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=== Filosofia do século XX ===
{{Artigo principal|Filosofia do século XX}}
[[Imagem:HeideggerEdmund 4Husserl (1960) cropped1910s.jpg|thumb|upright=0.8|''[[MartinEdmund Heidegger|HeideggerHusserl]]'', (1960)o pai da Fenomenologia]]
No século XX, a filosofia tornou-se uma disciplina profissionalizada das universidades, semelhante às demais disciplinas acadêmicas. Desse modo, tornou-se também menos geral e mais especializada. Na opinião de um proeminente filósofo: “A filosofia tem se tornado uma disciplina altamente organizada, feita por especialistas para especialistas. O número de filósofos cresceu exponencialmente, expandiu-se o volume de publicações e multiplicaram-se as subáreas de rigorosa investigação filosófica. Hoje, não só o campo mais amplo da filosofia é demasiadamente vasto para uma única mente, mas algo similar também é verdadeiro em muitas de suas subáreas altamente especializadas.”<ref>Soames, Scott. ''Philosophical analysis in the twentieth century''. Princeton: Princeton University Press, 2003. V. 2. [http://books.google.com.br/books?id=dtf_SKS-FEEC&pg=PA463&dq=Not+only+is+the+broad+field+of+philosophy+today+far+too+vast+to+be+embraced+by+one+mind,+something+similar+is+true+even+of+many+highly+specialized+subfields&hl=pt-BR&ei=W0YKTYS5D4T78AaMqrCfAQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCYQ6AEwAA#v=onepage&q=Not%20only%20is%20the%20broad%20field%20of%20philosophy%20today%20far%20too%20vast%20to%20be%20embraced%20by%20one%20mind%2C%20something%20similar%20is%20true%20even%20of%20many%20highly%20specialized%20subfields&f=false p. 463]</ref>
Nos países de língua inglesa, a [[filosofia analítica]] tornou-se a escola dominante. Na primeira metade do século, foi uma escola coesa, fortemente modelada pelo [[positivismo lógico]], unificada pela noção de que os problemas filosóficos podem e devem ser resolvidos por análise lógica. Os filósofos britânicos [[Bertrand Russell]] e [[George Edward Moore]] são geralmente considerados os fundadores desse movimento. Ambos romperam com a tradição idealista que predominava na Inglaterra em fins do século XIX e buscaram um método filosófico que se afastasse das tendências espiritualistas e totalizantes do idealismo. Moore dedicou-se a analisar crenças do [[senso comum]] e a justificá-las diante das críticas da filosofia acadêmica. Russell, por sua vez, buscou reaproximar a filosofia da tradição empirista britânica e sintonizá-la com as descobertas e avanços científicos. Ao elaborar sua [[Descrições definidas|teoria das descrições definidas]], Russell mostrou como resolver um problema filosófico empregando os recursos da nova [[lógica matemática]]. A partir desse novo modelo proposto por Russell, vários filósofos se convenceram de que a maioria dos problemas da filosofia tradicional, se não todos, não seriam nada mais que confusões propiciadas pelas ambiguidades e imprecisões da linguagem natural. Quando tratados numa linguagem científica rigorosa, esses problemas revelar-se-iam como simples confusões e mal-entendidos.
Sob a inspiração dos trabalhos de Russell e de Wittgenstein, o [[Círculo de Viena]] passou a defender uma forma de empirismo que assimilasse os avanços realizados nas ciências formais, especialmente na lógica. Essa versão atualizada do empirismo tornou-se universalmente conhecida como neopositivismo ou positivismo lógico. O Círculo de Viena consistia numa reunião de intelectuais oriundos de diversas áreas (filosofia, física, matemática, sociologia, etc.) que tinham em comum uma profunda desconfiança em relação a temas de teor metafísico. Para esses filósofos e cientistas, caberia à filosofia elaborar ferramentas teóricas aptas a esclarecer os conceitos fundamentais das ciências e revelar os pontos de contatos entre os diversos ramos do conhecimento científico. Nessa tarefa, seria importante mostrar, entre outras coisas, como enunciados altamente abstratos das ciências poderiam ser rigorosamente reduzidos a frases sobre a nossa experiência imediata.<ref>Galvão, Paulo. "Positivismo Lógico," in Branquinho, João; Murcho, Desidério; Gomes, Nelson Gonçalves (orgs.) ''Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos''. São Paulo: Martins Fontes, 2006. pp. 577-80.</ref>
 
Fora dos países de língua inglesa, floresceram diferentes movimentos filosóficos. Entre esses destacam-se a fenomenologia, a [[hermenêutica]], o [[existencialismo]] e versões modernas do [[marxismo]]. Para [[Edmund Husserl]], o traço fundamental dos fenômenos mentais é a [[intencionalidade]]. A estrutura da intencionalidade é constituída por dois elementos: ''[[noesis]]'' e ''noema''. O primeiro elemento é o ato intencional; e o segundo é o objeto do ato intencional. A ciência da fenomenologia trata do significado ou da essência dos objetos da consciência. A fim de revelar a estrutura da consciência, o fenomenólogo deve pôr entre parêntesis a realidade empírica. Segundo Husserl, os procedimentos fenomenológicos desvelam o ego transcendental – que é a própria base e fonte de unidade do eu empírico.<ref name="Bunnin">Bunnin, N.; Yu, J (eds.) ''The Blackwell dictionary of Western philosophy''. Blackwell, 2004. [http://www.blackwellreference.com/public/book?id=g9781405106795_9781405106795 Blackwell Reference Online]. Acesso em 28/03/2011.</ref> Coube a um dos alunos de Husserl, o filósofo alemão [[Martin Heidegger]] (1889-1976), construir uma filosofia que mesclasse a fenomenologia, a hermenêutica e o existencialismo. O ponto de partida de Heidegger foi a questão clássica da metafísica: "o que é o ser?". Mas, na abordagem de Heidegger, a resposta a essa questão passa por uma análise dos modos de ser do ser humano – que foi por ele denominado ''[[Dasein]]'' (Ser-aí). O ''Dasein'' é o único ser que pode se admirar com a sua própria existência e indagar o sentido de seu próprio ser.
 
O modo de existir do ''Dasein'' está intimamente conectado com a história e a temporalidade e, em vista disso, questões sobre autenticidade, cuidado, [[Angst|angústia]], [[finitude]] e [[morte]] tornam-se temas centrais na filosofia de Heidegger.<ref name="Bunnin"/>
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