentes o sol e a lua.
O rito principal era um banquete ritual, que aparentemente tinha algumas semelhanças com a [[eucaristia]] do cristianismo. Segundo [[Justino]], os alimentos oferecidos no banquete eram o pão e a água, mas alguns achados arqueológicos revelaram que se tratava de pão e vinho. Esta cerimónia era realizada na parte central do mitreu, onde existiam dois bancos onde os participantes se deitavam, conforme o costume romano de comer deitado. Os Corvos desempenhavam a função de servidores dos alimentos sagrados. Do ritual fazia também parte o sacrifício de um touro e outros animais.
 
A estátua de Mitra Tauróctonos desempenhavam um papel nestes ritos, embora não se conheça exactamente qual. Em alguns mitreus foram descobertos pedestais giratórios, que se acredita terem servido para mostrar e ocultar a imagem aos fiéis.
 
Num determinado momento da evolução do mitraísmo introduz-se o rito do ''taurobolium'' ou baptismo dos fiéis com sangue de um touro, prática comum a outras religiões orientais. Graças a [[Tertuliano]] conhecem-se hoje as severas críticas cristãs a estas práticas.
 
Tertuliano também descreve o rito de iniciação do grau de Soldado (''Miles''). O candidato era baptizado (talvez por imersão), sendo marcado com um ferro em brasa; era alvo de um teste, no qual se colocava uma coroa na sua cabeça que este deveria deixar cair, proclamando que Mitra era a sua coroa. Posteriormente os iniciados assistiam a uma morte ritual e simulada, cujo oficiante era um ''pater''.
 
De acordo com Porfírio, no grau de ''Leo'', colocava-se [[mel]] na boca dos recém-nascidos; para os iniciados adultos vertia-se mel sobre as suas mãos que estes lambiam em sinal de comunhão. Acredita-se que cada nível de iniciação teria o seu próprio ritual.
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