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|propósito = Iniciar uma discussão sobre as doutrinas católicas.
}}
As '''''95 Teses''''' ou '''''Disputação do Doutor Martinho Lutero sobre o Poder e Eficácia das Indulgências''''' (em [[latim]]: ''Disputatio pro declaratione virtutis indulgentiarum''){{efn|Este título se encontra na impressão do panfleto da [[Basileia]] de 1517. As primeiras cópias das ''Teses'' usam de um ''[[incipit]]'' no lugar de um título que resuma o conteúdo. O cartaz de [[Nuremberg]] de 1517 introduz as ''Teses'' com {{lang|la|''Amore et studio elucidande veritatis: hec subscripta disputabuntur Wittenberge. Presidente R.P Martino Lutther ... Quare petit: vt qui non possunt verbis presentes nobiscum disceptare: agant id Uteris absentes.''}} Lutero usualmente as chama de "{{lang|de|''meine Propositiones''}}" (minhas proposições).{{sfn|Cummings|2002|p=32}}}} são uma lista de proposições para uma [[disputa (escolástica)|disputa]] acadêmica escritas em 1517 por [[Martinho Lutero]], professor de [[teologia moral]] da [[Universidade de Wittenberg]], Alemanha, as quais iniciaram a [[Reforma Protestante]], um [[cisma]] da [[Igreja Católica]] que mudou profundamente a Europa. Tais teses discorrem sobre as posições de Lutero contra o que ele viu como práticas abusivas por pregadores que realizavam a venda de [[indulgência]]s, que tinham por finalidade reduzir a punição temporal de [[pecado]]s cometidos pelos próprios compradores ou por algum de seus entes queridos no [[purgatório]]. Nas ''Teses'', Lutero afirmou que o [[arrependimento]] requerido por Cristo para que os pecados sejam perdoados envolve o arrependimento espiritual interior e não meramente uma [[confissão (sacramento)|confissão sacramental]] externa. Ele argumentou que as indulgências levam os cristãos a evitar o verdadeiro arrependimento e a tristeza pelo pecado, acreditando que podem renunciá-lo comprando uma indulgência. Estas também, de acordo com Lutero, desencorajam os cristãos de dar aos pobres e realizarem outros [[Obras de misericórdia|atos de misericórdia]], acreditando que os certificados de indulgência eram mais valiosos espiritualmente. Apesar de Lutero ter afirmado que suas posições sobre as indulgências estavam de acordo com as do [[Papa Leão X|papa]], as teses desafiaram uma [[bula pontifícia]] do século XIV, as quais afirmavam que o papa poderia usar o [[tesouro do mérito]] e as boas obras dos santos do passado para perdoar a punição temporal pelos pecados. As ''Teses'' são formuladas como proposições a serem discutidas em debate não representariam necessariamente as opiniões de Lutero, porém ele não as esclareceu posteriormente na obra ''Explicações da vida e Disputa sobre o Valor das Indulgências''.
 
Lutero enviou as ''Teses'' anexadas a uma carta a [[Alberto de Mainz]], o [[Arcebispo de Mainz]], em 31 de outubro de 1517, data que é considerada o início da [[Reforma Protestante]] e que é comemorada anualmente como o [[Dia da Reforma Protestante]]. Lutero também pode ter afixado as ''Teses'' na porta da [[Igreja do Castelo de Wittenberg]] e de outras igrejas em Wittenberg, de acordo com o costume da Universidade, em 31 de outubro, ou em meados de novembro. As ''Teses'' foram rapidamente reimpressas, traduzidas e distribuídas por toda a Alemanha e a Europa. Iniciou-se então uma [[guerra panfletária]] com o pregador de indulgências [[Johann Tetzel]], contribuindo para a difusão da fama de Lutero. Os superiores eclesiásticos de Lutero o julgaram de [[heresia]], o que não culminou na sua [[excomunhão]] em 1521. Embora a publicação das ''Teses'' seja o início da Reforma Protestante, Lutero não considerava as indulgências tão importantes como outras questões teológicas que dividiriam a igreja, como a [[justificação pela fé]] e o [[De servo arbitrio|livre arbítrio]]. Sua descoberta acerca destas questões viria mais tarde, sendo que ele não via a escrita das ''Teses'' como o ponto em que suas crenças divergiram daquelas da Igreja Católica.
 
== Contexto ==
 
[[Imagem:Indulgence selling from On Aplas von Rom.png|thumb|Xilogravura de uma venda de indulgências em uma igreja registrada em um panfleto de 1521]]
Os papas são autorizados apenas a conceder indulgências plenárias, que fornecem completo perdão para qualquer punição temporal restante devido aos pecados, estas compradas em nomes de pessoas que se acredita estarem no purgatório. Isto levou à criação do dito popular: "Assim que a moeda no cofre cai, a alma do purgatório sai", o qual foi criticado pelos teólogos da [[Universidade de Paris]] no final do século XV.{{sfn|Brecht|1985|p=182}} Entre os críticos mais antigos das indulgências inclui-se [[John Wycliffe]], que negou que o papa tivesse jurisdição sobre o purgatório.{{sfn|Waibel|2005|p=47}} [[Jan Hus]] e seus [[Hussitas|seguidores]] defendiam um sistema mais severo de penitências, no qual as indulgências não estavam disponíveis.{{sfn|Brecht|1985|p=177}} Já os governantes políticos tinham interesse em controlar as indulgências porque as economias locais sofriam quando determinados territórios eram utilizados como pagamento das indulgências. Os governantes, muitas vezes, procuravam receber uma parte dos lucros ou das indulgências proibidas, como fez [[Jorge, Duque da Saxônia]] no [[Eleitorado da Saxônia]] de Lutero.{{sfn|Brecht|1985|pp=178, 183}}
 
Em 1515, o [[Papa Leão X]] concedeu uma indulgência plenária destinada a financiar a construção da [[Basílica de São Pedro]] em [[Roma]], que seria aplicável a quase todos os pecados, com exceção do adultério e do roubo.{{sfn|Brecht|1985|p=178}} Todas as outras pregações de indulgência cessariam em um período de oito anos, enquanto esta seria oferecida à quem doasse valores para ajudar na construção do edifício. Aos pregadores de indulgência foram dadas instruções rigorosas de como as indulgências deveriam ser pregadas, sendo que estas deveriam ser muito mais laudatórias do que as anteriores.{{sfn|Brecht|1985|p=180}} [[Johann Tetzel]] foi o encarregado de pregar e oferecer esta indulgência em 1517, e esta sua campanha em cidades próximas à [[Wittenberg]] atraiu muitos dos moradores para viajarem a tais localidades para comprá-las, uma vez que sua venda havia sido proibida em Wittenberg e outras cidades saxônicas.{{sfn|Brecht|1985|p=183}}
 
Lutero também havia tido experiência com as indulgências relacionadas à [[Igreja do Castelo de Wittenberg]].{{sfn|Brecht|1985|p=186}} Ao venerar a grande coleção de relíquias da igreja, qualquer um poderia receber uma indulgência.{{sfn|Brecht|1985|pp=117–118}} Ele já pregava em 1514 contra o abuso das indulgências e o modo como eles barateavam a graça ao invés de exigir um verdadeiro [[arrependimento]].{{sfn|Brecht|1985|p=185}} Lutero ficou preocupado principalmente em 1517, quando os seus paroquianos, ao retornarem da compra de indulgências oferecidas por Tetzel, afirmaram que eles não precisavam se arrepender e mudar as suas vidas para serem perdoados de seus pecados. Depois de escutar o que Tetzel discorria sobre as indulgências em seus sermões, Lutero começou a estudar cuidadosamente o assunto e contactar especialistas sobre o tema. Ele realizou diversas pregações em 1517 sobre as indulgências, sempre explicando que o verdadeiro arrependimento era mais eficaz do que a compra de uma indulgência.{{sfn|Brecht|1985|p=184}} Ele ensinou que receber uma indulgência pressupunha que o penitente havia se confessado e se arrependido, caso contrário de nada valia a não ser matar ortodoxos. Um pecador verdadeiramente arrependido também não procuraria uma indulgência, porque amava a justiça de Deus e desejava receber o castigo interior de seu pecado.{{sfn|Brecht|1985|p=187}} Estes sermões cessaram de ser pregados entre abril e outubro de 1517, presumivelmente enquanto Lutero estava escrevendo as ''95 Teses''.{{sfn|Brecht|1985|p=188}} Ele redigiu um ''Tratado Sobre a Indulgência e a Graça'' no início do outono de 1517, sendo este um exame cauteloso e uma pesquisa sobre o assunto.{{sfn|Wicks|1967|p=489}} Ele contactou os líderes da igreja por meio de cartas, incluindo o seu superior [[Hieronymus Schulz]], [[Bispo de Brandemburgo]], alguns momentos antes do dia 31 de outubro, que foi quando ele enviou as ''95 Teses'' para o [[Arcebispo de Mainz|Arcebispo]] [[Alberto de Mainz]].{{sfn|Leppin|Wengert|2015|p=387}}
 
== Conteúdo ==
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